Mercado - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/mercado/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 05 May 2026 21:17:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Mercado - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/mercado/ 32 32 Ibovespa avança com alívio externo e Copom no radar https://www.ocafezinho.com/2026/05/05/ibovespa-avanca-com-alivio-externo-e-copom-no-radar/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/05/ibovespa-avanca-com-alivio-externo-e-copom-no-radar/#respond Tue, 05 May 2026 18:30:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/05/ibovespa-avanca-com-alivio-externo-e-copom-no-radar/ O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 5 de maio de 2026, com alta de 0,58%, fechando aos 186.676,14 pontos, conforme apurou a VEJA. O avanço foi impulsionado pelo alívio das tensões geopolíticas e pela expectativa em torno da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

No mercado cambial, o dólar PTAX caiu 0,70%, cotado a R$ 4,9242, refletindo a descompressão das tensões entre Estados Unidos e Irã e o diferencial de juros que favorece o Brasil, segundo análise da InfoMoney. O Banco Central também contribuiu para a queda da moeda ao realizar leilões de swap cambial.

O cenário interno foi marcado pela redução da taxa Selic para 14,5% ao ano, decisão que visa conter a inflação, mas que também reduz o espaço para cortes futuros, conforme relatado pelo melhorinvestimento.net.

Com o cenário global ainda incerto, o mercado brasileiro se beneficia do fluxo positivo para ativos de risco, mantendo-se atrativo para investidores internacionais. A expectativa agora se volta para os próximos movimentos do Copom e a evolução das tensões geopolíticas.

Com informações de fonte original.


Leia também: Comitê de Política Monetária sinaliza cautela e Ibovespa supera 187 mil pontos


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Comitê de Política Monetária sinaliza cautela e Ibovespa supera 187 mil pontos https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/comite-de-politica-monetaria-sinaliza-cautela-e-ibovespa-supera-187-mil-pontos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/comite-de-politica-monetaria-sinaliza-cautela-e-ibovespa-supera-187-mil-pontos/#comments Sat, 02 May 2026 18:31:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/comite-de-politica-monetaria-sinaliza-cautela-e-ibovespa-supera-187-mil-pontos/ 5 Comentários 🔥]]> DATA_REFERENCIA_CONFIRMADA: sábado, 2 de maio de 2026 — O Ibovespa encerrou o pregão acumulando 187.317,64 pontos, avanço de 1,39%. A bolsa reagiu à leitura de que o comunicado pós-reunião do Comitê de Política Monetária manterá os juros altos o suficiente para segurar o capital estrangeiro no país.

O dólar PTAX fechou a R$ 4,9886, recuo de 0,20% frente ao ajuste anterior, na mínima em dois anos, conforme apurou o A Metrópole Sorocabana. A combinação de juros domésticos elevados e busca global por risco manteve a oferta de moeda forte no mercado à vista.

A taxa Selic meta permanece em 14,50% ao ano, após corte de 0,25 ponto na quarta-feira, decisão descrita como prudente pelo Bora Investir. A ata, prevista para a semana que vem, virou o próximo gatilho para definir se o alívio monetário continuará lento.

No exterior, o Federal Reserve manteve sua banda de 3,50% a 3,75% e os preços do minério de ferro subiram 1,2% em Dalian, reforçando o apetite por emergentes. Esse quadro turbinou Vale e siderúrgicas, responsáveis por um terço dos pontos adicionados ao índice.

Com o real entregando uma das melhores performances do ano e o principal índice encostado no recorde de 2024, operadores dizem que o Brasil volta ao radar como alternativa na disputa de capitais entre Sul Global e Wall Street, ao menos enquanto Brasília sustentar o juro real positivo.

Com informações de fonte original.


Leia também: Medo fiscal domina pregão e pressiona o Ibovespa


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Tensão no Oriente Médio pressiona Ibovespa e dólar rompe R$ 5 https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/tensao-no-oriente-medio-pressiona-ibovespa-e-dolar-rompe-r-5/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/tensao-no-oriente-medio-pressiona-ibovespa-e-dolar-rompe-r-5/#comments Fri, 24 Apr 2026 18:31:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/tensao-no-oriente-medio-pressiona-ibovespa-e-dolar-rompe-r-5/ 8 Comentários 🔥]]> O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira, 24 de abril de 2026 em queda de 0,58%, aos 190.265,73 pontos, impactado pelo avanço das tensões no Oriente Médio, conforme destacou a revista Veja.

De acordo com a publicação, a escalada militar envolvendo Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz reacendeu o temor por interrupções no fornecimento de petróleo, revertendo o apetite por risco e levando investidores a se refugiar no dólar. A cotação PTAX da moeda norte-americana subiu 1,10%, encerrando em R$ 5,0083, segundo dados do Banco Central.

A pressão geopolítica ofuscou balanços corporativos e novas revisões de lucros na bolsa paulista, observou o InfoMoney. Mesmo com papéis isolados em alta, o índice segue longe dos níveis de confiança vistos no início do mês, quando operadores ainda apostavam em alívio monetário antes da reunião do Copom.

A taxa Selic permanece em 14,75% ao ano, conforme o último dado disponível no Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central (referência de 29/04/2026). O próximo ajuste deverá avaliar se o conflito externo provoca repasse cambial suficiente para reacender a pressão inflacionária.

Com os juros altos e o dólar firme, o mercado doméstico entra na última semana de abril testando seu fôlego para novos cortes de taxa, agora sob a sombra do barril de petróleo e da diplomacia falhando no Golfo Pérsico.

Com informações de fonte original.


Leia também: Tensão em Ormuz e cautela doméstica fazem Ibovespa recuar e dólar ceder


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Tensão em Ormuz e cautela doméstica fazem Ibovespa recuar e dólar ceder https://www.ocafezinho.com/2026/04/23/tensao-em-ormuz-e-cautela-domestica-fazem-ibovespa-recuar-e-dolar-ceder/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/23/tensao-em-ormuz-e-cautela-domestica-fazem-ibovespa-recuar-e-dolar-ceder/#comments Thu, 23 Apr 2026 18:30:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/23/tensao-em-ormuz-e-cautela-domestica-fazem-ibovespa-recuar-e-dolar-ceder/ 5 Comentários 🔥]]> O Ibovespa encerrou o pregão em 192.081,22 pontos, queda de 0,42% em relação ao fechamento anterior, conforme dados oficiais da B3 e do Banco Central. O dólar PTAX recuou 0,23%, cotado a R$ 4,9539. A taxa Selic meta anual segue em 14,75% ao ano.

A sessão foi marcada por ajustes após a recente trégua parcial entre Estados Unidos e Irã e novos sinais de instabilidade no Estreito de Ormuz, segundo noticiou o Bora Investir. O clima geopolítico mais tenso sustentou o petróleo acima dos US$ 100, o que ajudou empresas ligadas a commodities, mas manteve investidores em compasso de espera.

No câmbio, a menor aversão ao risco internacional e o fluxo positivo de exportadores contribuíram para o fortalecimento do real, como destacou o Estadão E‑Investidor. O movimento foi limitado pela expectativa de decisão do Copom na próxima semana, quando analistas dividem-se entre nova redução de 0,25 ponto percentual ou pausa no ciclo de cortes.

Com o conflito no Oriente Médio afetando as projeções de inflação global e o debate sobre a trajetória da Selic em aberto, a bolsa oscila na fronteira dos 190 mil pontos. A tendência imediata depende tanto do petróleo quanto do tom do Banco Central na reunião do dia 29.

Com informações de fonte primária.


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Frigobar gigante da Xiaomi consome apenas 0,93 kWh/dia e sacode mercado europeu https://www.ocafezinho.com/2026/04/17/frigobar-gigante-da-xiaomi-consome-apenas-093-kwh-dia-e-sacode-mercado-europeu/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/17/frigobar-gigante-da-xiaomi-consome-apenas-093-kwh-dia-e-sacode-mercado-europeu/#respond Fri, 17 Apr 2026 22:46:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/17/frigobar-gigante-da-xiaomi-consome-apenas-093-kwh-dia-e-sacode-mercado-europeu/
Ilustração editorial sobre Frigobar gigante da Xiaomi consome apenas 0,93 kWh/dia e sacode mercado europeu. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um frigobar de 606 litros consumindo menos de 1 kWh por dia. A Xiaomi anunciou o Mijia Refrigerator Pro Dual System Cross 606 L com consumo energético de apenas 0,93 kWh/dia — cerca de 340 kWh/ano — e colocou em xeque os padrões de eficiência que a Europa levou décadas para construir.

A União Europeia, desde 2021, utiliza rótulos energéticos que vão de A a G, eliminando antigas categorias como A+++, A++ e A+. Conforme a diretiva, refrigeradores devem exibir o consumo anual em kWh, o nível de ruído, o volume útil e outros critérios técnicos. Todos esses dados ficam disponíveis no EPREL, banco oficial para verificação de conformidade.

Para efeito de comparação: em 1990, os refrigeradores médios vendidos na UE consumiam cerca de 477 kWh/ano. Até 2020, esse número caiu para 181 kWh/ano, graças a exigências de ecodesign e etiquetagem energética. Há previsões de que o consumo médio possa reduzir ainda mais, para aproximadamente 114 kWh/ano até 2030.

Mesmo assim, um aparelho de 606 L consumindo cerca de 340 kWh/ano estaria acima da média regulatória esperada para modelos menores, porém se destacaria entre os de grande porte. Caso seja lançado oficialmente na Europa, o modelo da Xiaomi deverá ser registrado no EPREL antes de entrar em comercialização para demonstrar sua classe energética segundo os critérios vigentes.

Outro ponto importante refere-se à garantia e suporte técnico. Importar esse modelo direto da Ásia pode acarretar perda da garantia legal de três anos, prevista para muitos eletrodomésticos na Espanha e em outros países da UE. Assistência técnica oficial, peças de reposição e conformidade normativa — incluindo selos de segurança e eficiência — podem não estar assegurados em versões globais ou não homologadas.

Além disso, o custo energético residencial mede-se por tarifa variável. Considerando-se uma tarifa de 0,25 €/kWh, o gasto anual estimado com este refrigerador seria de cerca de 85 €. Ainda assim, o benefício real dependerá da temperatura ambiente, da frequência de abertura da porta e da correta configuração do aparelho — fatores observados nas normas de etiquetagem, como tipo de compressor, climate class e vedação.

O legislativo europeu também reforça regulamentos que vão além da eficiência energética. Desde dezembro de 2025, está em curso uma consulta pública para revisar os regulamentos relativos ao desempenho mínimo, reparabilidade, durabilidade e reciclabilidade de refrigeradores domésticos. O objetivo é eliminar progressivamente modelos que não atingem padrões mais rigorosos de sustentabilidade.

Por que isso importa? Aparelhos como esse refrigerador da Xiaomi têm potencial de alterar o equilíbrio do mercado europeu de eletrodomésticos — beneficiando consumidores que buscam menor gasto mensal de energia e menor impacto ambiental. Para empresas, isso gera pressão por inovação tecnológica, ecológica e regulamentar. E, em termos geopolíticos, demonstra que marcas chinesas avançam não apenas pelo preço, mas por capacidade técnica, mudando as regras da competição global e reforçando o poder produtivo do Sul Global.

Com informações de www.nuevaradio.org.


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Maricá leva projetos estratégicos ao maior evento imobiliário do mundo https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/marica-leva-projetos-estrategicos-ao-maior-evento-imobiliario/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/marica-leva-projetos-estrategicos-ao-maior-evento-imobiliario/#respond Tue, 10 Mar 2026 17:03:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226940 Município apresenta projetos turísticos, culturais e de infraestrutura no MIPIM 2026, em Cannes, para atrair investidores e fortalecer a economia além dos royalties do petróleo

A Prefeitura de Maricá participa do MIPIM 2026, maior feira imobiliária do mundo, realizada de 9 a 13 de março, em Cannes. O município apresenta ao público internacional projetos estratégicos que destacam o potencial turístico e econômico, além de reforçar a estratégia de preparar a cidade para a era pós-royalties do petróleo.

O principal destaque é o complexo turístico MARAEY, finalista do MIPIM Awards na categoria “Melhor Novo Megaempreendimento”. O projeto está entre os quatro melhores megaempreendimentos do mundo e terá o resultado anunciado no dia 12 de março, no Palais des Festivals.

“Maricá vem ao MIPIM para mostrar projeto, identidade e futuro. Estamos construindo o amanhã agora. O mundo está olhando para cidades que conseguem crescer com sustentabilidade e inovação, e é exatamente isso que estamos fazendo aqui”, afirmou o prefeito de Maricá, Washington Quaquá.

Reconhecido pela ONU Turismo como referência em desenvolvimento turístico sustentável, o MARAEY será implantado em uma área de 840 hectares, com apenas 6,6% de ocupação predial e preservação da maior parte do território natural. O empreendimento prevê hotéis de luxo, residências, centros de pesquisa, esporte, educação e a geração de cerca de 18 mil empregos durante a construção.

Para o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), Celso Pansera, a presença da cidade no evento reforça a estratégia de atrair investimentos estruturantes.

“O reconhecimento internacional do MARAEY mostra que Maricá entrou no radar global de projetos inovadores e sustentáveis. É um empreendimento capaz de transformar a economia da cidade e gerar oportunidades para milhares de famílias”, destacou.

Outro projeto apresentado é o resort temático Samba, Futebol e Caipirinha, inspirado em três dos símbolos brasileiros mais conhecidos no mundo. A proposta é criar um destino voltado à experiência cultural brasileira, com quase 500 acomodações, áreas de lazer, gastronomia temática, centro de convenções e a Universidade do Samba.

A identidade cultural brasileira também será um dos destaques da participação de Maricá no evento. A programação inclui apresentações da União de Maricá, campeã da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro, que leva o samba maricaense para o público internacional. Além de se apresentar no estande da cidade, a escola foi convidada pela organização do MIPIM para um momento especial na Welcome Party, a tradicional festa de abertura da feira que reúne autoridades, investidores e convidados de todo o mundo. Neste ano, a celebração acontece no Hotel Martinez, um dos mais icônicos de Cannes.

No estande de Maricá, o público poderá acompanhar ainda shows dos ícones Moacyr Luz e Neguinho da Beija-Flor, além da cantora maricaense Jô Borges e uma experiência gastronômica brasileira com feijoada e caipirinha.

Economia do futuro

Além do turismo, Maricá apresenta projetos voltados ao fortalecimento da infraestrutura econômica. Um deles é o Porto de Maricá, planejado para ser o maior terminal privado do Brasil, com capacidade para movimentar até 80 milhões de toneladas por ano e conectar o município a importantes rotas comerciais internacionais. Além dele, será apresentado também o Hotel N13, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. A proposta é estruturar os empreendimentos em parceria com investidores interessados em desenvolver os projetos na cidade.

