Merval Pereira - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/merval-pereira/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 17 Oct 2024 13:49:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Merval Pereira - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/merval-pereira/ 32 32 O novo delírio de Merval Pereira contra o governo Lula https://www.ocafezinho.com/2024/10/17/o-novo-delirio-de-merval-pereira-contra-o-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/17/o-novo-delirio-de-merval-pereira-contra-o-governo-lula/#comments Thu, 17 Oct 2024 13:49:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195192 1 Comentário 🔥]]> Nos primeiros dois anos do governo Lula 3, o Brasil experimentou um significativo crescimento econômico e uma queda substancial nas taxas de desemprego, alcançando o menor índice da última década.

Contra um pano de fundo de otimismo econômico, com projeções do PIB acima de 3%, o colunista Merval Pereira, do Globo, expressou preocupações sobre uma possível “herança maldita”, uma visão que diverge fortemente dos indicadores econômicos atuais e dos avanços sociais observados.

Desde o início de seu terceiro mandato, o governo Lula tem demonstrado uma recuperação acelerada da economia, superando um período de estagnação herdado do governo anterior.

As políticas implementadas têm impulsionado a economia interna, com destaque para a expansão dos programas sociais e reformas econômicas que visam a segurança alimentar e investimentos em educação e saúde.

Merval Pereira levantou questões sobre os riscos de desequilíbrio fiscal futuro, questionando a sustentabilidade das políticas atuais.

No entanto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem insistido no compromisso com seu novo teto de gastos, equilibrando responsabilidade financeira com necessidades sociais. Este equilíbrio é refletido nos indicadores sociais, que mostram redução da desigualdade e aumento do salário real, atingindo as melhores marcas em uma década.

O colunista sugere que o atual governo pode estar caminhando para deixar uma “herança maldita”, apesar dos dados econômicos positivos. Essa posição parece mais um argumento para desestabilizar a atual administração do que uma análise baseada na realidade dos fatos.

O governo Lula tem apresentado uma abordagem que desafia a noção tradicional de que austeridade é a única via para o crescimento econômico, mostrando que é possível combinar expansão econômica com justiça social.

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Globo perde a classe https://www.ocafezinho.com/2013/08/29/globo-perde-a-classe/ https://www.ocafezinho.com/2013/08/29/globo-perde-a-classe/#comments Thu, 29 Aug 2013 12:48:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=13384 O Jornal O Globo já teve mais classe em seu oposicionismo histérico. De uns anos para cá, a sua radicalização política tem beirado a falta de noção. Fazer graça com um apagão de energia causado por um incêndio, coisa que pode acontecer em qualquer país do mundo, e inclusive tem acontecido até no mais rico deles, os EUA, é o cúmulo da falta de classe. É como se o Globo estivesse absorvendo a mentalidade boçal de seus leitores reaças mais vulgares.

Uma coisa é apagão de horas, provocado por acidente. Outra coisa é apagão de um ano, com governo impondo sobretaxas e obrigando cidadãos e empresas e reduzir o uso de energia (e portanto deprimindo a economia e causando prejuízo que hoje seria de mais de R$ 60 bilhões) porque não investiu nem em hidrelétrica, nem em térmica, nem em nada.

Chamada na primeira página do Globo de hoje:

Para completar, Merval insiste em outra vulgaridade sem limite. Apostar vinho na prisão de outro ser humano, num processo político altamente polêmico. Não apenas os réus alegam inocência. Setores sociais inteiros estão horrorizados com este julgamento de exceção, visto que há provas, por exemplo, que o dinheiro da Visanet não é público. Mas ao Globo não interessa mais discutir as provas, e sim apostar vinhos na prisão dos réus… É o cúmulo da parcialidade e brutalidade jornalística. É por isso que a Secom não pode ter apenas critérios técnicos ao distribuir as verbas. Não pode distribuir verbas para jornais delinquentes, sádicos e sonegadores. Mas o Globo é especialista nisso: consolidou-se num regime de exceção, e agora festeja com vinhos importados a volta de um tribunal de exceção.

Trecho final da coluna de Merval desta quinta-feira:

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Merdal em desespero! https://www.ocafezinho.com/2013/08/08/merdal-em-desespero/ https://www.ocafezinho.com/2013/08/08/merdal-em-desespero/#respond Thu, 08 Aug 2013 23:22:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=12940 Me dêem licença para interromper por um dia minhas investigações sobre as maracutaias da Globo e me divertir um pouco. A coluna do Merdal hoje nos dá uma oportunidade ímpar de aplicar aliviantes chutes no traseiro de um cafumango.

Entendo que o excesso de adjetivos deve ser evitado em nome da elegância e do estilo, mas creio que uma exceção, neste caso, é benvinda. Sobretudo porque é uma chance de observarmos a maravilhosa contribuição do Brasil ao patrimônio da língua portuguesa! Ao final do post, há um glossário, para que ninguém me chame de “mulato pernóstico”, conforme a horrível expressão racista usada pelas elites até os anos 60. E também para vocês verificarem que tentei ser absolutamente preciso

Como já chamei, com todo respeito, Ali Kamel de sacripanta, procuremos outros epítetos para Merdal Pereira. Boa oportunidade para tirar o pó dos cinco volumes do meu Caldas Aulete!

Merdal está tão pi-pi-ri-pi-pi-piradinho com as denúncias contra o PSDB paulista que perdeu a pose. Sua coluna de hoje, porém, pode fazer um grande mal à blogosfera: destruir o nosso querido professor Hariovaldo!

Sim, porque a coluna de Merval revela um Hariovaldo de carne, osso e uma geléia estragada no lugar do cérebro. É uma competição desleal com nosso humorista! Força, Hariovaldo!

Vamos ao Merdal:

Corrupção e democracia

Outro dia escrevi aqui na coluna, a propósito das investigações sobre a formação de um cartel de empresas estrangeiras na construção do metrô paulista, que “o pior dos mundos para a democracia seria se ficar provado o que os petistas chapa-branca já dão como certo nos blogs e noticiários oficiais: que o esquema seria uma espécie de irrigação permanente de dinheiro ilegal para as campanhas eleitorais dos tucanos desde o governo Covas”.

Foi o que bastou para que esses mesmos pseudo-jornalistas a serviço do governo petista distorcessem minhas palavras, atribuindo a mim a tese de que as acusações contra o PT são boas para a democracia, e as contra o PSDB seriam prejudiciais.

Para um leitor de boa-fé, está claro que não tratava da corrupção em si, mas da maneira como ela fora praticada. Uma coisa são casos de corrupção de agentes políticos isolados, que acontecem em todos os países, outra bem diferente é a organização política transformar-se em criminosa para garantir recursos ilegais para a manutenção do poder.

Vamos copiar a expressão do Paulo Nogueira e fazer uma longa pausa para risadas.

Merdal pagou um mico federal ontem e hoje, ao tentar emendar o soneto, paga um orangotango gigante! Petista chapa-branca! Aí é demais, não dá nem para comentar. Adiante.

Merdal, que é um labrosta, um burdo e um biltre, reage às denúncias contra o PSDB atacando não a corrupção, não os desvios de milhões em verba pública, não a desonestidade e a nojenta ausência de ética e espírito republicano das autoridades do governo paulista, que protagonizaram o maior escândalo de superfaturamento da história brasileira. Merdal ataca os… blogs!

É um chibéu metido a chibante!

E dá-lhe choradeira! Dá pra notar, em meio ao desespero do Merdal, as suas lágrimas ácidas de crocodilo escorrendo pela coluna. Os tucanóides da mídia nem disfarçam. Na primeira encrenca, gritam “mensalão!”, “mensalão!”, à maneira de bandidos que, vendo a polícia se aproximar, se enfiam na muvuca e gritam: “pega ladrão!”.

Ora, Merval, não nos faça rir com essa nova filosofia que distingue a corrupção em duas hierarquias: regional e federal. A regional seria aceitável, pois se destina apenas a pagar vestidos de luxo para as esposas dos corruptos e viagens ao redor do mundo. Muito pior mesmo é a corrupção federal petista, não é?, que visa pagar deputados para aprovarem a reforma da previdência!

Desta vez, Merdal se descuidou. Não se pode exagerar, senão entorna o caldo. Há muitos leitores do Globo, imagino eu, que já desenvolveram danos mentais irreversíveis, e acreditam num peteiro como o Merval. Mas textos como esse nos são de grande serventia. É como se ele tirasse a máscara e o fardão da Academia e víssemos um idiota furioso discutindo com uma criança de três anos. A criança é o “leitor de boa fé”, doravante uma belíssima expressão para designar os tabaréus que ainda acreditam na Globo.

A ação individual de um político desonesto é menos danosa para a democracia do que a de um grupo político organizado, que se utiliza dos esquemas de poder a que chegou pelo voto para se eternizar nele. Foi o que aconteceu justamente no mensalão do PT. Se as investigações do caso Siemens em São Paulo levarem à conclusão de que o PSDB montou um projeto de poder em São Paulo desde o governo Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra financiado pelo desvio de verbas públicas, estaremos diante de uma manipulação política com o mesmo significado, embora com alcance regional, enquanto o mensalão tentou manipular nada menos que o Congresso Nacional.

Inacreditável. Merdal acha mesmo que existe uma corrupção “boa”, a do PSDB, que envolve valores muito maiores que o mensalão, e tudo dinheiro público; e uma corrupção “ruim”, que é a do PT, usada para se “eternizar” no poder. Além de burrice, é uma falácia, comprovada pelos fatos. O PT está no poder federal há 11 anos. O PSDB está no poder em São Paulo há mais de 20. Merdal deve achar que seu leitor é um asno e vai acreditar que o PSDB paulista roubou centenas de milhões em São Paulo, mas jamais fez esquema para se perpetuar no poder.

Aí ele insiste na história de que os mau feitos paulistas tem alcance “regional”. É mesmo um caurineiro, um naique, um litodonte, porque esquece, ou omite, que a corrupção do metrô em São Paulo teve início quando o PSDB ainda ocupava o Palácio do Planalto. E não só isso. Omite que FHC mudou as regras eleitorais para si mesmo; sem a dignidade de fazer ao menos um plebiscito e consultar o povo, patrocinou uma suja negociata palaciana para aprovar a emenda da reeleição. Onde você estava em 1997, Merdal? Estava tratando de alguma sequela da sua notória cacosmia?

Só para você lembrar:

Na definição do presidente do Supremo, Ayres Britto no julgamento do mensalão, “(…) sob a inspiração patrimonialista, um projeto de poder foi feito, não um projeto de governo, que é exposto em praça pública, mas um projeto de poder que vai além de um quadriênio quadruplicado. É um projeto que também é golpe no conteúdo da democracia, o republicanismo, que postula a renovação dos quadros de dirigentes e equiparação das armas com que se disputa a preferência dos votos”.

Segundo outro ministro do STF, o decano Celso de Mello, “há políticos, governantes e legisladores que corrompem o poder do Estado, exercendo sobre ele ação moralmente deletéria, juridicamente criminosa e politicamente dissolvente”.

E quem é Ayres Britto, senão aquele que escreveu o prefácio do seu livro? Um poetastro cacóstomo, cujos discursos no julgamento do mensalão quase nos provocaram crises de otorréia! Quanto a Celso de Mello, é um reacionário empedernido e obtuso, fingindo cantar de galo num terreiro onde não passa de uma galinha.

A palhaçada deste julgamento foi justamente essa: discursos palavrosos e vazios, cheios de adjetivos fáceis, clichês midiáticos e uma carga de preconceito antipolítica que demoraremos anos para extirpar da nossa consciência coletiva. A propósito, o que uma coisa tem a ver com a outra? Merdal não tem noção do ridículo? O que o roubo do PSDB paulista tem a ver com a farsa inventada pela Procuradoria e chancelada por Joaquim Barbosa, presidente da Assas JB Corporation e dono de um aconchegante apê em Miami?

Não há nada, no entanto, até agora, que aponte para um esquema dessa envergadura, pelo menos na parte da documentação do processo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) a que tive acesso. Há, aliás, indicações claras de que o acordo de leniência entre a Siemens e o CADE se destinava a investigar as ações daquela empresa na formação de cartel “no Brasil” todo.

Claro, Merdal! Que petulância a nossa, e do CADE, e da Folha, e do Estadão, de desviar o foco do único, autêntico e absoluto problema da sociedade brasileira: o mensalão! Os homens de bem, que pregam a virtude e a ética, não podem se afastar um milímetro da luta contra o verdadeiro mal, que é o mensalão. Falar de qualquer outra coisa é dar ouvidos ao capeta. O PSDB pode continuar roubando à vontade em São Paulo, isso é de somenos importância. O importante é prender Genoíno, que não tem um centavo no bolso. Aí sim o Brasil terá mudado!

Não há explicações para o fato de a investigação estar limitada a São Paulo e Distrito Federal, quando os diretores da Siemens citam contratos de trem e metrô em sete estados. Em cinco deles a empresa responsável é a estatal federal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). São citados contratos da CBTU que foram vítimas do cartel em Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Calma, santa! Há explicação sim. Os executivos prestaram depoimentos que incriminam principalmente as autoridades desses dois estados. Querer tirar o foco é uma estratégia malandra para não pegar ninguém. Depois que prendermos os corruptos de São Paulo, podemos ir atrás de outros, em todo o Brasil. Só em São Paulo, prezado Merdal, são 45 inquéritos simultâneos! Ou agora você, além de se pretender o décimo segundo ministro do STF, também quer dar ordens ao Ministério Público? Mas eu vou rir um bocado se o MP iniciar investigação a nível federal e descobrir mais papagaios da era FHC… Aliás, tem um livro aí na praça que é um sucesso, chama-se Privataria Tucana.

O PSDB considera que, ao escolher dois estados governados por partidos de oposição (PSDB em São Paulo e DEM no Distrito Federal na época) para investigar, o CADE assumiu um viés político. Outro fato importante é que pessoas que tiveram acesso às mais de 1.500 páginas do inquérito garantem que os documentos, depoimentos e trocas de e-mails de executivos da Siemens em poder do CADE não citam uma única vez o PSDB e o governador Geraldo Alckmin.

Claro, né. O ladrão jamais estará satisfeito com o trabalho da polícia. Me admira muito que Merdal não saiba disso. Quanto a citação de nomes, sugiro que Merdal passe a vista na Folha de hoje. Há uma citação totalmente comprometedora de José Serra, embora a gente saiba que Merdal dará um jeito amanhã de tentar livrar a cara do vampiro.

