Flávio Bolsonaro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/flavio-bolsonaro/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 25 Jun 2026 15:27:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Flávio Bolsonaro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/flavio-bolsonaro/ 32 32 Flávio Bolsonaro descarta Zanatta e testa Bia Kicis para vice https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/flavio-bolsonaro-descarta-aliada-leal-e-testa-bia-kicis-para-vice-expondo-a-fragilidade-do/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/flavio-bolsonaro-descarta-aliada-leal-e-testa-bia-kicis-para-vice-expondo-a-fragilidade-do/#respond Thu, 25 Jun 2026 15:27:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260681 O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, protagonizou um episódio que revela as rachaduras internas de seu projeto político ao descartar publicamente a deputada Julia Zanatta (PL-SC) como possível vice — após ela ter se exposto em campanha ostensiva pela vaga — e testar o nome de Bia Kicis nas redes sociais. Segundo a Revista Fórum, Zanatta chegou a gravar vídeos se apresentando como candidata e declarou estar “pronta para o combate”, mas foi ignorada pelo clã.

A troca não foi apenas tática, mas simbólica: enquanto Zanatta demonstrou lealdade ruidosa e incondicional — chegando a dizer que faria “o que for possível para Flávio Bolsonaro ser eleito” —, Bia Kicis respondeu ao convite com subordinação calculada: “Você sabe que pode contar comigo na posição que você me colocar”. A mensagem enviada à base é clara: o bolsonarismo valoriza menos o soldado que se oferece e mais a capacidade de articular para além da bolha.

Segundo o Brasil 247, a justificativa usada por Flávio Bolsonaro para testar o nome de Bia Kicis foi sua suposta habilidade de negociação política, citando como exemplo um projeto da deputada que recebeu sanção do presidente Lula. A preferência por uma articuladora em detrimento de uma fiel escudeira expõe a fragilidade dos vínculos e o pragmatismo que rege as decisões do clã.

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Michelle Bolsonaro expõe racha com Flávio e detona aliança com Ciro Gomes https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/michelle-bolsonaro-expoe-racha-com-flavio-e-detona-alianca-com-ciro-gomes/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/25/michelle-bolsonaro-expoe-racha-com-flavio-e-detona-alianca-com-ciro-gomes/#respond Thu, 25 Jun 2026 12:46:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260652 O recente pronunciamento em vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) expôs de forma crua as profundas divisões internas na campanha de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um longo desabafo de quase trinta minutos, ela detalhou como a articulação política no Nordeste gerou um racha irreparável no clã e expôs um padrão de truculência familiar.

O epicentro da crise reside na imposição, por parte de Flávio Bolsonaro e deputados do PL cearense, de uma aliança pragmática com o ex-governador Ciro Gomes. Michelle opôs-se veementemente a essa aproximação, defendendo a manutenção de valores ideológicos e o apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Ao detalhar a conversa telefônica que teve com Flávio após manifestar sua discordância, a presidente do PL Mulher relatou ter sofrido humilhação e desrespeito direto. De acordo com Michelle, o enteado a tratou com extrema rispidez e afirmou de maneira hostil que ela havia chegado ontem à política e nada entendia do jogo partidário.

O desabafo trouxe à tona o ressentimento de Michelle com a hipocrisia de seus familiares ao buscarem aliança com o principal algoz judicial e político do próprio pai. Ela lembrou que Ciro Gomes foi o principal responsável pela ação que tornou Jair Bolsonaro inelegível e coleciona um histórico de ofensas gravíssimas contra a família.

Em suas declarações, lembra Michele no vídeo, Ciro Gomes já chamou o ex-presidente de ladrão de galinhas e jumento, além de rotular os filhos de Bolsonaro como bandidos e ovos de serpentes. Para a ex-primeira-dama, aceitar o apoio de um adversário que ofendeu a dignidade do clã representa um ato inequívoco de traição política e pessoal.

A disputa no Ceará também envolveu a tentativa de isolar a vereadora Priscila Costa da disputa pela chapa majoritária ao Senado para abrir espaço à acomodação de Ciro. Michelle questionou por que a vaga de Priscila, uma das principais vozes conservadoras do estado, deveria ser sacrificada ao invés da indicação de aliados masculinos próximos.

Esse racha familiar e estratégico atinge em cheio a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, cuja rejeição entre o eleitorado feminino já era apontada como seu principal obstáculo. O tratamento agressivo dispensado a Michelle sabota os esforços da ala moderada do PL que tentava suavizar a imagem do pré-candidato perante as mulheres.

Diante do desgaste, Flávio Bolsonaro tentou minimizar o impacto do vídeo declarando em transmissões nas redes sociais que estava focado em eventos esportivos e viagens ao exterior. Contudo, analistas apontam que a perda de apoio de Michelle e a debandada de nomes como o senador Styvenson Valentim evidenciam um isolamento crescente da candidatura do PL.

A ex-primeira-dama fez questão de frisar que seu recolhimento não significa submissão e que continuará atuando com base na lealdade às diretrizes pactuadas diretamente com o marido preso.

O epísódio cai como uma bomba sobre a campanha de Flávio, num momento particularmente delicado, em função do escândalo que o envolve diretamente com o banqueiro bandido Daniel Vorcaro. Desde o vazamento dos áudios, Flavio vem caindo nas pesquisas, e os estratategistas do PL tinha esperança de recuperar ao menos o voto feminino, que é o flanco mais frágil de saiu candidatura. A imagem de um homem que não respeita mulheres, que tenta colocá-las em papel submisso, certamente não vai ajudar Flavio nessa empreitada.

Íntegra do pronunciamento de Michelle Bolsonaro:

Olá, esse vídeo será longo, porque não tem como ser diferente. O detalhe faz toda a diferença, em especial nesse momento. Eu precisava falar com todos vocês, em especial com as mulheres de bem que nos acompanham. Não foi fácil chegar até aqui.

Tentei o silêncio, escolhi a paz. Para não expor a minha família, fiquei calada por muito tempo. Mas tem um limite para o quanto uma pessoa consegue suportar ataques e mentiras, especialmente quando essas mentiras envolvem o seu nome, o sofrimento do seu marido, da sua família e deturpam o trabalho que você entregou de coração. Até agora eu tentei não expor a família, pensando muito no meu marido, mas não dá mais.

Então eu vim para falar. As pessoas que sabem o que aconteceu se dividiram em dois grupos. Um me dizia, conta tudo, as pessoas precisam saber a verdade. O outro dizia, fica quieta, não vale a pena.

Eu tentei ficar quieta, mas percebo a maldade de alguns que se dizem defensores e aliados do meu marido, mas que plantam narrativas maldosas e mentiras descaradas envolvendo o meu nome. Sem respeito, sem pudor, sem vergonha. Não me deixaram viver em paz no momento mais difícil da minha vida. Inclusive, ignorando o pedido que o próprio Jair escreveu em uma carta para que parassem com os ataques.

Ele está sabendo de tudo e vê a situação que tenho enfrentado. Então hoje, a verdade vai iluminar o que foi escondido na escuridão das notícias falsas e nos ataques irresponsáveis. Para que todo o contexto fique claro, eu preciso voltar um pouco no tempo. Tudo começou em 2023.

O meu marido estava voltando dos Estados Unidos. Ele ia assumir a presidência de honra do Partido Liberal. Ele e o presidente Valdemar conversavam sobre os rumos do partido, o que ficou para trás, o que ainda podia ser construído. E perceberam uma lacuna.

As Mulheres, um público enorme, poderoso e que ainda viu Jair com desconfiança. Não tinha uma estrutura partidária que falasse de verdade com elas. Foi nesse momento que o meu nome surgiu. Eles me convidaram para assumir o PL Mulher como presidente nacional.

Eu aceitei, mas fui muito honesta. Olhei para o meu galego e disse, Jair, você sabe que eu não assumo missão para viver um faz de conta. Eu já sabia o tamanho do que estava sendo o pedido e eu tinha visto de perto, na caravana Mulheres com Bolsonaro em 2022, idealizada pela nossa governadora Celina Leão para ajudar na eleição do meu marido. Ao lado de Celina, Damares, Tereza Cristina e tantas outras guerreiras, eu vi o que era levar essa mensagem de esperança viajando pelo Brasil inteiro.

Era sacrifício real, era entrega real. Ele olhou para mim e disse que sabia que seria difícil para todos nós, mas que era necessário. E assim eu fui, assumi esse chamado mesmo sem ter experiência partidária. O que eu encontrei pela frente era maior do que eu imaginava.

O PL Mulher existia no papel, mas na verdade tivemos que começar praticamente do zero. Percorri o Brasil inteiro, instalamos os diretórios nos estados, impostamos presidentes estaduais e municipais, demos capilaridade e representatividade ao movimento que hoje, sendo um dos mais recentes, se tornou o maior movimento político partidário de mulheres no Brasil.

Nós pintamos o Brasil de rosa. E os resultados vieram. Nas eleições de 2024, elegemos 45,8% mais mulheres do que em 2020. Com pouco mais de um ano de trabalho, foram 1.

005 mulheres eleitas. A semente que plantamos começou a dar frutos. E fico feliz quando vejo esse fruto chegando a todos, incluindo ao pré-candidato Flávio, que hoje é bem recebido e apoiado por nossas meninas do PL Mulher nos Estados. É muito emocionante ver que as mulheres estão se engajando para transformar a política.

É exatamente para isso que nós estamos trabalhando. Mas o tempo foi passando e as coisas foram ficando mais pesadas. Vieram as medidas injustas contra o meu marido, a retirada das suas redes sociais, as proibições de contato com outros políticos, a tornozeleira, a limitação de visitas, a primeira prisão domiciliar, a condenação, as novas cirurgias, o tormento da Polícia Federal. Cada uma dessas palavras representa um dia real, uma noite real, uma dor real que eu e a minha família vivemos e ainda estamos vivendo.

Enquanto ele estava preso em casa, sem poder percorrer o país, sem poder ir às ruas, sem liberdade, ele me pediu que eu continuasse levando a mensagem dele, que eu continuasse viajando e levando uma voz de esperança para os nossos apoiadores no Brasil inteiro. A ausência dele nos nossos encontros gritava mais alto do que qualquer narrativa dos nossos perseguidores. Ele chegou a me pedir para cancelar algumas viagens Quando ele desconfiava que algo ruim pudesse ser feito contra ele Enquanto eu estivesse fora Então ele pedia para eu ficar em casa E eu ficava Mas para um estado em especial Ele não só pediu que eu fosse Ele me enviou como missão Porque era um povo pelo qual nós dois temos um carinho muito especial O povo cearense E eu fui O que aconteceu depois foi um dos dias mais difíceis da nossa vida. A medicação que o meu galego estava tomando deu reações inesperadas.

Ele ficou fora de si e acabou mexendo na tornozeleira. E isso resultou na transferência dele para a Polícia Federal. Meu marido foi arrancado de casa. Um dia que nós nunca esqueceremos.

E logo depois desse dia, pessoas que se diziam fiéis ao meu marido, que se gabavam e lucravam por se dizerem bolsonaristas, se apressaram em me atacar em me humilhar em dizer que eu estaria desculpe a palavra cagando para o meu marido Alguns desses influenciadores estavam nos Estados Unidos e de l induziam pessoas ao erro e comandavam os ataques gratuitos covardes contra mim. E eu não conseguia entender por que estavam fazendo aquilo comigo. Eu estava fazendo exatamente o que o meu galego me pediu para fazer. Como alguém que diz a mau líder pode atacar a esposa que está cumprindo a missão que ele determinou.

A nossa vida mudou muito com a prisão do meu galego. E havia alguns compromissos que tinham sido assumidos antes. A filiação de Mariana Carvalho no Maranhão e o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão no Ceará foram alguns deles. Eu falei diretamente com meu marido sobre cada um desses compromissos.

Eu disse a ele que queria apoiar o Girão. Pela sua fidelidade às pautas conservadoras, pela coerência que ele representa com as pautas da direita totalmente oposto ao que o Ciro defende. E ele me autorizou. Em matéria de política, eu faço somente o que eu e ele combinamos.

E assim, eu voltei ao Ceará. E o Ceará tem uma outra história à parte, uma história que vocês também precisam ouvir com atenção. Em 2024, o PL disputava a Prefeitura de Fortaleza. Nosso candidato era o deputado André Fernandes Assim como estão fazendo com o Girão Todos diziam que ele não tinha chance Mas a direita ignorou isso e apoiou o André de corpo e alma Era uma eleição apertada E havia uma rejeição significativa ao André por parte das mulheres Diziam que ele era machista e que não respeitava as mulheres Foi nesse momento que entrou em campo A vereadora Priscila Costa, presidente estadual e a minha vice-presidente nacional do PL Mulher, uma mulher honrada e fiel defensora da vida e das pautas conservadoras.