“O conjunto desses projetos mostra que Maricá vive um novo ciclo de desenvolvimento, preparando a cidade para o futuro, gerando emprego, renda e qualidade de vida para a população”, afirmou o presidente da Maricá Arte, Roteiros e Experiências (MARÉ), Antônio Grassi.

Também integram a estratégia de desenvolvimento o Hotel Maricá, com previsão de entrega para este ano, e o Plaza Maricá Shopping, em construção e voltado à ampliação da oferta de serviços, comércio e empregos na cidade.

Sobre o MIPIM

Criado em 1990, o MIPIM reúne governos, investidores, incorporadores, arquitetos e operadores de diversos países. O evento funciona como uma vitrine global para projetos de desenvolvimento urbano, turístico e imobiliário e como espaço estratégico para articulação de parcerias e atração de investimentos internacionais.

Durante o evento, a delegação de Maricá tem reuniões agendadas com grupos empresariais internacionais interessados em conhecer os projetos apresentados e avaliar oportunidades de parceria privada para a execução.

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Brasil resgata dignidade social através do emprego https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/brasil-resgata-dignidade-social-atraves-do-emprego/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/brasil-resgata-dignidade-social-atraves-do-emprego/#respond Mon, 05 Jan 2026 14:27:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224016 Dados do IBGE e do Caged mostram desemprego em 5,2% e mais de 103 milhões ocupados, resultado de políticas que priorizam trabalho, renda e proteção social

O Brasil encerra o ciclo de 2025 com motivos sólidos para celebrar uma mudança de rumo na política econômica e social. Após anos de incertezas, os dados recentes do IBGE e do Caged desenham um cenário de recuperação real da dignidade do povo brasileiro. A queda do desemprego para o menor patamar da história não representa apenas um número estatístico, mas sim a volta da comida no prato e da estabilidade nas famílias.

Eventualmente, críticos do papel do Estado tentam minimizar esses avanços, porém os fatos falam por si. O mercado de trabalho aquecido reflete uma escolha política clara de priorizar o investimento e o consumo interno. Portanto, ao alcançarmos a taxa de 5,2% de desocupação, consolidamos um projeto que coloca a pessoa humana acima das oscilações do mercado financeiro.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) trouxe revelações fundamentais sobre a força do nosso mercado de trabalho. Pela primeira vez desde 2012, o desemprego atingiu o índice de 5,2% no trimestre encerrado em novembro. Além disso, o país alcançou a marca histórica de 103,2 milhões de pessoas ocupadas, o que demonstra um fôlego econômico impressionante.

Paralelamente aos dados do IBGE, o Caged confirmou a criação de 5 milhões de novas vagas formais desde janeiro de 2023. Esse volume de empregos com carteira assinada garante proteção previdenciária e direitos trabalhistas para milhões de brasileiros. Certamente, este cenário contrasta com o auge da pandemia em 2021, quando o Brasil somava quase 15 milhões de desempregados. Hoje, o governo inverte essa lógica e promove a maior taxa de ocupação da série histórica.

Não basta apenas garantir o emprego se o Estado não oferecer uma rede de proteção eficiente. Nesse sentido, a renovação do acordo entre o Ministério da Saúde e a Rede Sarah Kubitschek surge como uma vitória para o SUS. Através do programa Agora Tem Especialistas, a população terá acesso a tratamentos de ponta em reabilitação e ortopedia.

Adicionalmente, o governo estendeu o prazo de vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos até o primeiro semestre de 2026. Essa estratégia de saúde pública visa erradicar tipos de câncer evitáveis e proteger as futuras gerações. De fato, investir em prevenção e em centros de excelência como o Sarah Kubitschek demonstra que a saúde voltou a ser tratada como um direito universal, e não como um serviço restrito a quem pode pagar.

A dignidade também passa pelo teto onde a família mora. O Programa Minha Casa, Minha Vida entregou, nesta semana, novas chaves para famílias em Sooretama (ES) e Engenheiro Navarro (MG). Dessa forma, a política habitacional retoma seu papel central no combate às desigualdades e na geração de bem-estar social.

Outro ponto relevante envolve a proteção contra a criminalidade moderna. O Governo Federal ampliou as funcionalidades do aplicativo Celular Seguro, que já protege os dados de milhões de usuários. Através dessa ferramenta, o cidadão bloqueia rapidamente aparelhos roubados, o que desestimula o mercado ilícito de dispositivos móveis. Assim, o Estado utiliza a tecnologia para oferecer segurança direta e prática no dia a dia da população.

Por fim, o reconhecimento da obra de Sebastião Tapajós como Manifestação da Cultura Nacional reafirma o compromisso com a identidade brasileira. O violonista paraense agora ocupa seu devido lugar na memória coletiva do país. Valorizar a cultura é, afinal, reconhecer a alma do povo que constrói a riqueza da nação diariamente.

Enquanto a economia cresce e a cultura floresce, o suporte aos mais vulneráveis permanece garantido. O calendário do Bolsa Família para janeiro já está definido, com pagamentos escalonados a partir do dia 19. Em suma, o Brasil de 2025 mostra que é possível conciliar responsabilidade, crescimento recorde de empregos e justiça social. O caminho adiante exige vigilância, mas os resultados atuais devolvem a esperança a milhões de lares brasileiros.

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O futuro que a Vale constrói sobre as cicatrizes do passado https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/o-futuro-que-a-vale-constroi-sobre-as-cicatrizes-do-passado/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/o-futuro-que-a-vale-constroi-sobre-as-cicatrizes-do-passado/#respond Wed, 03 Dec 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222348 Gigante da mineração anuncia bilhões em novos investimentos enquanto famílias de Brumadinho ainda buscam por justiça e respostas

Em um país marcado na carne e na memória pelos desastres de Mariana e Brumadinho, a palavra “investimento” da maior mineradora nacional ecoa de forma ambivalente. De um lado, promete desenvolvimento, riqueza e inserção global em mercados estratégicos. De outro, reacende o fantasma de um modelo que, no passado recente, mostrou seu lado mais brutal e negligente. A Vale S.A. projeta injetar entre 5,4 e 5,7 bilhões de dólares em suas operações até 2026, com a maior fatia, cerca de 4 bilhões, destinada ao seu carro-chefe: o minério de ferro. O plano, no entanto, vem carregado de um discurso de diversificação, com a promessa de um aumento gradual nos investimentos em cobre e níquel a partir de 2027.

Para quem observa de fora, os números podem parecer apenas uma movimentação financeira corporativa. Mas, no contexto brasileiro, cada dólar anunciado pela Vale deve ser lido à luz da história. A mesma empresa que hoje fala em “eficiência na alocação de capital” e “disciplina” era a controladora da Barragem 1 do Córrego do Feijão, em Brumadinho. Uma estrutura classificada como de “baixo risco” e “alto potencial de dano” que, em 25 de janeiro de 2019, rompeu-se e soterrou vidas, sonhos e um rio, tornando-se o maior acidente de trabalho em perda de vidas humanas no Brasil. Oficialmente, 272 pessoas perderam a vida. Quase seis anos depois, famílias ainda choram seus desaparecidos.

Leia também: Vale projeta 2026 com alta em minério e avanço dos metais

A estratégia: ferro no presente, cobre no futuro

A apresentação aos investidores, conduzida pelo CEO Gustavo Pimenta, foi clara: foco no que se sabe fazer. “Estamos mais eficientes em termos de alocação de capital da companhia”, afirmou Pimenta, destacando uma redução de 1 bilhão de dólares nos investimentos previstos para 2025 sem, em sua visão, “deixar nada para trás”. O núcleo do negócio continuará sendo o minério de ferro, com produção estimada em 360 milhões de toneladas até 2030 e a expectativa de um preço estável em torno de 100 dólares a tonelada, impulsionado pela demanda global por aço.

O salto ambicioso, contudo, está no cobre. A Vale quer dobrar sua produção do metal em dez anos, saltando das 370 mil toneladas previstas para 2025 para 700 mil toneladas anuais em 2035. “Ninguém neste setor tem a capacidade de aumentar a produção de cobre como nós”, declarou o executivo, com a confiança de quem enxerga uma janela de oportunidade geopolítica e econômica. Especialistas veem aí uma chance real, ainda que modesta, de o Brasil ganhar relevância no cenário mundial do cobre, saindo do patamar atual de 1% da produção global para algo entre 2% e 3%.

Projetos como o Bacaba e o Alemão, no Pará, com licenças preliminares em trâmite e previsão de operação a partir de 2028, são os pilares dessa expansão. Enquanto isso, no níquel, a meta é crescer de 175 mil toneladas este ano para 250 mil em 2030, mesmo diante de um mercado pressionado por preços baixos.

O outro lado da moeda: quando a “eficiência” custa vidas

É impossível dissociar esses planos futuristas do rastro de destruição deixado tão recentemente. O discurso de otimismo financeiro soa como um eco distorcido das sirenes que não tocaram em Brumadinho. O relatório de investidores não menciona que, naquele janeiro de 2019, a “eficiência” deu lugar ao caos. Que a barragem que se rompeu não recebia rejeitos desde 2014 e que, apesar de um estudo interno de 2010 alertar para o risco de “liquefação” da estrutura, ela permanecia ativa, com um sistema de alerta que jamais foi acionado para a população.

O contexto daquela tragédia foi forjado em anos de desmonte institucional. Entre 2013 e 2018, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente encolheu mais de 1,3 bilhão de reais. Órgãos fiscalizadores, como os de Minas Gerais, operavam com equipes minguadas. Um projeto para tornar as regras de barragens mais rígidas não avançou na assembleia legislativa mineira. Três semanas antes do rompimento, um novo governo federal chegava ao poder prometendo “flexibilizar” licenciamentos ambientais. Brumadinho não foi um acidente; foi o resultado previsível de uma política de desregulamentação e priorização do lucro sobre a segurança.

Investir em que futuro?

Carlos Daltozo, da Tuesday Capital, observa que o progresso da Vale em cobre e níquel pode parecer “um pouco lento”, mas atribui isso ao fato de a empresa ser “uma gigante global do minério de ferro”. É uma análise técnica, fria. A pergunta que fica, especialmente para as comunidades que vivem no entorno de novos projetos como Bacaba e Alemão, é outra: a lentidão se deve a uma necessária cautela operacional e um novo paradigma de segurança, ou é apenas o ritmo natural de quem prioriza o retorno financeiro?

A Vale tem, sim, a capacidade financeira e técnica para pavimentar um novo caminho para a mineração brasileira, como aponta Marcos André Gonçalves, da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral. Mas esse caminho precisa ser radicalmente diferente do que levou a lama até o Rio Paraopeba e matou 272 pessoas em Brumadinho. Investir bilhões em novos projetos sem que a sombra de Mariana e Brumadinho tenha sido verdadeiramente enfrentada – com reparação integral, justiça e uma transformação profunda na cultura de segurança – não é progresso. É apenas cavar mais fundo no mesmo solo instável.

O futuro que a Vale anuncia com números bilionários será, de fato, promissor apenas quando cada sirene instalada tocar a tempo, quando cada estudo de risco for soberano ao desejo de lucro, e quando o valor de uma vida humana for a métrica principal de seu “desempenho”. Até lá, os investimentos serão apenas números em um gráfico, incapazes de sepultar a lama do passado.

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Anvisa identifica risco e retira estes produtos Ypê do mercado https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/anvisa-identifica-risco-e-retira-estes-produtos-ype-do-mercado/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/anvisa-identifica-risco-e-retira-estes-produtos-ype-do-mercado/#comments Thu, 27 Nov 2025 20:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222072 1 Comentário 🔥]]> Após identificar contaminação por Pseudomonas aeruginosa, a Anvisa ordenou o recolhimento de diversos lotes de sabões líquidos e reforçou o alerta à população

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (27/11), uma série de medidas para proteger consumidores brasileiros após identificar riscos sanitários em itens de uso cotidiano. Em uma ação que reforça a importância da vigilância e do controle público sobre bens essenciais, a agência ordenou o recolhimento de lotes de sabão líquido para roupas contaminados por bactéria e também proibiu a circulação de um produto capilar classificado de forma incorreta como cosmético.


Sabões líquidos contaminados por bactéria preocupam autoridades

Segundo análises realizadas pela própria fabricante, a Química Amparo Ltda. (CNPJ 43.461.789/0001-90), alguns lotes de seus produtos apresentaram contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa — microrganismo capaz de causar infecções, especialmente em pessoas com imunidade fragilizada.

A Anvisa determinou o recolhimento imediato e a suspensão da venda, distribuição e uso dos seguintes lotes:

Lava Roupas Líquido Ypê Express
– 170011
– 220011
– 228011
– 203011
– 181011
– 169011
– 169011 (repetido no informe oficial)
– 205011
– 176011

Lava Roupas Líquido Tixan Ypê
– 254031
– 193021

Lava Roupas Líquido Ypê Power Act
– 190021
– 223021
– 228031

A decisão busca impedir que produtos contaminados continuem no mercado, evitando riscos à saúde e garantindo que empresas assumam responsabilidade por suas próprias falhas — um movimento essencial para equilibrar a relação entre interesses privados e o direito coletivo à segurança sanitária.


Produto para cabelo é retirado de circulação por uso potencialmente invasivo

Além dos itens de limpeza, a Anvisa determinou o recolhimento de todos os lotes do SMART HAIR MICRO – SMART GR, fabricado pela Klug Indústria Química e de Cosméticos Ltda. (CNPJ 39.237.158/0001-15).

O produto havia sido registrado como cosmético, mas suas características induziam ao uso invasivo — ou seja, ultrapassando a camada superficial da pele e dos cabelos, algo incompatível com o enquadramento legal de cosméticos no Brasil.

Por esse motivo, além do recolhimento, foram proibidas:

– comercialização
– distribuição
– fabricação
– propaganda
– uso do produto

O caso evidencia a necessidade de rigor na fiscalização para evitar que itens potencialmente perigosos cheguem às prateleiras, especialmente em um mercado de beleza e higiene que movimenta bilhões e onde, sem controle adequado, consumidores podem ser expostos a riscos silenciosos.


A atuação firme da Anvisa reforça a importância de políticas públicas que priorizem a saúde coletiva. Em um cenário de forte pressão comercial, decisões como esta mostram que o Estado tem papel fundamental em garantir que a população tenha acesso a produtos seguros — e que fabricantes sejam responsabilizados quando falham em cumprir seu dever básico de proteger quem consome seus produtos.

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Excesso de IA cansa equipes e atrasa resultados https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/excesso-de-ia-cansa-equipes-e-atrasa-resultados/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/excesso-de-ia-cansa-equipes-e-atrasa-resultados/#respond Wed, 24 Sep 2025 14:31:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217856 ‘Fadiga de inteligência artificial’: novo fenômeno está prejudicando equipes e causando perdas milionárias, alertam pesquisadores

Um novo desafio no ambiente de trabalho vem chamando a atenção de especialistas em produtividade e comunicação: a chamada “fadiga de IA”. Pesquisadores afirmam que o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT da OpenAI, está afetando a capacidade de colaboração entre equipes e gerando impactos econômicos significativos.