Os delatores premiados da empresa também não citam nominalmente em nenhum momento os funcionários públicos da CPTM ou do Metrô como praticantes de atos ilícitos como recebimento de propinas e comissões em licitações públicas. Como o CADE cuida apenas da parte referente à tentativa de neutralizar a competição nas licitações públicas, outras investigações do Ministério Público e da Polícia Federal revelarão mais detalhes da formação do cartel, que a Siemens praticou em mais de uma centena de países.

Esqueceu de tomar seus remedinhos, Merdal? Repito, leia a Folha de hoje. Aliás, leia novamente os jornais dos últimos dias. Em todas as notícias, se diz exatamente o contrário, que o Ministério Público já tem provas de envolvimento de servidores e políticos paulistas. Tanto que o Matarazzo e outros tucanos já foram indiciados pela Polícia Federal. Fale a verdade, seu cafangoso!

Glossário:

cafumango: Indivíduo sem importância; vagabundo.
labrosta: rústico, ignorante.
burdo: grosseiro, de má qualidade.
biltre: homem desprezível, vil, tratante.
chibéu: porco fraco.
chibante: valentão, brigão.
caurineiro: caloteiro, velhaco.
naique: empregado inferior.
litodonte: gênero de molusco.
peteiro: contador de petas, lorotas; mentiroso.
cacosmia: perversão do olfato, que faz o doente apreciar cheiros repugnantes.
poetastro: poeta medíocre que se dá ares de importância.
otorréia: hemorragia nos ouvidos.
cacóstomo: que tem hálito fétido.
cafangoso: quem finge desdém por aquilo que deseja.

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Mídia tenta abafar protestos contra a Globo https://www.ocafezinho.com/2013/07/12/midia-tenta-abafar-protestos-contra-a-globo/ https://www.ocafezinho.com/2013/07/12/midia-tenta-abafar-protestos-contra-a-globo/#respond Fri, 12 Jul 2013 13:13:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=12273 Era previsível que a grande mídia procurasse, de todas as formas, diminuir as manifestações organizadas pelas centrais sindicais. Mas fizeram pior: houve um esforço deliberado para denegri-las.

Não é de hoje que a mídia brasileira se assume como um partido político fundamentalmente antisindical e antitrabalhista.

O rancor da mídia contra sindicatos e centrais sindicais é fácil de entender. Com todos os seus problemas, eles são a expressão da classe trabalhadora organizada e constituem o único meio pelo qual os mais pobres podem ascender a posições políticas importantes.

Nenhum pobre jamais ganhará uma eleição sem apoio sindical. O núcleo duro de todos os partidos de esquerda é formado por sindicatos, centrais e movimentos sociais organizados.

Nota-se ainda um esforço, maquiavelicamente calculado, para criar uma polarização entre as manifestações de junho e as de ontem, 11 de julho. As comparações numéricas foram sempre no sentido de aumentar as primeiras e diminuir as últimas.

As manifestações de junho, de fato, foram monstruosas. Mas as de ontem ocuparam toda a Avenida Rio Branco. Nâo fosse o ataque covarde dos fascistas de preto aos manifestantes, cresceria ainda mais.

A mídia gosta de mencionar uma suposta realidade fantástica que o governo vende à população. Acontece que o governo não tem mídia. Quem vende uma realidade parela à população é a nossa TV. Quem vende um mundinho encantado aos jovens é a TV. Não é o governo. Ao governo interessa, obviamente, fomentar o otimismo, visto que este é a mola do empreendedorismo, e incentiva o consumo, para acelerar as vendas e o crescimento econômico. Mas é a mídia que produz uma imagem bipolar: por um lado, vende aos cidadãos uma fascinante fantasia de felicidade e consumismo; de outro, faz uma campanha sistemática contra o país, pintando-o sempre negativamente.

Há um estudo recente – este é um assunto do qual falaremos em breve – mostrando que a corrupção na sociedade, na esfera privada, é bem superior à da esfera pública. A corrupção individual, de médicos que faltam ao trabalho, empresários que sonegam, jornalistas que traficam informação, executivos que maquiam relatórios financeiros, é igual ou maior do que a de políticos. Temos ainda a corrupção na burocracia, no Judiciário e no Ministério Público.

Os cidadãos que protestam contra a corrupção deveriam sair às ruas com chicotes, flagelando-se a si mesmos, e gritando: Abaixo eu! Abaixo eu!

De qualquer forma, é apavorante constatar o poder da mídia de fazer prevalecer sua hegemonia na interpretação dos fatos sociais. Os jornais e a televisão esconderam acintosamente que a defesa pela democratização da mídia é uma demanda que constava nas grandes manifestações de junho, e que foram centrais nas desta quinta-feira.

A deficiência da representação política está ligada diretamente à questão da mídia. Congresso, Presidência da República, Ministério Público, STF, apenas são atingidos pelas demandas destacadas pela mídia. Isso é um erro. Talvez o principal erro da democracia brasileira. As instituições estão subestimando o que é a principal lacuna da nossa democracia. A mídia deve ser democratizada para que as demandas dos diferentes setores possam fluir de baixo para cima no corpo social.

Ontem, aconteceu uma grande manifestação diante da Globo. Saiu apenas uma notícia de segundos no SP-TV, e mais nada. Não há editoriais.

Merval Pereira, em sua coluna de hoje, menciona o tema de forma absolutamente cínica e mentirosa:

Pedir uma vaga democratização da mídia , por exemplo, é simplesmente tentar levar para as ruas a reivindicação de pequenos grupos de pressão, apoiados por blogs e revistas chapas-brancas, como se fosse uma aspiração da nacionalidade.

Como não é uma manifestação da nacionalidade? Como assim: “pequenos grupos de pressão”? A democratização da mídia era uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e centrais que ontem saíram às ruas. Não só ontem. Nas manifestações de junho, foi uma das demandas mais importantes, embora expressa de maneira genérica, em cantorias, cartazes e faixas contra a Globo.

Mas os ministros do STF, o procurador-geral, e os clipeiros do Congresso e da Presidência, preferem ler Merval Pereira do que ouvir a voz das ruas.

Que imprensa é essa, que vem abafando um dos maiores escândalos fiscais do século? Porque nenhum jornal aborda o “mensalão” da Globo, e seus desdobramentos holliwoodianos? Porque nem a Agência Brasil parece ter coragem de mencionar o tema? Eu fui entrevistado pela Rádio Nacional argentina, principal rádio pública daquele país, para falar da sonegação da Globo. Todos os sites, blogs e jornais alternativos no Brasil têm abordado o caso. Porque a Agência Brasil e a TV Brasil não entram no assunto? Por que o sistema público de comunicação sempre fica a reboque da grande mídia?

Tudo bem, a gente está na luta para isso mesmo. Confira o vídeo abaixo, com cenas da manifestação realizada em frente à Globo. Veja se isso é coisa de “pequenos grupos de pressão”…

Nada disso. O que vimos ontem, em frente à Globo, foi uma das maiores manifestações da história brasileira contra uma emissora de TV que apoiou a ditadura e se consolidou financeiramente durante o regime militar, com dinheiro dos Estados Unidos. E que até hoje se caracteriza pelo mais abjeto golpismo.  Uma manifestação criativa, jovem, e de massa. E apoiada por milhões de brasileiros em todo país.

Quem sabe o gigante não esteja, de fato, acordando? Num primeiro momento, ele se espreguiçou, e espalhou os braços, confusamente, quebrando tudo ao redor. Aos poucos, porém, começa a lembrar onde está, o que fez no dia anterior, e seus pensamentos clareiam-se.

Agora sim, a coisa está ficando boa.

PS: A Folha fez uma menção na capa, tão escondido que demorei muito tempo para descobrir. Mas foi pior que abafar. Distorceu negativamente. A menção vem numa nota em que se fala dos vândalos de preto no Rio. E diz que a manifestação foi de “400 black bocs”, quando na verdade foram duas mil pessoas e com participação de vários movimentos sociais.

Na edição nacional, veio sem foto. Na edição de São Paulo, teve uma foto de um grupo de mascarados segurando paus. Muito pior que abafar!

 

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Colunistas meio doidos https://www.ocafezinho.com/2013/03/21/colunistas-meio-doidos/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/21/colunistas-meio-doidos/#comments Thu, 21 Mar 2013 17:46:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10213 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

(Link da Foto)

Parece que somente hoje os colunistas políticos tomaram coragem para comentar a pesquisa de aprovação da presidente e do governo feitas pelo CNI/Ibope. Uma ficha, em especial, demorou a cair por causa de seu tamanho. A aprovação de Dilma cresceu sobretudo no Nordeste, dificultando bastante os movimentos de Eduardo Campos.

O Estadão publicou hoje um editorial meio desalentado, em que parece jogar a toalha e dar a eleição de 2014 por praticamente perdida. No mesmo jornal, Dora Kramer assina coluna cujo título já diz sobre seu estado de espírito: “Falta de ar”.
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Sim, porque o crescimento da aprovação de Dilma, que passou de 78% para 79%, o seu recorde, bem acima inclusive do que tinha no início de seu mandato, somado às ridículas brigas internas em que se vê o PSDB, reduz um bocado as chances da oposição em 2014.

Chamo os conflitos domésticos tucanos de ridículos porque é uma lavagem curiosa de roupa suja, terceirizada à imprensa. Os tucanos privatizaram até seus debates internos. Outros partidos também brigam via imprensa, mas só o PSDB o faz exclusivamente pela imprensa.

Hoje, por exemplo, Serra plantou a seguinte notinha na coluna do Ilimar Franco, do Globo:

Serra não se considera fora do jogo: O ex-governador tucano José Serra (SP) mandou um recado ontem, de que não desistiu da concorrer ao Planalto. No Twitter, baseado em crítica distribuída, no dia anterior, pelo Instituto Teotônio Vilela, atacou o governo Dilma: “Cadê as 6 mil casas prometidas para Petrópolis em 2011? Apenas 4 obras de contenção foram entregues. Há recursos que ainda estão retidos ”.

Os tucanos fazem uma guerra de notinhas plantadas. De forma geral, porém, todas visam abater-se uns aos outros. Ainda hoje, vejam essa:

À procura de uma porta de saída: O prefeito Arthur Virgilio anunciou que deixará o PSDB se o partido votar a favor da unificação do ICMs. A lei prejudicaria a Zona Franca de Manaus. Ele já recebeu convite do governador Eduardo Campos para se transferir para o PSB.

Ontem, ainda no Ilimar Franco, havia a seguinte nota, que comprova a minha teoria de que os tucanos fazem política apenas pela imprensa:

Carência afetiva: O ex-líder do PSDB no Senado Álvaro Dias (PR) e o deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP) falavam ontem, sobre o PSDB, numa roda num restaurante de Brasília. “Eu não estou sabendo de nada! Nem de candidatura a presidente da República nem a presidente do partido”, disse Álvaro. “Eu também não! De vez em quando a gente sabe alguma coisa pela imprensa”, emendou Trípoli. “Acho que é porque o pessoal sempre decidiu tudo petit comité”, retrucou Álvaro. O ex-líder do PSDB na Câmara Bruno Araújo (PE) chega na roda e arremata: “Estou como um católico, na praça do Vaticano, esperando sair a fumaça branca”. Gargalhadas.

Ainda hoje, Eliane Cantanhede e Merval Pereira escreveram sobre os desacordos tucanos. Cantanhede chega a mencionar uma possível chapa entre Campos e Serra, com o tucano ocupando o lugar de vice. É uma coisa sem pé nem cabeça, porque desfiguraria completamente a imagem de Eduardo Campos. A troco de quê um político promissor se aliaria ao político mais rejeitado no país, em especial na cidade de São Paulo?

Uma aliança com Serra corresponderia a uma guinada radical à direita, e o simples fato desse tipo de conjectura estar se disseminando tão facilmente, apenas rebaixa a credibilidade de Eduardo Campos.

Merval, por sua vez, está fazendo papel de doido, ao posar de mediador dos conflitos tucanos. Tudo que diz num dia, acontece ao contrário no outro. A explicação para sua desagregação psíquica, ele mesmo a dá, na abertura de sua coluna hoje:

A pesquisa do Ibope/CNI foi uma ducha de água fria nos candidatos a opositores da reeleição da presidente Dilma Rousseff (…)

O texto traz uma quantidade inacreditável de expressões vagas, confusas. Confiram esse trecho, logo no início do texto:

Não parece provável que desista da candidatura mesmo diante da aparência de imbatível que a presidente Dilma ostenta nesses dias. Há quem acredite nos meios políticos – um deles é o governador Eduardo Campos, que torce por isso – que o senador Aécio Neves pode partir para tentar se eleger novamente governador de Minas se a presidente estiver muito bem nas pesquisas no início do ano, mas é difícil que isso aconteça.

A análise de Merval, em suma, é a seguinte: não parece provável, mas há quem acredite, embora seja difícil que aconteça.

Prova de que as coisas não andam bem na cabeça de Merval é a conclusão de seu texto. Devia estar com sono, então deixou escapar uma previsão otimista, em tom peremptório:

E a economia melhorará este ano, o suficiente para manter a sensação de bem-estar da população.

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A histeria mensaleira continua https://www.ocafezinho.com/2013/02/28/a-histeria-mensaleira-continua/ https://www.ocafezinho.com/2013/02/28/a-histeria-mensaleira-continua/#comments Thu, 28 Feb 2013 20:27:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9902 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Às vezes eu me pergunto por quanto anos a mídia vai praticar essa perseguição seletiva aos “mensaleiros”. Mesmo aceitando as teses do STF, Globo e Merval Pereira, mesmo assim é sempre sinistro assistir os nossos Citizen Kane tupiniquins exercerem a sua fúria. Ontem o Globo publicou, numa página inteira, uma reportagem sobre o fato de João Paulo Cunha ingressar numa faculdade no Distrito Federal.

No site, a vulgaridade perde as estribeiras, ao trazer, no “chapéu” da foto, a inscrição, “Calouro Mensaleiro”.

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Qual o interesse em informar que João Paulo Cunha iniciou um curso de Direito? Aí a gente vê, na sequência: uma foto de FHC em pose “combativa”; o calouro mensaleiro; e o campeão máximo da mídia, Merval Pereira, autografando seu livro em lançamento ocorrido anteontem.

Hoje, no Globo, uma página inteira sobre o lançamento do livro de Merval, cujo significado político ficou evidenciado pela presença de José Serra.