Priscila tinha acabado de ser eleita vereadora. Poderia estar cuidando do seu próprio mandato. Em vez disso, dedicou-se integralmente à campanha de André, aproximando o público feminino, diminuindo a rejeição, abrindo portas que estavam fechadas. O trabalho da Priscila fez uma diferença real e significativa.

significativa. Não vencemos a eleição por muito pouco, mas nos mantivemos firmes aos nossos valores. André chegou a outro patamar com a ajuda e a dedicação da Priscila. E o que ela recebeu em retribuição é revoltante.

Reconhecer, ser grato e retribuir o bem a quem nos ajuda é sinal de nobreza e de lealdade. Mas o agradecimento a Priscila parece estar vindo em forma de perseguição e desprezo. Deixa eu te mostrar o tamanho dessa injustiça com um número. Em 2026, serão 54 vagas para o Senado Federal.

Em comparação, se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas três. Priscila Costa, Carol de Tone e Bia Kicis. Três vagas de 17 que poderíamos ter e tem sido uma batalha diária para manter essas três.

Isso é muito desgastante, em especial nesse momento que o meu marido e eu estamos enfrentando. Deixa eu ser clara sobre a indicação da Priscila. Essa candidatura foi muito bem definida por três pessoas, Meu marido, eu e o presidente Valdemar. Não foi sugestão.

Foi preferência, foi decisão. E decisão baseada no potencial da Priscila Costa. Jair definiu que o PL disputaria as duas vagas do Ceará, uma com Priscila e a outra com o pai do André. O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com Ciro Gomes.

Isso mesmo, o Ciro Gomes. Eu preciso parar aqui e fazer uma pergunta. Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai. Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil.

Que fique registrado para sempre. Enquanto ainda estava preso no 19º o meu marido mandou um recado claro, que foi repassado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho. Ele disse, Priscila será candidata, o número 222 deverá ser dado a ela. Não é vago, não é interpretável, é um desejo, é uma ordem do líder.

Vejam bem, a palavra mais recente do meu marido em relação às candidaturas no Ceará é essa. Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Venha de quem vier. Agora, muitos falam da polêmica no evento do Ceará.

Eu vou te contar o que aconteceu lá. O senador Eduardo Girão é uma pessoa diferenciada. Um homem que, quando todos cediam, ficou de pé defendendo a vida desde a concepção, As causas conservadoras e a lealdade ao meu marido, mesmo quando essa lealdade tinha um custo alto. Girão é o único verdadeiro representante das pautas da direita na disputa pelo governo do Ceará.

No dia do lançamento da sua pré-candidatura, estavam presentes vários representantes do PL, inclusive o presidente estadual André Fernandes. Fiquei até feliz, eu pensei, talvez haja uma chance de o partido apoiar o Girão no primeiro turno. Não se trata de interferência, mas sim uma mostra do que seria mais coerente, mais fiel aos nossos valores. Ainda que aparentemente não houvesse grandes chances, como ocorreu no início com André Fernandes, a proposta seria apoiar no primeiro turno o candidato que defende fielmente os nossos valores.

E era só isso que eu e o meu marido queríamos. No segundo turno, os nossos eleitores, pessoas de bem, poderiam se unir a todos os demais para derrotar o candidato do PT. Mas o que eu não sabia ainda era o que estava sendo acordado nos bastidores. Não pelo meu marido, não com seu conhecimento atualizado, porque ele, infelizmente, estava preso.

E essas pessoas não tinham mais contato com ele. A palavra sobre o Cear ele falou a mim e eu transmiti a c do partido Voltando ao evento enquanto ele ocorria eu percebi algo que me tocou fundo Havia muitas senhoras senhoras mais idosas de cabelos brancos usando camisetas com o rosto do meu marido Olhando para mim, olhando para o André, olhando para o pai dele. E dizendo em voz alta, Michele, Ciro, não. Quando o André e o seu pai foram discursar, as vozes ficaram mais altas, mais incisivas.

e diziam Ciro não, vaiavam e chamavam de traidores. Eu fiquei ali assistindo aquelas mulheres, aquele povo simples, fiel, que não negocia convicção por aliança pragmática. Quando chegou a minha vez de falar, eu me dirigi ao André Fernandes. Eu gosto dele, eu não falei por raiva, falei por respeito, porque respeitar e gostar de alguém é também ter coragem de dizer o que precisa ser dito.

Eu fiz elogios sinceros, critiquei o ato, a aliança precipitada com o Ciro e não a pessoa. E encerrei elogiando novamente o André, a Bela, o Carmelo e todos os jovens ao redor dele. Alguns acharam que eu não deveria ter falado. A maioria esmagadora, porém, disse que eu estava certa.

Basta ver como as redes reagiram. Mais de 90% das menções do dia foram positivas àquele gesto. gesto, mas, independentemente disso, posteriormente, pedi perdão ao André por eventualmente tê-lo magoado. Magoar nunca foi a minha intenção.

Quando o evento terminou, eu voltei para Brasília. E, durante o trajeto de volta, aconteceu algo muito ruim, algo que eu não esperava, algo que doeu de um jeito que palavras custavam descrever, uma apunhalada. E é nesse momento que entra na história o meu enteado Flávio. Uma punhalada.

E é nesse momento que entra na história o meu enteado Flávio. Ver o que estavam fazendo no Ceará contra um candidato leal e contra uma mulher fiel, ambos da direita, foi ruim. Mas o que aconteceu quando voltei para Brasília foi muito pior. Antes de seguir, eu preciso que você entenda bem o motivo pelo qual eu não poderia ficar calada diante de uma aliança com Ciro Gomes no primeiro turno, enquanto temos um candidato verdadeiramente de direita que, com o apoio que o André tem, seria um candidato competitivo.

Não é questão de política, é questão de coerência. Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à ineligibilidade do meu marido. Durante a pandemia, numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida E pediu que repetissem isso o tempo todo Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento Disse que Bolsonaro roubava gasolina, disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões, e deu a eles um apelido, ovos de serpentes nas estoides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido.

Sempre foi um corrupto. Eu conheço o Bolsonaro. O Bolsonaro roubava dinheiro da gasolina do gabinete dele. O que o Bolsonaro está com medo.

Está com medo porque esses filhos dele são tudo bandido. O que está acontecendo é que os filhos do Bolsonaro são tudo bandido e o fogo está chegando perto. E agora, como se nada tivesse acontecido, os filhos defendem uma aliança com o candidato que deixou o pai deles, o meu marido, inelegível e humilhado. Tem mais.

Durante a pandemia, ele insinuou que pastores e padres que prestassem assistência religiosa às pessoas deveriam ser presos. E quando vieram as arbitrariedades, as prisões, as condenações injustas do 8 de janeiro, incluindo a do meu marido, o Ciro Gomes se alegrou. É para se unir a esse homem que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita. É para se unir a esse homem que estão perseguindo e tentando retirar da disputa uma mulher nordestina, mãe de quatro filhos, que dedicou tudo ao movimento em defesa da vida.

Já que a aliança com o Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga do seu próprio pai. Estranho, né. Por que só a mulher tem que ceder. não dá pra aceitar e foi exatamente isso que me assustou quando cheguei a Brasília vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais palavras duras, tão agressivo defendendo André Fernandes e em consequência apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nas estoites e não foi só ele os irmãos vieram juntos de forma coordenada com textos bem parecidos uns com os outros.

Pareceu combinado, premeditado. Peguei o telefone, procurei mensagens do Flávio. Procurei uma ligação perdida. Procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil.

Não tinha nada. Eu fiquei triste, porque eu não imaginava que eles teriam essa reação. Eu redigi uma nota. Disse que lamentava se eles se sentiam afrontados.

Que respeitava a opinião deles. pedi perdão, mas disse também, e vou repetir aqui, que eu tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista.

Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoie Bolsonaro. Mas essa é apenas a minha opinião e eu tenho o direito de tê-la. Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu.

Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele.

Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e n entendia nada de pol Diante dessa humilha eu disse a ele que estava tudo bem Entendi que ele n queria o meu apoio ou que este era insignificante E ent eu me recolhi Fiquei na minha e assim permane Eu sou presidente nacional do PL Mulher. Fui convidada pelo meu marido e pelo presidente Valdemar. Eu percorri o Brasil inteiro, instalei diretórios em todas as 27 unidades da federação, Ajudei a eleger 1.

005 mulheres em 2024 Um aumento de 45,8% Em relação a 2020 Mas para ele e alguns que o cercam Eu não entendo de política Tudo bem, eu me recolhi E desde esse dia Ele não me procurou mais Eu também não procurei Porque estou respeitando o que ele falou E é só isso Agora vou desmentir as narrativas E notícias que circulam na imprensa Eu sei quem as planta Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota. Como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam.

Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo. Eu não carrego rancor no coração.

Eu entrego tudo nas mãos de Deus. Todo o mal que me fazem. É ao meu Deus que essas pessoas prestarão contas. Mas preciso que você entenda uma coisa, e isso é importante.

Perdoar não é o mesmo que esquecer ou querer continuar o relacionamento. São coisas completamente diferentes. Posso perdoar alguém de coração e ainda assim reconhecer que aquela relação não é saudável. Perdão é libertação, não é obrigação.

Segundo, não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem, mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores.

Já disse que considera um erro, uma traição aos valores das pessoas de bem. Mas os caciques do partido no Estado estão ignorando o perigo. Cada um responderá pelos seus atos. Ciro Gomes já provou inúmeras vezes não ser confiável.

E ele não esconde isso. Semana passada declarou na revista Veja que Bolsonaro e Lula são iguais. É só uma questão de tempo para ele se voltar contra a direita. Todos foram avisados, em especial dentro do partido, e serão lembrados disso.

Terceiro, o Flávio vai à minha casa toda semana. Mais de uma vez, se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha.

Continuarei recolhida. Quarto, as tais fontes espalharam para a imprensa que eu teria ficado com raiva porque queria ter sido candidata. Primeiro que esses fofoqueiros vazadores não têm convívio comigo, não me conhecem direito e não sabem o que eu penso. Segundo, minha prioridade agora não são candidaturas.

Minha prioridade agora é cuidar da minha família, do meu marido que está precisando de mim. Meu futuro político está nas mãos de Deus. Ele providenciará tudo. E quando for o momento de decidir o que quer que seja, sou eu mesma quem falarei.

Não preciso de porta-voz. Entendam, tudo isso que falei nesse vídeo aconteceu antes da indicação feita pelo meu marido. Os fatos são anteriores e não tem nada a ver com escolhas e cargos. Tem a ver com respeito e consideração.

Mesmo depois de todas essas coisas, eu abençoei a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio. Nas mesmas redes sociais nas quais ele e os irmãos me atacaram. E onde também foi publicada a entrevista dele me chamando de desrespeitosa e autoritária. Como eu disse, eu aprendi a conviver com isso.

Perdoe os que me fazem o mal e permanecerei no meu lugar. Mas tem uma última coisa que preciso dizer, o que dói de um jeito diferente de tudo que falei até aqui. O grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior, continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio.

Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem. Eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha.

Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo. Será que na irresponsabilidade deles, eles imaginam o que estão fazendo com ela. Claro que não. Eles não se importam.

Para eles, tudo é política. E uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo. É importante entender que eu não mando recados.

Quando eu tenho algo a dizer, digo olhando no olho como estou fazendo agora. Eu não gosto de mentiras. Nunca gostei. O meu Deus é o caminho à verdade e à vida.

E quem vive por ele não se agrada com as mentiras. Falei quase tudo o que precisava ser dito. A verdade está aqui, para quem quiser ver. Aqui do meu lugar, eu sigo cuidando do meu marido, cuidando da minha filha e servindo ao meu país da forma como posso.

Essa é a minha missão e dessa só Deus me tira. Por último, eu quero aproveitar a oportunidade para agradecer publicamente, de maneira muito especial, as minhas presidentes estaduais e municipais por todo empenho e dedicação à nossa missão e pelo apoio que vocês têm dado à pré-candidatura do Flávio. Vocês são o verdadeiro alicerce da nossa nação. São a força delicada que transforma o mundo.

Vocês definem hoje o futuro do nosso país. Continuem firmes nesse propósito. As dificuldades nos fortalecem e a esperança tudo vence. Eu amo a vida de cada uma de vocês, mulheres alicerçadas.

Que Deus os abençoe.

Que Ele abençoe as famílias brasileiras. E que Deus abençoe o nosso amado Brasil.

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Flávio Bolsonaro tenta o interior do Rio; sua âncora é o próprio passado sombrio na Alerj https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/flavio-bolsonaro-tenta-o-interior-do-rio-sua-ancora-e-o-proprio-passado-na-alerj/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/flavio-bolsonaro-tenta-o-interior-do-rio-sua-ancora-e-o-proprio-passado-na-alerj/#respond Wed, 24 Jun 2026 22:19:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260625 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, tratam o estado como uma peça decisiva na eleição presidencial deste ano. A movimentação ocorre em paralelo à ofensiva do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, que tenta nacionalizar a disputa local e transformar o interior fluminense em uma trincheira contra o governo federal.