O professor Jeff Hancock, de Stanford, foi um dos primeiros a perceber o problema em 2022, logo após o lançamento do ChatGPT para o público em geral. Ao corrigir tarefas de seus alunos, Hancock notou algo estranho: “Elas pareciam boas, mas não totalmente corretas. E então, como eu tinha 100 alunos, pude ver que outras 10 tarefas pareciam exatamente iguais, com o mesmo tipo de incorreção.”

Os textos produzidos apresentavam muito conteúdo sem substância, repetitivo e excessivamente prolixo — um estilo que parecia preencher espaço sem realmente avançar o trabalho. “Parecia que o trabalho estava avançando, mas na prática não estava”, disse Hancock em entrevista à CNBC Make It.

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O que é “workslop”?

A pesquisadora Kate Niederhoffer também enfrentou dificuldades semelhantes. Ela relata que, ao revisar resumos de sua pesquisa produzidos por colegas, percebeu que muitos não compreendiam o trabalho de fato. “Ler mensagens que não atingiram o alvo parecia um esforço profundo”, afirmou. “Normalmente leio rápido, então pensei: ‘Por que isso exige tanto esforço? E também é tão confuso?’”

Essa sensação de frustração, comum ao lidar com textos produzidos por IA que parecem completos, mas são superficiais ou confusos, recebeu um nome: “workslop”. O termo descreve a experiência de ler um documento ou mensagem tão complexa, imprecisa ou truncada que você se pergunta: “Espere, um humano escreveu isso ou é IA?”

Impactos nas equipes e na produtividade

Segundo os pesquisadores, o “workslop” não é apenas um incômodo acadêmico. Ele está afetando equipes em diferentes tipos de negócios, prejudicando a comunicação, atrasando projetos e diminuindo a produtividade. Em termos financeiros, os prejuízos podem ser expressivos, chegando a milhões de dólares, especialmente em empresas que dependem de relatórios detalhados, análises e tomada de decisão rápida.

Hancock e Niederhoffer alertam que, embora a IA possa acelerar tarefas e gerar textos rapidamente, o excesso de material impreciso ou mal estruturado exige mais esforço humano para interpretação e correção, criando um efeito contrário ao esperado: menos eficiência, mais confusão e desgaste para os colaboradores.

“É um fenômeno novo, mas já percebemos seu impacto real em equipes e fluxos de trabalho”, afirmam os pesquisadores. “Não se trata apenas de tecnologia ou inteligência artificial, mas de como ela está transformando a dinâmica do trabalho em equipe.”

À medida que o uso de ferramentas de IA cresce no ambiente corporativo, especialistas reforçam a necessidade de estratégias para mitigar o ‘workslop’, como treinamentos específicos, revisão humana e definição clara de objetivos na produção de conteúdo digital.

“Workslop” é mais comum do que se imagina

O fenômeno conhecido como “workslop” — definido como “conteúdo de trabalho gerado por IA que se disfarça de bom trabalho, mas não tem substância para avançar significativamente em uma determinada tarefa” — está se tornando uma realidade concreta no ambiente corporativo. A constatação vem de uma pesquisa conduzida pela BetterUp, onde Kate Niederhoffer atua como vice-presidente dos laboratórios de pesquisa, em parceria com o Stanford Social Media Lab, dirigido pelo professor Jeff Hancock.

Segundo os dados, cerca de 40% dos trabalhadores nos EUA relataram ter recebido trabalho de baixo valor no último mês. A pesquisa envolveu 1.150 funcionários em tempo integral e mostrou que, em média, 15% do conteúdo recebido se qualifica como trabalho inútil, de baixo esforço e gerado por IA. Embora ocorra em todos os setores, o fenômeno é especialmente perceptível em serviços profissionais e tecnologia.

Um exemplo real relatado por um trabalhador financeiro ilustra o impacto: “Isso criou uma situação em que eu tive que decidir se eu mesmo reescreveria, se ele reescreveria ou se simplesmente diria que estava bom o suficiente.” Situações como essa aumentam a carga de trabalho de quem recebe o material, gerando frustração e atraso em tarefas críticas.

Outro entrevistado, diretor de varejo, relatou: “Tive que perder tempo conferindo informações que recebi e fazendo minha própria pesquisa. Depois, ainda precisei marcar reuniões com outros supervisores para resolver o problema. No fim, continuei tendo que refazer o trabalho sozinho.”

Como identificar o “workslop”

De acordo com Hancock, sinais reveladores incluem o uso de “prosa roxa”, ou seja, textos excessivamente longos e rebuscados para transmitir uma ideia simples. O fenômeno pode se manifestar de diversas maneiras: códigos mal escritos, apresentações incompletas ou e-mails com redação confusa. O efeito é o mesmo: o destinatário precisa investir esforço adicional para compreender o material, o que mina a confiança e prejudica a produtividade da equipe.

Niederhoffer reforça que a percepção sobre o trabalho malfeito também afeta relações profissionais. “Por que fizeram isso?”, questiona. “Será que não conseguem terminar o trabalho sozinhos? Não confio neles. Não quero trabalhar com eles de novo.”

O resultado, segundo os pesquisadores, é um ciclo prejudicial de confusão, frustração, esforço desperdiçado e julgamentos pessoais. A sensação de receber conteúdo inútil ou mal estruturado, ainda que gerado por inteligência artificial, pode impactar a colaboração e a eficiência de equipes inteiras, gerando consequências que vão além do indivíduo e afetando milhões de dólares em produtividade perdida em empresas de todos os tamanhos.

O “imposto invisível” do workslop: US$ 9 milhões perdidos por ano

À medida que o uso de inteligência artificial no trabalho cresce, um novo tipo de custo surge: o chamado “imposto de produtividade” causado pelo workslop. Segundo dados da Gallup, a adoção de IA no ambiente corporativo dobrou desde 2023, passando de 21% para 40%. No entanto, 95% das organizações não veem um retorno mensurável sobre seus investimentos, de acordo com um relatório recente do MIT Media Lab.

Pesquisadores da BetterUp e do Stanford Social Media Lab apontam que a disseminação de conteúdo de baixo valor gerado por IA é uma das principais razões para essa falta de retorno. Trabalhadores que lidam com workslop relatam gastar, em média, uma hora e 56 minutos por dia tentando interpretar ou corrigir o trabalho de colegas. Traduzindo para valores monetários, isso equivale a aproximadamente US$ 186 por mês por funcionário.

Em empresas maiores, o impacto é ainda mais expressivo. Para uma organização com 10.000 trabalhadores, a perda anual de produtividade pode chegar a US$ 9 milhões, sem considerar eventuais ganhos que a própria IA possa gerar.

O diretor fundador do Stanford Social Media Lab, Jeff Hancock, observa que o problema vai além do simples custo financeiro. “Agora que a parte [do esforço] acabou, posso gerar muito conteúdo inútil ou improdutivo com muita facilidade”, afirma. Ele compara a situação ao trabalho desleixado tradicional: antes, era necessário algum esforço humano para produzi-lo; com a IA, o mesmo resultado é alcançado quase instantaneamente, aumentando drasticamente o volume de material improdutivo.

Impacto emocional e interpessoal

Especialistas apontam que a fadiga de IA já gera perdas milionárias em empresas que dependem de análises rápidas e relatórios detalhados.
A “fadiga” gerada pela IA chegou. Ela está acabando com o trabalho em equipe e causando um problema de produtividade multimilionário, dizem pesquisadores / Getty

Além do prejuízo econômico, o workslop tem um forte efeito emocional e social dentro das equipes. Cerca de 53% dos trabalhadores dizem sentir incômodo, 38% relatam confusão e 22% se sentem ofendidos ao receber conteúdo de baixo valor gerado por IA.

A percepção sobre colegas também muda: aproximadamente metade dos profissionais considera seus colegas menos criativos, capazes e confiáveis após receber trabalho descuidado. Um em cada três funcionários admite notificar supervisores ou colegas sobre o problema, enquanto uma parcela semelhante afirma sentir-se menos inclinada a colaborar com quem produziu o conteúdo problemático.

Para Kate Niederhoffer, vice-presidente dos laboratórios de pesquisa da BetterUp, o impacto humano se dá principalmente pelo “deslocamento do fardo”: o trabalho inútil gerado por IA é passado para outra pessoa sem que haja reconhecimento do esforço adicional necessário. “As pessoas esquecem disso porque pensamos na [IA] como uma ferramenta com a qual trabalhamos sozinhos, mas, na verdade, ela está mediando o trabalho entre humanos”, explica.

Segundo os pesquisadores, esse fenômeno não apenas reduz a produtividade, mas também mina a confiança entre colegas, aumenta o estresse e cria um ambiente em que a colaboração genuína se torna mais difícil. Em um mundo corporativo cada vez mais dependente de IA, entender e mitigar o workslop tornou-se um desafio central para equipes, gestores e líderes de tecnologia.

Redução de folgas e a necessidade de orientação no uso da IA

Para minimizar o impacto do workslop e os prejuízos que ele causa, pesquisadores alertam que a responsabilidade recai sobre as próprias organizações que adotam a inteligência artificial no ambiente corporativo.

Segundo Jeff Hancock, do Stanford Social Media Lab, é essencial que as empresas adotem uma abordagem organizada e estratégica para o uso da IA. Sem orientação clara, os trabalhadores podem se sentir em uma situação de dilema: se não utilizarem a IA, temem ficar para trás; se utilizarem, arriscam ser julgados por entregar trabalho inferior ou automatizado.

“O que reduz a ociosidade é o comprometimento da equipe com a qualidade das tarefas”, afirma Hancock. Ele ressalta que os times devem investir tempo conversando sobre como usam a IA, discutindo melhores práticas e analisando aplicações adequadas às suas necessidades específicas.

Para Kate Niederhoffer, vice-presidente da BetterUp Labs, o problema vai além do uso errado da ferramenta: “A IA pode ser incrível, mas está em total contraste com esse modo de copiar e colar, onde você simplesmente deixa a ferramenta fazer todo o trabalho para você e se esquece de deixá-la aumentar suas competências humanas.”

A transparência é outro ponto crítico. Hancock explica que, ao utilizar um chatbot de IA para acelerar uma tarefa, como criar uma apresentação com pressa, é importante informar colegas sobre o uso da ferramenta. Dessa forma, os colegas conseguem compreender os prompts utilizados, o objetivo do trabalho e preencher eventuais lacunas, tornando a colaboração mais eficiente.

Além disso, Niederhoffer enfatiza que os líderes devem promover autonomia humana e mentalidade experimental, permitindo que os trabalhadores explorem como a IA pode lhes dar mais controle sobre suas tarefas. Os gestores precisam apresentar motivos claros para o uso de determinadas ferramentas de IA em projetos específicos e fornecer orientações, políticas e treinamentos adequados.

“Ter alta autonomia sobre a IA pode ser incrível”, diz Niederhoffer, “mas está em forte contraste com o modo de copiar e colar, onde você apenas deixa a ferramenta fazer todo o trabalho e esquece de usá-la para aprimorar suas competências humanas.”

O consenso entre os pesquisadores é que apenas com orientação, comunicação clara e foco na qualidade do trabalho será possível reduzir a folga gerada pela IA, preservar a produtividade e garantir que as ferramentas tecnológicas complementem, e não substituam, o esforço humano.

Com informações de CNBC*

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Mudança no tom de Trump sobre a Ucrânia agita ações de defesa https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/mudanca-no-tom-de-trump-sobre-a-ucrania-agita-acoes-de-defesa/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/mudanca-no-tom-de-trump-sobre-a-ucrania-agita-acoes-de-defesa/#respond Wed, 24 Sep 2025 14:13:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217855 Mercado de armas dispara após Trump afirmar que Ucrânia pode reconquistar território ocupado pela Rússia

O mercado global de defesa reagiu com forte valorização nesta quarta-feira após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar uma postura significativamente mais otimista sobre a guerra na Ucrânia. Em uma grande mudança de tom, Trump declarou que Kiev, com o apoio da União Europeia e da OTAN, “está em posição de lutar e CONQUISTAR toda a Ucrânia de volta à sua forma original”.

A declaração foi feita em uma postagem noturna na plataforma Truth Social e marcou uma mudança radical em relação a comentários anteriores do presidente, quando sugeria que a Ucrânia poderia precisar ceder parte de seu território em negociações de paz intermediadas pelos EUA.

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Repercussão imediata no mercado

O anúncio teve efeito imediato nos mercados de defesa, com ações de empresas europeias e asiáticas registrando ganhos significativos. No índice pan-europeu Stoxx 600, o setor de defesa destacou-se entre os de melhor desempenho na tarde de quarta-feira.

A fabricante alemã de componentes para tanques Renk viu suas ações subirem cerca de 5,2%, enquanto a gigante sueca Saab e a empresa italiana Leonardo avançaram mais de 3%. Outro destaque foi a fabricante alemã Hensoldt, que registrou alta de 4,4% às 12h50, horário de Londres.

“Acho que, em geral, temos que dizer que os acontecimentos que vimos nos últimos dois dias são muito encorajadores para a Europa”, afirmou Christian Ladurner, diretor financeiro da Hensoldt, em entrevista à CNBC.

Contexto da mudança de postura de Trump

Trump explicou que sua nova visão surgiu após “conhecer e compreender plenamente” a situação militar e econômica tanto da Rússia quanto da Ucrânia. Ele destacou os problemas econômicos que o conflito está causando em Moscou e descreveu a Rússia como um “tigre de papel”, expressão usada para caracterizar uma força que aparenta ser poderosa, mas que na prática se mostra ineficaz.

Em declarações separadas na terça-feira, Trump ainda sugeriu que os membros da OTAN deveriam abater jatos russos que invadissem seu espaço aéreo, após relatos recentes de incursões de aeronaves e drones russos sobre Polônia, Romênia e Estônia.

A Ucrânia não é membro da União Europeia nem da OTAN, mas tem recebido apoio militar e humanitário de ambos desde o início da invasão russa, em 2022. A declaração de Trump, portanto, reforça a percepção de que o apoio ocidental pode ajudar Kiev a reconquistar territórios perdidos.

Impactos e expectativas

O aumento das ações de defesa reflete não apenas a confiança de investidores na capacidade militar ucraniana, mas também o potencial crescimento da demanda por equipamentos e serviços relacionados à segurança e defesa. Analistas apontam que a mudança de postura do presidente dos EUA pode impulsionar contratos, fortalecer fabricantes estratégicos e criar oportunidades para o setor em mercados internacionais.

Com a escalada do conflito e o envolvimento de aliados da OTAN, o setor de defesa passa a ser visto como um dos mais dinâmicos, refletindo tanto preocupações geopolíticas quanto expectativas de crescimento econômico em segmentos estratégicos.