 

A impressão evidente é que, na falta de escândalos, e com a economia se recuperando, o Globo parece perdido. O que mais falta fazer? Acompanhar o dia a dia de cada réu da Ação Penal 470 apenas para repetir, na matéria, várias vezes, a palavra “mensaleiro”?  O mensaleiro foi fazer compras, o mensaleiro comprou uma tv, o mensaleiro se inscreveu numa faculdade.

Para mim, a razão dessa estratégia é uma demonstração de força. Me lembra o Al Capone, no filme Os Intocáveis, que arrebenta a cabeça de um de seus associados com um bastão de basebol, na frente de todos seus parceiros. Não bastava matar, ele tinha que fazê-lo da maneira mais humilhante possível.

Em termos linguísticos, poder-se-ia dizer que a matéria sobre Cunha é assustadoramente vazia de significantes, mas cheia de significados.

Repare nesse trecho:

A mensalidade para os alunos de Direito do primeiro semestre – caso do petista – é de R$ 1.500, mas há um desconto de 20% para quem pagar até o dia 10. A partir do segundo semestre, o desconto cai para 10%. O curso dura cinco anos, com aulas de segunda a sexta-feira, de 8h às 11h40m. Ele escolheu esse turno para conciliar com as votações na Câmara, que ocorrem à noite. João Paulo foi condenado à prisão em regime fechado, mas aguarda em liberdade a fase de recursos do julgamento.

Bom, sem comentários.

No site da Folha, há anos se mantém uma aba chamada Mensalão, alçado à condição de uma “categoria”, a mesma de Poder e Eleições. Como se fosse uma editoria própria. E deve ser mesmo, ou antes uma editoria da qual todos os jornalistas do grupo participam e para a qual colaboram.

Se estivéssemos em 54, essa categoria se chamaria “Mar de Lama”, se em 64, algo como “república sindicalista” ou “O perigo vermelho”.

Vou lhes contar uma coisa. Estive em Nova York recentemente. Na volta, passei por Washington, onde tive que aguardar algumas horas a conexão. Comprei o Washington Post, conhecido por ser um jornal à direita do New York Times e geralmente mais ligado ao partido Republicano.

No jornal, li uma matéria abordando uma recente pesquisa realizada nos EUA sobre a opinião da sociedade sobre o aborto, que por lá foi legalizado após uma decisão da Suprema Corte na década de 60. Alguns estados tem leis específicas contra o aborto, mas na maior parte dos estados ele é legalizado. Achei interessante que um jornal ligado a um partido que tem alas ferozmente antiaborto tivesse publicado uma matéria tão isenta.

O que me surpreendeu mais, porém, foi uma matéria sobre uma questão sindical. O texto abordava a recuperação do emprego industrial em algumas regiões, após anos de demissões em massa. Acontece que os novos contratados, invarialmente, não são sindicalizados, de maneira que a indústria conseguiu, nessa brincadeira, aplicar um duro golpe no sindicalismo norte-americano. Alguns governadores conseguiram passar leis em seus estados impondo várias restrições à abertura e funcionamento de sindicatos, ou seja, na prática, transferindo-os para a ilegalidade.  Minha surpresa foi o tom de isenção da matéria. Mas não. Ela não era realmente isenta. Acontece que, comparada à agressividade da imprensa brasileira, até o Washinton Post fica parecendo progressista.

Lembro-me que tive essa mesma impressão com o Le Figaro, o principal jornal da França, ligado à direita (à esquerda, há o Le Monde). Se um francês não te falar que o Le Figaro é da “le droit”, você vai achar que está lendo um jornal “gauche”. Só quando chegam as eleições, é que as diferenças ficam mais marcantes. O Le Figaro apoia sempre a direita, abertamente, e avaliza um discurso conservador, sobre imigração, economia, etc. Mas não há jamais o tom de agressão raivosa como vemos no Brasil.

*

Esses dois gráficos, publicados num post do Nassif, me impressionaram bastante. A impressão é maior quando você olha os dois ao mesmo tempo. O que eles significam? O que significa manter estagnados gastos sociais per capita e aumentar exponencialmente a dívida do setor público num momento em que os nossos juros atingiam um recorde mundial? Não seria isso uma transferência brutal de renda dos mais pobres para os mais ricos?

 

 

*

A coisa, porém, é pior do que parece. O blogueiro Eduardo Guimarães, levantando a imprensa da era tucana, descobriu que únicos míseros programas de transferência de renda para as camadas mais pobres, feitos durante os governos FHC, sairam do papel somente às vésperas da eleição de 2002. Ou seja, durante sete anos, o governo tucano não fez absolutamente nada em prol dos mais pobres. E mais: quando FHC trocou a distribuição de cestas básicas para o programa Bolsa Renda Alimentação, que os tucanos acusam de ser o “pioneiro” do Bolsa Família, eles não tiveram a decência de fazerem uma transição humanista. Eles simplesmente cortaram bruscamente a distribuição de cestas básicas e iniciaram um novo cadastramento para distribuir o novo programa, que era acessível através do Cartão Cidadão. Milhares de famílias que vinham recebendo as cestas básicas tiveram essa ajuda descontinuada sem aviso prévio. Não é a tôa que FHC encerrou o mandato com péssimos índices de avaliação. Foi um governo mesquinho e insensível na relação com os mais pobres.

(Na capa, foto de Fabio Rossi, publicada no Globo de hoje.)
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Merval estrebucha https://www.ocafezinho.com/2013/01/11/merval-estrebucha/ https://www.ocafezinho.com/2013/01/11/merval-estrebucha/#comments Fri, 11 Jan 2013 16:08:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9217 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Com sua escadaria, Selarón criou uma metáfora eterna de beleza e redenção.

A oposição não anda com sorte mesmo. Os metereologistas prevêem chuvas intensas em boa parte do Brasil, em especial na faixa onde se encontram os grandes reservatórios nacionais. É tanta chuva que o INPE soltou até uma advertência às autoridades para ficarem de prontidão.

Após reunião com a presidente Dilma, os principais empresários do país declararam não apenas que não acreditam em racionamento de energia este ano, como estão otimistas e dispostos a investir pesado na economia. Só a Odebrecht deve investir R$ 17 bilhões em 2013. Pois é, Merval. Pelo jeito não é o Dirceu que está estrebuchando…

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A inflação de 2012 fechou em 5,84%, mantendo-se dentro da meta do governo, que varia de 2,5% a 6,5%, e representa uma queda em relação ao ano anterior, quando encerrou em 6,5%.

É uma excelente notícia, sobretudo quando associada ao declínio dos juros, porque põe por terra a tese de que somente juros altos poderiam manter a inflação sob controle. Em 2012, aconteceu o contrário. Os juros caíram fortemente, e a inflação terminou o ano mais baixa do que no ano anterior.

*

Hoje a Folha traz uma matéria com título bombástico:

Manobra para atingir superavit faz Tesouro perder R$ 4 bi

Entretanto, quando vamos ler o texto, descobrimos que…

Na operação, quem comprou as ações da Petrobras foi o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco adquiriu R$ 8,8 bilhões em papéis da companhia, em um artifício do governo para tentar atingir a meta do superavit primário (economia para pagar os juros da dívida) em 2012, que ficou em 3,1% do PIB, o equivalente a R$ 139 bilhões. Controlado pela União, o BNDES pode lucrar com a valorização dos papéis daqui para frente. Se isso ocorrer, poderá devolver pelo menos parte do dinheiro para o governo federal na forma de dividendos.

Ou seja, o título sensacionalista da matéria se esvazia ao ser confrontado pelo próprio conteúdo da mesma. O governo vendeu ações da Petrobrás para ele mesmo… Foi uma manobra, sim, mas dentro da lei, e sem prejuízo para a União. Faltou dizer que o BNDES não apenas irá devolver “parte do dinheiro” ao Tesouro. O BNDES tem, nos últimos anos, proporcionado grandes lucros à União, que é a acionista única do banco.

Vale dar uma espiada em alguns gráficos do BNDES:

Repare que os ativos totais do BNDES saltaram de R$ 150 bilhões em 2003 para R$ 651 bilhões em 2012, com destaque sobretudo para o período pós-2008.

 

Na tabela acima, observe que o BNDES obteve um lucro líquido de US$ 4,8 bilhões em 2011, um valor bem acima do registrado pelas principais instituições financeiras internacionais, como BID e Banco Mundial, cujos lucros líquidos nos últimos 12 meses ficaram em US$ 189 milhões e US$ 783 milhões, respectivamente. Registre-se ainda que o desembolso do BNDES em 2011 ficou em US$ 82,25 bilhões, contra US$ 2,0 bilhões do BID e US$ 19,7 bilhões do Banco Mundial.

Em outras palavras, o que a imprensa brasileira chama de “manobras contáveis” entre Tesouro e BNDES são, na verdade, operações financeiras legítimas entre dois órgãos de Estado, que tem resultado em grandes vantagens para a União e, portanto, para o contribuinte. O BNDES é, seguramente, a jóia da coroa do Estado brasileiro.

Para se ter uma ideia da importância do BNDES, confira essa notícia, publicada na primeira semana de janeiro no site da instituição, segundo a qual o banco aprovou financiamento de R$ 2,4 bilhões para a instalação de uma fábrica da Fiat na Bahia.

*

A coluna de hoje de Merval, atacando o ex-ministro, revela o estrago provocado pela entrevista de Roberto Gurgel à Folha, onde o procurador confessa não ter encontrado provas que incriminassem Dirceu.

Interessante observar, aliás, que o ex-ministro mantém uma agenda política intensa, conforme se conclui por esta notinha publicada hoje no Painel da Folha:

Petit comité O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ofereceu anteontem almoço ao ex-ministro José Dirceu. O encontro, que ocorreu na casa do peemedebista, foi reservado.

De fato, na medida que o tempo permite uma observação mais cuidadosa do julgamento do mensalão, evidencia-se a sua precariedade. Tanto é assim que, mesmo após a condenação, a mídia se vê obrigada a usar seus principais colunistas para defender o julgamento. Curiosamente, Dirceu e Genoíno saíram do julgamento maiores do que entraram, e não sou eu que o digo. Genoíno assumiu o mandato de deputado federal sob aplausos dos deputados, e defendido por uma parcela expressiva da intelectualidade. Da mesma forma, seria impensável, meses atrás, que Dirceu fosse homenageado pelo Presidente do Congresso Nacional, com um almoço.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, se olharmos com atenção, ouviremos o ruído das placas tectônicas da História se movendo, abrindo fissuras nas quais desaparecerão as mediocridades midiáticas de hoje.

*

Numa outra fronte, a mídia também não está tendo muito sucesso em sua tentativa de pintar os acontecimentos na Venezuela como um “golpe chavista”. Hoje o Globo estampa na primeira página o seguinte título:

E quem são os “juristas brasileiros” entrevistados pelo Globo que criticam o governo? Ora, o primeiro é Ives Gandra, 77,  jurista confessadamente reacionário, um dos mais destacados membros da Opus Dei no Brasil.  O mesmo que defendeu, encarniçadamente, os golpes em Honduras e no Paraguai. O mesmo que, nos últimos anos, tem sido um dos protagonistas do mais vil e covarde revisionismo do período ditadorial.  Segundo Gandra, havia mais “garantia aos cidadãos”, mais “honestidade” durante a ditadura do que hoje. Num mesmo artigo onde chancela o termo “ditabranda” para se referir aos anos de chumbo, o jurista, num tardio arroubo de bajulação aos militares, faz uma afirmação estapafúrdia:

Estou convencido, de que, hoje, o militar brasileiro – que tem perfeita noção de suas funções e profundo respeito às instituições democráticas, como pude tantas vezes constatar, como professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército – tem mais noção dos problemas do País e de suas soluções que a maioria dos demais cidadãos.

Esses são os intelectuais que sempre chancelarão os golpes, no passado, no presente e no futuro.  O Globo, por exemplo, publicou hoje o seu milésimo editorial antichavista. Considerando que o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, a OEA, o governo brasileiro, e até mesmo o principal nome da oposição da Venezuela, Henrique Capriles, chancelaram a decisão do governo daquele país de adiar por tempo indeterminado a posse de Chávez, com passagem de poder para seu vice, Nicolás Maduro, o posicionamento do Globo não pode ser classificado senão como radicalismo conservador e antidemocrático.

A comparação com o golpe no Paraguai é ridícula, e mostra mais uma vez o descomprometimento de nossos barões da mídia com os ideais democráticos. Sempre que há um movimento no sentido de derrubar presidentes eleitos, a mídia apóia. Sempre que o movimento é de apoio aos presidentes eleitos, a mídia é contra. Ela sempre está contra o povo. É previsível.

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Os urubus de janeiro https://www.ocafezinho.com/2013/01/04/os-urubus-de-janeiro/ https://www.ocafezinho.com/2013/01/04/os-urubus-de-janeiro/#comments Fri, 04 Jan 2013 15:56:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9162 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

(Pintura de James Ensor)

Catei as seguintes notas nos jornalões de hoje:

(Panorama Político, Globo de hoje)

 

(Coluna de Ancelmo Gois, idem)

Ainda dentro do escopo deste blog, cumpre algumas palavrinhas sobre as colunas de Merval Pereira (que voltou de férias), Eliane CantanhedeNelson Motta e Noblat.

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Falemos, em primeiro lugar, da nota sobre Marina Silva. É uma nota esclarecedora sobre a posição política ocupada hoje pela ex-senadora. Ela representa um bagunçado centro para onde convergem interesses contraditórios, mas unificado pela postura radicalmente antipetista. Só isso explica a simpatia do DEM por Marina, cuja coluna na Folha foi atualizada hoje. O artigo de Marina revela que ela já está afinando seu discurso para 2014: vai continuar apostando numa terceira via. Sua candidatura será essencial para dividir o voto petista nas próximas eleições presidenciais. Seu desempenho, porém, deverá ser prejudicado pelo sucesso, até agora, da presidente Dilma de conquistar as simpatias da classe média.

A outra nota, de Gois, ao mencionar Joaquim Barbosa como “presidenciável”, embora nenhum partido, e nem mesmo o próprio, tenham jamais citado o atual presidente do STF como possível candidato, também revela a ansiedade de alguns setores da oposição. O mais irônico, todavia, é que possivelmente as candidaturas de Marina e Joaquim Barbosa dividiriam antes a oposição do que o voto no governo.

Tratar um presidente do STF, que tem obrigação constitucional de servir à harmonia entre os poderes, como um candidato de oposição, é, no mínimo, bastante questionável do ponto-de-vista republicano.