Segundo o blog da Andréia Sadi no G1, PT e PL veem o Rio como território estratégico para a disputa presidencial. Petistas avaliam que o desgaste de ex-governadores ligados à direita abre espaço para um desempenho melhor de Lula, enquanto o PL aposta em colar Paes ao petismo para mobilizar o eleitorado conservador fora da capital.

A diferença entre as duas operações é menos cerimonial do que parece. Lula e Paes tentam converter presença administrativa em palanque democrático, com obras, investimentos e capacidade de gestão em áreas onde o abandono costuma alimentar o ressentimento político. Flávio, por sua vez, aposta em transformar a eleição fluminense em plebiscito ideológico, mirando sobretudo cidades do interior e da Baixada.

Esse tabuleiro ajuda a explicar a importância dos investimentos federais anunciados no Rio. O Novo PAC inclui obras no Jardim Maravilha, em Guaratiba, na Zona Oeste, com dique de proteção contra enchentes, reservatórios e drenagem para beneficiar cerca de 30 mil moradores, além de mais de R$ 700 milhões para urbanização em comunidades como Maré, Complexo do Alemão e Rocinha, conforme anúncios do governo federal. Não é apenas agenda de obra. É a tentativa de levar Estado concreto a territórios onde o bolsonarismo prospera quando só resta medo, precariedade e promessa de ordem.

O ponto vulnerável da estratégia bolsonarista é que Flávio Bolsonaro carrega no Rio uma biografia política mais local e mais exposta do que a de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República. O senador foi deputado estadual na Alerj e ficou associado ao caso da chamada ‘rachadinha’, investigação do Ministério Público do Rio sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com suspeita de desvio de mais de R$ 2,3 milhões de salários de assessores entre 2007 e 2018 e participação de Fabrício Queiroz como operador financeiro. Reportagem do The Intercept Brasil também apontou que parte dos recursos desviados teria financiado prédios ilegais ligados a milícias na Zona Oeste.

Esse passivo não é detalhe de arquivo morto. Durante seu mandato na Alerj, Flávio empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como chefe do Escritório do Crime, e homenageou Nóbrega com a Medalha Tiradentes em 2005. A tentativa de posar como reorganizador conservador do Rio esbarra, portanto, em uma memória política incômoda para quem conhece a engrenagem real do poder fluminense.

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Flávio Bolsonaro testa aceitação de Bia Kicis como pré-candidata a vice-presidente https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/flavio-bolsonaro-testa-aceitacao-de-bia-kicis-como-pre-candidata-a-vice-presidente/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/flavio-bolsonaro-testa-aceitacao-de-bia-kicis-como-pre-candidata-a-vice-presidente/#respond Wed, 24 Jun 2026 20:02:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260608 O senador da República pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao cargo máximo do Executivo nacional, divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual testa formalmente a aceitação da deputada federal pelo Distrito Federal, Bia Kicis, como um dos nomes mais cotados para compor sua chapa presidencial na vaga de vice-presidente. Durante a gravação conjunta realizada em Brasília, o parlamentar fluminense destacou que tem como diretriz principal de sua articulação partidária a escolha de uma mulher como candidata a vice-presidência na chapa conservadora e solicitou que seus apoiadores opinem nos comentários sobre a viabilidade política desse nome.

Em resposta direta à manifestação pública do pré-candidato presidencial, a deputada federal declarou estar preparada para assumir a enorme responsabilidade e colocou-se integralmente à disposição do seu grupo para atuar na função estratégica que for definida por suas lideranças partidárias. A parlamentar, que atualmente se apresenta como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026, ressaltou em seu discurso a prioridade absoluta concedida à segurança pública por meio do combate rigoroso às facções criminosas e do fortalecimento das redes de atendimento a mulheres vítimas de violência.

As discussões internas ocorrem no momento em que as principais lideranças de oposição buscam estruturar palanques regionais competitivos e consolidar alianças nacionais capazes de fortalecer a campanha eleitoral. A trajetória política de Bia Kicis no Distrito Federal consolidou sua relevância no campo conservador após ser reeleita em 2022 com a expressiva marca de mais de 214 mil votos válidos, o que representou a maior votação proporcional registrada para a Câmara dos Deputados na história da capital federal.

Além de debaterem a composição da futura chapa conservadora, os parlamentares discutiram propostas para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde no tratamento de dores crônicas e relataram conversas internacionais destinadas a buscar o fim de barreiras tarifárias contra exportações brasileiras. Esse diálogo sobre alianças geopolíticas e negociações com governos estrangeiros faz parte das estratégias conservadoras detalhadas no registro de como Trump compartilha artigo que aponta eleição no Brasil em 2026 como teste para direita na América Latina.

De acordo com o mais recente levantamento nacional do instituto Datafolha registrado sob as normas do Tribunal Superior Eleitoral, o cenário sucessório brasileiro caminha para uma polarização acentuada nas intenções de voto. A sondagem estimulada de opinião indica a consolidação das forças em disputa com o atual mandatário da República liderando a corrida eleitoral, conforme analisado na matéria sobre como a Datafolha mantém Lula 10 pontos à frente de Flávio Bolsonaro e expõe teto da direita.

Em simulações específicas de um eventual segundo turno presidencial entre as principais candidaturas pontuadas, o estudo estatístico mostra o atual chefe do Executivo com 47% de apoio dos entrevistados em comparação com 43% do senador do Partido Liberal. As definições formais sobre o preenchimento da vaga de vice-presidência e a homologação final da coligação oposicionista serão discutidas e votadas nas convenções oficiais dos partidos, previstas para ocorrerem no período de convenções regulamentares.

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Senador Styvenson Valentim recua de apoio a Flávio Bolsonaro após escândalo do Banco Master https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/senador-styvenson-valentim-recua-de-apoio-a-flavio-bolsonaro-apos-escandalo-do-banco-master/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/senador-styvenson-valentim-recua-de-apoio-a-flavio-bolsonaro-apos-escandalo-do-banco-master/#respond Wed, 24 Jun 2026 18:56:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260586 O avanço das investigações sobre o envolvimento do senador brasileiro Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro gerou uma crise sem precedentes na pré-campanha presidencial da extrema-direita. Em um recuo que expõe o desgaste crescente nas hostes conservadoras, o senador brasileiro pelo Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim, do partido Podemos, anunciou a revisão de seu apoio político ao parlamentar fluminense.

Policial militar de carreira e figura influente no cenário político potiguar, o parlamentar foi eleito para o Senado Federal em 2018 com a expressiva votação de 745827 votos no Rio Grande do Norte. Essa expressiva marca eleitoral representou 25,63% dos sufrágios válidos do estado, consagrando-o como o candidato mais votado daquele pleito e uma voz de peso no parlamento nacional.

O alinhamento de Styvenson Valentim com a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro havia sido selado publicamente em março de 2026, durante um evento do Partido Liberal na cidade de Natal. Sob o lema de combate à omissão política, o senador potiguar chegou a subscrever uma Proposta de Emenda à Constituição articulada pelo grupo bolsonarista para extinguir o instituto da reeleição no país.

A revelação de áudios e mensagens do caso envolvendo o Banco Master motivou o recuo do congressista potiguar em uma entrevista concedida ao Jornal das 6, da rádio 96 FM, em 23 de junho de 2026. Na ocasião, o senador declarou que se encontra retraído politicamente diante do avanço das investigações que atingiram Daniel Vorcaro.

Ao justificar seu distanciamento cauteloso, o parlamentar potiguar fez questão de negar qualquer intimidade ou benefício financeiro associado ao banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações investigadas. Em um discurso enfático de independência, o senador afirmou que não possui amizades suspeitas e ressaltou não ter compartilhado de voos privados, charutos ou bebidas de luxo com os investigados no esquema.

A debandada de lideranças do campo conservador sinaliza o isolamento político de Flávio Bolsonaro em um momento de acirramento da disputa eleitoral para as eleições de 2026. Com a opinião pública atenta aos desdobramentos financeiros da crise, a deserção de antigos apoiadores enfraquece a narrativa da extrema-direita e acelera sua desarticulação nas bases regionais do país.

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Zema desmoraliza Flávio Bolsonaro ao denunciar relação com ‘banqueiro bandido’ Daniel Vorcaro https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/zema-desmoraliza-flavio-bolsonaro-ao-denunciar-relacao-com-banqueiro-bandido-daniel-vorcar/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/zema-desmoraliza-flavio-bolsonaro-ao-denunciar-relacao-com-banqueiro-bandido-daniel-vorcar/#respond Wed, 24 Jun 2026 16:58:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260580 O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quarta-feira (24) que não se arrepende das críticas que fez ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao SBT News, Zema disse ser ‘sempre uma pessoa coerente’ e que não poderia aplaudir ‘alguém que se envolveu com aquele banqueiro bandido’ — referindo-se a Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master e alvo de investigações que já alcançaram o Supremo Tribunal Federal.

A fala vai além do ruído pré-eleitoral e expõe a promiscuidade financeira que o clã Bolsonaro sempre jurou combater. Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu imagem de defensor da moralidade, mas agora vê seu nome colado ao de um ex-banqueiro cujas operações levantam suspeitas de irregularidades que envergonhariam qualquer político. A ironia é que a ‘nova política’ bolsonarista se alimenta exatamente da mesma podridão que fingia denunciar.

A investida de Zema ganha peso porque ele não é um adversário de esquerda, mas um liberal que disputa o mesmo campo da direita. Ao chamar Vorcaro de bandido, o ex-governador tira de Flávio o conforto da retórica antipetista e coloca o senador contra a parede, mostrando que a relação com o banqueiro é um passivo moral insustentável até para aliados ideológicos.

Questionado sobre o impacto no eleitorado de direita, Zema respondeu que sua estratégia não é capturar apenas esses votos, mas percorrer o país para se tornar mais conhecido. A declaração reforça que o pré-candidato do Novo não depende do espólio bolsonarista e está disposto a romper com o pacto de silêncio que protege os negócios da família.

O episódio desmoraliza de vez a farsa da ‘nova política’, que sempre se apresentou como antídoto contra a corrupção, mas nunca hesitou em se associar a um banqueiro investigado quando o dinheiro favorecia os interesses pecuniários do clã.

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Trump compartilha artigo que aponta eleição no Brasil em 2026 como teste para direita na América Latina https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/trump-compartilha-artigo-que-aponta-eleicao-no-brasil-em-2026-como-teste-para-direita-na-america-latina/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/trump-compartilha-artigo-que-aponta-eleicao-no-brasil-em-2026-como-teste-para-direita-na-america-latina/#respond Wed, 24 Jun 2026 02:53:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260517 O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou em sua rede social Truth Social um artigo de opinião do portal norte-americano Newsmax que analisa a expansão do movimento conservador no continente americano. O texto de autoria do analista político John Gizzi aponta a disputa presidencial no Brasil em 2026 como o próximo teste estratégico para a consolidação da influência republicana na América Latina.

A publicação destaca que, após as vitórias eleitorais em países como Argentina e Colômbia, a nação brasileira representa o principal polo geopolítico da região a ser disputado pelas forças conservadoras. O colunista afirma que a mobilização dos apoiadores do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ocorre em torno do senador da República pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, no esforço para derrotar o atual chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

O artigo internacional também insinua dúvidas sobre o sistema de votação do país ao sugerir que a lisura e a transparência do pleito nacional seriam questionadas pelos agentes políticos locais. Essa narrativa de interferência externa coincide com a recente articulação de congressistas e lideranças conservadoras que buscam pressionar órgãos nacionais, conforme reportado no relato de como o deputado federal de São Paulo, Eduardo Bolsonaro articula com senadores dos EUA para atacar instituições brasileiras.

A preocupação com a soberania nacional diante da influência norte-americana também foi objeto de aferição na mais recente pesquisa da Confederação Nacional do Transporte, divulgada pelo instituto MDA em junho de 2026. Segundo o levantamento de opinião pública, cerca de 41,5% dos entrevistados declararam ser totalmente contrários à permissão para que forças de segurança dos Estados Unidos atuem diretamente em operações contra facções criminosas dentro do território brasileiro.

Por outro lado, o estudo indicou que 29% da população apoia integralmente uma eventual intervenção militar estrangeira para o combate ao crime organizado no país. A pesquisa apontou ainda que 39,2% dos cidadãos concordam totalmente com a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

Essa polarização sobre a segurança pública e a autonomia das Forças Armadas reflete a tensão diplomática gerada por discursos que tentam associar o combate à criminalidade a alianças externas. A comemoração de vitórias eleitorais de partidos de ultradireita no continente vizinho serve como termômetro para os discursos locais, demonstrado na análise de como Flávio Bolsonaro promove celebração da vitória da ultradireita na Colômbia.

