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Trump perdeu a guerra contra o Irã e precisa vendê-la como vitória, afirma professor iraniano

Seyed M. Marandi analisa o MoU Irã-EUA, aponta derrota americana e crise energética. Para ele, Trump recuou e tenta vender acordo como vitória.

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O professor Seyed M. Marandi, da Universidade de Teerã e ex-assessor da equipe de negociação nuclear do Irã, avaliou que os Estados Unidos perderam a guerra contra o Irã e o recente memorando de entendimento (MoU) firmado entre os países reflete a necessidade americana de sair do conflito sem uma derrota explícita. Em entrevista ao programa de Glenn Diesen, Marandi afirmou que o plano de dez pontos inicialmente aceito pelos EUA já era um recuo em relação à exigência de rendição incondicional.

Segundo Marandi, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu agravou a situação ao bombardear Beirute e sabotar o cessar-fogo, mantendo o Estreito de Ormuz fechado para países aliados dos EUA e elevando os preços da energia. “O próprio Trump admitiu que os EUA tinham apenas quatro semanas de reservas de petróleo”, lembrou o professor, destacando que a crise energética forçou o recuo americano.

O memorando, que revoga as sanções sobre as exportações de petróleo iraniano e descongela ativos, foi aprovado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, embora o Líder Supremo, aiatolá Khamenei, tenha manifestado insatisfação com alguns pontos. Marandi interpretou a crítica como um sinal enviado a Washington: “Os negociadores iranianos não cederão mais nada”.

Apesar da melhora no tráfego de navios, o professor observou que as ameaças de Trump contra o Irã mantêm a desconfiança de seguradoras e armadores, o que na prática limita a normalização do fluxo no estreito – situação que, segundo ele, favorece a manutenção da alavancagem iraniana nas negociações.

Para Marandi, as declarações do presidente americano sobre os mísseis iranianos e a necessidade de energia nuclear para fins pacíficos mostram uma mudança retórica sem precedentes, mas o verdadeiro teste será a implementação do MoU. Ele considera que a pressão doméstica e a força do lobby sionista nos EUA ainda podem destruir o acordo, em especial porque Netanyahu fará de tudo para boicotá-lo.

O entrevistado argumentou que o crescente desgaste da imagem de Israel, alimentado pelo genocídio em Gaza e pela brutalidade no Líbano, está enfraquecendo o sionismo na opinião pública ocidental. “Mesmo entre os republicanos mais velhos, base tradicional do apoio a Israel, a rejeição aumenta”, disse. No entanto, ressalvou que a influência da oligarquia sionista sobre a mídia e as plataformas digitais ainda é imensa.

“O colapso do império está se desenrolando diante dos nossos olhos”, concluiu Marandi, prevendo tempos sombrios, mas vendo no longo prazo a inviabilidade do regime israelense. Ele ponderou que qualquer tentativa de retomar o confronto com o Irã só aceleraria a crise econômica global e aprofundaria o isolamento de Israel.

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