Reações do setor e do mundo à mudança de tom de Trump

Um caça a jato Saab JAS 39 Gripen da Força Aérea Sueca decola durante o exercício Ramsteign Flag 2025 da OTAN na Base Aérea de Leeuwarden em 8 de abril de 2025.
John Thys | AFP | Getty Images
As ações de defesa na Europa e na Ásia subiram com a notícia / AFP 

Embora os comentários de Donald Trump tenham impulsionado as ações de defesa globalmente, especialistas afirmam que eles não alteram necessariamente a situação estrutural da indústria na Europa. Para o diretor financeiro da Hensoldt, Christian Ladurner, a mudança reforça a percepção de que o presidente russo, Vladimir Putin, continuará testando os limites do bloco europeu.

“Acho que, em geral, temos que dizer que os acontecimentos que vimos nos últimos dois dias são muito encorajadores para a Europa”, afirmou Ladurner ao programa Squawk Box Europe da CNBC. “Vemos que os EUA estão cada vez mais, eu diria, enxergando a realidade, o que realmente está acontecendo e o que já aconteceu. Então, isso é encorajador para nós.”

Na Ásia, as ações de defesa sul-coreanas também reagiram positivamente. Empresas como Hanwha Aerospace, Korea Aerospace e Hyundai Rotem registraram ganhos entre 2% e 5% na quarta-feira.

Nos Estados Unidos, o desempenho do setor foi misto no pré-mercado. Boeing, Lockheed Martin e RTX tiveram pequenas altas, enquanto a Northrop Grumman registrava leve queda de 0,2%.

Zelenskyy celebra apoio de Trump

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy comemorou a postagem de Trump no Truth Social, agradecendo a “forte cooperação” do líder americano. Segundo Zelenskyy, “Trump compreende claramente a situação e está bem informado sobre todos os aspectos desta guerra. Valorizamos muito sua determinação em ajudar a acabar com esta guerra”, disse ele na plataforma X, antiga Twitter, na noite de terça-feira.

Reação russa

A mudança de tom de Trump também chamou a atenção de Moscou. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Putin valoriza muito a disposição de Trump em ajudar na busca por soluções para o conflito na Ucrânia. No entanto, Peskov contestou a descrição feita pelo ex-presidente americano da Rússia como um “tigre de papel”, rejeitando a caracterização de fraqueza militar.

Com informações de CNBC*

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Wall Street despenca com ações de IA pressionando o mercado https://www.ocafezinho.com/2025/08/20/wall-street-despenca-com-acoes-de-ia-pressionando-o-mercado/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/20/wall-street-despenca-com-acoes-de-ia-pressionando-o-mercado/#respond Wed, 20 Aug 2025 17:07:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215795 Nvidia e Palantir perdem valor após semanas de alta, revelando os riscos de expectativas exageradas no setor de inteligência artificial

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial voltaram a derrubar Wall Street nesta quarta-feira, destacando a volatilidade do setor após meses de forte valorização. Nomes como Nvidia e Palantir Technologies, que se tornaram estrelas na onda de investimentos em IA, estão liderando as perdas e influenciando o desempenho dos principais índices da bolsa americana.

O S&P 500 caiu 0,5%, caminhando para sua quarta queda consecutiva depois de atingir uma máxima histórica na semana passada. O Dow Jones Industrial Average subiu ligeiramente, apenas 3 pontos, menos de 0,1%, enquanto o Nasdaq Composite, mais sensível às ações de tecnologia, recuou 1% até as 11h35, horário do leste.

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A Nvidia, que fornece chips cruciais para grande parte da expansão mundial da IA, caiu 1,6%, após uma perda de 3,5% na terça-feira, e se manteve como o maior peso da bolsa pelo segundo dia seguido. Já a Palantir, outra queridinha do setor, registrou queda de 4,7%, somando-se a um recuo de 9,4% no pregão anterior. Embora as negociações tenham sido voláteis, a Nvidia conseguiu reduzir parte de sua perda matinal, que chegou a 3,9%, ajudando a amenizar as quedas dos índices.

Entre os fatores que explicam o desânimo, um estudo recente da Iniciativa Nanda do MIT destacou que a maioria das empresas ainda não consegue mensurar retornos concretos de seus investimentos em IA generativa. Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações da UBS Global Wealth Management, apontou que isso pode estar gerando cautela no mercado.

Outro motivo relevante para a correção é o histórico recente de valorização das ações dessas empresas. Analistas alertam que os preços dispararam de forma muito rápida durante o frenesi em torno da IA. A Nvidia, por exemplo, subiu 35,5% no ano até terça-feira, enquanto a Palantir mais que dobrou de valor. Muitos investidores questionam se essas altas já refletem expectativas exageradas para o setor, principalmente às vésperas do relatório de lucros da Nvidia, programado para a próxima semana e considerado um dos eventos mais aguardados de Wall Street.

Apesar da pressão, especialistas ainda veem potencial de longo prazo. Alguns defendem que a inteligência artificial pode ser a próxima grande revolução nos negócios, trazendo oportunidades significativas para empresas bem posicionadas.

Enquanto isso, relatórios de lucros de grandes varejistas ajudaram a segurar o restante do mercado. TJX, responsável pelas lojas TJ Maxx e Marshalls, subiu 3,4% depois de superar as expectativas de analistas em lucro e receita. A empresa também elevou sua previsão de ganhos para o ano fiscal completo, com o CEO Ernie Herrman destacando “forte demanda em cada uma de nossas unidades nos EUA e no exterior” e um início de trimestre sólido.

Já a varejista de materiais de construção Lowe’s registrou alta discreta de 0,2%, após apresentar lucro trimestral acima das projeções. Além disso, a empresa anunciou um acordo para adquirir a Foundation Building Materials, distribuidora de drywall, sistemas de forro e outros produtos de construção para interiores, por aproximadamente US$ 8,8 bilhões.

O movimento de hoje reflete o equilíbrio delicado entre entusiasmo com a inteligência artificial e a necessidade de resultados concretos, mostrando que, mesmo em um mercado aquecido, as oscilações continuam a testar a paciência dos investidores.

O S&P 500 caiu 0,5%, marcando a quarta queda consecutiva após bater uma máxima histórica na semana passada. O Dow Jones Industrial Average avançou ligeiramente, apenas 3 pontos, menos de 0,1%, enquanto o Nasdaq Composite, mais sensível a tecnologia, recuou 1%. A Nvidia caiu 1,6%, e a Palantir perdeu 4,7%, somando-se às fortes quedas do dia anterior. Apesar da volatilidade, a Nvidia conseguiu reduzir parte do prejuízo matinal, que chegou a 3,9%, ajudando a aliviar as perdas dos índices.

Entre os motivos da pressão sobre essas ações, um estudo da Iniciativa Nanda do MIT indicou que muitas empresas ainda não observam retornos concretos de seus investimentos em IA generativa. Além disso, analistas alertam que os preços dessas ações dispararam muito rapidamente durante o frenesi do setor, tornando-as vulneráveis a correções.

No varejo, os resultados mistos também influenciaram o mercado. TJX, controladora da TJ Maxx e Marshalls, subiu 3,4% após superar expectativas de lucro e receita, e elevar sua previsão de ganhos para o ano fiscal. A Lowe’s, varejista de materiais de construção, avançou 0,2% após apresentar resultados trimestrais melhores que o esperado e anunciar a aquisição da Foundation Building Materials por US$ 8,8 bilhões.

Por outro lado, empresas enfrentando dificuldades pressionaram o mercado. A Target despencou 8% após anunciar que o CEO Brian Cornell deixará o cargo em 1º de fevereiro, sendo substituído por Michael Fiddelke, veterano de 20 anos na companhia. A rede de varejo ainda luta para reverter vendas fracas em um cenário pós-COVID mais competitivo.

No setor de beleza e móveis, a Estée Lauder caiu 5,2% depois de divulgar uma previsão de lucro abaixo das estimativas, citando impacto de tarifas que devem reduzir cerca de US$ 100 milhões em seus ganhos futuros. A fabricante de móveis La-Z-Boy registrou queda de 13,2% após divulgar resultados de lucro e receita aquém das expectativas.

Os olhos do mercado agora se voltam para Jackson Hole, Wyoming, onde o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, fará um discurso aguardado nesta sexta-feira. Historicamente, o evento já serviu como palco para importantes anúncios de política monetária. Investidores esperam sinais de que cortes nas taxas de juros podem estar próximos.

O Fed manteve a principal taxa de juros estável este ano, temendo que tarifas elevassem a inflação. Contudo, um relatório fraco sobre crescimento do emprego nos EUA aumenta expectativas de flexibilização, levando os rendimentos dos títulos do Tesouro a caírem. O rendimento do título de 10 anos, por exemplo, recuou de 4,30% para 4,28% na terça-feira.

No exterior, os mercados tiveram desempenho misto. O FTSE 100 de Londres avançou 1,2%, apesar de um aumento inesperado da inflação no Reino Unido, impulsionada por tarifas aéreas e alta nos preços de alimentos. O Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,5% após o Japão registrar queda nas exportações, pressionadas por tarifas mais altas sobre produtos enviados aos EUA, e redução nas importações em relação ao ano passado. Já o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,2%, com destaque para a Pop Mart International Group, cujas ações saltaram 12,5% após o CEO prever receita anual superior a US$ 4 bilhões e anunciar o lançamento de uma versão mini de suas populares bonecas Labubu.

O cenário atual evidencia a complexidade dos mercados, que oscilam entre o entusiasmo por novas tecnologias, resultados corporativos divergentes e expectativas de políticas econômicas futuras, mantendo investidores atentos a cada movimento.

Com informações de AP*

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Reforma Administrativa propõe mudanças drásticas em férias, home office e salários https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/reforma-administrativa-propoe-mudancas-drasticas-em-ferias-home-office-e-salarios/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/reforma-administrativa-propoe-mudancas-drasticas-em-ferias-home-office-e-salarios/#comments Mon, 18 Aug 2025 23:55:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215576 3 Comentários 🔥]]> Contratos temporários terão duração limitada e quarentena obrigatória, enquanto municípios enfrentarão teto para secretarias e salários de gestores

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da Reforma Administrativa, deve apresentar nesta quinta-feira o texto final da proposta que promete redesenhar a estrutura do funcionalismo público no Brasil. O objetivo do governo é aprovar a matéria ainda em setembro, com regras mais rígidas para carreiras e gestão de recursos humanos no setor público.

Entre os pontos mais controversos da proposta está o fim das férias de 60 dias, que passariam a ser uniformizadas em 30 dias anuais para todos os servidores. O relator defende que a medida busca padronizar o descanso e reduzir desigualdades entre categorias, enquanto críticos alertam que a mudança pode impactar a qualidade de vida de quem atua no serviço público.

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Outro eixo central da reforma é a redução de penduricalhos e maior controle sobre verbas indenizatórias, com o objetivo de evitar que salários excedam o teto constitucional. A proposta também traz um modelo de progressão por desempenho, que prevê avaliações periódicas como requisito para promoções e incorpora bônus e 14º salário condicionados ao cumprimento de metas, alinhando remuneração à meritocracia.

A reforma ainda estabelece regras mais rígidas para contratação e ocupação de cargos. Contratos temporários terão duração máxima de cinco anos, com obrigatoriedade de uma quarentena de 12 meses antes de possível recontratação. O trabalho remoto será limitado a apenas um dia por semana, reforçando a presença física em repartições.

No âmbito municipal, o texto propõe teto para o número de secretarias em cidades que recebem mais de 50% de repasses federais, inspirado em regras que já regulam a quantidade de vereadores conforme a população. Além disso, será estabelecido um limite salarial de 20% da remuneração dos deputados estaduais para secretários municipais, buscando reduzir disparidades salariais entre municípios grandes e pequenos.

O projeto prevê ainda medidas de modernização administrativa, como a criação de identidade única para servidores, obrigatoriedade de atos digitais rastreáveis e fortalecimento do Concurso Nacional Unificado, que passará a contemplar vagas em estados e municípios.

Pedro Paulo já começou a apresentar o conteúdo da proposta às principais bancadas, incluindo União Brasil e PSD. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), demonstrou apoio, afirmando que a modernização visa estabelecer parâmetros de eficiência, e não prejudicar servidores da ativa. A estratégia do relator é levar o projeto direto ao plenário, evitando que comissões façam alterações que possam enfraquecer a reforma.

A proposta promete gerar debates acalorados, especialmente em pontos que impactam diretamente a rotina dos servidores, como férias, trabalho remoto e bônus condicionados a desempenho. Ainda assim, o governo aposta que a reforma representará um passo importante para modernizar a administração pública e alinhar o serviço público às necessidades contemporâneas do país.

Governo Lula participa ativamente da formulação da Reforma Administrativa, segundo Sindsprev

A ministra Esther Dweck
A ministra Esther Dweck, do MGI, teve participação fundamental na formulação das propostas do GT da Reforma Administrativa / Foto: Agência Brasil

O governo do presidente Lula tem papel central na elaboração da Reforma Administrativa, conforme informações divulgadas pelo coordenador do Grupo de Trabalho (GT) da Câmara dos Deputados, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). Segundo ele, a ministra da Gestão e Inovação no Serviço Público, Esther Dweck, desempenhou função fundamental no processo de construção das propostas, que já incluem projeto de lei, projeto de lei complementar e proposta de emenda constitucional, aprovados pelo GT, mas ainda não divulgados publicamente.

Em agradecimento à ministra, Pedro Paulo destacou: “Queria aqui publicamente agradecer à ministra Esther Dweck que tem liderado o poder executivo nestas discussões sobre a reforma administrativa em todos os momentos. Talvez tenha sido a agente pública com quem mais tive reuniões, e que também mais se debruçou sobre o tema no GT, tendo discutido cada detalhe do texto. A ministra também fez contribuições para que a gente possa cada vez mais convergir para uma proposta consensual”.

O GT conta com representantes de diversos partidos, incluindo André Figueiredo (PDT-CE), Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), Capitão Augusto (PL-SP), Dr. Frederico (PRD-MG), Fausto Santos Jr. (União-AM), Gilberto Abramo (Republicanos-MG), Julio Lopes (PP-RJ), Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS), Neto Carletto (Avante-BA), Pedro Campos (PSB-PE), Pedro Uczai (PT-SC) e Talíria Petrone (PSOL-RJ), refletindo diferentes matizes ideológicos da Câmara.

Alinhamento do governo e críticas de entidades

Durante uma audiência pública do GT em 9 de julho, a presença da ministra Esther Dweck evidenciou o alinhamento do governo federal com as propostas elaboradas pelo grupo. Segundo a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência Social (Fenasps), essas medidas fazem parte de um pacote de alterações que podem impactar negativamente os serviços públicos e os direitos dos servidores, aprofundando mudanças já implementadas por instruções normativas, decretos e portarias do MGI.

