Menu

Israel sofre derrota em todas as frentes e as consequências já começam, afirma Scott Ritter

Em entrevista, Scott Ritter afirma que Israel já perdeu a guerra, será forçado a deixar o Líbano e que a crise no Estreito de Ormuz pressiona a economia do

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Em entrevista ao programa Dialogue Works, o ex-oficial de inteligência dos EUA Scott Ritter fez uma análise contundente da atual situação no Oriente Médio, afirmando que Israel já foi derrotado em todas as frentes e que as consequências dessa derrota já estão se manifestando. Segundo Ritter, o memorando de entendimento (MoU) assinado entre os EUA e o Irã, cujo primeiro ponto trata da soberania do Líbano, reflete exatamente essa realidade. ‘A segurança de Israel só pode ser garantida com base na soberania libanesa’, disse. Ele lembrou que o Hezbollah existe unicamente devido à ocupação ilegal do sul do Líbano por Israel e que, caso Israel insista em permanecer, será expulso novamente, como já ocorreu em 2000.

Para Ritter, qualquer mecanismo de ‘deconfliction’ proposto pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, é inútil se a premissa for subordinar a soberania libanesa à segurança israelense. ‘Os EUA são incapazes de cumprir acordos’, afirmou, acrescentando que a prioridade americana sempre foi a segurança de Israel, permitindo que o país bombardeie Beirute quando quiser, enquanto o Hezbollah é impedido de retaliar. Ele enfatizou que a única solução aceitável é a retirada total de Israel de cada centímetro do território libanês, o que faria a milícia perder sua legitimidade e se transformar em um partido político ou ser absorvida pelo exército libanês.

O entrevistado foi categórico ao afirmar que o Irã não cederá. Caso Israel ataque novamente o Líbano, o MoU perderá efeito e Teerã retaliará, assim como fez no passado. Para Ritter, o fator determinante é o Estreito de Ormuz. ‘O Irã já mostrou que pode fechar o estreito, e isso asfixia a economia mundial’, explicou. Ele ressaltou que a sobrevivência política de Donald Trump está atrelada à reabertura consistente da passagem, pois a crise energética decorrente da guerra precipitada pelo próprio presidente ameaça as eleições legislativas de novembro. ‘É a economia, estúpido’, repetiu, parafraseando o lema político americano, para sublinhar que as carteiras vazias dos eleitores enterrarão qualquer apoio a Israel.

Ritter também avaliou a relação entre Netanyahu e Trump. Segundo ele, o primeiro-ministro israelense, ‘um criminoso genocida comparável a Adolf Hitler’, levou os EUA a uma guerra contra o Irã que terminou em derrota. O MoU, disse, foi ditado pelo Irã e assinado por Trump como uma rendição disfarçada. Com as eleições se aproximando e a economia em frangalhos, o presidente americano vê Netanyahu como o responsável pela ruína da marca Trump e tende a abandoná-lo. ‘Netanyahu não sobreviverá politicamente se Trump puxar o tapete’, comentou, prevendo até uma guerra civil em Israel, dada a polarização extrema que o premier gerou no país.

Quanto a J.D. Vance, o ex-oficial da Marinha foi descrito como alguém sem qualquer experiência militar estratégica. ‘Ele era um cabo que tirava fotografias’, disse Ritter, destacando que Vance jamais precisou tomar decisões complexas de logística ou geopolítica e, portanto, não compreende a realidade do Estreito de Ormuz nem a capacidade militar iraniana. Para Ritter, tanto Trump quanto Vance sabiam dos riscos antes do conflito, mas foram enganados por assessores como Pete Hegseth, que prometeram uma vitória impossível.

Por fim, Ritter apontou que a derrota dos EUA e de Israel está reconfigurando toda a arquitetura de segurança do Oriente Médio. As monarquias do Golfo, que antes dependiam da proteção militar americana, perceberam que os sistemas de defesa não funcionaram e que a cavalaria não virá. Agora, buscam um novo arranjo que inclua o Irã, a Turquia, o Paquistão e outras potências regionais, deixando os EUA de fora. ‘O Grande Israel acabou’, concluiu. ‘Israel recuará para suas fronteiras, sofrerá pressão para sair da Síria e, mais cedo ou mais tarde, terá que aceitar um Estado palestino, porque sua economia é insustentável sem relações normalizadas com o mundo.’

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes