A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República entrou em uma espiral de vulnerabilidade sem precedentes às vésperas do pleito de outubro. A combinação explosiva entre escândalos financeiros, fraturas expostas na própria família e o impacto devastador de medidas protecionistas vindas dos Estados Unidos está corroendo a principal força da direita conservadora brasileira e pavimentando o caminho para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
O desgaste da pré-candidatura bolsonarista acelerou-se com o vazamento de áudios em que o senador solicitava recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Contudo, o golpe mais incisivo veio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que veio a público acusar o enteado de uma “apunhalada nas costas”. A disputa familiar escancarada abalou a confiança da base evangélica e afastou o eleitorado feminino e independente, gerando especulações sobre os movimentos estratégicos do grupo para o pleito de 2030.
Essa dinâmica de declínio é detalhada pelo analista Brian Winter na revista Americas Quarterly, que aponta como o recente anúncio de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros decretado pela administração de Donald Trump desfechou um duro golpe geopolítico sobre a candidatura. Winter revela que o próprio Flávio Bolsonaro chegou a viajar a Washington dias antes para suplicar a autoridades norte-americanas que adiassem as sanções comerciais até depois da eleição de outubro — um apelo ignorado pela Casa Branca.
As sanções protecionistas americanas atingem em cheio o parque fabril dos estados do Sudeste, principal pilar eleitoral da oposição. O tiro pela culatra geopolítico rendeu ao pré-candidato o apelido pejorativo de “TariFlávio” nas redes sociais, com a opinião pública atribuindo ao próprio clã Bolsonaro a culpa pela sobretaxa sobre as exportações nacionais. Em decorrência dessa conjuntura, o presidente Lula ampliou sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto, liderando com folga o cenário de segundo turno e colhendo frutos da percepção de alívio econômico trazida por programas de crédito e renegociação de dívidas.
Diante da incapacidade de nomes alternativos da direita tradicional como Ronaldo Caiado em romper a barreira dos 5% de intenção de voto, cresce a revolta no empresariado e nas bancadas conservadoras do Congresso. O sentimento dominante entre aliados históricos é de frustração ante o que classificam como um espetáculo autofágico da família Bolsonaro, que parece estar desperdiçando uma oportunidade de ouro da oposição e decretando o crepúsculo de sua hegemonia sobre a direita brasileira.


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