A Fenasps critica ainda a forma como o GT tem conduzido o processo. Apesar de anunciar a elaboração de propostas, o grupo não divulgou o relatório final, alegando que isso só ocorrerá após o recesso, quando líderes partidários serão consultados em busca de consenso. O deputado Pedro Paulo afirmou: “Um GT com membros de todos os partidos da Câmara dos Deputados, tem todos os matizes ideológicos. Imagino que com isto estamos construindo convergência sobre estes projetos para que haja uma efetiva chance de ser aprovada uma reforma administrativa”.

Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) criticou duramente a falta de transparência: “Essa história de que o resultado do grupo de trabalho não pode tornar público os projetos, alegando que vai ficar restrito ao conhecimento inicial dos deputados, é absurda. O funcionalismo público do Brasil tem o direito de saber o que está sendo discutido entre os deputados, inclusive para se mobilizar contra isso. Nós estamos de olho”. Ele reforçou que não aceitará medidas que ataquem o serviço público, alertando que o GT não pode disfarçar privatizações ou flexibilizações de direitos como modernização.

PEC do desmonte e impactos previstos

Segundo o coordenador do GT, na segunda quinzena de agosto, a proposta será apresentada formalmente por meio de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) e Proposta de Lei Complementar (PLP), incorporando elementos da antiga PEC 32. A Fenasps classifica o pacote como um conjunto de medidas que podem destruir os serviços públicos e reduzir direitos dos servidores.

Entre as propostas discutidas estão a lógica de meritocracia, avaliação por desempenho e cumprimento de metas, terceirizações e privatizações, além de alterações nas carreiras. Segundo a Federação, essas medidas impactam diretamente condições de trabalho, progressão funcional e estabilidade dos servidores, ao mesmo tempo em que ampliam a política de salários variáveis vinculados a metas de produtividade.

A discussão também inclui a possibilidade de contratação de servidores temporários ou via CLT, terceirização e redução dos salários iniciais. A Fenasps alerta que tais mudanças seguem um arcabouço fiscal que transforma o serviço público em um espaço de interesses privados, alinhado a práticas de fisiologismo político e “rachadinhas”.

Com informações de O Globo e Sindsprev*

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TVT comemora 15 anos com alcance de sinal para todo o país  https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/tvt-comemora-15-anos-com-alcance-de-sinal-para-todo-o-pais/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/tvt-comemora-15-anos-com-alcance-de-sinal-para-todo-o-pais/#respond Thu, 14 Aug 2025 14:32:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215264 A TV dos Trabalhadores completa 15 anos em 23 de agosto com a conquista do canal 555 na parabólica digital e alcance de mais de 100 milhões nas redes sociais e site

A TVT, a TV dos Trabalhadores, completa 15 anos em 23 de agosto e comemora marcas de audiência e ampliação do alcance.  A TVT, agora, pode ser sintonizada no canal da parabólica digital (Banda Ku), no canal 555.  Além disso, em agosto, a TVT ultrapassou a marca dos 100 milhões de visualizações em 2025, somando as audiências do site, das redes sociais e do YouTube.

O presidente da TVT, Maurício Junior, celebra os feitos da TV dos Trabalhadores. “Com o canal 555 na parabólica digital, agora podemos chegar a públicos que sempre estiveram no foco dos nossos programas, como os beneficiários do CadÚnico e demais trabalhadores de todos o país”, conta Maurício Junior.

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Antes da ampliação do sinal da TVT, a emissora já havia obtido aumento de público, somando site, YouTube e demais redes sociais, ultrapassando a marca dos 100 milhões de alcance.

“Não poderíamos comemorar nossos 15 anos da melhor forma: com a ampliação do nosso alcance, tanto com o sinal agora para todo o país, como com  o aumento da audiência”, aponta o presidente da TVT.

Agora, além dos cadastrados no CadÚnico, pessoas que vivem em 323 cidades mapeadas pelo Ministério das Comunicações também poderão pedir seu kit de instalação das antenas.

“Nestes últimos meses temos trabalhado forte para ampliar nossa cobertura para todo país. Esse processo se soma às mudanças tecnológicas que estamos implementando a partir dos novos programas que já estão no ar ou que virão por aí”, disse o diretor de Operações e TI, Alexandre Alimari, responsável pelo projeto de expansão.

Integração de conteúdo leva TVT a bater recorde de audiência

Ao chegar aos 15 anos, a TVT modificou os conceitos de produção e distribuição de conteúdo, integrando todas as equipes de programas, site e redes sociais.

Com isso, o perfil @redetvt chega em agosto aos 100 milhões de visualizações em 2025, alcançando uma marca histórica em suas redes sociais, YouTube e site.

Para o Diretor de Conteúdo da TVT, Ricardo Negrão, os números de alcance da TVT estão em forte crescimento. “Nós aumentamos nossa programação ao vivo e com isso trouxemos um público novo, que está todos os dias colaborando conosco. Agora nosso objetivo é alcançar também quem assiste TV via parabólica digital”, comemora.

Quatro horas e meia ao vivo com notícias

Em 2025 a TVT estreou dois novos telejornais, o TVT News Primeira Edição, das 10h30 às 13h e o TVT News Segunda Edição, das 16h às 18h. Ao todo, são quatro horas e meia de notícias e análises dos principais acontecimentos da política, cultura, cidadania, economia do Brasil e do mundo.  Os dois telejornais se somam aos programas de entrevistas Juca Kfouri Entrevista e Conversa Sem Curva. Todo esse conteúdo, além de notícias em tempo real, está no site da TVT News (tvtnews.com.br) ou nas redes sociais, no perfil @redetvt.

O que é a parabólica digital (banda Ku)

A parabólica digital, também conhecida como parabólica de banda Ku, é um sistema de recepção de TV via satélite que utiliza uma faixa de frequência diferente da antiga parabólica analógica.

A banda Ku opera em frequências mais altas, o que permite uma transmissão de sinal mais estável e com maior qualidade, incluindo alta definição (HD). Além disso, as antenas da banda Ku são menores e mais modernas em comparação com as antenas tradicionais analógicas.

Desde maio deste ano, famílias de baixa renda de 323 municípios brasileiros poderão receber gratuitamente kits de antena parabólica digital, mesmo que ainda não possuam o equipamento tradicional instalado em casa. A medida busca ampliar o acesso à TV aberta via satélite, especialmente em regiões com baixa cobertura de sinal terrestre.

Os inscritos no Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) que utilizavam antenas parabólicas convencionais já tinham direito ao benefício. 

Sobre a TVT

Maurício Junior, presidente da TVT
Maurício Junior, presidente da TVT: conteúdo de trabalhadores para trabalhadores / Reprodução


A TVT é uma emissora educativa outorgada à Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos, mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Entre os princípios estão a luta pelos valores democráticos, o combate à desinformação, ao ódio e à intolerância das redes sociais que corroem a democracia. O foco é na valorização do interesse dos trabalhadores e na informação de acontecimentos que afetam a vida das pessoas, no Brasil e no mundo.

“Estamos felizes com os números audiência, e ainda mais pela presença da TVT News nos principais acontecimentos dos movimentos sociais, como na conquista dos moradores da Favela do Moinho, em São Paulo, na cobertura da morte e eleição do Papa, na campanha da Flotilha pela Liberdade, em Gaza e nas manifestações em defesa da soberania nacional”, aponta o presidente da TVT, Maurício Junior.

  • Redes Sociais da TVT News: @redetvt
  • YouTube: https://www.youtube.com/@redetvt
  • Como sintonizar a TVT : canal 44.1 sinal aberto digital na grande São Paulo e canal 555 na parabólica digital em todo o Brasil
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China acelera e deixa Ford sob ameaça no deserto https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/china-acelera-e-deixa-ford-sob-ameaca-no-deserto/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/china-acelera-e-deixa-ford-sob-ameaca-no-deserto/#respond Thu, 31 Jul 2025 09:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214040 Ford vê China como desafio crescente no mercado da Ásia Ocidental; Gigante automotiva tenta manter sua posição em mercados que hoje enxergam a inovação como critério principal de escolha

A Ford, gigante automotiva norte-americana com longa trajetória no setor, está cada vez mais atenta ao papel que a China tem assumido na Ásia Ocidental. Com a entrada maciça de marcas chinesas na região, a empresa reconhece que enfrenta um “grande desafio” para manter sua relevância e continuar crescendo diante de uma concorrência cada vez mais acirrada.

Ravi Ravichandran, presidente da Ford para a Ásia Ocidental e Norte da África, destacou recentemente, em entrevista ao Al-Monitor, o impacto que as montadoras orientais têm gerado no mercado local. Segundo ele, essas empresas estão não apenas ampliando suas ofertas, mas também oferecendo alternativas inovadoras que estão mudando o comportamento dos consumidores. “Marcas competitivas — principalmente as chinesas — estão intensificando a concorrência e aumentando as opções disponíveis”, disse.

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Dados divulgados pela consultoria AlixPartners reforçam essa percepção. De acordo com a pesquisa, a participação das fabricantes chinesas na Ásia Ocidental e na África deve subir de 10% em 2024 para nada menos do que 34% até 2030. Esse salto exponencial se deve a uma estratégia consistente por parte das empresas chinesas, que têm apostado fortemente em tecnologia avançada, parcerias estratégicas e infraestrutura sólida.

Apesar do aumento da pressão, a Ford ainda encontra espaço para crescer. A marca registrou um aumento de 15% nas vendas no primeiro semestre de 2025, especialmente nos mercados da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. No entanto, mesmo com os números positivos, Ravichandran admite que a presença chinesa no setor está dificultando a manutenção da posição tradicional da Ford na região.

Mudança no ritmo: veículos elétricos ganham força

Um dos grandes desafios apontados pelo executivo é a transição para veículos elétricos (VEs), que está ganhando velocidade na Ásia Ocidental. Políticas públicas como o Vision 2030 saudita e o plano Net Zero 2050 dos Emirados Árabes Unidos estão impulsionando a demanda por carros sustentáveis. Segundo dados levantados pela Ford, 55% dos residentes dos Emirados e 40% dos cidadãos da Arábia Saudita pretendem comprar um veículo elétrico até o final deste ano.

No entanto, essa mudança exige esforços consideráveis, tanto por parte das empresas quanto dos governos. Entre os obstáculos estão a necessidade de expansão da rede de carregamento e a educação do público sobre os benefícios e funcionamento desses novos modelos. “Essa transição requer uma cooperação estreita entre o setor privado e os órgãos governamentais para ser bem-sucedida”, observou Ravichandran.

A Ford, por sua vez, já está ajustando seu portfólio para atender às expectativas do novo consumidor. Cerca de 70% dos registros da marca são de SUVs, picapes e crossovers — categorias que estão em alta entre a população jovem, que representa mais de 60% da região. Para o presidente da Ford, “o cliente atual busca veículos modernos, conectados e cheios de tecnologia”.

O peso da influência chinesa vai além do automóvel

O impacto da China na Ásia Ocidental não se limita aos carros. Empresas chinesas, tanto estatais quanto privadas, têm firmado parcerias estratégicas em diversos setores. Um exemplo recente foi o aumento das exportações de petróleo do Irã para a China, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos. Outra iniciativa marcante foi o contrato de US$ 4 bilhões assinado entre a PowerChina e o Iraque para construção da primeira usina grande de dessalinização em Basra.

Também chamou atenção a parceria entre a Aramco, petrolífera nacional da Arábia Saudita, e a BYD, uma das maiores fabricantes chinesas de veículos elétricos, para desenvolver soluções de mobilidade de baixa emissão. Além disso, empresas chinesas firmaram acordos de longo prazo com a ADNOC, da Emirados Árabes Unidos, para a compra de gás natural liquefeito (GNL).

Nova rota, novas possibilidades

Uma das medidas mais simbólicas da expansão chinesa na região foi a inauguração de uma nova rota ferroviária que liga o leste da China a Teerã, passando pela Ásia Central. A iniciativa reduz o tempo de transporte de cargas de 30 para 15 dias, evitando rotas marítimas sob domínio dos EUA. Isso não só fortalece a logística da China, mas também potencializa o comércio regional, incluindo a distribuição de veículos e peças automotivas.

Diante desse cenário dinâmico, a Ford sabe que precisa agir rápido. “A concorrência é saudável, mas exige inovação, adaptação e um profundo conhecimento do que o consumidor local realmente deseja”, afirmou Ravichandran. A digitalização, a transição energética e a entrada de novos players estão moldando um futuro onde a adaptação será fundamental.

Para a Ford, o caminho está claro: acompanhar as transformações ou correr o risco de perder terreno. Com a China cada vez mais presente e influente, a batalha por espaço no mercado da Ásia Ocidental promete ser intensa — e quem souber se posicionar melhor pode garantir uma vantagem duradoura.

PowerChina conquista contrato para maior usina de dessalinização do Iraque

A PowerChina, gigante estatal da construção e infraestrutura chinesa, marcou um novo capítulo na sua expansão pelo Oriente Médio ao vencer um contrato de US$ 4 bilhões para a construção da primeira grande usina de dessalinização de água do mar no Iraque. A obra será realizada em Basra, uma das cidades mais afetadas pela crise hídrica do país, em parceria com o grupo local Al Ridha Group, conforme anunciado oficialmente nesta quinta-feira (24) pelas autoridades iraquianas.

O anúncio contou com a presença do primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, que destacou a importância do projeto para a melhoria do abastecimento de água potável no sul do país. “Essa iniciativa é um passo fundamental para enfrentar os desafios ambientais e sociais que atingem milhões de pessoas”, afirmou ele durante a cerimônia simbólica de início dos trabalhos.

A Usina de Dessalinização de Água do Mar de Basra terá capacidade de produção diária de 1 milhão de metros cúbicos de água potável — equivalente ao consumo médio de uma cidade com cerca de 2 milhões de habitantes. Para garantir a operação contínua do complexo, a instalação também contará com uma usina de energia de 300 megawatts (MW). O projeto está previsto para ser concluído até junho de 2028, após três anos de obras.

Combate à escassez de água no sul do Iraque

A construção da usina faz parte de um plano amplo do governo iraquiano para resolver a grave escassez de água na região sul do país, um problema agravado por mudanças climáticas, conflitos políticos e a redução do fluxo dos rios Tigre e Eufrates. Durante a fase inicial da obra, serão erguidas unidades menores de dessalinização em diferentes pontos da província de Basra, servindo como soluções temporárias enquanto a unidade principal entra em operação.

Entre as estações menores, destaca-se a de Shatt al-Arab, com capacidade de 5.000 metros cúbicos por hora — o equivalente a duas piscinas olímpicas — e as usinas de Al-Faw, Al-Siba e Abu Flous, cada uma com produção de 3.000 metros cúbicos por hora. A usina de Safwan completará o pacote com 1.000 metros cúbicos por hora.