*

A coluna de Merval também merece alguns comentários. Vamos nos ater, porém, apenas a esta afirmação:

Tivemos durante os quatro meses e 15 dias em que durou o julgamento do mensalão aulas frequentes de democracia, e nada mais adequado que ele terminasse com mais esse debate sobre direitos e deveres dos poderes constituídos, deixando bem claro o papel de peso e contrapeso que cada um deles tem para o equilíbrio das instituições.

Pois bem, durante 4 meses, o STF prestou um grande desserviço ao país. As impropriedades, equívocos e absurdos que foram ditas sobre o processo democrático são exatamente o que Merval chama de “aulas frequentes de democracia”.

O STF não deu nenhuma aula de democracia. Ao contrário, ameaçou-a e continua fazendo, ao afrontar a Constituição em seu afã de cassar o mandato de um político eleito pelo voto popular.

*

A coluna de Cantanhede merece apenas algumas risadas. Ela agiu como um autêntico urubu. Reproduzo apenas o final:

Mas esse não é o único indicador relevante [o desemprego baixo] e, no contexto de redução de investimentos, da balança comercial e do fluxo cambial, também pode não se manter sólido como uma rocha. E as chuvas e deslizamentos nossos de cada ano estão só começando.

Cacildes! Vai ser agourenta assim no raio que o parta!

*

A coluna de Nelson Motta, por seu lado, revela que ele vem se sentindo cada vez mais incomodado consigo mesmo, em seu papel de porta-voz do conservadorismo mais tacanho.  E reage de maneira cada vez mais agressiva.

*

O texto de Noblat, por sua vez, tenta captar o pensamento do homem comum, leitor de grandes jornais. Seria ingenuidade achar que ele não é lido ou, se é lido, não lhe prestam atenção. Uma análise política do caso Genoíno, de fato, traz um debate difícil de ser feito. De maneira geral, Noblat fatura em cima da farsa montada no STF, que, para julgar alguns crimes verdadeiros, inventou crimes de fantasia.

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Ayres Britto assina prefácio no livro de Merval https://www.ocafezinho.com/2012/11/29/ayres-britto-assina-prefacio-no-livro-de-merval/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/29/ayres-britto-assina-prefacio-no-livro-de-merval/#comments Thu, 29 Nov 2012 20:44:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8788 Notinha de hoje na coluna de Ancelmo Gois:

 

 

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O insustentável golpismo da mídia https://www.ocafezinho.com/2012/11/17/sobre-guerras-juizes/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/17/sobre-guerras-juizes/#comments Sat, 17 Nov 2012 23:18:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8623

Às vezes me sinto preso num mundinho fantástico onde todos os dias acontece a mesma coisa. Eu acordo, leio as mesmas notícias, os mesmos editoriais, deparo-me com as mesmas artimanhas chinfrins. É um troço enlouquecedor. Foi assim que me senti ontem, quando me deparei com esses ataques do Globo, na capa e na terceira página:

E que continuaram hoje, sábado, na coluna de Merval:

 

Eu nem dou tanta bola pro Toffoli, que considero um covarde por condenar Genoíno sem provas, num esforço inútil, como se viu, para se livrar das mordidas midiáticas. Mas é realmente incrível o cinismo desse povo. Nesse julgamento, o que mais houve foram duas medidas. O mesmo STF que permitiu o desmembramento do julgamento do mensalão tucano não fez a mesma coisa para o mensalão petista. O mesmo Ministério Público que não citou os deputados e outras autoridades (incluindo aí o Gilmar Mendes) que receberam dinheiro do valerioduto tucano, fez exatamente o oposto para o valerioduto petista. O mesmo Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello que andaram soltando bandidos do calibre de Daniel Dantas e Roger Abdelmassih, com base em preciosismos jurídicos, condenaram alegremente os “mensaleiros”, pondo de lado seus próprios históricos de “garantistas”.

O que mais se viu nesse julgamento são dois pesos e duas medidas, mas o Globo direciona toda a sua verve golpista apenas para um dos ministros do STF, o jovem e confuso Toffoli. Esperemos que Toffoli aprenda, ao menos, com essas surras que tem levado na mídia, que esta não admite meia-obediência. Ou obedece caninamente, ou nada. E mesmo quem obedece, só é respeitado enquanto obedece. No primeiro momento em que errar o pinico, vira alvo de novo, como aliás sabemos, já de antemão, que acontecerá com Joaquim Barbosa.

Todo dia ela faz tudo sempre igual. Hoje, uma terceira página completamente dedicada a uma diatribe antipetista.

O PHA já escreveu sobre o tema, usando os argumentos (que são óbvios) que eu também usaria. O que reforça ainda mais a sensação opressora de viver diariamente a mesma coisa. É muita cara de pau. Maluf foi aliado de FHC, foi acusado e condenado por vários crimes, e nunca se cogitaria em fazer uma manchete dizendo: “aliado lavou tantos milhões”.

Enfim, essas repetições, com perdão do termo, enchem o saco. Mas quem mandou ser analista de mídia, né?

Pensando bem, o Globo tem pleno direito e liberdade de fazer isso. O que é errado não é isso, e sim o poderio descomunal que uma mesma família acumula em virtude de possuir um conglomerado de mídia: tv, rádio, portal, jornal, revistas, editora, produtora de filmes, etc. E ainda recebe centenas de milhões de reais de propaganda institucional do mesmo governo que detona sistematicamente.

Sobre a verba institucional, também se entende que a grande mídia receba tanto dinheiro via publicidade oficial, visto que ela possui a maior circulação. É um sistema lógico, mas com a mesma lógica que existia no absolutismo francês e no totalitarismo soviético. É antidemocrático, porque incentiva a concentração da mídia. Ou seja, o Estado brasileiro, além de não ter leis específicas para combater a concentração e os abusos da mídia, ainda colabora para piorar o cenário.

*

O artigo em destaque de hoje é de Mauro Santayana, sobre o julgamento da Ação Penal 470, no qual o jornalista lembra que, desde a revolução francesa, os julgamentos políticos devem se dar no parlamento, e não nos tribunais. A oposição e a mídia conservadora estão achando que obtiveram uma grande vitória política, por terem conseguido seu objetivo: pressionar os minstros do STF a condenarem os réus mesmo sem provas. O que fizeram, porém, representou mais uma retumbante vitória de Pirro, que significará uma derrota acachapante mais tarde, porque tiveram que se lambuzar, e lambuzar o STF, com esse golpismo sujo e malandro que parece estar virando outra sinistra tendência latino-americana: o golpe branco, aplicado pelo judiciário, cujos membros, em geral, pertencem a setores conservadores dos estratos economicamente dominantes.

*

Entretanto, o mesmo sentimento de cansaço que sinto ao me deparar, diariamente, com a mesma ladainha e as mesmas distorções, corresponde ao poder de persuasão da grande mídia. Ela martela uma coisa até a gente desistir de pensar criticamente, por cansaço, por comodidade, e até mesmo por segurança: ninguém quer perder um emprego por causa de José Dirceu, por exemplo. Chomsky falava desse poder enorme da mídia de produzir consensos, mesmo que frágeis. O Globo noticia uma coisa, o Financial Times repercute, e o Globo no dia seguinte reproduz a notícia do Financial Times como se fosse uma chancela. Daí publicam-se apenas as cartinhas que dão apoio à linha do jornal. É assustador.

*

O único anteparo da sociedade à essa tendência totalitária da mídia corporativa é a democracia. Por isso mesmo é tão irônico que uma empresa como o Globo, que se consolidou à sombra do totalitarismo, e que se notabiliza pela falta de pluralismo político em seus espaços e que exerce um controle ideológico violentíssimo sobre seus empregados (Zé de Abreu é uma exceção,  porque é artista, e um artista consagrado), chame o PT, uma legenda nascida da luta contra a ditadura, e que floresceu, e vem se tornando mais forte ao sol da democracia – que chame enfim o PT de autoritário.  O PT pode ter todos os problemas do mundo, inclusive tem pecado de vez em quando no que tange ao processo de democracia interna, mas mesmo nesse quesito é bem superior a outros partidos, e sua ascensão acontece em virtude da preferência democrática do eleitor. Nesse ponto, identifica-se o lado bom do julgamento do mensalão, da maneira que se deu, realizado simultaneamente ao processo eleitoral. Ficou bem claro, para todos, que a força do PT e de outras legendas sem muito espaço na grande mídia, tem de vir das urnas, as quais estão mais vacinadas contra a mídia do que em outros tempos.

*

O PT entendeu bem o recado, e o documento que soltou, atacando a politização do STF, foi bem enfático, atraindo, naturalmente, a fúria da mídia neocon.

O erro do Globo é achar que apenas “militantes radicais” criticam o STF. Não é bem assim. Milhares de cidadãos, e não apenas militantes, enxergaram no julgamento da Ação Penal 470 uma série de exageros, distorções, algumas delas bastante nocivas ao Estado Democrático de Direito. E as declarações de Claus Roxin, formulador da versão moderna da teoria do “domínio de fato”, de que a teoria não vale sem provas desmoralizaram completamente o STF e seus áulicos na mídia. A oposição pode até ter vencido a guerra no STF, mas também sofreu derrotas políticas. A batalha ideológica e intelectual por trás do julgamento do mensalão ainda está acontecendo, e não creio que a mídia esteja ganhando. Ao contrário, o que temos visto é, do lado dos críticos ao STF, uma massa crescente de inteligência, produzindo comentários, análises e arrazoados, de uma qualidade muito superior ao que vemos entre os hidrófobos que se manifestam na mídia.

Claro, não digo que há inteligência apenas de um lado. Até porque há sempre muita gente boa que cai na conversinha da mídia.  Ninguém lê o Globo impunemente. Não há arma mais letal do que um sofismo capcioso, persistente, repetido, com ajuda de infográficos, charges, fotos, vídeos, reforçado por reportagens de rádio e TV. Ainda mais considerando-se que a mídia, espertamente, nem sempre procura atacar seus adversários apenas pelo aspecto ideológico, pois isso requereria argumentações polêmicas. O discurso moral é o melhor, por causa da sua universalidade. Não atacam o PT por ele ser um partido identificado com políticas públicas voltadas ao setor mais pobre. Atacam com um discurso ético. Só não conseguem ser mais efetivos porque a oposição no Brasil, sempre que se disponibiliza alguma informação imparcial sobre corrupção no país, impreterivelmente lidera o ranking. Nas últimas eleições, por exemplo, soubemos que o PSDB foi a legenda com mais integrantes barrados pela Ficha Limpa. São os políticos tucanos também que atuam mais violentamente contra qualquer crítica: Beto Richa, Serra, Aécio, Marconi Perillo perseguem implacavelmente qualquer jornalista ou blogueiro que ouse uma crítica mais contundente ou sistemática. Mas o PT é que é autoritário e contra a liberdade de imprensa…

Enfim, temos ao menos um avanço. A direção do PT parece ter aceitado, embora tardiamente, que a mídia conservadora é, de fato, o principal partido de oposição. Este é um problema mundial, aliás, porque a doutrina democrática jamais teve tempo de se ajustar à emergência desse novo Leviatã, que é o quarto poder, a imprensa. É um poder essencial à democracia. É essencial, igualmente, que seja um poder independente dos outros poderes, sobretudo do governo. Mas não pode ser independente da democracia em si, ou seja, a imprensa também deve estar sujeita à lógica democrática, submetendo-se a soberania popular e à Constituição. A Carta Magna prevê o direito de cada um à dignidade, e por isso a imprensa deve se submeter ao cuidado para não violentar a dignidade de nenhum cidadão, seja ele um mendigo, seja um herói da luta contra a ditadura.

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As chantagens da mídia https://www.ocafezinho.com/2012/11/07/as-chantagens-da-midia/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/07/as-chantagens-da-midia/#comments Wed, 07 Nov 2012 14:32:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8552

Van Gogh pintando, por Paul Gauguin

Há várias maneiras de se chantagear uma pessoa, e talvez a mais eficiente seja através de sua vaidade. Não agredindo, mas afagando. Nesse julgamento do mensalão, tem sido incrível a volúpia com que a mídia tem acariciado o ego do relator Joaquim Barbosa. Hoje, por exemplo, Merval abre sua coluna com um louvaminha descarado de Barbosa, seguido por uma distorção mau caráter do que aconteceu à Lewandowski. O platinado diz que Lew “foi perseguido por populares” quando foi votar em São Paulo. O leitor imaginará o tranquilo juiz do STF sendo caçado nas ruas. Não foi assim. Uma senhora, certamente leitora de Merval, disse uma impropriedade, e depois um mesário, após o ministro votar, mencionou o nome de José Dirceu. O problema de Lewandoswki (e talvez também sua qualidade) é que ele, como todo progressista, é muito bonzinho. Fosse Gilmar Mendes, dava uma ordem de prisão imediata ao rapaz, por fazer propaganda política dentro do recinto eleitoral. Merval não conta, porém, que o rapaz conseguiu o endereço do ministro e foi até lá, pessoalmente, entregar uma carta pedindo desculpas a Lewandoswki e se dizendo “manipulado” por jornalistas.

Abaixo, trecho da coluna de Merval:

O STF e a sociedade

Por Merval Pereira
Em 7.11.2012 11h21m

Os relatos são de que o relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Joaquim Barbosa continua recebendo manifestações de carinho por onde anda, e ele mesmo tem uma explicação para o fenômeno de popularidade em que se transformou: “Esse julgamento trouxe o tribunal para dentro das famílias e o resto do que vem acontecendo no plano pessoal é consequência disso. Há muito carinho por parte das pessoas”, comentou ontem, depois de alguns dias na Alemanha para tratamento de saúde que parece ter dado certo.

Sobre sua popularidade pessoal – é o maior vendedor de máscaras de Carnaval, o que demonstra que caiu no gosto do povo – disse apenas: “Sou simplesmente um cidadão que cumpre seus deveres e obrigações, nada além disso”. Barbosa estava de bom humor em Aracaju, onde participou do 6 Encontro Nacional do Poder Judiciário. Ele atribui a súbita popularidade que os ministros do Supremo ganharam a uma participação maior da sociedade nas questões jurídico-institucionais.

O acompanhamento do julgamento pela televisão tem, ao contrário, trazido problemas para o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, que foi perseguido por populares quando foi votar nas eleições municipais. (…)

A coisa mais vulgar do mundo é um ministro do STF se regozijando em ser visto como uma celebridade. Não podemos ter uma corte superior aderindo voluptuosamente aos preconceitos mais baixos do vulgo. Num processo eleitoral, os candidatos dispõem de tempo e recursos, oferecidos inclusive pelo Estado, para explicar suas propostas e atacar as do adversário. Num julgamento como o do mensalão, assistimos mais uma vez um massacre político.

De qualquer forma, é curioso que Merval Pereira, principal analista político do Globo, tenha passado todo o segundo semestre falando de mensalão, deixando o processo eleitoral num segundo plano. A grande mídia apostou todas as suas fichas no julgamento. Perdeu.

A tentativa de envolver Lula é sinal de desespero. Muitos comentaristas da cena política passaram a falar em golpe. Primeiro Dirceu e Genoíno, depois Lula, depois Dilma.

Outro dia, o Nassif publicou um post onde relata que a visão do Palácio do Planalto é de que não há clima para golpismo, e que o fim do julgamento da Ação Penal 470, encerrando as transmissões ao vivo das plenárias, levará ao esvaziamento da “crise”.

Na minha opinião, eles não tem força para derrubar a presidente Dilma. Não passam nem perto disso. O objetivo é o mesmo desde que o mensalão lhes caiu no colo, oferecido gentilmente por Roberto Jefferson: sangrar o governo, enfraquecê-lo, e com isso manter sobre ele seu poder de chantagem. Não podemos dizer que não tem sido, ao menos em parte, bem sucedidos. Já derrubaram vários ministros, e produzem escândalos e crises com a proficiência de uma fábrica de salsichas da Bavária.

Entretanto, eu acho que há golpismo sim. Como de praxe, analistas da ultra-esquerda caminham de mãos dadas com os mais conservadores, ambos distorcendo notícias, divulgando interpretações enviesadas e negando qualquer golpismo.

Eu queria fazer uma pergunta a essas pessoas: o que elas acham que aconteceu em Honduras e Paraguai?

A América Latina é talvez um dos lugares do mundo onde a planta carnívora do golpismo se desenvolve com mais vigor. O tipo de golpismo que vimos em Honduras e Paraguai, no entanto, é bem mais sofisticado do que o visto há algumas décadas, com a tomada de poder por chefes militares.

Repito a pergunta: se houve um golpe em Honduras aplicado justamente pelo Supremo Tribunal de lá, porque não poderia haver aqui também?

Claro, não há condições “políticas”…

Certo, mas não haveria condições “institucionais”?

Se os segmentos conservadores criam um arcabouço institucional que permite um golpe “branco”, então para mim já temos um golpe. O dano à democracia se dá não apenas quando a derrubamos, mas quando a pomos em risco.

A partir de janeiro de 2013, todavia, legendas de esquerda ampliarão seu poder. Esperamos que todos invistam em projetos que ampliem o espaço democrático da comunicação social. A solução não vem apenas do governo federal. E acho que a solução deve ser construtiva, de ampliar a pluralidade midiática no país. Pregar o fim da Globo ou da Folha, para mim, não vai dar em nada. Nem Dilma nem a maioria do Congresso jamais concordará em aprovar alguma lei que cerceie o trabalho da imprensa, golpista ou não. Mas todos poderiam ser convencidos, facilmente, a liberar recursos para o desenvolvimento de novas formas de mídia. Esse tema deveria ser incluído na reforma política, visto que não existe política, nem processo eleitoral, sem comunicação. E não existe democracia sem comunicação democrática.

Cada prefeito, cada governador, cada presidente, deveria contratar um blogueiro profissional para defender seus pontos-de-vista, ideias, projetos, e fazer o contraponto político com seus adversários na mídia. E cada uma dessas instâncias deveria abrir editais públicos para que o município, o estado e o país tenham blogs e jornais independentes de qualidade. Temos que investir em rádios comunitárias, jornais de bairro, blogs, e quiçá mais periódicos impressos de grande circulação.

É preciso sim, que se criem leis para melhorar a qualidade da comunicação política nacional. São Paulo dizia que a lei cria o pecado. Tudo bem, mas outros pensadores nos ensinsaram que é também da lei que nasce a liberdade.

O PT, por exemplo, que irá administrar tantas cidades a partir de 2013, e detendo um conjunto admirável de vereadores, poderia passar da teoria à prática, e simultaneamente a seu discurso sobre regulação da mídia, poderia tomar medidas concretas, em âmbito municipal, para democratizar a comunicação política. PSB e PCdoB, que abrigam vozes muito fortes em favor da democratização da mídia brasileira, igualmente terão oportunidade para mostrar serviço neste sentido enquanto estiverem à frente de prefeituras.

***

Oposição perde espaço: Reproduzo abaixo um gráfico publicado no Estadão de hoje, ilustrando artigo sobre o declínio relativo da oposição no Brasil.

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Primeiras análises pós-eleitorais https://www.ocafezinho.com/2012/10/31/8472/ https://www.ocafezinho.com/2012/10/31/8472/#comments Wed, 31 Oct 2012 18:00:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8472

Judith degolando Holofernes, de Caravaggio

 

É com alegria que o Cafezinho se depara com uma enorme quantidade de boas notícias e números para analisar. A esquerda brasileira experimentou um vigoroso crescimento nessas eleições, o qual foi confirmado e consolidado no segundo turno. A direita, como sempre amparada pela mídia, tentou dar o golpe do mensalão. Às vésperas de um pleito que movimentaria 140 milhões de eleitores, os jornalões, impressos e TV, continuavam focando o noticiário no julgamento do STF, o qual se prestou a este triste papel. Pois bem, o povo demonstrou, mais uma vez, que não se deixa mais manipular por sensacionalismo barato. A mídia e a oposição pagaram um preço, pelo jeito, alto demais pelo mensalão, que não se revelou um produto tão eficiente como pensaram. Agora, têm uma batata quente nas mãos. Terão que sustentar, ad infinitum, um julgamento de exceção, realizado sem base nos autos, que violou princípios fundamentais do direito constitucional, e transformou o STF numa tribuna partidária e política, ferindo a Constituição. O STF agrediu politicamente, com muita virulência, um partido político, e ele não tem o direito de fazer isso. Um partido político, um governo, são instituições democráticas, e que, diferentemente, do STF, são chanceladas pelo sufrágio popular.  Tem de ser respeitadas! Um partido político, sobretudo um partido de massa, como o PT, não é apenas um partido político, mas também o receptáculo sagrado dos anseios do povo, que vota em representantes da referida legenda. Não entender isso é fechar os olhos para a democracia.

Abaixo, seguem uma série de análises sobre diversas notícias, opiniões de colunistas, estatísticas, gráficos eleitorais.

Na segunda-feira, a Folha trouxe excelentes infográficos sobre a evolução dos partidos nessas eleições. Nos dias seguintes, ela tratou de inventar formas mirabolantes para apontar algumas “vitórias” da oposição. Mas as urnas são implacáveis. PSDB, DEM e PPS perderam em todos os níveis: em número de eleitores, em quantidade de cidades, em vereadores, perderam São Paulo. E o PT, na via contrária, assistiu a um notável crescimento, em todas as frentes.

É importante lembrarmos que o crescimento no número de vereadores implica, segundo uma fórmula da ciência política até hoje insuperável, em aumento no número de deputados estaduais e federais no pleito seguinte. Confiram os gráficos abaixo:

 

 

 

 

 

 

Mensalão e PT: Minha teoria de que o mensalão acabou ajudando eleitoralmente o PT, que me parecia meio maluca, mas com alguns pontos consistentes, agora ganha, com os resultados das urnas, contornos mais sólidos. Ela se baseia na seguinte premissa: o pobre (ou seja, maioria do eleitorado) não faz essa ligação partidária e emocional entre os réus do mensalão e os candidatos do PT que disputavam eleições. Para ele, o Supremo, liderado por um negão implacável, está condenando poderosos pela primeira vez, e o responsável por mais essa “conquista” democrática é novamente Lula. A era lulista foi coroada com um STF vingador, bem a gosto do vulgo, o que serviu para fortalecer mais ainda o campo lulista. Quem nomeou Joaquim Barbosa? Enfim, o povo, como diria Pascal, tem opiniões sempre muito saudáveis…

Quem é o analfabeto?: Segunda-feira, Ancelmo Gois publicou a seguinte nota em sua coluna:

Na verdade, o analfabeto político aqui, com todo respeito, é Ancelmo Gois. O pedreiro demonstrou sabedoria, porque ele intuiu que seria melhor votar pensando em propostas do que influenciado pelo sensacionalismo da mídia em torno do mensalão. Ele entende que política é luta e os adversários de Haddad, nos partidos e na mídia, ainda são piores que os “mensaleiros”. Mas ele não votou em Haddad pensando que o prefeito irá roubar, e sim que a história do mensalão não tinha nada a ver com o pleito municipal. Assim como o eleitor de Serra não deixou de votar nele porque o presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, é réu no processo do mensalão tucano, assim o pedreiro não deixou de votar em Haddad por causa de julgamento do mensalão petista.

Merval e o sonho de Aécio: É impressionante a falta de moderação de Merval Pereira quando ventila a nova utopia dos tucanos da mídia. Uma aliança entre Eduardo Campos e Aécio Neves. Hoje, em sua coluna, Merval volta a sugeri-la:

Uma aliança entre o PSB e o PSDB de Aécio Neves formaria chapa com força nas principais regiões, mas difícil será um dos dois abrir mão da cabeça de chapa.

Uma aliança hipotética no segundo turno é previsível caso Campos decida investir mesmo na carreira solo em 2014. O senador Aécio Neves pretende concorrer mesmo que a presidente Dilma continue com sua popularidade alta como hoje, sem grande abalos econômicos a enfrentar. Estaria semeando uma colheita para quatro anos depois.

Resta saber se o governador Eduardo Campos se resignará a disputar espaço com o PT e o PMDB por mais quatro anos, na esperança vã de vir a ser o candidato da coligação em 2018.

Evidentemente, Campos, que não é bobo, vai cozinhar essa história o máximo possível, porque ela lhe rende louvaminhas na mídia. Provavelmente se deixará fotografar ao lado de Aécio, bebendo cerveja e rindo, e assim cultivará sua imagem junto à esta enorme e influente classe média que lê os grandes jornais.

Nem direi que a aliança entre Campos e Aécio é algo impossível. Eu diria improvável, sobretudo porque seria uma estupidez inominável de Campos deixar um campo político vitorioso e ascendente para aliar-se a outro, derrotado e em declínio. Sem contar que o PSB, mesmo tentando se afirmar como uma esquerda não-petista, mais sofisticada, com uma estética mais classe média, sendo um partido de quadros e, portanto, mais autoritário, coeso e controlável, mesmo assim, o PSB está anos luz do PSDB, com seu programa privatista e conservador, com suas alianças preferenciais com DEM e PPS. Campos vai cozinhar a história, que lhe rende elogios, e lhe dá algum cacife para negociar melhor posicionamento do partido no governo de coalizão, mas seria incompetente se se aliasse a Aécio em 2014. Se o fizesse, aconteceria o seguinte: afundaria junto com os tucanos, porque mesmo que Aécio se aliasse a cinco Eduardo Campos, Dilma continuaria imbatível.

CPI do Cachoeira:  os governistas estão dispostos a prorrogar os trabalhos por mais 45 dias, e a quebrar mais sigilos. A oposição quer prorrogar por mais 180 dias e quebrar mais 500 sigilos. Parece-me que a oposição quer fogos de artifício, e dispersar o foco, que é investigar o núcleo do esquema, e daí deixar o trabalho para a Polícia Federal e o Ministério Público.  A Folha tenta pintar o quadro, como faz desde o início da CPI, como se fossem os governistas que quisessem “melar” a CPI, ou impor uma “pizza”. Ora, não foram os governistas que criaram a CPI? Nunca a manipulação da notícia foi tão doida como no caso da CPI. Uma hora lemos que se trata de uma CPI governista, outra hora que os governistas querem “enterrá-la”. Na verdade, é uma CPI autêntica, realmente explosiva, que pode chamuscar todas as forças políticas, mas que para ser efetiva, tem de ser focada no núcleo do esquema, e não ser convertida numa outra espécie de CPI do fim do mundo.

 

 

 

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A guerra não terminou https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/#comments Fri, 15 Jun 2012 19:16:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6361 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]
(Ilustração capa: Basquiat)

Hoje a mídia amanheceu, como se diz por aí, “daquele jeito”. Manipulação pra dar e vender. Os soldadinhos da mídia todos marchando juntinhos, disciplinadamente, com objetivo explícito de confundir ou desqualificar os trabalhos da CPI.

Comecemos pelo Globo. Vejam a capa.

Pra variar, não é bem assim.

  1. Não foram “integrantes”, mas somente dois integrantes, e dos mais apagados: Ciro Nogueira (PP-PI) e Maurício Quintela (PR-AL), que integram os partidos menos representativos da CPI.
  2. O encontro aconteceu antes da abertura da CPI, portanto é um tanto surreal a ilação da mídia (e do Miro Teixeira, do PDT, que é uma espécie de vedete midiática) de que os dois parlamentares se encontraram com objetivo de barrar a convocação de Cavendish numa CPI que ainda nem fora aberta.
  3. A ilação é ainda mais surreal se se considera que o governo tem sido duríssimo com a Delta. Logo no início do escândalo, Dilma mandou fazer uma devassa nos contratos com a Delta e publicou-os na íntegra na internet. A CGU acaba de declarar a empresa inidônea e a CPI decidiu abrir todos os sigilos da Delta. Se isso é “blindar” a Delta, então não sei o que é proteger.
  4. Os parlamentares disseram que o encontro foi casual, o que me parece perfeitamente plausível. E se não foi casual, não há nada demais.  Os parlamentares estavam com suas respectivas esposas, em programa social, e não creio que se façam negociatas em presença da família, em lugar público.
Merval Pereira, naturalmente, aproveitou a informação para fazer mais um de seus longos proselitismos ficcionais. Agora entende-se porque ele entrou para a ABL. Poupar-vos-ei de comentar o texto inteiro, mas somente alguns trechos mais explicitamente manipuladores.

Pra começar uma informação errada:

O encontro foi denunciado ontem na reunião da CPI do Cachoeira pelo deputado federal Miro Teixeira, com requintes de crueldade: o senador Ciro Nogueira encaminhara momentos antes a votação para que o ex-presidente da Delta não fosse convocado a depor, e Miro usou uma expressão cunhada pelo ato falho do governador Agnelo Queiroz, do PT, ao depor na CPI no dia anterior.

Ele se referiu, provocando gargalhadas gerais e muitos twitters, a uma “tropa de cheque”, quando pretendia dizer “tropa de choque”, o que é perfeitamente compreensível nas atuais circunstâncias, diria Freud.