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Pesquisa Indexa mostra Lula consolidando vantagem sobre Flávio Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/pesquisa-indexa-mostra-lula-consolidando-vantagem-sobre-flavio-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/pesquisa-indexa-mostra-lula-consolidando-vantagem-sobre-flavio-bolsonaro/#comments Tue, 23 Jun 2026 22:52:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260504 13 Comentários 🔥]]>  

Nova rodada nacional da Indexa Pesquisas reforça um movimento que vem aparecendo de forma cada vez mais consistente nos levantamentos eleitorais: o presidente Lula segue ampliando, de maneira gradual, sua vantagem na corrida de 2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Em maio, o placar era de 39% a 30%.

A vantagem, portanto, passou de 9 para 11 pontos percentuais. É um crescimento modesto, mas politicamente relevante porque ocorre junto com a queda dos indecisos, que recuaram de 10% para 6%.

Ronaldo Caiado aparece com 5%, seguido por Romeu Zema e Renan Santos, ambos com 3%. Joaquim Barbosa e Augusto Cury têm 1% cada, enquanto Samara Martins e Cabo Daciolo não pontuam.

No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula também melhora sua posição. O petista vai de 46% para 47%, enquanto Flávio recua de 41% para 40%.

Com isso, a vantagem de Lula no confronto direto sobe de 5 para 7 pontos. Nulos e brancos ficam em 9%, e os indecisos permanecem em 4%.

Um dos dados mais importantes da pesquisa está no grau de decisão do eleitorado. Entre os eleitores de Lula, 81% dizem que o voto já está decidido, contra 74% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.

Ou seja, além de liderar, Lula tem hoje um eleitorado mais firme. Apenas 19% dos seus eleitores admitem que podem mudar de voto, enquanto esse percentual sobe para 26% entre os apoiadores de Flávio.

A fidelidade em relação a 2022 também favorece o presidente. No primeiro turno, 84% dos que votaram em Lula dizem que votariam nele novamente, enquanto 69% dos que votaram em Jair Bolsonaro declaram voto em Flávio.

No segundo turno, Lula retém 93% de seus eleitores de 2022. Flávio Bolsonaro retém 85% dos eleitores de Jair Bolsonaro.

Regionalmente, Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, onde marca 52% no primeiro turno, contra 26% de Flávio. No Norte, Lula também lidera com 45%, contra 30%.

No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, o dado é politicamente relevante: Lula tem 38% no primeiro turno, seis pontos à frente de Flávio, que aparece com 32%. No segundo turno, Flávio marca 44% e Lula 42%, diferença dentro da margem de erro.

Isso mostra que a direita ainda encontra força no Sudeste, mas não consegue abrir ali uma vantagem confortável. Para Lula, sustentar competitividade na região é decisivo.

No Sul, Lula e Flávio aparecem praticamente empatados no primeiro turno, com 37% a 36%. No Centro-Oeste, o placar é de 35% para Lula e 34% para Flávio.

A pesquisa também mostra Lula à frente entre as mulheres, com 45% contra 28% de Flávio. Entre os homens, a disputa é mais apertada: 38% a 34% para Lula.

Por faixa etária, Lula lidera em todos os grupos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, tem 42%, contra 27% de Flávio.

No eleitorado com ensino superior, Lula registra 45%, contra 30% de Flávio. Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, o presidente tem 43%, contra 28%.

O recorte religioso confirma uma das principais dificuldades do campo progressista: entre evangélicos, Flávio lidera por 44% a 28%. Mas Lula vence entre católicos, sem religião e outros grupos religiosos.

Outro ponto importante é o desempenho de Lula no eleitorado de centro. No primeiro turno, ele tem 35% nesse segmento, contra 16% de Flávio; no segundo turno, vence por 47% a 32%.

Esse dado indica que a polarização segue forte, mas Lula conserva maior capacidade de atração fora de sua base ideológica imediata. A terceira via, por enquanto, continua fragmentada e sem força nacional.

A Indexa ouviu 2.000 eleitores entre 18 e 20 de junho. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-08944/2026, tem margem de erro de cerca de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O levantamento custou R$ 164 mil e foi realizado com recursos próprios do Instituto Indexa Pesquisas. Não chega ao patamar de pesquisas nacionais mais caras, como as do Datafolha, que superam R$ 300 mil, mas está longe de ser um levantamento barato ou improvisado.

O conjunto dos dados aponta para uma tendência clara: Lula não cresce de forma explosiva, mas consolida uma vantagem lenta, firme e cada vez mais difícil de ignorar.

 

 

Para baixar a íntegra da pesquisa Indexa, clique aqui.

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Lula esmaga Flávio Bolsonaro no Piauí com 67,3% e expõe vazio do bolsonarismo no Nordeste https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-esmaga-flavio-bolsonaro-no-piaui-com-67-3-e-expoe-vazio-do-bolsonarismo-no-nordeste/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-esmaga-flavio-bolsonaro-no-piaui-com-67-3-e-expoe-vazio-do-bolsonarismo-no-nordeste/#respond Tue, 23 Jun 2026 22:01:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-esmaga-flavio-bolsonaro-no-piaui-com-67-3-e-expoe-vazio-do-bolsonarismo-no-nordeste/ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria com folga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno no Piauí, segundo levantamento da AtlasIntel em parceria com o portal Meio Norte divulgado nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026. De acordo com a pesquisa, reportada pelo Poder360, Lula aparece com 67,3% das intenções de voto, contra apenas 20,6% de Flávio, uma diferença de 46,7 pontos percentuais que escancara a hegemonia petista no estado.

O estudo ouviu 1.197 eleitores em todo o Piauí entre os dias 16 e 21 de junho, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. A vantagem de Lula se repete em todos os cenários de segundo turno testados, independentemente do adversário, o que demonstra a solidez da base eleitoral petista na região. O presidente mantém índices superiores a 65% em qualquer simulação, enquanto os oponentes não conseguem ultrapassar a barreira dos 25%.

A pesquisa expõe uma fragilidade estrutural da oposição no Nordeste. Flávio Bolsonaro, que construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, aparece como um nome desconectado da realidade local. O senador nunca disputou eleições no Piauí, não possui base de apoio no estado e tampouco estabeleceu vínculos com as lideranças políticas regionais, um obstáculo que se revela intransponível diante de um adversário com raízes profundas no território nordestino.

O bolsonarismo enfrenta dificuldades históricas para projetar lideranças competitivas no Nordeste. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu em todos os nove estados da região, com desempenhos particularmente fracos no Piauí, onde Lula obteve mais de 74% dos votos válidos. A pesquisa AtlasIntel indica que esse padrão não apenas persiste como pode se agravar em 2026, com o campo da direita sem quadros regionais capazes de disputar o eleitorado local.

A escolha de Flávio Bolsonaro como nome nacional da oposição esbarra em um problema de territorialidade. O senador representa o Rio de Janeiro no Congresso, sua atuação parlamentar está concentrada em pautas do Sudeste e sua imagem pública permanece associada aos escândalos das rachadinhas e aos negócios da família Bolsonaro, temas que encontram pouca ressonância ou rejeição reforçada entre os eleitores nordestinos. A tentativa de nacionalizar sua candidatura sem alicerces regionais resulta em patamares de votação que inviabilizam qualquer competitividade.

O levantamento testou outros cenários de segundo turno além do confronto direto entre Lula e Flávio. Em todos os casos, o petista supera os 65% das intenções de voto, enquanto os adversários oscilam entre 18% e 24%, com altos índices de eleitores que rejeitam qualquer alternativa à direita. Os votos brancos e nulos somados aos indecisos não ultrapassam 15% em nenhuma simulação, o que reforça a consistência dos números e reduz a margem para surpresas.

A força de Lula no Piauí transcende a mera preferência eleitoral e se ancora em políticas públicas que transformaram a realidade do estado nos governos petistas anteriores. Programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e os investimentos em educação superior e infraestrutura hídrica deixaram marcas profundas na população local. O atual governo mantém essa conexão com a retomada de obras paradas e a ampliação de investimentos federais na região, consolidando um vínculo que a oposição não consegue romper.

A desconexão do bolsonarismo com o Nordeste levanta questões sobre a estratégia de segundo turno em 2026. Se a direita nacional insistir em nomes sem penetração regional, corre o risco de repetir o cenário de 2022, quando Bolsonaro entrou no segundo turno já com uma desvantagem difícil de reverter nos estados nordestinos. A pesquisa da AtlasIntel no Piauí funciona como um termômetro precoce dessa armadilha eleitoral que se desenha para o campo oposicionista.

Internamente, o PL enfrenta um dilema não resolvido. A legenda carece de quadros competitivos no Nordeste, e a insistência em projetar Flávio Bolsonaro como nome nacional esbarra na resistência de diretórios regionais que preferem candidaturas locais ao governo e ao Senado, com menos exposição a derrotas presidenciais acachapantes. A federação com partidos menores também não resolveu o vácuo de lideranças, e dirigentes estaduais já manifestam preocupação com o efeito de arrasto negativo sobre as chapas proporcionais.

O Piauí, com pouco mais de 2,3 milhões de eleitores, representa um colégio eleitoral pequeno no cenário nacional, mas o padrão de votação registrado no estado tende a se repetir em outros territórios nordestinos. Pesquisas recentes no Maranhão, na Bahia e no Ceará mostram tendências semelhantes, com Lula mantendo vantagens confortáveis sobre quaisquer adversários da direita, o que sugere que o Nordeste continuará sendo um pilar decisivo para a reeleição do petista.

Os dados da AtlasIntel demonstram que a fragmentação regional do bolsonarismo se agravou desde a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Sem o ex-presidente como catalisador das forças de direita, os nomes remanescentes não conseguem reproduzir a mesma mobilização que, ainda assim, já havia sido insuficiente em 2022. O cenário para 2026 se desenha com um campo oposicionista disperso e regionalmente enfraquecido, enquanto Lula consolida sua base tradicional e avança em segmentos que antes resistiam ao PT.

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Flávio Bolsonaro promove celebração oportunista da vitória da ultradireita na Colômbia https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-celebra-vitoria-da-ultradireita-na-colombia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-celebra-vitoria-da-ultradireita-na-colombia/#respond Tue, 23 Jun 2026 21:30:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-promove-celebracao-oportunista-da-vitoria-da-ultradireita-na-colombia-par/ A declaração de Flávio Bolsonaro busca vender a imagem de uma onda conservadora continental, como se a vitória da ultradireita na Colômbia antecipasse o roteiro de 2026 no Brasil. A operação política é simplista: reduz um país marcado por conflito armado, acordos de paz, narcotráfico e fraturas sociais a mais um capítulo da narrativa bolsonarista entre “bem” e “mal”.

Abelardo de la Espriella aparece como vencedor na apuração preliminar colombiana e representa uma guinada à direita que conversa com o repertório de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Seu programa combina ajuste fiscal, redução da máquina pública e uma agenda de segurança de mão dura. É exatamente esse pacote que Flávio tenta transformar em propaganda doméstica.

O problema é o preço político dessa celebração. Espriella defende encerrar processos de paz com grupos armados, retomar a fumigação aérea de plantações de coca com apoio dos Estados Unidos e endurecer o sistema penal. A promessa de ordem vem acompanhada de medidas que podem aprofundar a militarização da política colombiana e enterrar décadas de negociação em torno do conflito interno.

A agenda também pressiona a arquitetura constitucional do país. Propostas como governar por decreto em áreas sensíveis, ampliar punições penais, liberar armas a civis e reinserir ensino religioso nas escolas confrontam princípios da Constituição de 1991. Não é apenas “combate ao crime”; é um projeto de reorganização autoritária do Estado, justamente o tipo de horizonte que o bolsonarismo tenta normalizar no Brasil.

Mesmo a vitória que Flávio celebra está longe de significar poder sem obstáculos. O campo de Espriella não tem maioria confortável no Congresso, a margem eleitoral foi estreita e a oposição colombiana já sinaliza contestação. Ao ignorar esse quadro, o senador brasileiro não analisa a política latino-americana: fabrica um mito de triunfo para consumo interno.

O entusiasmo com Bogotá se encaixa no manual bolsonarista para 2026. A ideia é sugerir que a direita avança de forma inevitável no continente, explorando a nostalgia de uma base que se vê representada por Trump e Milei. A realidade colombiana, muito mais complexa, vira outdoor eleitoral.

Há ainda uma contradição incômoda no discurso nacionalista. Parte central da agenda de segurança defendida por Espriella depende de Washington, inclusive no combate às drogas. O “triunfo” celebrado pelo clã Bolsonaro se ergue, em boa medida, sobre alinhamento militar e diplomático aos Estados Unidos, a mesma dependência que a direita regional costuma esconder sob linguagem patriótica.