Esses empreendimentos menores são considerados essenciais para aliviar o sistema de distribuição de água em áreas urbanas e rurais, especialmente nos períodos mais críticos da seca, antes da entrada em funcionamento da usina principal.

A China como parceira estratégica na região

O projeto de Basra é apenas mais um sinal do reforço da presença chinesa na Ásia Ocidental, onde empresas nacionais têm feito investimentos significativos em setores-chave como energia, logística e recursos hídricos. A PowerChina, que já atuou em grandes obras em países como Paquistão e Turquia, agora expande seu alcance para o Iraque, trazendo tecnologia avançada e experiência consolidada em projetos de infraestrutura.

No mês passado, por exemplo, a Sinopec e a Aramco Asia Singapore firmaram um acordo de US$ 4 bilhões para a criação da Fujian Sinopec Aramco Refining & Petrochemical Co., uma joint venture voltada para a logística de petróleo bruto no Porto de Gulei, na China. O projeto reflete a crescente aposta da Aramco em exportações diretas para a China, visando aproveitar a demanda energética do gigante asiático.

Além disso, entre 2021 e outubro de 2024, a China tornou-se a maior fonte de investimento estrangeiro direto (IED) greenfield na Arábia Saudita, injetando US$ 21,6 bilhões no país — sendo um terço desse valor destinado a projetos de energia limpa. As parcerias envolvem não apenas setor energético, mas também inteligência artificial, mobilidade urbana e inovação digital.

Parcerias sólidas no Irã e na Turquia

A influência chinesa também é notável no Irã, onde os investimentos somam menos de US$ 5 bilhões desde 2007, mas englobam projetos de extrema relevância, como o campo petrolífero de Yadavaran, a ferrovia Teerã-Mashhad e o bonde de Qazvin. Entre os planos futuros, estão a construção de uma usina solar de €1 bilhão (US$ 1,09 bilhão) e uma siderúrgica de US$ 350 milhões. Apesar de alguns adiamentos, como o caso do projeto no campo de gás South Pars — prejudicado por sanções americanas —, a cooperação entre Pequim e Teerã segue firme.

Na Turquia, empresas chinesas como China Sunergy, Talesun, Yingli e NARI têm apostado fortemente na fabricação de painéis fotovoltaicos. Um exemplo é a China Sunergy, que investiu cerca de US$ 600 milhões em Istambul para produzir painéis solares exportados principalmente para a Europa.

Uma nova era para a infraestrutura regional

Com a ampliação de sua atuação em projetos de infraestrutura crítica, a China tem redefinido seu papel como parceira estratégica para muitos países da Ásia Ocidental. Além de trazer capital e know-how tecnológico, a presença chinesa está ajudando a repensar modelos tradicionais de desenvolvimento e a buscar soluções sustentáveis para problemas urgentes.

Para o Iraque, a parceria com a PowerChina representa muito mais do que um simples contrato de obras: é uma aposta na modernização do setor hídrico e na melhoria da qualidade de vida da população. Com o horizonte de 2030 cada vez mais perto, a corrida por investimentos verdes e projetos inovadores ganha velocidade — e a China parece estar bem posicionada para liderar essa transformação.

Enquanto isso, no cenário global, a concorrência entre gigantes industriais e novos players está moldando o futuro da infraestrutura e da economia regional. E, no meio disso tudo, projetos como o de Basra mostram que, quando há vontade política e parcerias sólidas, até os maiores desafios podem ser superados.

Com informações de The Cradle e Agências de Notícias*

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Mercado engole a margem da Shell em um só trimestre https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/mercado-engole-a-margem-da-shell-em-um-so-trimestre/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/mercado-engole-a-margem-da-shell-em-um-so-trimestre/#respond Thu, 31 Jul 2025 08:18:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214160 Shell registra queda de 32% no lucro enquanto traders enfrentam mercado volátil; os comerciantes da Shell não perderam dinheiro em nenhum trimestre na última década

A Shell Plc, maior empresa de energia da Europa, divulgou nesta quinta-feira (31) um lucro líquido ajustado de US$ 4,26 bilhões no segundo trimestre, uma redução de 32% em relação aos US$ 6,29 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. A queda se deu em meio a um ambiente de mercado extremamente volátil, onde oscilações bruscas nos preços do petróleo e gás dificultaram a atuação dos comerciantes da companhia.

O resultado, embora abaixo do esperado em comparação com o ano anterior, superou a estimativa média dos analistas, que projetavam lucro de US$ 3,74 bilhões para o período. A empresa manteve seu programa de recompra de ações em US$ 3,5 bilhões no trimestre, demonstrando confiança em sua posição financeira mesmo diante do cenário desafiador.

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Mercado turbulento testa operações da companhia

A Shell enfrentou um trimestre marcado por uma sucessão de eventos que agitaram os mercados globais de energia. Desde as ameaças comerciais do presidente americano Donald Trump até a inesperada decisão da OPEP+ de acelerar o aumento da produção, sem esquecer o breve conflito no Oriente Médio, a volatilidade se tornou a principal característica do período.

Os preços do petróleo bruto encerraram o trimestre com queda de aproximadamente 10%, impactando diretamente os negócios da companhia. O setor de trading, tradicionalmente um dos principais impulsionadores de lucro da Shell, enfrentou dificuldades sem precedentes.

O lendário negócio de negociação interna da Shell, que segundo o CEO Wael Sawan não havia registrado prejuízos em nenhum dos últimos dez trimestres, viu seus lucros significativamente afetados. A empresa alertou no início do mês que os ganhos com a negociação de petróleo e gás no período foram “significativamente menores” do que nos três meses anteriores.

Estratégia de reestruturação mostra resultados

Apesar dos desafios do trimestre, a estratégia de reestruturação liderada por Sawan começa a mostrar resultados concretos. Nos últimos dois anos, o executivo tem focado em cortar custos, melhorar a confiabilidade operacional e desfazer-se de ativos de baixo desempenho, em um esforço para reduzir a lacuna de avaliação em relação às rivais americanas.

A abordagem tem dado frutos: a Shell tem superado suas concorrentes do setor petrolífero no acumulado de 2025. Analistas destacam a melhora consistente no balanço patrimonial da companhia, que em maio afirmou possuir solidez financeira suficiente para manter o ritmo de recompra de ações acima de US$ 3 bilhões por trimestre, mesmo em um cenário pessimista com o petróleo bruto cotado a US$ 50 o barril — valor consideravelmente abaixo dos níveis atuais.

A dívida líquida da empresa aumentou de US$ 41,5 bilhões para US$ 43,2 bilhões no período, um incremento que a administração considera controlado diante da geração de caixa consistente.

Rumores de fusão chegam ao fim

Os resultados foram divulgados apenas um mês após a Shell oficializar que não tinha interesse em fazer uma oferta pela concorrente britânica BP Plc, encerrando um longo período de especulações no mercado. O anúncio põe fim às discussões sobre uma possível fusão entre as duas gigantes do setor energético britânico e impede que a Shell tome qualquer iniciativa nesse sentido pelos próximos seis meses, conforme determinam as regras de aquisição do Reino Unido.

A decisão reflete a estratégia atual da companhia de focar em sua própria transformação e criação de valor para acionistas, em vez de buscar crescimento através de grandes operações de consolidação.

Desafios no horizonte

Enquanto a Shell demonstra resiliência diante da volatilidade do mercado, os desafios persistem. A natureza imprevisível das oscilações de preços, agravada por tensões geopolíticas e decisões de política energética de governos ao redor do mundo, continua a testar a capacidade dos traders de gerar retornos consistentes.

Para especialistas, o segundo trimestre serve como um teste real da adaptabilidade das grandes companhias de energia em um ambiente cada vez mais complexo. A capacidade da Shell de manter sua política de retorno aos acionistas mesmo em cenários desafiadores reforça sua posição como uma das empresas mais sólidas do setor, mas a pressão para manter o desempenho em meio à incerteza global permanece alta.

Operação comercial da Shell não registra prejuízos há uma década, afirma CEO

Em apresentação realizada na terça-feira (25) durante o dia do investidor da companhia, o CEO da Shell Plc, Wael Sawan, revelou que a ampla operação comercial interna da gigante energética — que abrange negociações de petróleo, gás natural e eletricidade — não registrou prejuízos em nenhum dos últimos dez anos.

A declaração chama atenção para a consistência e expertise do setor de trading da companhia, que mantém posição de destaque no mercado global de energia. Apesar de manter sigilo absoluto sobre detalhes específicos de suas operações comerciais por razões competitivas, a Shell escolheu compartilhar algumas informações durante o evento em Nova York.

Sawan informou que, na última década, os traders da empresa apresentaram um retorno médio sobre o capital médio empregado de 2%. Para os próximos anos, a expectativa da administração é que essa contribuição varie entre 2% e 4%, mantendo a negociação como um dos pilares estratégicos da companhia.

Trading como pilar estratégico

A negociação tem papel fundamental na estratégia da Shell e continuará sendo essencial para o futuro da empresa. Durante sua apresentação, Sawan delineou planos ambiciosos para aumentar o retorno aos investidores ao longo da década, reforçando ainda mais a posição da companhia como a maior comercializadora mundial de gás natural liquefeito.

A importância crescente do setor comercial ficou evidente com a recente promoção do chefe de negociação ao comitê executivo da empresa, garantindo ao trading um assento direto nas decisões estratégicas da administração.

A consistência demonstrada pela operação comercial nos últimos dez anos serve como um indicador da sofisticação dos sistemas de gestão de risco e da expertise da equipe responsável pelas negociações. Em um setor marcado por volatilidade e incertezas geopolíticas, manter lucratividade trimestral ininterrupta por uma década representa um feito notável.

Essa performance robusta do setor de trading tem sido um dos fatores que sustentam a confiança dos investidores na capacidade da Shell de gerar retornos consistentes, mesmo em períodos de turbulência nos mercados energéticos globais.

Com informações de Bloomberg*

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Ben & Jerry’s adoça o trimestre, mas não salva a Unilever https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/ben-jerrys-adoca-o-trimestre-mas-nao-salva-a-unilever/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/ben-jerrys-adoca-o-trimestre-mas-nao-salva-a-unilever/#respond Thu, 31 Jul 2025 08:01:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214156 Apesar dos bons resultados em sorvetes e cuidados pessoais, ações da Unilever acumulam queda no ano e refletem incertezas com a nova estratégia

A gigante multinacional de bens de consumo Unilever Plc anunciou nesta quinta-feira (31) um aumento nas vendas do segundo trimestre, impulsionado principalmente pelo desempenho robusto de sua divisão de sorvetes — que inclui marcas icônicas como Ben & Jerry’s — e pelo bom resultado de produtos de cuidados pessoais, como o sabonete Dove.

A empresa, que está passando por um processo de reestruturação estratégica sob a liderança do CEO Fernando Fernandez, divulgou que as vendas subjacentes cresceram 3,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado superou ligeiramente as expectativas dos analistas financeiros, que acompanhavam de perto o desempenho da companhia.

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Fernandez, que assumiu o cargo em março, tem concentrado esforços em focar nas divisões com maior potencial de crescimento e tem optado por desfazer-se de marcas de alimentos que historicamente apresentaram desempenho aquém do esperado. Essa estratégia faz parte de uma reformulação mais ampla da carteira de produtos da empresa, que busca maior eficiência e rentabilidade.

Reestruturação inclui cisão de sorvetes

Um dos movimentos mais significativos da nova gestão é a decisão de separar a divisão de sorvetes em uma empresa independente. A operação, que será listada na Holanda, está prevista para ser concluída até meados de novembro. Após a cisão, a Unilever manterá uma participação acionária de 20% na nova companhia.

A decisão de desmembrar o setor de sorvetes reflete a aposta da empresa em valorizar unidades que apresentam forte performance e potencial de crescimento independente. A divisão tem mostrado resultados consistentes, especialmente em mercados internacionais, onde marcas como Ben & Jerry’s têm conquistado espaço junto aos consumidores.

Apesar do bom desempenho operacional, as ações da Unilever têm enfrentado pressão no mercado financeiro. No acumulado do ano até o fechamento desta quarta-feira, os papéis da companhia acumulam queda de aproximadamente 2%.

Estratégia de foco e desinvestimento

A abordagem de Fernandez tem sido clara: concentrar investimentos nas áreas mais promissoras e desinvestir de negócios que não agregam valor significativo à companhia. A saída de marcas de alimentos de baixo desempenho faz parte desse movimento de repositionamento estratégico, que visa preparar a Unilever para os desafios do mercado global de bens de consumo.

Analistas do setor destacam que a reestruturação pode gerar valor para os acionistas a longo prazo, embora possa causar alguma volatilidade nos resultados de curto prazo. A separação da divisão de sorvetes, em particular, é vista como uma oportunidade para que ambas as empresas — a Unilever reduzida e a nova companhia de sorvetes — possam se desenvolver com maior agilidade e foco específico.

Com a cisão programada para ocorrer nos próximos meses, os investidores estarão de olho nos próximos passos da multinacional, que continua a ajustar sua estratégia em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.

Unilever é multada em R$ 1,5 milhão por publicidade enganosa em sabão Surf

A multinacional Unilever Brasil levou uma multa de R$ 1,5 milhão aplicada pelo Procon-MG, vinculado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por supostamente veicular informação enganosa na embalagem do sabão em pó Surf. O produto em questão indicava que 1,6 kg do produto “rende igual a 2 kg” — afirmação que o órgão de defesa do consumidor considerou claramente equivocada.

A denúncia foi registrada em julho de 2024, quando fiscais do Procon identificaram a irregularidade nas embalagens do Surf 5 em 1 com óleos essenciais. Para os fiscais, não há hipótese em que 1,6 kg possa ter o mesmo rendimento de 2 kg. “Em conta simples e meramente exemplificativa, se 2kg renderiam 40 lavagens, 1,6 kg, pela proporção, renderiam 32 lavagens”, destacou o órgão em seu parecer técnico.

Apesar de a Unilever alegar que removeu a informação questionada das embalagens ainda no mesmo mês em que a denúncia foi feita, o Procon-MG entendeu que isso não anula a infração. Segundo o Ministério Público, o produto com a embalagem antiga ainda estava sendo comercializado nas prateleiras no momento da fiscalização, com validade estendendo-se até maio de 2026.

Decisão baseada no faturamento da empresa

A decisão da 14ª Promotoria de Justiça da Capital – Defesa do Consumidor foi assinada pelo promotor Fernando Ferreira Abreu no dia 8 de junho deste ano. No documento, o órgão apontou que o texto da embalagem poderia induzir o consumidor ao erro sobre a quantidade real do produto, violando o Código de Defesa do Consumidor.

“A empresa reclamada infringiu os preceitos legais previstos, em prejuízo da coletividade, por disponibilizar ao consumidor produto impróprio ao consumo consistente no vício de informação do produto”, consta do processo administrativo.