O “ato falho” não foi do governador Agnelo Queiroz, e sim de um deputado do PP-DF. Não anotei o nome dele, mas lembro-me perfeitamente do momento em que ele usou a expressão “tropa do cheque”. Ele sentava-se ao lado da senadora Vanessa Grazziotin. Ato falho, pelo jeito, é do Merval, que na sua gana de pintar Agnelo com tintas do mal, atribui-lhe um erro que ele não cometeu.

Em seguida, Merval faz a seguinte afirmação, plena de um lacerdismo de doido:

O senador Ciro Nogueira diz que é amigo de Cavendish há muitos anos, e chegou mesmo a anunciar em seu twitter que iria ao casamento do amigo em Itaipava, mas deveria manter uma distância preventiva do empreiteiro, principalmente depois da revelação de uma gravação em que Cavendish garante: “Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c… Pode ter certeza disso. Te garanto”.

Ué, o escândalo contra Cavendish ainda não era conhecido. Se Marconi Perillo pode ligar para Cachoeira desejando-lhe feliz aniversário, se Gilmar Mendes pode viajar juntinho com Demóstenes Torres, se toda a oposição, aliás, podia ser amiga íntima de Demóstenes, então não vejo porque culpar Ciro Nogueira por ser amigo de Cavendish. Com um diferencial, Cachoeira é contraventor conhecido e notório há anos, e membros da oposição não se encontraram “casualmente” com Demóstenes Torres, mas conviveram com ele por muito tempo.

O interessante é notar que a maioria governista serve apenas para ações defensivas, isto é, não convocar Cavendish ou Luis Pagot, o ex-diretor do Dnit que anda falando pelos cotovelos e está louco para depor na CPI, que, no entanto, também adiou sua convocação, por motivos mais do que claros.

Essa confusão do Merval foi lançada por toda a mídia. A CPI apenas não tenta ser pautada. Pagot e Cavendish virão à CPI a seu devido tempo. Os parlamentares querem evitar erros anteriores, de convocar depoentes antes do momento certo, antes de examinarem os documentos que têm à sua disposição.

O presidente da CPI, Vital do Rego, ontem mesmo, explicou isso ao jornalista Fernando Rodrigues, ao UOL.

Vitor do Rego, presidente da CPI: “Pagot deve ir à CPI”

 

Vitor do Rego, presidente da CPI: “Presença de Cavendish é irreversível”

 

Ou seja, todas as deficiências que a mídia aponta na CPI tem sido furadas pelas ações da mesma.

Tenho uma amiga que trabalhou no Estadão por mais de dez anos, e cobriu as CPIs da oposição contra o governo Lula. Ela me disse que viu colegas se engajarem em favor da CPI com paixão histérica. Uma delas chegou a ligar para senador, exigindo-lhe que viesse para dar quorum a uma reunião. Hoje parece que é ao contrário.

Mais um trecho do Merval:

Os dois, aliás, estão ironicamente enrolados em transações financeiras difíceis de explicar envolvendo compra e venda de mansões, o que não deixa de ser sintomático.

Aí é muita cara de pau. A casa de Agnelo foi comprada de um casal de advogados respeitáveis. Custou 400 mil reais, valor perfeitamente acessível a um casal de classe média.

Mais importante: não tem a ver com o esquema Cachoeira, que é o escopo da CPI. Se há qualquer problema na casa de Agnelo, é um problema a ser resolvido pela Receita Federal, não pelos membros da CPI do Cachoeira. Já a casa do Perillo foi vendida para Cachoeira, tanto é que Cachoeira foi preso onde? Na ex-casa de Perillo. Fingir uma simetria é descarada má fé.

*

Agora pulemos para a Folha, igualmente farta em distorções e tentativas explícitas de desqualificar o trabalho da CPI. A começar pelo editorial Palmas para todos, que tenta criminalizar a manifestação dos deputados em defesa de alguém que consideram injustiçado. Aliás, aí está uma diferença que os jornais não destacaram. Perillo levou uma claque. As palmas para Agnelo vieram dos parlamentares.

O mais sinistro, no entanto, é o final do texto, onde a Folha dá um apoio tácito à decisão do desembargador Tourinho Neto de soltar Cachoeira e inutilizar toneladas de provas contra sua quadrilha:

Uma derradeira ovação, quem sabe, fica reservada à Polícia Federal (PF). Todo o caso Cachoeira ameaça dissolver-se em vapores impalpáveis. No Tribunal Regional Federal, o relator do processo que examina a legalidade das provas da Operação Monte Carlo considera insuficientes os motivos que embasaram a escuta policial das ligações dos envolvidos.

A decisão aponta, mais uma vez, para possíveis abusos e leviandades da PF. Por falta de provas legitimamente obtidas, tudo desaparece por encanto. Merecem de fato palmas, há de se convir: tem sido primorosa a encenação.

Falar em “possíveis abusos e leviandades da PF” numa hora dessa, na verdade, nem é apoio tácito, é explícito mesmo. O Clube Nextel é que bate palmas.

Daí topamos com a coluna de Valdo Cruz, que é curta então dá para fazer uma análise integral. Faço daquela maneira convencional, com o texto dele em negrito, o meu em fonte normal.

O restante do post é exclusivo para assinantes. Desculpem por isso, mas o blog precisa sobreviver.

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CPIlusão – VALDO CRUZ
FOLHA DE SP – 15/06

BRASÍLIA – Palco montado para desfile de prestidigitadores e seus afins, no qual exercitam a arte da encenação em busca dos holofotes da mídia, tendo como objetivo quase único desgastar adversários políticos de ontem e de hoje.

Talvez seja esse o melhor resumo sobre o atual cenário da CPI do Cachoeira, destinada, salvo grata surpresa, a gerar nada de relevante em termos de novidades sobre o que seria o esquema ilegal do empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.

Eu acho um bocado filisteu acusar deputado de querer chamar atenção e buscar holofotes, sobretudo se considerarmos que aqueles que a mídia mais adula, como os senadores Pedro Tacques, Álvaro Dias e Pedro Simon. Além do mais, a coluna desqualifica a CPI de maneira leviana. Ela tem permitido a quebra de sigilo e análise de documentos que permitirão entender melhor o funcionamento do esquema Cachoeira, que agia politicamente, então precisa ser investigado politicamente.

Os depoimentos dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) apenas reforçaram tal sensação. Nada acrescentaram aos trabalhos da comissão, cujos membros mostraram-se despreparados para inquiri-los de fato.

Mais um espertinho a misturar Perillo com Agnelo. Seus depoimentos ajudaram a sim a esclarecer muitas dúvidas e suspeitas, sobretudo no caso de Agnelo, que andaram ocupando a mídia por várias semanas. A Folha não gostou justamente por causa disso: não conseguiu crucificar Agnelo. Perillo pode até ter se saído bem, do ponto-de-vista político, de seu depoimento, mas continua enrolado até o pescoço com o esquema Cachoeira, que era patrocinador de suas campanhas, comprou sua casa, pagava os jornalistas que lhe apoiavam; e mandava em Demóstenes Torres, senador de sua bancada, eleito na chapa de Perillo.

O que se viu foi muito mais um festival de estocadas entre petistas e tucanos, numa disputa de aplausos para seus aliados. Isso tudo tem pouca serventia para esclarecer as suspeitas relações de Cachoeira com parlamentares, governos e empreiteiras.

O que Cruz chama de estocadas, eu chamaria de a velha e boa luta política, que não é feita com mimos. Os aplausos foram apenas pontuais; no caso de Agnelo, apenas para o momento em que declarou abrir seus sigilos. Quanto à serventia para esclarecer as relações suspeitas entre parlamentares, governos e empreiteiras, a CPI faz um trabalho extenso, e os depoimentos entram como peça de apoio. Nem sempre é fundamental, mas claro que tem serventia.

O grande resultado auferido nos depoimentos foi obter a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos dois governadores -o que gera muito barulho e repercussão, mas rende quase nada. Afinal, foi-se o tempo em que se depositava cheque-fantasma, fruto de ilegalidade, em contas pessoais.

Aí é burrice. Valdo Cruz omite que a CPI quebrou também os sigilos de telefone, torpedos e internet de ambos os governadores, o que é ainda mais importante que os sigilos bancários.

Mais do que nunca, estamos diante de uma CPI que é um palco de guerra entre facções políticas, que mira em adversários e “esquece” de investigar os corruptores por conta do receio de que todo mundo tem um pouco ou muito a perder.

Raciocínio capcioso. Guerra política é natural num parlamento. Querer o contrário é defender a hipocrisia. É proibir que se fale de Deus numa igreja. O importante é que a CPI quebrou sigilo de dois governadores, do PSDB e do PT. E está investigando a Delta, empresa com obras no Brasil inteiro, a começar pelo governo federal.

Posso estar enganado, mas os ilusionistas querem entreter o prezado público até o recesso do Legislativo em julho. Depois, vem a eleição municipal e Brasília fica esvaziada. Aí, esqueçam -a não ser que jornalistas descubram algo que a CPI prefere não vasculhar.

Pode estar enganado, não. Está engando. Quebrar sigilos é coisa séria, dolorosa, e agregará dados à investigação da Polícia Federal.

O fato é que o instrumento da Comissão Parlamentar de Inquérito, visto até pouco tempo como uma arma contra desvios, vai perdendo sua eficácia e credibilidade.

Essa gana de desqualificar a CPI, explícita desde antes sua criação, agora toma ares ridículos, justamente quando ela começa a esquentar. Ora, quebrar sigilos por 10 anos de Perillo e Agnelo, quebrar o sigilo de uma das maiores empreiteiras do país, é “perder eficácia e credibilidade”?

Acho melhor os colunistas da Folha voltarem a falar de mensalão. Sempre que abrem a boca para falar da CPI do Cachoeira, é uma tristeza.

*

Eu gostaria ainda de comentar os editoriais do Globo e Estadão de hoje, que também procuram desqualificar a CPI.

A coluna da Dora Kramer, no Estadão, vai na mesma linha.

Hoje temos ainda um artigo de Nelson Motta e outro de João Mellão Neto xingando Lula. Mas prefiro não comentá-los, apenas adjetivar o primeiro de baixo nível e o segundo de caricatural.

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https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/feed/ 17
Equilíbrio na tormenta https://www.ocafezinho.com/2012/06/05/economia-e-politica-equilibrio-na-tormenta/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/05/economia-e-politica-equilibrio-na-tormenta/#comments Tue, 05 Jun 2012 17:47:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5994 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

(capa: xilogravura de Ernst Kirchner, expressionista alemão).

O Congresso está ouvindo depoimentos de testemunhas importantes hoje na CPI do Cachoeira e amanhã teremos novidades, possivelmente explosivas. As testemunhas são quatro: Walter Paulo, Sejana Martins, Écio Ribeiro e Eliane Pinheiro. Todas ligadas a Marconi Perillo.

Os jornais de hoje amanheceram relativamente calmos. A reportagem de capa da última edição da Veja foi completamente ridicularizada na internet e os jornais a ignoraram solenemente. Quer dizer, a coluna do Ilimar Franco deu a seguinte nota, onde não menciona nada sobre a Veja:

Sem cortes: Cartilha da assessoria do PT

A assessoria do PT produziu documento sobre as investigações Vegas e Monte Carlo. É uma compilação de tudo o que há sobre todos os citados nas investigações. O resumão tem dois capítulos: “Demóstenes Torres” e “Os Demais Agentes Políticos Citados nas Investigações”. O material é recheado com comentários e informações publicadas na mídia. Há um item sobre citações ao ministro Gilmar Mendes (STF). Mas também há sobre seus pares, José Toffoli e Luiz Fux. E ainda, sobre os governadores Agnelo Queiroz, Sérgio Cabral e Marconi Perillo. No blog deste colunista há um link para o inteiro teor da referida cartilha.

Franco divulga, em seu blog, a íntegra da cartilha do PT, que eu já copiei para meu servidor…

Trata-se do mesmo documento usado pela Veja, só que a revista dá destaque somente a alguns trechos, com vistas a fazer parecer um relatório focado em ataques à oposição. Mas o documento fala de Agnelo Queiroz, Sérgio Cabral… ou seja, é um documento normal, um resumo sobre as informações já disponiblizadas à imprensa  sobre o esquema Cachoeira e seus desdobramentos na mídia.

Não dá para saber se o documento é verídico, mas ele é absolutamente normal e legal. Não há nada nele que possa ser apontado como suspeito.

A pergunta é: porque a Veja não disponibilizou a íntegra do documento para seus leitores? Resposta simples: porque isso derrubaria a sua interpretação de que se trata de um “dossiê” maligno do PT contra a oposição. Saliente-se, aliás, que um partido elaborar um documento com informações negativas sobre seu adversário não é nenhum crime: é uma ação normal e mesmo necessária numa democracia competitiva e autêntica. Estranho seria se os partidos adversários se aliassem em segredo, e não se atacassem mutuamente, não produzissem documentos uns contra os outros. Aí sim, teríamos uma fraude gravíssima, um crime contra a democracia.

Merval Pereira é outro que virou piada. Título da sua coluna de hoje: “Dúvidas sobre o mensalão”…

Às vezes eu imagino o apartamento de Merval repleto de pequenos oratórios satânicos com fotos de Dirceu, Delúbio, e demais envolvidos no escândalo de caixa 2 do PT. Antes de dormir, ele repete em voz alta fórmulas colhidas num livro de magia negra, com maldições contra seus inimigos. Num espaço especial da casa, há uma mini-capela do mal, onde se vê um busto de Lula, rodeado de círios vermelhos, na frente do qual há uma bacia cheia do sangue dos animais que Merval sacrifica enquanto berra imprecações demoníacas…

Em sua coluna de hoje ele especula sobre os efeitos do julgamento sobre as eleições, já que a decisão final pode ocorrer antes do fim do pleito. Caso os réus sejam absolvidos, hipótese que Merval já aceita com fingida tranquilidade, isso beneficiaria o PT; em caso contrário, os prejudicaria.

Deixemos Merval pra lá. Comentemos rapidamente a última jogada ensaiada da mídia: criar dissídia entre Marta Suplicy e Fernando Haddad. Há um problema entre eles, certo, e a mídia não tem culpa disso, mas chega a ser engraçado que alguns colunistas agora resolvam fazer louvaminhas à ex-prefeita.

Eliane Cantanhede, Dora Kramer e Reinaldo Azevedo, de repente passaram a entoar canções de amor à petista, só porque ela vem se posicionando de maneira negativa na campanha do partido em São Paulo.