Em vez de uma leitura responsável da geopolítica regional, Flávio Bolsonaro fez uso oportunista da eleição colombiana para projetar seu próprio campo político. Ao comemorar sem ressalvas um programa de contornos autoritários, sinaliza mais do que afinidade ideológica: revela o desejo de importar para o Brasil uma ofensiva contra o Estado de Direito apresentada como vitória moral.

Com informações da Folha de S.Paulo.

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Flavio Bolsonaro ignora herança fiscal de seu pai e diz que Lula é pior que uma guerra https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/#respond Tue, 23 Jun 2026 21:02:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/ O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, declarou nesta segunda-feira (22 de junho) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ‘faz mais mal ao país do que a guerra entre Rússia e Ucrânia’. A fala, proferida durante evento em Brasília, foi registrada pelo Poder360 e representa mais um lance da campanha de hiperbolização que a extrema-direita adotou para tentar esconder os danos causados pela própria gestão de Jair Bolsonaro (PL) entre 2019 e 2022.

Flávio Bolsonaro sustentou que a taxa de juros brasileira, hoje entre as mais altas do planeta, só não supera a da Rússia — país que enfrenta um conflito armado de grandes proporções há mais de três anos. O raciocínio, porém, desmorona diante da realidade econômica: a Selic elevada não nasceu no governo Lula, mas sim da combinação explosiva entre desequilíbrio fiscal crônico, desmonte institucional e sucessivas crises de credibilidade acumuladas ao longo do mandato de seu pai.

A inflação que o Brasil combate hoje foi semeada durante a pandemia, quando o governo Bolsonaro promoveu uma gastança eleitoreira sem contrapartida fiscal. Foram mais de R$ 500 bilhões em medidas emergenciais descoordenadas, renúncias fiscais sem critério e um teto de gastos estourado por pedaladas orçamentárias. O Banco Central, cuja autonomia formal foi concedida exatamente naquela gestão, passou a reagir com juros altos a um quadro de incerteza que o próprio Executivo da época ajudou a construir.

Comparar os efeitos da Selic com a devastação de uma guerra — que já matou centenas de milhares de pessoas, deslocou milhões e destruiu cidades inteiras no leste europeu — não é apenas uma distorção grosseira. É um insulto deliberado à inteligência do eleitor, moldado para alimentar o ressentimento da militância bolsonarista e criar um clima de caos permanente que favorece o radicalismo político.

O senador do PL-RJ, no entanto, evita mencionar que a própria legenda foi uma das principais patrocinadoras da crise fiscal que agora aponta como drama nacional. O partido comandou o Ministério da Economia por quatro anos e deixou como legado um rombo fiscal estrutural, uma dívida pública que beirou 80% do PIB e uma série de calotes contra credores do setor produtivo — tudo sob a retórica vazia de ‘responsabilidade fiscal’.

Enquanto o bolsonarismo encena indignação com os juros altos, é útil lembrar que a Rússia, citada na comparação de Flávio, enfrenta uma taxa básica de 16% ao ano — em parte porque conseguiu preservar fundamentos macroeconômicos sólidos, reservas internacionais robustas e um superávit comercial expressivo mesmo sob sanções do Ocidente. O Brasil, por outro lado, ainda paga o preço de anos de irresponsabilidade e sabotagem das contas públicas.

A estratégia retórica de Flávio Bolsonaro é conhecida: deslocar o debate da realidade para o terreno da emoção, onde fatos perdem relevância diante do grito de guerra. Ao superdimensionar os problemas do governo Lula — que, apesar das dificuldades, conseguiu reduzir o desemprego a mínimas históricas, aprovar a reforma tributária e retomar programas sociais —, o pré-candidato busca unificar sua base em torno do inimigo comum e desviar a atenção dos escândalos que perseguem o clã Bolsonaro, como as investigações sobre o Banco Master e as articulações do PL com milícias digitais.

Também não é coincidência que o discurso tenha sido desferido justamente no momento em que o governo federal anuncia novos investimentos em infraestrutura, amplia o Bolsa Família e colhe resultados positivos da retomada da política industrial. A reação do bolsonarismo é inversamente proporcional ao medo de que Lula consolide um ciclo de crescimento com inclusão social, o que isolaria definitivamente a extrema-direita no campo da pura demagogia.

O choque de realidade que Flávio Bolsonaro tenta evitar é simples: a Selic alta não decorre de um suposto ‘mal’ intrínseco do governo Lula, mas de um passivo fiscal monumental deixado por quem hoje posa de fiscal da pátria. A inflação que o Banco Central combate é, em larga medida, produto de um ambiente de desconfiança semeado justamente por aqueles que, agora, exploram o sofrimento do crédito caro para inflamar o discurso de ódio.

Ao comparar um governo democraticamente eleito a uma guerra de agressão, Flávio Bolsonaro não apenas desrespeita a liturgia do cargo de senador. Ele rebaixa o debate público a um nível de irracionalidade que serve unicamente aos interesses de uma família política que, sem poder real, só sobrevive da fabricação incessante de crises imaginárias.

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Justiça do Rio torna réus ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro e mais seis por rachadinha de R$ 1,9 milhão https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/justica-do-rio-torna-reus-ex-chefe-de-gabinete-de-carlos-bolsonaro-e-mais-seis-por-rachadi/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/justica-do-rio-torna-reus-ex-chefe-de-gabinete-de-carlos-bolsonaro-e-mais-seis-por-rachadi/#respond Tue, 23 Jun 2026 20:49:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260442 A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia e transformou em réus Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PL), e outros seis ex-assessores do parlamentar na Câmara Municipal da capital fluminense. Todos responderão por organização criminosa e peculato, conforme decisão do juiz Marcello Rubioli, titular da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do estado.

A denúncia, noticiada pela Carta Capital, detalha um esquema clássico de ‘rachadinha’ que teria movimentado aproximadamente R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021. Os investigadores do Ministério Público estadual apontam que servidores lotados no gabinete devolviam parte dos salários ao responsável pelas nomeações — justamente Jorge Luiz —, que operava como o eixo financeiro da engrenagem.

O período abrangido cobre praticamente toda a trajetória política de Carlos Bolsonaro na Casa: do primeiro mandato, iniciado em 2001, até 2021, quando o escândalo começou a ganhar contornos judiciais mais concretos. A longevidade da operação, 16 anos sem interrupção, revela um sistema de desvio profundamente enraizado, que sobreviveu a diferentes legislaturas e composições da Câmara sem qualquer notícia de estrangulamento interno.

O juiz Marcello Rubioli entendeu haver elementos suficientes para abrir a ação penal, afastando, ao menos nesta fase, argumentações preliminares que tentavam enterrar o caso em nulidades processuais. Os réus terão agora que apresentar defesa prévia, e o tribunal decidirá quais testemunhas serão ouvidas e quais provas periciais, incluindo quebras de sigilo bancário já autorizadas pelo Ministério Público, serão submetidas ao crivo do contraditório.

O caso ecoa outras investigações que atingem a família Bolsonaro nas esferas estadual e federal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alvo de inquérito sobre rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio, que terminou com denúncias anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça por questões processuais. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta acusações que vão de peculato a tentativa de golpe de Estado, em um mosaico de frentes judiciais que, até agora, não produziram condenações definitivas de grande impacto contra o núcleo familiar.

A repetição desse padrão — escândalos que começam com investigações robustas, são aceitos pela primeira instância e depois se diluem em manobras jurídicas, prescrições ou nulidades — instala um ceticismo natural entre os que acompanham a trajetória do clã. A pergunta que circula entre observadores políticos e operadores do direito é se a ação penal contra Jorge Luiz e os seis assessores conseguirá furar a bolha de impunidade ou se terminará como mais um processo que agoniza sem desfecho.

Há um elemento político adicional que torna o caso particularmente sensível: Carlos Bolsonaro é apontado como o filho mais influente na engrenagem digital e ideológica do bolsonarismo, responsável histórico pela estratégia de comunicação agressiva que projetou o pai nacionalmente. Sua blindagem, portanto, interessa não apenas à família, mas à própria sobrevivência eleitoral do grupo, que já enfrenta a inelegibilidade de Jair Bolsonaro decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Enquanto isso, o vereador mantém sua rotina legislativa e digital como se nada tivesse acontecido. Ausente das manifestações públicas sobre o caso, ele não comentou a decisão do juiz Rubioli nem a condição de réus de seus ex-subordinados mais próximos. Seus canais de redes sociais continuam a disparar contra adversários políticos e a promover a pauta bolsonarista, blindando o silêncio com a mesma virulência retórica de sempre.

O desafio para o Ministério Público e para o Judiciário fluminense é demonstrar que o sistema de corrupção desbaratado no gabinete de Carlos Bolsonaro pode resultar em condenações reais e efetivas, sem os atalhos processuais que marcaram outras apurações contra a família. A denúncia aceita é um passo firme, mas a história recente ensina que, no Brasil, a distância entre o banco dos réus e a sentença definitiva costuma ser medida em anos — e, em casos de forte blindagem política, em frustrações.

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Proposta de castração química de Flávio Bolsonaro está parada há 16 anos no Congresso https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/proposta-de-castracao-quimica-de-flavio-bolsonaro-esta-parada-ha-16-anos-no-congresso/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/proposta-de-castracao-quimica-de-flavio-bolsonaro-esta-parada-ha-16-anos-no-congresso/#respond Tue, 23 Jun 2026 20:30:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/proposta-de-castracao-quimica-de-flavio-bolsonaro-esta-parada-ha-16-anos-no-congresso/ A defesa estridente da castração química para estupradores, transformada em bandeira de campanha pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), não resiste a um exame simples da realidade parlamentar. Oito projetos de lei sobre o tema estão parados no Congresso Nacional, e o mais antigo deles data de 2010 — ou seja, há 16 anos o assunto é pauta frequente de discursos sem jamais se converter em votação.

Segundo revelou a Folha de S.Paulo, a proposta mais vetusta é de autoria do ex-deputado Paes de Lira (PTC-SP) e hoje está sob relatoria do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), correligionário do próprio Flávio. O fato de um aliado do mesmo partido ser responsável por conduzir o texto e ainda assim nada avançar escancara a inércia legislativa.

O volume de iniciativas impressiona: mais de uma dezena de projetos foram apresentados por deputados e senadores nos últimos anos. Atualmente, oito textos tramitam simultaneamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mas nenhum deles deve ser aprovado em 2026, segundo avaliação de interlocutores do Congresso.

A paralisia contrasta com a ênfase que o senador fluminense confere à proposta em sua estratégia de comunicação. Flávio Bolsonaro tem utilizado a castração química como marcador de sua imagem de “linha dura” contra a criminalidade, mirando o eleitorado conservador e bolsonarista que busca respostas contundentes para a violência sexual.

O cenário é emblemático da campanha do PL: o partido controla a presidência da Câmara, com Arthur Lira (PP-AL) aliado próximo, e detém a maior bancada da Casa, mas projetos defendidos por seus líderes seguem sem prioridade na pauta de votações.

A castração química consiste na administração de medicamentos redutores da libido, com efeitos reversíveis, e é adotada em países como Coreia do Sul, Polônia e alguns estados dos Estados Unidos. No Brasil, a medida enfrenta resistências de setores jurídicos e da área da saúde, que questionam sua eficácia e constitucionalidade.

Apesar do apelo popular que o tema carrega, a tramitação esbarra em obstáculos que o discurso inflamado de campanha convenientemente omite. O principal deles é a falta de consenso sobre a constitucionalidade da medida, já que a Constituição Federal proíbe penas cruéis e tratamentos degradantes.

A estratégia de Flávio Bolsonaro repete o manual do bolsonarismo: empunhar bandeiras de forte apelo midiático sem enfrentar o desgaste político de construir maiorias parlamentares para aprová-las. O presidenciável do PL ganha os holofotes ao defender a medida em entrevistas e redes sociais, mas não mobiliza sua bancada para destravar os projetos que dormem nas gavetas do Congresso.

O caso expõe a lógica perversa do oportunismo eleitoral: quanto mais tempo o projeto permanece parado, mais tempo o candidato pode usá-lo como promessa de campanha. Se fosse aprovado, perderia sua utilidade como ferramenta de marketing político.

A inação também atinge projetos de aliados próximos. O senador Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, apresentou proposta semelhante que igualmente não avançou. A CPI do Menor Abusado, instaurada em 2025 na Câmara para debater crimes sexuais contra crianças, realizou audiências e produziu relatórios, mas também terminou sem encaminhar nenhuma proposta concreta ao plenário.

Enquanto o discurso voa alto nos palanques do PL, os projetos de castração química seguem no chão do Congresso — onde estão desde que Lula ainda governava o país em seu segundo mandato e o senador Flávio Bolsonaro nem sequer havia iniciado sua carreira política.