O valor da multa foi calculado com base no faturamento da Unilever em 2023, que ultrapassou a marca de R$ 6 bilhões. Caso a empresa não cumpra a penalidade, o valor será inscrito em dívida ativa e poderá ser cobrado judicialmente pela Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE-MG).

Posicionamento da Unilever

Em nota oficial, a Unilever Brasil defendeu sua posição, afirmando que a fórmula do Surf 5 em 1 com óleos essenciais foi desenvolvida especificamente para oferecer o mesmo rendimento da versão anterior de 2 kg, agora concentrada em 1,6 kg. A empresa destacou que a embalagem continha orientações claras sobre o ajuste da dosagem — meia xícara de chá para uma máquina cheia de roupa (até 11 kg) — e informava que o produto renderia até 20 lavagens.

“As informações foram validadas pelas autoridades competentes. A mudança seguiu integralmente a legislação vigente e foi comunicada de forma transparente ao consumidor por meio do rótulo, do SAC e dos canais oficiais da marca”, afirmou a companhia.

A Unilever ressaltou ainda que se trata de uma adaptação que reflete investimentos em tecnologia e formulações mais eficientes, com menor impacto ambiental. A empresa reforçou que deixou de usar a alegação de rendimento desde julho de 2024 e reafirmou seu compromisso com a transparência e o respeito ao consumidor.

Apesar da multa, a Unilever ainda pode recorrer da decisão, o que pode prolongar o caso nos próximos meses. Enquanto isso, o episódio serve como alerta para outras empresas sobre a importância de clareza e precisão nas informações oferecidas aos consumidores.

Com informações de Bloomberg e g1*

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Ford estima prejuízo de US$ 2 bi em 2025 com tarifas de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/ford-estima-prejuizo-de-us-2-bi-em-2025-com-tarifas-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/ford-estima-prejuizo-de-us-2-bi-em-2025-com-tarifas-de-trump/#respond Thu, 31 Jul 2025 07:41:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214152 Tarifa sobre aço, alumínio e autopeças imposta por Trump deve custar à Ford US$ 2 bilhões em 2025, afetando suas margens e sua presença internacional

A montadora americana Ford divulgou nesta quarta-feira (30) que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump devem impactar negativamente suas finanças em cerca de US$ 2 bilhões neste ano — um valor significativamente maior do que as projeções anteriores. Apesar de a maior parte de sua produção ocorrer nos Estados Unidos, a empresa ainda enfrenta custos elevados devido à sua presença em mercados como México e Canadá, além da dependência de materiais importados.

Segundo a diretora financeira da companhia, Sherry House, o aumento da estimativa se deve principalmente à manutenção por mais tempo do que o esperado das tarifas mais altas sobre operações no México e no Canadá. Além disso, a empresa foi afetada pelas taxas aplicadas sobre importações de aço e alumínio, produtos fundamentais para a fabricação de veículos.

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“Revisamos nossas projeções para refletir o ambiente tarifário atual, que permanece mais desafiador do que o previsto anteriormente”, afirmou House durante uma apresentação aos investidores.

A notícia veio junto com os resultados financeiros do segundo trimestre, quando a Ford revelou ter pago US$ 800 milhões a mais em impostos apenas nos três meses encerrados em junho. A empresa também registrou perdas relacionadas ao cancelamento de um programa de veículos elétricos, o que agravou ainda mais o cenário financeiro.

O impacto das tarifas de Trump tem sido sentido por diversas empresas dos EUA, especialmente aquelas que operam internacionalmente ou dependem de cadeias de suprimento globais. A medida faz parte da estratégia do governo americano de reconfigurar as relações comerciais internacionais, incentivando a produção local como forma de fortalecer a indústria nacional.

Apesar do ônus tarifário, a Ford está em uma posição relativamente melhor do que alguns concorrentes. A General Motors, por exemplo, informou recentemente que já gastou mais de US$ 1 bilhão com tarifas, enquanto a Volkswagen calculou prejuízos de aproximadamente US$ 1,5 bilhão devido às mesmas políticas comerciais.

Jim Farley, presidente-executivo da Ford, afirmou que a empresa mantém contato constante com a administração Trump em busca de reduções tarifárias, especialmente em componentes automotivos. “Vemos que há muitas vantagens dependendo de como a negociação for com a administração”, declarou ele.

Trump tem ampliado as tarifas sobre uma ampla gama de produtos, com ênfase especial em veículos e peças automotivas, bem como em materiais estratégicos como aço e alumínio. O objetivo declarado do presidente é pressionar empresas norte-americanas e estrangeiras a transferirem suas operações para território dos EUA, fortalecendo a indústria local.

A perspectiva de aumento de custos e a pressão sobre as margens de lucro fizeram com que as ações da Ford recuassem cerca de 1,5% no pregão estendido na Bolsa de Nova York, após a divulgação dos resultados trimestrais.

Para especialistas, o caso da Ford ilustra os desafios enfrentados por grandes corporações em um ambiente de comércio cada vez mais protecionista. Mesmo empresas com forte base doméstica precisam lidar com complexidades globais, especialmente em um setor como o automotivo, onde as cadeias de produção são altamente integradas internacionalmente.

Com as eleições presidenciais americanas se aproximando, o debate sobre comércio e políticas tarifárias deve permanecer em evidência, colocando empresas como a Ford no centro das atenções dos investidores e formuladores de política econômica.

Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil e classifica país como ameaça “incomum e extraordinária”

Em um movimento inédito e de grande repercussão internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma Ordem Executiva que eleva para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. A medida classifica o Brasil como uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança nacional americana — uma designação normalmente reservada a países considerados hostis, como Cuba, Venezuela e Irã.

A decisão, anunciada pela Casa Branca, visa responder ao que o governo estadunidense chama de “políticas, práticas e ações recentes” do governo brasileiro que, segundo Washington, comprometem a segurança, a política externa e a economia dos Estados Unidos. Entre os motivos apontados está a perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a milhares de seus apoiadores.

“O presidente Donald J. Trump assinou uma Ordem Executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre o Brasil, elevando o valor total da tarifa para 50%, para lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”, informou a Casa Branca em comunicado oficial.

Acusações políticas e tensão diplomática

A ordem executa baseia-se na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977, que permite ao presidente americano tomar medidas econômicas excepcionais em situações de emergência nacional. O documento acusa o governo brasileiro de perseguir e intimidar opositores políticos, incluindo Bolsonaro, que é investigado por sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições presidenciais de 2022.

Segundo as autoridades americanas, o governo brasileiro teria realizado “ações imprudentes” que violam direitos humanos e minam o Estado de Direito. O governo Trump afirma seguir a versão de Bolsonaro, que nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.

“O Presidente Trump está protegendo a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos de uma ameaça estrangeira”, disse o comunicado. “Em linha com seu mandato eleitoral, o presidente Trump também tomou outras medidas para alcançar a paz por meio da força e garantir que a política externa reflita os valores, a soberania e a segurança dos EUA.”

Censura digital e conflitos com redes sociais

Além das acusações políticas, o governo americano também reforçou críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro em relação às plataformas digitais. A Casa Branca alega que o Brasil teria coagido empresas americanas a censurar discursos políticos e alterar políticas de moderação de conteúdo.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, tem determinado a suspensão de redes sociais ligadas a Trump, como a Rumble e a X (antiga Twitter), por não cumprirem decisões judiciais brasileiras e por não apresentarem representantes legais no país, conforme exigido pela legislação local.

Analistas consultados pela Agência Brasil destacam que a extrema-direita tanto no Brasil quanto nos EUA tem distorcido a realidade dos processos judiciais brasileiros para sustentar a narrativa de perseguição política. “Essa estratégia tem como objetivo tentar desmoralizar as investigações de responsabilizações contra os ataques ao Estado Democrático de Direito no Brasil com informações incompletas e superficiais”, afirmou Pedro Kelson, do Programa de Democracia da Washington Brazil Office (WBO).

Exceções e produtos isentos

Apesar da ampla abrangência da tarifa, a ordem executa lista cerca de 700 exceções, incluindo produtos estratégicos como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis — incluindo motores, peças e componentes. Também ficaram de fora da taxação a polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

No entanto, produtos como café, frutas e carnes não foram incluídos nas exceções e serão taxados em 50%. A medida entra em vigor em sete dias, ou seja, a partir do dia 6 de agosto. Mercadorias que já estiverem em trânsito para os EUA também ficarão de fora da taxação.

Retaliação e possíveis ajustes

Trump reservou-se o direito de alterar a lista de exceções caso o Brasil “tome medidas significativas para lidar com a emergência nacional e se alinhe suficientemente com os Estados Unidos em questões de segurança nacional, economia e política externa”. Além disso, o presidente americano advertiu que poderá aumentar ainda mais as tarifas caso o governo brasileiro adote medidas de retaliação.

“Por exemplo, se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota ad valorem estabelecida nesta ordem em um montante correspondente”, declarou Trump.

A medida promete impactar significativamente o comércio bilateral entre os dois países, que movimenta bilhões de dólares anualmente. Enquanto setores da indústria brasileira se preparam para lidar com os novos custos, especialistas alertam que a decisão pode agravar ainda mais as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.

Com informações de BBC e Agências de Notícias*

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UE quer regra para locadoras: só carros elétricos a partir de 2030 https://www.ocafezinho.com/2025/07/20/ue-quer-regra-para-locadoras-so-carros-eletricos-a-partir-de-2030/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/20/ue-quer-regra-para-locadoras-so-carros-eletricos-a-partir-de-2030/#respond Sun, 20 Jul 2025 14:53:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213258 Medida pode acelerar fim do motor a combustão e servir de modelo global; no Brasil, setor automotivo já se movimenta rumo à eletrificação

A mobilidade na Europa está prestes a entrar em uma nova fase. De acordo com informações publicadas pelo jornal alemão Bild, a Comissão Europeia está finalizando um plano que pode transformar radicalmente o mercado automotivo do continente: a partir de 2030, empresas de aluguel de veículos e grandes corporações só poderão adquirir carros elétricos para compor suas frotas.

Se confirmada, a medida representará um passo decisivo rumo ao abandono dos motores a combustão e poderá influenciar diretamente cerca de 60% de todo o mercado de carros novos no bloco europeu, conforme afirmou um parlamentar ouvido pelo jornal. Gigantes do setor, como Sixt SE e Europcar Mobility Group SA, estariam entre as primeiras a sentir o impacto da nova regra. O objetivo: forçar uma transição mais rápida e contundente para tecnologias de emissão zero, contribuindo para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas pela União Europeia.

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Embora a proposta ainda precise passar por análise e aprovação parlamentar, a expectativa é que ela seja formalmente apresentada ainda neste verão europeu. Procurada pela reportagem do Bild, a Comissão Europeia confirmou que está trabalhando em novas regulamentações voltadas para o setor automotivo, mas preferiu não adiantar detalhes antes da conclusão oficial do texto.

Atualmente, a meta já estabelecida pela UE é de banir completamente as vendas de veículos com motor a combustão até 2035. No entanto, o novo plano antecipa esse calendário especificamente para as frotas corporativas e locadoras, que exercem um papel estratégico na renovação da frota veicular e na popularização de novas tecnologias.

Brasil também acelera transição energética no transporte

Enquanto a Europa busca soluções regulatórias para acelerar a eletrificação do transporte, o Brasil começa a registrar avanços expressivos nesse mesmo caminho. Um estudo recente elaborado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), a pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), prevê que as vendas de veículos elétricos e híbridos leves devem ultrapassar os modelos a combustão no Brasil até 2030.

A estimativa aponta para 1,5 milhão de unidades eletrificadas vendidas naquele ano, refletindo um crescimento sustentado no interesse por soluções sustentáveis e econômicas. Em 2023, os veículos híbridos e elétricos representavam apenas 4,3% do mercado nacional. Nos primeiros nove meses de 2024, esse índice já havia subido para 7,2% — um salto que indica uma curva de adoção acelerada.

E as projeções são ainda mais ambiciosas: dependendo de fatores como a adoção de novas tecnologias de motorização e o fortalecimento da cadeia de biocombustíveis, esse percentual pode chegar a mais de 90% em 2040. O estudo também aponta que, em segmentos como o transporte urbano, os ônibus elétricos poderão ultrapassar 50% de participação até 2035, enquanto os veículos pesados com novas tecnologias de propulsão podem atingir 60% do mercado até 2040.

Redução de emissões e criação de um novo ecossistema

A urgência da transição energética também se explica pelos números alarmantes das emissões de gases de efeito estufa. O setor automotivo é responsável, atualmente, por 242 milhões de toneladas de CO₂ por ano no Brasil, o equivalente a cerca de 13% das emissões totais do país. Se nada mudar, esse volume pode subir para 256 milhões de toneladas em 2040.

Por outro lado, o estudo aponta que, com a adoção de tecnologias limpas e o uso ampliado de etanol, biodiesel e outras fontes sustentáveis, seria possível cortar até 280 milhões de toneladas de CO₂ nas próximas duas décadas. E esse número pode chegar a 400 milhões de toneladas, caso políticas complementares como renovação de frota, inspeção veicular, valorização dos biocombustíveis e reciclagem de veículos sejam implementadas em conjunto.

O estudo demonstra o papel que o setor automotivo está desempenhando no desenvolvimento de tecnologias rumo à descarbonização, oferecendo soluções que não apenas atendem às necessidades de mobilidade, mas que também reforçam o compromisso em promover uma significativa redução das emissões de gases de efeito estufa — declarou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

Segundo a entidade, todo esse avanço depende da criação de um ecossistema robusto que envolva desde a infraestrutura de recarga e distribuição de energia até o fortalecimento da cadeia de fornecedores e da produção de biocombustíveis no Brasil.

Caminhos que se cruzam

A proposta europeia de restringir compras corporativas de carros a modelos 100% elétricos pode servir como um termômetro global e impactar, direta ou indiretamente, países como o Brasil, onde muitas locadoras e montadoras atuam em escala internacional. Medidas semelhantes podem surgir no horizonte regulatório brasileiro, caso as metas de redução de emissões entrem definitivamente na agenda política nacional.

Tenho certeza de que a sociedade vai exigir a redução de CO₂ do nosso setor — afirmou Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea, durante a apresentação do estudo em São Paulo.

O mundo está se movendo rapidamente — e, a partir de 2030, pode ser que ouvir o ronco de um motor a combustão, ao menos nas locadoras europeias, se torne uma lembrança distante.

Produção de carros elétricos pode dobrar número de empregos no Brasil até 2050

Veículos elétricos e híbridos expostos no evento Anfavea: Conduzindo o Futuro da Eletrificação no Brasil. - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Enquanto a Europa define 2030 como o ano do corte, o Brasil acelera sua própria transição, com híbridos e elétricos ganhando espaço entre consumidores e empresas / Agência Brasil

A transformação energética no setor automotivo brasileiro pode representar não apenas ganhos ambientais, mas também uma revolução no mercado de trabalho. Segundo uma pesquisa apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), conduzida em parceria com professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), a produção de veículos elétricos no Brasil pode dobrar o número de empregos no país até 2050.