Na Folha, porém, encontrei uma análise bastante pertinente ao caso, assinada por um cientista político.

Falemos um pouco de economia, até porque esta é uma seara cujas informações e análises têm sido bastante politizadas.

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Muito tem se falado do “Pibinho”.

Segundo o IBGE, o PIB cresceu 0,2% no primeiro trimestre do ano, mas é importante observar que a indústria cresceu bem no período, com destaque para a indústria de transformação, que registrou alta de 1,9% sobre o trimestre anterior.

O que travou o PIB foi o agronegócio, mas este é um setor que não enfrenta nenhum problema grave no Brasil. Ao contrário, o IBGE acaba de divulgar uma estimativa de que a safra de grãos 2012 registrará um novo recorde histórico. O país colherá 160,1 milhões de toneladas de grãos.

Na verdade, o problema econômico nacional concentra-se na queda brusca de produção da indústria automobilística. Alguns analistas falam em saturação do mercado, ou seja, quem podia comprar carro já comprou, e as classes médias emergentes não trocam tanto de carro como as tradicionais. Outros falam em aumento do endividamento, o que não é correto. O endividamento do brasileiro encontra-se muito abaixo dos níveis registrados em países desenvolvidos. E os aumentos são devidos à um fator saudável, que é a aquisição de casa própria e bens duráveis. Se um sujeito compra uma casa no valor de 80 mil reais, é óbvio que esta operação impactará no percentual de sua renda comprometida com uma instituição bancária. Mas é melhor pagar 200 ou 300 reais por mês de prestação de uma casa que lhe pertencerá, do que jogar dinheiro fora pagando aluguel.

E agora acaba de sair uma notícia promissora. As vendas de carro subiram 11% em maio sobre o mês anterior, mostrando uma vigorosa recuperação do setor, já impulsionado pelas medidas de apoio baixadas nos últimos meses pelo governo federal.

Eu destaco o seguinte trecho da matéria:

No segmento de caminhões, a Fenabrave apurou licenciamentos de 10.790 veículos em maio, queda de 0,53% na comparação mensal e recuo anual de 28,7%, em meio à mudança no regime de emissões de poluentes que causou forte movimento de antecipação de compras de modelos com tecnologia anterior e mais barata no final de 2011.

A Fenabrave manteve as previsões de vendas para 2012. Para automóveis e comerciais leves, a entidade prevê 3,54 milhões de unidades, equivalente a crescimento de 3,5% sobre 2011. As vendas de caminhões, enquanto isso, devem crescer 2,6%, para 177,15 mil unidades.

E faço as seguintes observações:

  1. A venda de caminhões caiu no ano em função da mudança de regime de emissões de poluentes. Foi uma mudança que causou um impacto profundo no setor, obrigando-o a reformas em todas as fábricas, para produzir caminhões menos poluentes. Essa mudança impactou substancialmente os índices da produção industrial nos últimos meses.
  2. Para o ano de 2012, contudo, o setor espera reverter as perdas e vender 177 mil caminhões, 2,6% a mais que no ano anterior. Espera-se ainda aumento de 3,5% nas vendas de carro.

Conclusão: A indústria automobilística está se recuperando e deverá fechar o ano com números positivos, na contramão da crise que vive nos países desenvolvidos.

Seja como for, é importante que não se olhe para o número do PIB de maneira isolada. A economia de um país, mormente de um país com economia diversificada e complexa, como o Brasil, deve ser analisada através de um conjunto de dados. Deve-se olhar o desemprego, a indústria (e quais setores da indústria crescem ou caem), o endividamento do Estado, a arrecadação fiscal, as exportações.

Vamos concluir a análise com alguns dados de nossas exportações até maio. Em primeiro lugar, destaque-se que tivemos, em maio, o maior superávit do ano. Ou seja, exportamos bem mais do que importamos, obtendo um saldo, em maio, de US$ 2,9 bilhões.

Analisando o relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), separei também alguns gráficos com o desempenho das exportações brasileiras por setor, nos cinco primeiros meses do ano:

Repare que a exportação de industrializados subiu 1,7% em 2012, e a venda de manufaturados cresceu 3,2%, em Jan/Mai 2012, contra um aumento de 0,8% nas exportações de básicos. Com isso, a participação dos industrializados na balança comercial cresceu um tico, de 50,0 para 50,1%, e a de manufaturados correspondeu a 37%, contra 36,4% no ano passado.


Na tabela acima, repare que as exportações de veículos de carga, bombas e compressores e aviões cresceram substancialmente em Jan/Mai de 2012. Destaco a venda de aviões, que registrou alta de 26% em Jan/Mai 2012.

Por último, outra notícia interessante: vendas do comércio explodem em maio.

Agora explico o título do post: tanto em economia como na política, vemos que o Brasil vem conseguindo se desvencilhar de seus problemas, numa conjuntura tormentosa, com admirável equilíbrio!

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O partidarismo vulgar de Merval https://www.ocafezinho.com/2012/06/04/o-partidarismo-vulgar-de-merval/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/04/o-partidarismo-vulgar-de-merval/#comments Mon, 04 Jun 2012 18:32:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5954 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]
Agora vamos analisar a coluna de Merval de domingo. Sei que alguns de vocês acham que eu não deveria dar atenção a Merval, mas eu acho que é importante, sim, dar atenção ao principal colunista político do Globo. Seus argumentos se espalham via jornal, rádio e tv, e hora ou outra acabamos topando com eles na boca de conhecidos. Infelizmente, nem todos acompanham a blogosfera. A influência da mídia ainda é grande, sobretudo em determinadas esferas sociais. Além do mais, ele faz, nesta coluna, mais um ataque à blogosfera.

O texto dele vem em negrito, o meu em fonte normal.

A missão de Lula
MERVAL PEREIRA

03.06.2012 08h31m

De cara, notemos a marcação cerrada da mídia sobre os movimentos políticos de Lula. Ele é um cidadão sem cargo público, livre, dono de plenos direitos constitucionais de falar e fazer o que lhe der na telha. A mídia trata-o, porém, como se toda ação de Lula fosse criminosa, conforme iremos ver neste texto de Merval.

A proximidade do julgamento do mensalão parece estar desestabilizando emocionalmente o ex-presidente Lula, que se tem esmerado nos últimos dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em público, ou maquiada.

Vejam só. Gilmar Mendes é que dá trezentas e quarenta entrevistas em poucos dias, acusa Lula, Paulo Lacerda, blogs, sem prova nenhuma, em tom completamente destemperado. Lula, por sua vez, respondeu a Mendes em nota lacônica, dizendo-se apenas indignado com as informações “inverídicas” de Gilmar e Veja; e Lula é quem está desequilibrado emocionalmente…

O resto da análise é só para assinantes. Este blog sujo, chapa-branca, não recebe um centavo de governos, e ainda enfrenta uma campanha terrível da grande imprensa para que não receba jamais uma publicidade institucional, que pelo jeito continuará sendo destinada exclusivamente para os gigantes da mídia. A publicidade privada ainda é tímida no Brasil. Talvez demore um pouco para chegar a blogs como este. Então eu fico dependendo de doações e assinaturas.

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Nessa fase em que trabalha em dois projetos que se cruzam e parecem vitais para seu futuro, tamanha a intensidade com que se dedica a eles, Lula não tem tido cuidados com as aparências, e arrisca-se além do que sua experiência recomendaria.

A direita midiática produziu um personagem completamente artificial. Lula ainda está se recuperando, com voz fraca. Tem que fazer horas de fisioterapia diária, toma não sei quantos remédios, sua garganta dói quando fala muito. E Merval cria um Lula super-homem, trabalhando freneticamente em todas as frentes, criando CPIs, elegendo Haddad, melando o mensalão. Daqui a pouco Merval dirá que Lula está por trás do tensionamento entre Irã e Israel… É risível, além disso, ver Merval dando conselhos políticos a Lula. Quem segue os conselhos de Merval é o DEM, cuja situação política sabemos bem onde chegou…

A pressão sobre ministros do STF, a convocação da CPI do Cachoeira, com direito a cartilha de procedimentos com os alvos preferenciais identificados ( STF, imprensa, oposição) e as atitudes messiânicas, sempre colocando-se como o centro do universos político, revelam a alma autoritária deste ex-presidente ansioso pela ribalta política.

Olha o super-Lula aí de novo. Quanto à cartilha da CPI, Merval sequer dá a fonte: uma reportagem da Veja desta semana completamente ridícula, que apenas revela seu desespero. Primeiro que não dá para acreditar que a reportagem da Veja seja verídica. A tal cartilha apresentada não traz assinatura nenhuma. Provavelmente é uma fraude barata feita no computador. Em segundo, não há absolutamente nada de errado em elaborar cartilhas contra políticos adversários. Política é isso mesmo, e a disputa partidária é justamente a sua característica mais saudável. A ataca as mazelas de B, que por sua vez denuncia os erros de A. Assim todos os erros vêm à público. A criminalização da política atingiu o paroxismo no Brasil. Um político agora não pode sequer denunciar os mau-feitos de seu adversário? Veja e Merval parece que esqueceram a máxima, velha como Matusalém: quem não deve, não teme.

A expressão “atitudes messiânicas”, referindo-se à Lula, revela apenas a visão doentia que os mervais alimentam do ex-presidente. Ele é um homem de carne e osso, que acabou de passar por um tratamento violentíssimo contra um câncer maligno na garganta. Não pode ser criminalizado por ter sido um bom presidente. Só falta essa!

A eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a obsessão em desmoralizar o julgamento do mensalão – já que não conseguiu adiá-lo para que seus resultados não interferissem na eleição municipal e, além disso, a prescrição das penas resolvesse grande parte dos problemas judiciais do PT -pareciam as duas grandes tarefas do ex-presidente Lula neste momento.

Bah! Merval fala qualquer coisa. Lula tem liberdade de expressão para defender seus pontos de vista sobre o que foi ou não foi o mensalão. Não existe isso de “desmoralizar o julgamento do mensalão”. O caso está no STF, que irá julgá-lo. Agora, qualquer brasileiro tem o direito de falar o que quiser, e o debate político em torno do mensalão, que foi um fato político, tem de ser feito, e Merval, se quisesse ser respeitado, deveria respeitar opiniões divergentes. Para piorar, Merval fala que Lula não conseguiu adiar o julgamento: ou seja, culpa Lula até do que não aconteceu!

Mas ele, de voz própria, revelou seu verdadeiro objetivo político no programa do Ratinho: não permitir que um tucano volte a governar o país. Nunca antes nesse país viu-se um político assumir tão abertamente uma postura despótica, quase ditatorial, quanto a de Lula nessa cruzada nacional contra os tucanos, que tem na disputa pela capital paulista seu ponto decisivo.

Que palhaçada, hein! Melindre besta. Lula é do PT, e tem obrigação, como petista, de lutar para que seu principal adversário político, o PSDB, volte a ocupar o Planalto. Isso é democracia, não há nada de despótico ou ditatorial. Lula usará as armas da democracia, o voto, como sempre usou, para atingir seus objetivos, e terá o apoio de milhões de brasileiros que concordam com ele porque também não querem que um tucano volte à presidência.

O PT, aliás, tem seguido a mesma batida de Lula, e se revela a cada instante um partido que não tem como objetivo programas de governo ou projetos nacionais para o país. A luta política pelo poder escancara posturas ditatoriais em todos os níveis, e para mantê-lo vale tudo.

Afirmações descaradamente partidárias. Como assim não tem programa de governo? E a luta pela eliminação da miséria, pelos juros baixos, pelo aumento do crédito, pela maior oferta de vagas em universidades, etc. Merval, desce do palanque, ou então vira logo candidato pelo PSDB. Sua isenção foi pro beleléu há tempos, mas agora já virou uma caricatura. E a que posturas ditatoriais você se refere? O papel aceita tudo, né?

Desde rasgar a legislação eleitoral e fazer propaganda ilegal em emissora de televisão na tentativa de desatolar uma candidatura que até agora não demonstra capacidade de competição, até intervenções em diretórios que não obedecem à orientação nacional, como aconteceu agora mesmo em Recife.

Quanto à legislação eleitoral, acredito que esse é um assunto para as autoridades competentes. Você aqui está prejulgando, e com isso, você é que está ferindo a legislação eleitoral com afirmações que também podem ser interpretadas como partidárias e contra-propaganda. Quanto ao imbróglio do PT em Recife, é um problema doméstico do partido. Essas situações são sempre complicadas, mas infelizmente fazem parte do processo democrático. Prévias partidárias, em todo lugar, produzem uma brigalhada terrível. Agora, chamar isso de “postura ditatorial” é palhaçada. E o PSDB, que só agora fez uma prévia, em São Paulo, na qual Serra apareceu na última hora, praticamente melando a disputa?

Vale também mobilizar um esquema policial de uma prefeitura petista, como a de Mauá em São Paulo para apreender uma revista que apresenta reportagens contrárias aos interesses do PT. A truculência com que foi impedida a distribuição gratuita da revista Free São Paulo, que trazia uma reportagem de capa sobre o assassinato do prefeito petista de Santo André Celso Daniel, é exemplar do que o PT e seus seguidores consideram “liberdade de imprensa”.

Você deveria se lembrar aqui do fez o governador Marconi Perillo, que apreendeu quase todos os exemplares da revista Carta Capital, em Goiás. Ora, a Veja publica há anos calúnias contra o PT e a revista recebe milhões em publicidade institucional, e o PT, no governo federal, jamais adotou qualquer medida que ferisse a liberdade de imprensa no Brasil. Já o governo de SP gasta milhões com assinaturas da Folha e Estadão para as escolas do estado, com isso prejudicando o livre mercado, porque prejudicam e impedem o florescimento de concorrentes; isso é apoiar a liberdade de imprensa?

Os petistas acusam a revista de ser financiada pelo PSDB, o que ainda é preciso provar, mas, mesmo que seja, seria no mínimo incoerente criticarem tal estratégia, já que são estatais de diversos calibres e governos petistas que financiam uma verdadeira rede de blogs chapa-brancas e revistas para defenderem as ações governistas e demonizar seus adversários, em qualquer nível.