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Flávio Bolsonaro promete revogar reforma tributária e propõe ruptura fiscal sem plano https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-promete-revogar-reforma-tributaria-e-propoe-ruptura-fiscal-sem-plano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-promete-revogar-reforma-tributaria-e-propoe-ruptura-fiscal-sem-plano/#respond Tue, 23 Jun 2026 14:30:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-promete-revogar-reforma-tributaria-e-propoe-ruptura-fiscal-sem-plano/ O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que, se eleito, revogará a reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional em 2023 e implementará um novo modelo baseado na redução gradual da carga de impostos. A declaração foi dada durante o fórum “A indústria na agenda dos presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e reportada pelo Poder360. O senador fluminense classificou a atual regulamentação como uma “maluquice”, citando uma suposta alíquota de quase 40% que, segundo ele, penalizaria empresas e profissionais liberais.

A proposta de Flávio Bolsonaro é suspender imediatamente a regulamentação da Emenda Constitucional nº 132/2023, que instituiu o novo sistema de tributação sobre o consumo no país. Em seu lugar, o pré-candidato defende um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) na casa dos 20%, “sem fazer tantas concessões”, mirando diretamente o modelo dual que emergiu da longa negociação legislativa conduzida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O discurso de ruptura total com o arcabouço construído nos últimos anos foi acompanhado da promessa de um “tesouraço” em portarias e decretos, com o objetivo de desburocratizar o ambiente de negócios.

O tom belicoso contra o sistema tributário recém-aprovado não é episódico na campanha do senador. Flávio Bolsonaro tem intensificado o discurso de que a reforma atual representa um aumento da carga tributária, ecoando a insatisfação de setores produtivos que se sentem ameaçados pelo fim de benefícios fiscais e pela unificação de tributos. No entanto, ao prometer um IVA significativamente menor sem apresentar um plano detalhado de compensação fiscal, o pré-candidato do PL explora um terreno fértil no eleitorado empresarial sem oferecer as contrapartidas que tornariam a proposta viável sob o ponto de vista orçamentário.

Dirigentes empresariais que acompanham o debate manifestaram preocupação com a promessa de revogação total, apontando para o risco de instabilidade institucional e insegurança jurídica que uma ruptura drástica poderia causar no ambiente de investimentos. A transição para o novo modelo tributário já está em curso, com a criação do Comitê Gestor do IBS e a definição de regras de transição que se estenderão até 2033. Interromper esse processo abruptamente, como propõe o senador, significaria jogar o país em um limbo regulatório de duração imprevisível, afugentando capital em um momento de recuperação econômica.

Além da reforma tributária, Flávio Bolsonaro incluiu em seu cardápio de promessas de campanha a extinção da reeleição para cargos executivos, como um dos primeiros atos de um eventual mandato. A medida, que alteraria profundamente o sistema político brasileiro, é apresentada como um gesto de desprendimento, mas ignora que a reeleição foi instituída por emenda constitucional em 1997 e sua revogação exigiria uma nova e complexa articulação no Congresso Nacional — o mesmo Congresso que ele critica por ter aprovado a reforma tributária que agora quer derrubar.

A estratégia discursiva do senador fluminense se apoia na insatisfação difusa de setores que se sentem sobrecarregados pela complexidade do sistema tributário brasileiro, mas desvia da responsabilidade de detalhar como financiaria o Estado com uma alíquota de IVA tão reduzida. Países que adotam o IVA como principal imposto sobre o consumo praticam alíquotas significativamente superiores aos 20% prometidos — na Europa, a média supera os 21%, e mesmo entre emergentes, o patamar costuma ser mais elevado. A promessa de uma alíquota baixa sem explicar como manter os serviços públicos soa mais como retórica de campanha do que como programa de governo.

O movimento de Flávio Bolsonaro também expõe uma contradição interna no campo bolsonarista. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro defendeu durante seu governo a simplificação tributária, a proposta atual de seu filho vai na direção oposta: em vez de aperfeiçoar o que foi construído, opta pela ruptura total, criando um vácuo legislativo que poderia ser preenchido por uma infinidade de projetos concorrentes no Congresso. O resultado seria, paradoxalmente, mais insegurança jurídica e mais complexidade — exatamente o oposto do que o discurso de campanha promete combater.

A Confederação Nacional da Indústria, anfitriã do evento onde o senador fez suas declarações, tem sido uma das principais defensoras da reforma tributária aprovada, exatamente por enxergar nela um caminho para a simplificação e a redução do custo Brasil. A entidade vê com preocupação a possibilidade de que o debate eleitoral descarrile um processo que levou décadas para ser concluído. O presidente da CNI, Ricardo Alban, já manifestou em outras ocasiões que a prioridade do setor é a regulamentação célere e segura da reforma, não sua revogação.

A promessa de Flávio Bolsonaro se insere em um contexto eleitoral no qual o bolsonarismo busca se reposicionar após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com o capital político da família sob escrutínio, o senador fluminense tenta se apresentar como um candidato com propostas econômicas, mirando o eleitorado de centro-direita incomodado com a carga tributária. No entanto, a fragilidade do plano — ou a ausência dele — pode se voltar contra o próprio pré-candidato, na medida em que o debate se aprofundar e os adversários cobrarem o detalhamento das medidas.

A estratégia de prometer a redução drástica de impostos sem lastro fiscal não é nova na política brasileira e já produziu resultados desastrosos em experiências estaduais, como a crise financeira de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. A diferença agora é que a proposta de Flávio Bolsonaro incide sobre o coração do sistema tributário nacional, com potencial de desorganizar as finanças da União, dos estados e dos municípios simultaneamente. O discurso fácil da tesoura em decretos e portarias ignora que a maior parte da arrecadação está ancorada em leis complementares e ordinárias, cuja alteração depende de ampla maioria parlamentar.

O senador também não explica como lidaria com o período de transição entre a revogação da reforma atual e a eventual aprovação de seu modelo alternativo. A revogação imediata da Emenda Constitucional nº 132 faria o país retroceder ao sistema anterior, com seus mais de 500 mil normas tributárias, seus 27 ICMS estaduais diferentes e uma guerra fiscal permanente entre os entes federativos. Essa perspectiva de caos normativo é exatamente o que a reforma atual busca superar, e a promessa de Flávio Bolsonaro ameaça ressuscitar um cenário que o setor produtivo considera superado.

Ao fim, a proposta de Flávio Bolsonaro se revela menos como um projeto de país e mais como um lance eleitoral calculado para explorar a insatisfação legítima de empresários e profissionais liberais com a carga tributária brasileira. Sem plano de transição, sem compensações fiscais claras e sem garantias de aprovação no Congresso, a promessa de um IVA a 20% e de um “tesouraço” em decretos corre o risco de se tornar apenas mais uma peça de retórica de campanha — que, se levada a sério, poderia mergulhar o Brasil em um perigoso experimento de desmonte institucional com custos imprevisíveis para a já combalida economia nacional.

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Terceira via patina nas pesquisas e expõe fracasso de projeto sem lastro popular https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/terceira-via-patina-nas-pesquisas-e-expoe-fracasso-de-projeto-sem-lastro-popular/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/terceira-via-patina-nas-pesquisas-e-expoe-fracasso-de-projeto-sem-lastro-popular/#respond Tue, 23 Jun 2026 04:03:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/terceira-via-patina-nas-pesquisas-e-expoe-fracasso-de-projeto-sem-lastro-popular/ As pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana escancaram um fenômeno que se repete desde o início do ciclo eleitoral de 2026: a chamada terceira via não sai do lugar. Três levantamentos distintos — Nexus/BTG, Genial/Quaest e AtlasIntel — convergem no diagnóstico de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem com vantagem confortável sobre os demais concorrentes, enquanto os nomes que tentam se apresentar como alternativa ao bipartidarismo efetivo do país amargam desempenhos inexpressivos. A pergunta que as elites políticas insistem em não responder é: por que, afinal, esse projeto não encontra eco na sociedade?

O presidente Lula aparece na dianteira em todos os cenários testados. No levantamento Nexus/BTG, o petista marcou 42% das intenções de voto no primeiro turno, abrindo nove pontos percentuais de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, que se consolidou como principal adversário na disputa. A Genial/Quaest confirmou a tendência, com Lula oscilando dentro da margem de erro e mantendo liderança sólida. Já a AtlasIntel, que historicamente capta melhor o eleitorado conservador, também não trouxe novidades capazes de entusiasmar os estrategistas da terceira via. O quadro é de cristalização da polarização que estrutura a política brasileira desde 2018, com os dois grandes campos organizando a disputa em torno de projetos antagônicos de país.

Os candidatos que tentam furar essa dinâmica — entre eles o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e outras lideranças que flertam com a ideia de uma candidatura de centro — não conseguem ultrapassar a casa dos dígitos baixos. Caiado, que tem investido em agendas de segurança pública para projetar seu nome nacionalmente, aparece estacionado na faixa dos 3% a 4%, dependendo do instituto. Outros nomes, como o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), nem sequer pontuam com relevância estatística quando seus nomes são testados. O eleitorado, simplesmente, não os reconhece como opção real de governo.

A raiz desse fracasso está na própria natureza do projeto que se convencionou chamar de terceira via. Trata-se de uma construção de laboratório, gestada em gabinetes de consultorias políticas e alimentada por setores do empresariado e da mídia que rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo, mas sem jamais terem oferecido ao país um programa que mobilize setores sociais para além do antipetismo e do antibolsonarismo. É um projeto de elites, concebido por elites e para elites — e, por isso mesmo, incapaz de fincar raízes em um tecido social marcado por desigualdades profundas, que exigem projetos claros de transformação ou, ao menos, de proteção concreta de interesses.

Enquanto Lula governa com um programa que combina crescimento econômico, ampliação de políticas sociais e reinserção internacional soberana do Brasil, e o bolsonarismo — agora sob a liderança de Flávio — oferece ao seu eleitorado uma narrativa de guerra cultural e defesa de valores conservadores, a terceira via balbucia generalidades. Fala em gestão técnica, eficiência, união nacional e superação da polarização, mas nunca explica o que faria, na prática, com o orçamento público, com a Petrobras, com o salário mínimo, com a política externa, com a taxação dos super-ricos ou com a reforma agrária. O vazio programático não é acidente: ele decorre da impossibilidade de agradar simultaneamente aos interesses do andar de cima e às necessidades do andar de baixo.

O contraste com a experiência histórica é revelador. Em 2018, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) ainda conseguiram somar juntos mais de 20% dos votos no primeiro turno, disputando fatias reais do eleitorado. Em 2022, Simone Tebet (MDB) chegou ao terceiro lugar com pouco menos de 5% dos votos válidos, desempenho que, embora modesto, ao menos a colocava no mapa político. Agora, em 2026, o que se vê é um encolhimento progressivo desse espaço. A tendência é que, se nenhum fato novo alterar a dinâmica, a terceira via termine o ciclo com votação ainda mais reduzida do que a de 2022, confirmando sua condição de coadjuvante irrelevante em uma eleição que será decidida, mais uma vez, pelo confronto direto entre petismo e bolsonarismo.

O dado mais revelador das pesquisas recentes não está nos números de intenção de voto dos candidatos da terceira via, mas nos índices de rejeição combinados dos dois líderes. Lula tem rejeição que oscila entre 35% e 40%, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta resistência de cerca de 45% do eleitorado, segundo os levantamentos. Teoricamente, há um contingente de eleitores que não querem votar nem em um nem em outro — o que deveria ser o terreno fértil para uma alternativa viável. No entanto, esse eleitorado não se encanta com as opções que lhe são oferecidas, em parte porque percebe que nenhuma delas representa uma ruptura real com os interesses que mantêm o país desigual e dependente.

A insistência nesse projeto fracassado tem custos políticos concretos. Recursos públicos do fundo eleitoral e do fundo partidário são drenados para campanhas que jamais decolarão, enquanto partidos que poderiam estar disputando com força o Legislativo e os governos estaduais concentram energia em candidaturas presidenciais simbólicas. Além disso, a terceira via ocupa um espaço midiático desproporcional ao seu peso real, consumindo tempo e atenção que fariam mais sentido se dedicados ao debate substantivo entre os dois projetos que efetivamente estruturam a disputa: o programa popular e soberano de Lula e o programa de restauração conservadora representado por Flávio Bolsonaro.

As próximas semanas serão decisivas para definir se algum desses candidatos conseguirá reunir condições mínimas de competitividade — prazos partidários, convenções e o início formal da campanha pressionarão os indecisos a tomarem posição. Mas as pesquisas da semana não deixam margem para ilusões: o Brasil real já escolheu os dois polos em torno dos quais a sucessão presidencial será travada. E a terceira via, até aqui, não passa de uma miragem que as classes dirigentes insistem em projetar sobre um deserto de base social e legitimidade popular.