O levantamento, realizado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), identificou que o avanço da eletrificação automotiva, combinado à expansão da indústria de baterias automotivas, impulsionaria principalmente o setor de Serviços — que engloba funções técnicas, engenharia, logística, comércio e manutenção. Ou seja, não se trata apenas de criar empregos, mas de gerar postos de trabalho mais qualificados e com melhores salários.

Os autores do estudo também alertam para a necessidade de estratégias nacionais de longo prazo para que o Brasil aproveite esse potencial. Isso inclui desde apoio às exportações até a definição de metas ambiciosas de redução de emissões, capazes de atrair capital internacional e posicionar o país como protagonista da transição energética global.

Programa Mover e apoio às montadoras estrangeiras

Uma das iniciativas mais recentes nesse sentido é o Programa Mover, do governo federal, que busca estimular o desenvolvimento da mobilidade sustentável por meio de incentivos fiscais, linhas de crédito e desoneração tributária para empresas que investirem em tecnologias limpas.

Para Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil vive um momento estratégico. Segundo ele, o país reúne características únicas, como um mercado consumidor interessado em inovação e uma crescente rede de políticas públicas de incentivo.

Temos programas como o Mover, a redução do imposto de importação, e agora começamos a ter fábricas importantes se instalando no Brasil, inclusive montadoras chinesas. A partir deste ano, a produção nacional de veículos elétricos ganha força, com novas unidades entrando em operação — afirmou Bastos.

A pesquisa também mostra que a renda gerada na economia dos elétricos é 85% maior em comparação ao modelo atual, baseado em veículos a combustão. Além disso, essa nova cadeia produtiva tende a ser mais inclusiva e melhor distribuída no que diz respeito aos salários, ampliando oportunidades para diferentes regiões e setores.

Cooperação Brasil-China e investimento bilionário

A relação bilateral entre Brasil e China tem sido fundamental para alavancar essa transição. Em abril deste ano, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve em Shenzhen, onde se reuniu com executivos da BYD, uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo e que já atua no Brasil.

Durante a visita, o ministro discutiu investimentos em eletromobilidade e na produção de baterias para ajudar a estabilizar o sistema elétrico nacional — um passo essencial para dar suporte à crescente demanda por infraestrutura de recarga e armazenamento de energia.

O Brasil quer liderar a transição energética global com parcerias estratégicas e intercâmbio de tecnologia. A cooperação com a China é essencial para atrair investimentos e acelerar esse processo, declarou Silveira.

A visita também fez parte da preparação para a viagem do presidente Lula à China, marcada para o mês de maio. No país asiático, Silveira cumpriu uma agenda intensa, que incluiu reuniões com a empresa de tecnologia Huawei, visitas à Usina Nuclear de Daya Bay e um encontro com a ex-presidente Dilma Rousseff, atual dirigente do Banco dos BRICS.

Montadoras chinesas de carros elétricos apostam no Brasil

A BYD, que desembarcou no Brasil em 2014, mantém hoje sete fábricas distribuídas entre São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em 2023, a montadora deu um passo ousado: iniciou a construção de um complexo industrial em Camaçari, na Bahia, com investimentos estimados em mais de R$ 5 bilhões.

A primeira fase do projeto prevê a produção de 150 mil veículos elétricos por ano, com potencial de crescimento à medida que o mercado interno e externo se fortalece. O novo polo industrial deve atrair fornecedores, gerar empregos diretos e indiretos e consolidar a Bahia como um dos centros nacionais da eletromobilidade.

Os dados da pesquisa e os movimentos do setor mostram que a transição para veículos elétricos não é apenas uma tendência tecnológica, mas uma oportunidade concreta de desenvolvimento econômico e social. Com políticas públicas consistentes, parcerias internacionais e investimentos em infraestrutura, o Brasil pode não só descarbonizar seu transporte, mas também reconstruir sua indústria automotiva com base em inovação e sustentabilidade.

A chave, segundo especialistas, é agir agora — de forma coordenada entre governo, iniciativa privada e universidades — para garantir que o país não fique para trás numa corrida global que já está em curso. A mobilidade do futuro não é apenas silenciosa e sem emissões: ela pode ser também geradora de empregos, renda e inclusão.

Com informações de Bloomberg, Bild e Agência Brasil

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Diatribe contra a turma (ou turba) da bufunfa https://www.ocafezinho.com/2025/07/18/diatribe-contra-a-turma-ou-turba-da-bufunfa/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/18/diatribe-contra-a-turma-ou-turba-da-bufunfa/#respond Fri, 18 Jul 2025 19:18:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213165 O economista Paulo Nogueira escancara o cinismo de quem se diz patriota enquanto remete fortuna e miséria para fora do Brasil

Hoje vou deixar de lado questões candentes do momento (Trump, tarifas, BRICS, eleições de 2026 etc.) para abordar um tema mais estrutural – a notória e tenebrosa turma da bufunfa. E vou pegar alguns de seus integrantes para Cristo.

Não sei se vocês conhecem esse conceito econômico. Como se trata de uma das poucas, talvez a única contribuição que fiz à literatura econômica, cabe uma rápida definição. A turma da bufunfa é um poderoso agrupamento de banqueiros, financistas, rentistas e empresários não-financeiros de grande porte, acolitados por economistas e jornalistas serviçais. É um grupo muito influente, que se dedica a acumular dinheiro, custe o que custar, ignorando na cara dura preocupações sociais e nacionais.

Nem são propriamente brasileiros, mas “cidadãos do mundo” no pior sentido da expressão. São às vezes referidos como “Faria Lima”, outras vezes como “mercado”. Mas a primeira designação é geograficamente muito restrita para um fenômeno que tem alcance nacional e internacional. A segunda sugere uma instância anódina, neutra, que funciona supostamente pelo livre jogo das leis da oferta e da demanda – quando se trata, na verdade, de uma confraria sinistra que atua frequentemente em conluio. Formam uma plutocracia nociva, capaz de desestabilizar países inteiros, até países grandes. Deixados soltos, são capazes de danificar o planeta, como estamos vendo no século 21, com a degradação ambiental, a pobreza, a desigualdade social e a instabilidade recorrente das economias financeirizadas do Ocidente.

Um leitor me sugeriu, certa vez, dar mais precisão à teoria e falar em “turba da bufunfa”. De fato, turma é uma palavra simpática, como por exemplo em “A turma da Mônica” dos desenhos em quadrinhos. A tenebrosa coligação de bufunfeiros está mesmo muito mais para “turba”.

A ala tupiniquim dessa turba é, além disso, estritamente subserviente aos Estados Unidos. Caudatária em tudo dessa superpotência delinquente, não tem nem vestígios de imaginação e criatividade.

Um momento, porém. Devo ressalvar que há importantes exceções a isso no meio financeiro ou com passagem por ele, algumas notáveis, como Gabriel Galípolo, Eduardo Moreira, José Kobori e, em outros tempos, gigantes como Olavo Setúbal e Paulo Pereira Lira. Setúbal e Lira foram homens de espírito público e grande cultura. Mas são casos isolados.

Um destacado integrante da turba da bufunfa

Faça, leitor ou leitora, um pequeno esforço de imaginação. Lá está um banqueiro qualquer ou um especulador de grande porte. Imaginem a figura – faz pose, peito estufado, hierático, orgulhoso da sua fortuna, olha os pobres mortais de cima para baixo. Não lhe faltam ocasiões para subir ao púlpito e soltar o verbo. Saem as piores trivialidades, não raro em mau português, salpicado desnecessariamente de termos em inglês. A própria linguagem é colonizada. O banqueiro pode até parecer um idiota. Mas, não. É um espertalhão. Sabe  ganhar dinheiro, legal ou ilegalmente, com esforço ou trambicagem. Enriquece, geralmente,  recorrendo a tráfico de influência, corrupção e evasão fiscal.

Dou um exemplo. O leitor ou leitora sabe quem é Luís Stuhlberger? Até recentemente, eu nunca ouvira falar dele. Sinal alarmante de ignorância financeira, pois ele é um destacado e respeitado integrante da turba da bufunfa local.

Stuhlberger parece ser um caso típico desse grupo social, pelo menos nas opiniões que emite (não sei como ele enriqueceu). As suas opiniões foram publicadas com destaque em matéria publicada pelo jornal Valor (30 de maio, p. C3), que contém in nuce tudo que há de pior na turba da bufunfa.

O que disse o ilustre financista? Vou resumir sem fazer caricatura. Nem precisaria porque a entrevista já é caricatural em si mesma. Segundo ele, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre diversos itens e, em especial, sobre remessas de recursos para o exterior, foi um sinal de “perigo” e “assustador”. Constitui, disse Stuhlberger, “uma aula de psicologia gratuita” de como o PT e o governo Lula pensam sobre os mais ricos. A tributação das remessas para fora do país e outras medidas que penalizam a alta renda permitem, declarou ele, continuar subsidiando as classes menos privilegiadas. “O que ele [Lula] pensa é: ‘vamos distribuir dinheiro, vamos aumentar a arrecadação’, não importa que seja de uma maneira unfair”. Para ele o mais problemático foi a tentativa de tributar a compra de dólares: “Isso é muito scary, porque na minha opinião isso deveria aumentar na sua precificação o tail risk negativo do PT”. E diz também: “o trend da eleição de 2026 chegou, chegou antes do que se imaginava”. Ele teme, além disso, que o aumento do IOF possa ser utilizado pelo governo Lula para aumentar o Bolsa Família, o que seria uma carta na manga para a eleição.

A sua grande preocupação, presente já no título da matéria (‘IOF maior é viés para controle de capital’), é que se tenha criado “uma cunha na conta de capital – que deu errado em todos os países”. A mensagem que o governo Lula passa, segundo ele, é: ”Vocês ricos fiquem com seus reais, não têm que comprar dólar. Se quiserem comprar, paguem para mim um pedágio”. Stuhlberger deve estar ainda mais revoltado depois da decisão de Alexandre de Morais que confirmou a quase totalidade do decreto do Executivo sobre o IOF, inclusive o dispositivo que elevou a tributação sobre a compra de moeda estrangeira.

O que pessoas como Stuhlberger querem é  manter a liberdade para os movimentos de capital, uma das muitas heranças desastradas do governo Fernando Henrique Cardoso. Com ela, uma minoria de ricaços locais e investidores estrangeiros adquiriram a possibilidade de entrar e sair do Brasil com facilidade. Isso inibe a política econômica nacional porque cria um potencial de instabilidade cambial que volta e meia se materializa. O último episódio foi a turbulência no final de 2024.

Segundo Stuhlberger, os controles de capitais deram errado em toda parte. Falso. Ao contrário, há casos notáveis de sucesso na aplicação de restrições à entrada e saída de capitais. Pode-se destacar Índia e China. A China, um caso de sucesso estrondoso, mantém até hoje controles rigorosos sobre a movimentação transfronteiriça de capital. E não teria alcançado o que alcançou se tivesse aceitado o receituário neoliberal que vitimou e vitima até hoje diversas economias latino-americanas. A Argentina é o exemplo mais espetacular, mas o Brasil também sofre desse problema. Liberdade para os capitais privados implica imobilizar, pelo menos em parte, as políticas monetárias, cambial e fiscal.

Notem a linguagem colonizada. O ilustre financista apela repetidamente para termos em inglês mesmo quando há equivalentes rigorosamente equivalentes na nossa língua. Unfair, por que não dizer injusto? Scary por que não assustador? Tail risk em vez de risco de cauda? É a forma tipicamente vira-lata de tentar se mostrar “internacional” e “sofisticado”. Só impressiona os ingênuos. A elite brasileira é mesmo um lixo, como dizia Leonel Brizola.

Percebo de repente que o artigo está violento demais. Paciência. Vai assim mesmo.

Economistas serviçais

Concluo com uma breve referência ao papel (ou papelão) dos economistas.

Vimos que, com base na sua fortuna, um banqueiro ou financista se sente autorizado a pontificar sobre questões macroeconômicas e macropolíticas, nacionais e internacionais. Se o faz, as suas opiniões são acatadas por muita gente como perfeitamente válidas. Por burrice ou interesse escuso, e mais pelo segundo motivo do que pelo primeiro, abre-se espaço na mídia para financistas toscos, mas que, inconscientes da própria insignificância intelectual e humana, não se envergonham de proclamar os mais surrados chavões, desde que isso atenda a seus interesses estreitos.

No entanto, nem sempre o capitalista financeiro quer se expor em público. Recorre então aos economistas do mercado. Contrata a peso de ouro, um ex-presidente ou ex-diretor do Banco Central, por exemplo, que passa a servir de porta-voz dos seus interesses, em público e nos bastidores.

Querem alguns exemplos? Dou nome aos bois. Basta percorrer a lista de ex-dirigentes do Banco Central – Gustavo Franco, Pérsio Arida, Armínio Fraga, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn, Roberto Campos Neto, entre outros. Não arriscam opiniões próprias e se comportam, em geral, como meros repetidores da cartilha neoliberal. Arida é uma exceção, pois foi um dos arquitetos da URV, ideia original que muito contribuiu para a estabilização da moeda nacional em 1994. Franco tem uma tese de doutorado interessante sobre a estabilização do marco alemão nos anos 1920 (repleta de equívocos, porém). Os demais ainda estão nos devendo algo que preste. O próprio Arida, tendo se dedicado durante décadas a atividades financeiras, involuiu e nada mais diz ou escreve (até onde sei) de interessante ou original. Como sempre digo, a longa dedicação ao mercado parece provocar progressivo estreitamento do horizonte intelectual. O sujeito começa como economista promissor e termina como soldadinho de chumbo da turba da bufunfa.

A ganância e a vontade de fazer fortuna leva esses profissionais a abdicar da independência que é indispensável à criatividade. É o que acontece com os que passam pela porta giratória do Banco Central. Por antever possiblidades lucrativas, diversos economistas se dispõem a passar uma temporada no BC ou em outro setor da área econômica do governo, mesmo ganhando por um tempo salários relativamente baixos. Não importa. Terão futuro promissor, desde que dancem conforme a música enquanto lá estão. Depois, apoiados pela mídia tradicional, consolidam a “credibilidade” conquistada com subserviência. E, mais importante, embolsam a bufunfa.

Como disse Proudhon, no século 19, “la proprieté c’est le vol” (a propriedade é roubo).


Versão ampliada de artigo publicado na Carta Capital.

O autor é economista e escritor. Foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais 10 países em Washington, de 2007 a 2015. Publicou pela Editora LeYa Brasil o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém, segunda edição 2021, e pela Editora Contracorrente o livro Estilhaços, em 2024;


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