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Lula mantém liderança consolidada sobre Flávio Bolsonaro em novas pesquisas eleitorais https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-mantem-lideranca-consolidada-sobre-flavio-bolsonaro-em-novas-pesquisas-eleitorais/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-mantem-lideranca-consolidada-sobre-flavio-bolsonaro-em-novas-pesquisas-eleitorais/#respond Tue, 23 Jun 2026 04:00:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/lula-mantem-lideranca-consolidada-sobre-flavio-bolsonaro-em-novas-pesquisas-eleitorais/ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem consolidada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na mais recente rodada de pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Três institutos divulgaram novos números nesta semana, e todos projetam o petista à frente no cenário de um eventual segundo turno. O levantamento mais recente, do Nexus/BTG, divulgado pela Carta Capital na segunda-feira 15, mostra Lula com 49% da preferência, contra 43% do senador.

A margem de seis pontos percentuais repete um padrão visto em outras sondagens recentes e indica um cenário eleitoral que começa a se cristalizar com meses de antecedência. A estabilidade dos números sugere que a dinâmica da disputa não será movida pela conquista de novos eleitores, mas sim pela capacidade de cada candidato de administrar sua própria rejeição e furar as bolhas informacionais que dividem o país.

Os dados do Nexus/BTG revelam que Lula mantém um eleitorado fiel entre as classes de menor renda e no Nordeste, regiões que foram decisivas em suas vitórias anteriores. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, demonstra um piso sólido que oscila ao redor dos 43%, sustentado principalmente por eleitores do Sul, do Centro-Oeste e por segmentos evangélicos. Essa base, herdada diretamente do bolsonarismo original, parece resistente a escândalos e flutuações econômicas, o que impõe um teto difícil de ser rompido pelo campo progressista.

As outras duas pesquisas divulgadas na semana, cujos institutos não foram detalhados na reportagem original, seguiram a mesma tendência: Lula à frente, com distâncias que variam entre quatro e oito pontos. Esse alinhamento entre diferentes metodologias de coleta reforça a tese de que o quadro está razoavelmente definido, ainda que faltem meses de campanha e que o desgaste do governo ou crises externas possam alterar o humor do eleitorado.

O fenômeno da rejeição aparece como o grande fiel da balança. Lula enfrenta resistência em parcelas do eleitorado que o associam a crises econômicas passadas e a escândalos de corrupção, ainda que sua popularidade pessoal siga alta. Já Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome que, para uma fatia expressiva dos brasileiros, está ligado à má gestão da pandemia, a ataques institucionais e a uma série de investigações judiciais que atingem diretamente sua família. Ambos, portanto, têm tetos de crescimento limitados pela rejeição alheia.

A capacidade de furar bolhas será crucial. O eleitorado brasileiro está cada vez mais segmentado em ecossistemas de informação que raramente se comunicam. Lula precisará encontrar pontes para dialogar com eleitores que hoje só consomem conteúdo bolsonarista, enquanto o senador do PL terá que superar a desconfiança de setores moderados que rejeitaram seu pai nas urnas em 2022. Nesse sentido, a escolha de pautas, alianças regionais e estratégias de comunicação digital terá peso equivalente ao das propostas de governo.

O contexto de 2026 adiciona camadas de complexidade. Com o Congresso fragmentado e uma polarização que não dá sinais de arrefecer, a campanha presidencial tende a ser uma continuação da guerra cultural que marcou os últimos pleitos. A vantagem inicial de Lula, embora real, não garante vitória: em 2022, pesquisas subestimaram a força do bolsonarismo em diversas regiões, e a margem final foi muito mais apertada do que os institutos previam.

Para o campo governista, a estratégia passa por consolidar programas sociais e colher os frutos de indicadores econômicos que comecem a melhorar a vida concreta da população. Para Flávio Bolsonaro, o desafio é unificar a direita em torno de seu nome sem se deixar arrastar para o centro, o que poderia desmobilizar sua base mais radical. Qualquer erro de cálculo nesse equilíbrio pode custar a eleição.

As próximas semanas serão decisivas para observar se a tendência de estabilidade se mantém ou se novos fatos políticos — como decisões do Supremo Tribunal Federal, crises internacionais ou o agravamento de investigações que envolvem aliados do bolsonarismo — podem balançar o tabuleiro. Até agora, a fotografia do momento é de um presidente que lidera com segurança, mas sem margem para euforia, e de um adversário que, mesmo encurralado por escândalos, conserva um terço do eleitorado ao seu lado.

O cenário cristalizado nas pesquisas não é sinônimo de eleição definida. A história recente mostra que pleitos presidenciais no Brasil raramente seguem o roteiro previsto pelas sondagens iniciais. O que os números da semana deixam claro, contudo, é que o caminho de ambos os candidatos passa inevitavelmente por convencer quem hoje os rejeita — e que o silêncio das bolhas pode ser o ruído mais ensurdecedor da campanha.

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Flávio Bolsonaro e Zema selam pacto com a indústria por Estado mínimo e privatizações em série https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/flavio-bolsonaro-e-zema-selam-pacto-com-a-industria-por-estado-minimo-e-privatizacoes-em-s-2/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/flavio-bolsonaro-e-zema-selam-pacto-com-a-industria-por-estado-minimo-e-privatizacoes-em-s-2/#respond Tue, 23 Jun 2026 00:30:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/flavio-bolsonaro-e-zema-selam-pacto-com-a-industria-por-estado-minimo-e-privatizacoes-em-s-2/ Diante de uma plateia formada por empresários e presidentes das federações estaduais da indústria, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aproveitaram o primeiro grande encontro de presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria para formalizar um pacto explícito entre a direita política e o capital industrial. O evento, realizado nesta segunda-feira no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, funcionou como vitrine para um projeto de país ancorado na redução drástica do Estado, segundo reportagem da Carta Capital.

Os discursos não ficaram na retórica difusa de campanha. O senador fluminense detalhou o que seu grupo chama de ‘Projeto Brasil’, uma plataforma que combina nova âncora fiscal baseada na trajetória da dívida pública com aceleração de privatizações e digitalização da máquina estatal como ferramenta de cortes de gastos. A manutenção de programas sociais, segundo Flávio Bolsonaro, seria condicionada ao equilíbrio fiscal para combater a inflação — uma formulação que subordina a proteção social à lógica contábil.

Zema foi ainda mais longe. O ex-governador mineiro defendeu uma reforma da Previdência permanente, com ajuste automático da idade mínima sempre que a expectativa de vida aumentar, a privatização total das estatais e a expansão de parcerias com a iniciativa privada nos setores de saúde e educação. Na prática, a proposta transfere para o mercado a definição do que o cidadão receberá em serviços essenciais, subordinando o gasto público exclusivamente à capacidade de arrecadação do governo.

O encontro na CNI expôs a solidificação do liberalismo radical como linguagem unificadora da direita brasileira para 2026. As propostas de Flávio Bolsonaro e Zema não são disputas retóricas entre alas concorrentes do espectro conservador, mas variações de um mesmo projeto: Estado mínimo, relações trabalhistas flexibilizadas e segurança pública endurecida como resposta única aos problemas nacionais.

Ao mesmo tempo em que os pré-candidatos vendiam seu cardápio de privatizações aos industriais, o Congresso Nacional registrava uma reação institucional significativa. O Projeto de Decreto Legislativo 178/23, em análise na Câmara dos Deputados, busca sustar um decreto presidencial de 2023 que eliminou a exigência de avaliação econômico-financeira das estatais antes de sua inclusão no Programa Nacional de Desestatização. Os autores da proposta classificam a supressão dessas avaliações como um ‘grande retrocesso na administração pública federal e na economia brasileira’.

O embate legislativo revela a tensão entre a aceleração irresponsável das privatizações e a necessidade de controle, transparência e defesa do patrimônio público. Sem avaliações econômicas rigorosas, vender estatais deixa de ser uma decisão técnica e se torna um ato de fé ideológica — exatamente o que Flávio Bolsonaro e Zema propõem como modelo de gestão.

A presença de Flávio Bolsonaro no evento da indústria ocorre em meio a questionamentos crescentes sobre a origem dos recursos que financiam sua campanha. As investigações sobre as relações entre o senador, o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro seguem sob escrutínio público, lançando sombras sobre a independência do discurso pró-mercado que o senador sustenta. O ‘Projeto Brasil’ apresentado a empresários e investidores em São Paulo ainda não foi acompanhado de explicações convincentes sobre os vínculos financeiros que o sustentam.

Zema, por sua vez, carrega o legado de seu governo em Minas Gerais, onde as parcerias com a iniciativa privada na saúde e na educação não entregaram os resultados prometidos. A proposta de estender esse modelo para todo o país ignora a realidade de estados onde a ausência do poder público significou colapso de serviços essenciais, como se viu durante a pandemia de covid-19 e nas crises recentes da rede pública de ensino.

O projeto de privatização total das estatais defendido pelos dois pré-candidatos atinge setores estratégicos para a soberania nacional. Empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios deixariam de servir ao desenvolvimento do país para atender exclusivamente à lógica do lucro privado. A experiência internacional demonstra que privatizações em setores de infraestrutura, energia e comunicações frequentemente resultam em tarifas mais altas, pior qualidade de serviço e perda de capacidade estatal de planejamento de longo prazo.

A flexibilização das relações trabalhistas, outro pilar comum aos dois discursos, remete ao desmonte da CLT que marcou os governos anteriores e ampliou a precarização do trabalho sem gerar o prometido aumento de empregos formais. O discurso da ‘modernização’ encobre, na prática, a retirada de direitos conquistados ao longo de décadas, transferindo riscos e custos para os trabalhadores enquanto o capital industrial celebra a redução de encargos.

O pacto selado no palco da indústria entre a direita política e o capital industrial representa uma ameaça concreta ao Estado brasileiro como instrumento de redução de desigualdades e garantia de direitos. As eleições de 2026 se desenham, a partir desse encontro, como um confronto entre projetos de país inconciliáveis: de um lado, a aposta no mercado como substituto do poder público; de outro, a defesa da capacidade estatal de planejar, investir e proteger sua população.

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Flávio Bolsonaro explode contra colunista do Estadão e expõe blindagem de Mendonça no Caso Master https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/flavio-bolsonaro-explode-contra-colunista-do-estadao-e-expoe-blindagem-de-mendonca-no-caso/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/flavio-bolsonaro-explode-contra-colunista-do-estadao-e-expoe-blindagem-de-mendonca-no-caso/#respond Mon, 22 Jun 2026 21:16:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260297 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e protagonizou um bate-boca público com a jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S.Paulo, após a publicação de um artigo que expôs as contradições do parlamentar no escândalo do Banco Master. Acuado pelo acúmulo de denúncias, o senador desviou das perguntas sobre sua situação judicial e partiu para a desqualificação pessoal da jornalista, em um episódio que a Revista Fórum classificou como explosão de nervos diante do cerco que se fecha.

O estopim foi a insistência de Cantanhêde em cobrar explicações sobre um ponto nevrálgico: por que Flávio Bolsonaro segue sem qualquer medida cautelar determinada pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, enquanto outros políticos mencionados na mesma investigação — como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI) — já foram alvo de operações policiais. A seletividade na aplicação da lei gerou mal-estar nos bastidores do Judiciário e é apontada como um constrangimento institucional crescente para a Corte.

Sem conseguir rebater o mérito da pergunta, o senador tentou equiparar uma transação comercial legítima — a venda de um imóvel pela jornalista — aos repasses milionários e secretos operados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por um sofisticado esquema de fraudes financeiras. A manobra retórica não apenas falhou em explicar o surgimento do patrimônio milionário do parlamentar, como reforçou a ausência de argumentos técnicos para sua defesa.

O episódio não é um desabafo fortuito. Ele reedita o roteiro de intimidação à imprensa que se tornou marca registrada da família Bolsonaro desde que as primeiras investigações sobre rachadinhas vieram à tona, ainda no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. À época, o caso levou à quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador e revelou movimentações financeiras atípicas incompatíveis com sua renda declarada, mas acabou arquivado em circunstâncias controversas.

A agressão verbal funciona como substituto do argumento quando o patrimônio milionário e a origem dos recursos se tornam difíceis de explicar. O modus operandi é conhecido: diante de questionamentos incômodos, a família reage com hostilidade, tentando constranger o profissional de imprensa e desviar o foco da investigação. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) registra que políticos lideram consistentemente o ranking de agressores a profissionais de imprensa no Brasil, e que o assédio judicial é uma tática em franca ascensão.

O grau de blindagem que Flávio Bolsonaro desfruta no gabinete de André Mendonça se tornou insustentável diante de um conjunto probatório robusto. O ministro resiste a autorizar mandados de busca e apreensão ou a instaurar inquérito formal contra o senador, mesmo após sucessivas contradições públicas do parlamentar e indícios de lavagem de dinheiro apontados em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Enquanto isso, o Banco Master e Daniel Vorcaro amargam uma deterioração acelerada de imagem e de negócios.

A pressão sobre Mendonça não vem apenas de fora do tribunal. Ministros da Corte avaliam reservadamente que a omissão do relator constrange a instituição e alimenta a percepção de que há dois pesos e duas medidas no STF — um tratamento rigoroso para adversários políticos e uma leniência constrangedora com aliados. O risco, apontam interlocutores do Judiciário, é que a demora em agir transforme a blindagem em cumplicidade por omissão.

A deterioração da confiança pública na imprensa, paradoxalmente, não favorece políticos que atacam jornalistas. De acordo com o Digital News Report 2025 do Reuters Institute, a credibilidade do jornalismo brasileiro caiu para 42%, patamar mais baixo em uma década, contra 62% registrados em 2015. A hostilidade pública de um senador da República contra uma colunista contribui para esse ambiente de descrédito, mas também escancara o desespero de quem não consegue sustentar sua versão diante dos fatos.

Em resposta à escalada de violência contra profissionais da imprensa, o governo federal instituiu, em abril de 2026, um protocolo para investigar crimes contra jornalistas. O documento reconhece que ataques dessa natureza não são crimes comuns, mas violações à liberdade de expressão e ao direito da sociedade de ser informada — exatamente o bem jurídico que se degrada quando um parlamentar usa seu mandato para intimidar repórteres.

O bate-boca com Eliane Cantanhêde revela um senador que ficou sem álibi, encurralado entre o silêncio do relator e o volume de provas que se avoluma. Enquanto André Mendonça não se manifestar sobre as medidas cautelares, a agressão continuará sendo a única resposta pública de Flávio Bolsonaro — e o preço institucional dessa paralisia seguirá sendo pago pela credibilidade do Supremo.

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TSE ordena remoção de deepfake contra Flávio Bolsonaro, mas não ataca estrutura financeira da desinformação https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/tse-ordena-remocao-de-deepfake-contra-flavio-bolsonaro-mas-nao-ataca-estrutura-financeira/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/tse-ordena-remocao-de-deepfake-contra-flavio-bolsonaro-mas-nao-ataca-estrutura-financeira/#respond Mon, 22 Jun 2026 21:02:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/tse-ordena-remocao-de-deepfake-contra-flavio-bolsonaro-mas-nao-ataca-estrutura-financeira/ A ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para derrubar um deepfake que associava o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, representa mais um capítulo da batalha institucional contra a desinformação, mas evidencia o limite das ações pontuais da Justiça Eleitoral. A decisão, proferida pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou a retirada imediata do conteúdo manipulado, argumentando que a liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para a propagação de material fraudulento apresentado como registro real. A medida, no entanto, opera apenas sobre o sintoma visível de um problema muito mais profundo.

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Segundo reportagem da Carta Capital, a decisão se apoia na Resolução 23.755/26 do próprio TSE, que vedou expressamente o uso de deepfakes na propaganda eleitoral e estabeleceu a obrigatoriedade de rotular conteúdos gerados por inteligência artificial. A norma também impõe um apagão de novos conteúdos sintéticos nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas seguintes, numa tentativa de proteger a reta final da disputa. O gesto de Mendonça é formalmente impecável, mas chega com dias de atraso em relação à disseminação viral do conteúdo falso, que já havia cumprido seu ciclo de dano nas redes sociais.

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A fragilidade institucional fica ainda mais exposta quando se observa a disparidade técnica entre os tribunais superiores e as instâncias regionais. Estudos recentes apontam que os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) enfrentam dificuldades estruturais para identificar tecnicamente deepfakes, resultando em um percentual baixo de condenações e na incapacidade de qualificar muitos desses conteúdos como material eleitoral. Esse despreparo nos níveis inferiores do Judiciário cria um gargalo perigoso: enquanto os TREs patinam na análise técnica, os conteúdos falsos seguem seu curso destrutivo, moldando percepções e intoxicando o debate público sem encontrar resistência à altura.

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No front legislativo, o Projeto de Lei 212/26 avança no Congresso com propostas que miram a criminalização dos deepfakes eleitorais, prevendo penas de reclusão e multa. O PL contém um dispositivo crucial que obriga as plataformas digitais a removerem conteúdos em até 24 horas e, mais importante, a manterem registros de acesso e metadados por 12 meses para fins de investigação judicial. Em tese, essa exigência abriria caminho para o rastreamento da origem técnica desses materiais. Na prática, porém, a eficácia da medida depende de uma capacidade investigativa que o Estado brasileiro ainda não demonstrou possuir, especialmente quando se trata de seguir a trilha do dinheiro que financia campanhas massivas de desinformação.

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O verdadeiro escudo eleitoral não está na remoção pontual de um deepfake aqui ou ali, mas na exposição das engrenagens financeiras que movem essa indústria da mentira. A disseminação de conteúdos sintéticos nas eleições brasileiras deixou de ser um fenômeno puramente tecnológico e se consolidou como um negócio com estrutura de mercado bem definida: o custo de produção é irrisório, enquanto os impactos políticos e sociais são difusos e devastadores. Essa assimetria torna a fabricação de mentiras digitais mais rentável do que a produção de informação de qualidade, criando um incentivo perverso que corrói a democracia por dentro.

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Os números são alarmantes e revelam a extensão do estrago. Pesquisas indicam que 81% dos brasileiros acreditam que fake news podem afetar significativamente os resultados eleitorais, e 72% já se depararam com notícias falsas nas redes sociais. O caso do avatar “Dona Maria”, um deepfake que acumulou milhões de visualizações e milhares de comentários antes de ser identificado, exemplifica o poder de manipulação dessas ferramentas e a velocidade com que operam. Nesse contexto, cada remoção judicial é uma gota no oceano da desinformação organizada.

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A conexão entre a guerra digital e os escombros do Banco Master, sugerida no deepfake envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, não é um detalhe pitoresco, mas o epicentro de uma questão que o TSE e o Congresso ainda não conseguem enfrentar com eficácia: quem financia a desinformação em escala industrial? Enquanto as plataformas lucram com o engajamento gerado por conteúdos falsos e os produtores de deepfakes permanecem anônimos protegidos por camadas de opacidade financeira, a Justiça Eleitoral segue condenada a enxugar gelo, derrubando postagens que já contaminaram o ecossistema informacional e que renascerão com novas roupagens em minutos.

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A ausência de mecanismos eficazes de rastreamento da origem do financiamento por trás das campanhas digitais de desinformação é a lacuna central que nem a Resolução 23.755/26 nem o PL 212/26 conseguem preencher. A batalha jurídica se concentra na superfície — o conteúdo publicado — sem atacar a lógica econômica que sustenta a máquina de mentiras. Sem seguir o dinheiro, sem identificar os patrocinadores ocultos que bancam estúdios de produção de deepfakes e impulsionam postagens fraudulentas com recursos não contabilizados, qualquer arcabouço normativo será apenas um paliativo cosmético.

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O TSE, sob o comando do ministro Kassio Nunes Marques a partir de 2026, e o Congresso terão de decidir se querem de fato enfrentar a desinformação como um problema estrutural ou se continuarão tratando-a como um incômodo episódico que se resolve com ordens de remoção. A diferença entre esses dois caminhos definirá não apenas a lisura das eleições de 2026, mas a própria capacidade das instituições brasileiras de protegerem a democracia contra um inimigo que se financia no escuro e ataca na velocidade da luz.

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André Mendonça censura críticas a Flávio Bolsonaro e blinda elo com Vorcaro e Bacellar https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/andre-mendonca-censura-criticas-a-flavio-bolsonaro-e-blinda-elo-com-vorcaro-e-bacellar/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/andre-mendonca-censura-criticas-a-flavio-bolsonaro-e-blinda-elo-com-vorcaro-e-bacellar/#respond Mon, 22 Jun 2026 21:01:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/andre-mendonca-censura-criticas-a-flavio-bolsonaro-e-blinda-elo-com-vorcaro-e-bacellar/ O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também responsável pela relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou a censura judicial sobre conteúdos que expõem as ligações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com figuras centrais de organizações criminosas. Segundo apuração da Revista Fórum, novas decisões do ministro determinaram a remoção de publicações que mostravam os vínculos de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o político Rodrigo Bacellar e com milícias que operam no Rio de Janeiro, além de críticas ao fim da escala 6×1.

A ofensiva censória de Mendonça ganhou contornos ainda mais graves após o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, transferir a relatoria dos casos envolvendo o Banco Master para o próprio Mendonça, por meio de uma portaria que o designou como juiz auxiliar da propaganda eleitoral. A manobra concentrou nas mãos de um único magistrado o poder de decidir o que pode ou não ser dito sobre o elo entre a família Bolsonaro e o escândalo financeiro que envolve Vorcaro, cujas reuniões com Flávio foram documentadas e amplamente noticiadas.

A linha jurisprudencial adotada pelo ministro tem se baseado na alegação genérica de que as denúncias configuram “deep fake” ou “desinformação eleitoral” por “imputação factual grave e não demonstrada”. Na prática, a atuação de Mendonça tem servido para construir uma muralha protetiva em torno do clã Bolsonaro, eliminando da esfera pública justamente o debate sobre os tentáculos milicianos que historicamente financiaram e sustentam politicamente a família do ex-presidente.

O impacto econômico dessa blindagem judicial não passou despercebido pelo mercado financeiro. As revelações sobre o áudio em que Flávio Bolsonaro aparece reunido com Daniel Vorcaro, somadas às suspeitas de que o esquema de rachadinha que abasteceu os cofres familiares também irrigou construções para grupos milicianos no Rio de Janeiro, provocaram instabilidade no índice Ibovespa e valorização do dólar. A percepção de que o Judiciário atua para proteger figuras políticas de denúncias graves alimenta a incerteza e afugenta investimentos.

Pesquisa recente indicou que mais da metade da população brasileira que tomou conhecimento do áudio entre Flávio e Vorcaro acredita que existem evidências concretas de envolvimento do senador no escândalo do Banco Master. O dado revela uma profunda crise de confiança nas instituições, especialmente quando decisões monocráticas do TSE são percebidas como instrumentos de blindagem de grupos poderosos contra o escrutínio público, corroendo a capacidade de fiscalização cidadã e ampliando a sensação de impunidade.

A atuação de Mendonça contra o fim da escala 6×1 representa o outro eixo de sua ofensiva: a defesa da superexploração do trabalho. Em decisão monocrática no STF, o ministro derrubou o reconhecimento de vínculo empregatício para um pedreiro que trabalhava em escala 6×1 para uma construtora. A decisão não apenas precariza as condições de milhões de trabalhadores brasileiros, como também sinaliza alinhamento ideológico com setores empresariais que combatem frontalmente os direitos trabalhistas previstos na Constituição.

A censura sobre as críticas ao fim da escala 6×1, somada às remoções de conteúdo sobre as ligações do clã Bolsonaro com o crime organizado, configura um padrão claro de utilização do TSE como braço auxiliar de uma agenda política. Não se trata de combate à desinformação, mas de silenciamento seletivo de vozes críticas que ameaçam expor os mecanismos de financiamento e sustentação política do bolsonarismo.

As decisões de Mendonça sobre os casos envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro criam um precedente perigoso para o processo eleitoral brasileiro. Ao determinar a remoção de conteúdos que associam políticos a atividades ilícitas, mesmo quando há fartos indícios que alimentam a desconfiança pública, o TSE está redefinindo os limites da crítica política de forma a proteger determinados grupos e sufocar o debate democrático sobre corrupção e crime organizado.

O cenário se agrava com a constatação de que Rodrigo Bacellar, outro nome protegido pelas decisões do ministro, possui ligações políticas estreitas com o clã Bolsonaro no Rio de Janeiro. A blindagem judicial sobre essas relações impede que o eleitorado tenha acesso a informações cruciais para o exercício do voto, comprometendo a integridade do processo eleitoral e consolidando um modelo de proteção institucional para redes de influência criminosa.

A transferência de processos sensíveis para um único ministro, sem critérios transparentes de distribuição e com resultados práticos evidentes de blindagem política, levanta questionamentos urgentes sobre a imparcialidade da Justiça Eleitoral. A concentração de poder nas mãos de Mendonça para decidir sobre casos que envolvem justamente o grupo político ao qual ele é associado exige investigação por parte do Conselho Nacional de Justiça e do próprio STF.

Enquanto as censuras avançam, a sociedade brasileira assiste à consolidação de um modelo de Justiça que protege os poderosos e pune os trabalhadores. A mesma caneta que apaga denúncias sobre milícias e escândalos financeiros do clã Bolsonaro é a que retira direitos de um pedreiro explorado em jornada exaustiva. O recado é claro: no Brasil de André Mendonça, denunciar o crime organizado é proibido, mas superexplorar trabalhadores é perfeitamente aceitável.

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