E aqui mais um ataque à blogosfera. Não existe nenhuma rede de blogs financiada pelo governo. Que eu saiba, apenas dois blogs tem banners da Caixa, os blogs de Nassif e do PHA. Sendo que o PHA ganha milhões de salário com seu programa Domingo Espetacular, na Record. É evidente que o bannerzinho da Caixa em seu blog não faz nem cosquinha em seu orçamento. Os outros blogs não recebem um centavo de governos. O Cafezinho não recebe um centavo de “estatais” ou “governos petistas”. Merval é um caluniador sem caráter. A estratégia da mídia, naturalmente, é constranger, porque sua acusação criminaliza a blogosfera, asfixiando-a economicamente antes mesmo dela começar a respirar. Ou seja, ela constrange as estatais a jamais fazer publicidade em blogs. E nós, blogueiros, somos triplamente castigados: somos acusados de escrever por dinheiro, sem que ninguém veja a cor desse dinheiro; as estatais desistem de anunciar em nossos blogs, porque não querem ser acusadas de usar verba pública para fazer proselitismo político; e o setor privado também não quer anunciar, porque não quer se envolver nessa briga. Com isso, Merval e a mídia atingem seu objetivo, que é se autoafirmarem como único receptáculo confiável da publicidade institucional. Enquanto isso, a blogosfera, que é a vanguarda da comunicação política, perde a esperança de, um dia, ser uma plataforma profissional viável para jornalistas que não queiram jogar o jogo da grande mídia.

Da mesma forma, parece ironia que líderes petistas se mostrem indignados com financiamentos eleitorais de caixa 2 de políticos tucanos, como se esse crime fosse uma afronta ao Estado de Direito e não, como disse o ex-presidente Lula tentando minimizar o caso do mensalão, coisa corriqueira no sistema eleitoral brasileiro.

Merval continua fazendo declarações descaradamente partidárias. Lula falou uma verdade, é uma coisa corriqueira, e até pediu desculpas ao povo brasileiro, coisa que nenhum outro líder jamais fez. FHC jamais pediu desculpas por ter aprovado a reeleição para si mesmo, comprando votos de deputados. O negócio é que as denúncias de caixa 2 de tucanos, que Merval Pereira espertamente omite aqui, tem como origem desvios de recursos públicos. Não se trata de simples caixa 2.

O recurso ao caixa 2 e a verbas não contabilizadas é evidentemente uma distorção do nosso sistema eleitoral que tem que ser combatida com rigor, mas o PT há muito perdeu a possibilidade de indignar-se diante deste e de outros malfeitos políticos.

Ué, se o fato de um partido abrigar políticos envolvidos com caixa 2, ou “outros malfeitos”, impossibilitá-lo de se indignar, então qual o partido poderá se indignar? E repito: Merval faz uma análise sem trazer os fatos que a originaram. Ele não cita o caso Pagot, que fez acusações pesadas de desvio de dinheiro público para a campanha de Serra. Não é só caixa 2: é desvio de recurso público. O incrível é ver que o próprio Merval, além de não demonstrar nenhuma indignação, tenta combater a indignação alheia… Quem diria…

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Merval e o código de conduta https://www.ocafezinho.com/2012/05/31/merval-e-o-codigo-de-conduta/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/31/merval-e-o-codigo-de-conduta/#comments Thu, 31 May 2012 20:02:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5764 Em sua coluna de hoje, Merval Pereira emula um indefectível professor Hariovaldo.

Comento alguns trechos. O texto dele vai em negrito, o meu em fonte normal:

Considero a essência do relato do ministro verdadeira, pois só os ingênuos podem acreditar que Lula convidasse um ministro do Supremo para um encontro sem que o assunto principal fosse o julgamento do mensalão.

Sugiro a Merval que leia entrevista com o ministro Marco Aurélio Mello, onde ele expressa, com bom senso, que Lula não exerce nenhum cargo público e, portanto, pode falar o que lhe der na telha.

Outros, que fingem acreditar na versão edulcorada de que a reunião foi uma conversa de amigos sobre generalidades, são militantes petistas, empenhados no mesmo movimento de Lula: constranger o Supremo a adiar o julgamento do mensalão, ou pôr em dúvida o seu resultado.

Eu acho que o Lula pode ter tocado no assunto mensalão. Segundo Jobim, contudo, não houve constrangimento. Ele foi bem enfático. Não houve nada “neste sentido”, deixando transparecer, sem subterfúgios, que o assunto veio à tona, mas não do jeito relatado por Mendes, e “interpretado” pela Veja.

Junto a Toffoli, Lula defendeu a tese de que ele deveria participar do julgamento, quando setores jurídicos consideram que deveria se declarar impedido, pois boa parte de sua carreira foi feita no PT.

Ué, agora Merval não só se arroga sabedor da última verdade sobre o que foi conversado entre Lula e Mendes, como também o assunto tratado entre Lula e Toffoli? Ele é algum tipo de vidente? Se ele está se referindo à alguma versão de Mendes sobre a conversa de Lula e Toffoli, deveria dizer: “segundo Mendes”, não?

(…)

O governador do Rio, Sérgio Cabral, não tem razão para se indignar com a ilação de que a quebra de sigilo da empreiteira Delta pode justificar sua convocação para a CPI do Cachoeira.

Ele criou as condições para que essas ilações não sejam irresponsáveis, pois sua relação pessoal com Fernando Cavendish quando este era o presidente da Delta dá uma sensação de promiscuidade entre o público e o privado que seu próprio governo critica no recentíssimo código de ética.

O Código da Alta Administração determina que funcionários do alto escalão devem guardar “distância social conveniente no trato com fornecedores de materiais ou contratantes de prestação de serviços ao Estado, abstendo-se, tanto quanto possível, de frequentar os mesmos lugares e de aparentar intimidade”.

Não tô nem aí para o Cabral, como aliás não estou nem aí para político nenhum. Seja PMDB, PT ou PSDB. Se roubou, tem que pagar por seu crime. Só não quero que a CPI seja transformada em palhaçada. O que eu gostaria de comentar nesse trecho, porém, é a citação final de Merval. O trecho sobre “distância social”, não existe no Código da Alta Administração, que aliás só existe para o governo federal.

O trecho citado por Merval é um item do Código de Conduta criado por Sérgio Cabral. Um item que Cabral criou DEPOIS da divulgação das fotos dele com Cavendish em Paris. Ou seja, Merval deveria, no mínimo, respeitar o copyright do governador, e informar que ele foi o primeiro governador, talvez o único na federação, a criar um código de conduta estadual, e incluir nela este item específico.

Pessoalmente, eu não concordo com este item. Acho que ele incentiva a clandestinidade. Se um governador quiser desviar dinheiro público, mancomunado com empreiteros, é claro que não vai se reunir publicamente, nem dar uma de fanfarrão num restaurante em Paris, junto com todos os secretários e respectivas esposas. Eu acho que a escandalização da “festinha” cabralesca se inscreve no rol da campanha de criminalização da política.

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Tiro no pé do Merval https://www.ocafezinho.com/2012/05/23/tiro-no-pe-do-merval/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/23/tiro-no-pe-do-merval/#respond Wed, 23 May 2012 18:03:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5422 Vamos à análise de coluna  do Merval escrita esta semana. Ela faz parte da estratégia da mídia de melar a CPI antes que esta comece a esquentar. O texto de Merval segue em negrito, o meu em fonte normal.

Tiro no pé

Merval, um dos porta-vozes da imprensa corporativa, continua apostando na técnica de chantagem e amedrontamento. A CPI foi um erro porque vai respingar no governo. Ora, Merval se trai com essa tese. Se a CPI respingar no governo e derrubar corruptos do PT, então será ótimo para o Brasil e para a população, não?

Por MERVAL PEREIRA, no Globo

20.05.2012 12h08m

O flagrante da mensagem do deputado petista Candido Vacarezza garantindo imunidade ao governador do Rio Sérgio Cabral é mais uma confirmação de que essa CPI do Cachoeira está se revelando o maior erro dos últimos tempos do grupo político que está no poder.

O tropeço de um petista era o que a mídia queria para melar a CPI. O Noblat também dedica sua coluna desta segunda-feira ao SMS de Vacarezza. Ora, é um recado baixo nível de um petista aloprado, mas não indica crime algum, nem sequer menciona blindagem. Ao contrário, a mensagem tem um tom até meio ameaçador.

“A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)”

Ora, quantas toneladas de ilações será possível fazer com uma mensagem assim? Vacarezza não fala precisamente em blindar, embora seja possível interpretar assim, mas sim que PT continuará sendo aliado de Cabral mesmo se a relação entre os dois partidos azedarem.

Convocada estranhamente pela maioria governista, a CPI tinha objetivos definidos pelo ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu: apanhar a oposição com a boca na botija nas figuras dosenador Demóstenes Torres e do governador de Goiás Marconi Perillo, e desestabilizar o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, responsáve lpela acusação dos mensaleiros no julgamento do Supremo Tribunal Federal.

De passagem, queriam certos petistas criminalizar a revista Veja para criar um clima político que favorecesse a aprovação de uma legislação de controle da mídia, como vêm tentando sem sucesso desde o início do governo Lula.

Convocada “estranhamente”? Que tipo de análise é essa? Merval omite um ponto fundamental. A CPI do Cachoeira foi a que recebeu o maior número de adesões da história da república. Vamos dar esse pequeno crédito ao parlamento brasileiro, por favor. Lula pode ter incentivado, mas Lula não é deputado. Quem instalou a CPI foi o povo brasileiro, através de seus representantes políticos. Os motivos que os levaram a criar a CPI são vários; certamente cada parlamentar poderá apresentar um motivo, uma interpretação pessoal. Mas estamos lidando com um fato de extrema gravidade. Um mafioso possuía lacaios na esfera mais alta da república: um senador da república, um governador, vários parlamentares, prefeitos, policiais federais; a revista de maior tiragem no país manteve relações íntimas com esse mafioso, publicando matérias de seu interesse. Enfim, era um esquema grandioso, e os parlamentares tem obrigação de esclarecer esse imbróglio para o país. Como o caso envolve altos nomes da política, não pode ser um trabalho exclusivamente técnico da Polícia Federal. É preciso fazer uma investigação e um debate em termos políticos também. O delegado da PF não tem condições intelectuais ou políticas de saber que Policarpo Júnior, por exemplo, ou o editor da Veja, cometeu crimes ao se relacionar de maneira tão espúria com Carlinhos Cachoeira. Isso é uma conclusão que somente uma CPI pode apontar.

Merval podia ler o próprio jornal. Avançando um pouco as páginas, encontraria artigo de Elio Gaspari, que senta o pau no procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Gaspari, colunista do Globo, também estaria mancomunado ao PT?

Por enquanto está dando tudo errado. A tentativa de constranger os ministros do Supremo resultou numa reação do Judiciário, que se viu impelido a não deixar dúvidas sobre sua independência.

É prematuro falar que “está dando tudo errado”. Não houve tentativa nenhuma de constranger ministros do Supremo. Aliás, de que diabos Merval está falando? Ele está maluco? Quem tentou constranger ministros do Supremo?

A vontade de procrastinar o julgamento, quem sabe deixando-o para o próximo ano, quando dois novos ministros estarão no plenário para substituir Cezar Peluso e Ayres Britto, ficou tão explícita que o revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski, viu-se na obrigação de anunciar que pretende apresentar seu voto ainda no primeiro semestre, permitindo que o julgamento comece logo em seguida.

Os imbróglios do mensalão dizem respeito aos vinte e pouco réus, o Brasil tem 200 milhões de habitantes, 99,99% dos quais não está nem aí para eles. O mensalão é um processo acabado. Será votado e ponto final. A CPI do Cachoeira é uma investigação que acabou de começar. Há pontos de interseção entre os crimes de Cachoeira e o mensalão, alguns importantes, mas em essência eles tratam de duas coisas completamente distintas.

Até mesmo uma frase banal, que queria dizer outra coisa, teve o efeito de levantar suspeitas. Quando Lewandowski disse que o julgamento ocorreria “ainda este ano” sabe-se agora que não estava pensando em outubro ou novembro, mas a partir de junho, como fez questão de esclarecer.

Paranóia besta de direitistas doidos. Só meia dúzia de alucinados fica vendo mensaleiro dentro do armário do quarto, embaixo da cama, no elevador. A maioria do povo, inclusive a maioria que deseja a CPI quer que os mensaleiros se explodam. A direita trata o tema como se o PT ou o governo fossem acabar se os réus forem condenados. Ora, mesmo que fossem todos condenados à prisão perpétua, em que isso afetaria o governo? Nem a Dilma nem nenhum de seus ministros não tem relação nenhuma com mensalão. O “mervismo pigal”, para usar a divertida expressão de PHA, atingiu o clímax da insanidade conspiratória.

Com relação à imprensa, todos os esforços do senador Collor de Mello, o “laranja” da tramoia petista, têm sido em vão, e as relações do PT com o PMDB estão azedando, na definição de Vacarezza, por que o PMDB não está disposto a embarcar nessa aventura petista de tolher a liberdade de imprensa.

Que mané tramóia petista, Merval! O PT está sendo puxado à fórceps para dentro desse debate. Se fôssemos depender do PT, não haveria nem CPI! A sociedade brasileira é que está por trás da pressão para investigar a imprensa, e não toda a imprensa, mas setores mafiosos, ou setores que mantinham relações com máfias políticas. Pára de choramingar, Merval! Nos EUA, na Europa, jornalista apanha que nem adulto quando faz merda. Não perdoaram nem o bilionário Rupert Murdoch. A troco de que os jornalistas do Brasil devem ser tratados como representantes sagrados da “imprensa livre”? Quer dizer que não existe jornalista safado, jornalista bandido? O vice do Agnelo pagava 100 mil reais por mês ao Mino Pedrosa para ele plantar matérias que derrubassem ou enfraquecessem o governador, tudo mancomunado com o esquema Cachoeira. Há gravações que revelam que Claudio Humberto também levava grana do esquema. E Cachoeira plantava o que queria na Veja. Tem que investigar sim, Merval. Não é tramóia petista. É vontade soberana do povo. A ditadura acabou, meu filho. Numa democracia, todo mundo é igual. Todo mundo pode ser preso. Jornalista ou não.

Por fim, a blindagem explícita do governador do Rio pode se transformar em uma facade dois gumes, tornando inevitável sua convocação.

Que blindagem explícita? A mídia é muito esperta. Não há uma só gravação envolvendo Sérgio Cabral no esquema Cachoeira, e olha que são milhões de telefonemas sobre Deus e o mundo. A Delta tinha contrato com o governo do Rio assim como tinha com o governo de São Paulo. Se chamar Cabral então tem que chamar o Alckmin, o Serra e o Kassab. Ora, a CPI tem que investigar os nomes que aparecem nas investigações, e não virar palco para salafrários como Garotinho fazerem proselitismo partidário. Festejar em Paris pode parecer uma coisa terrível para a classe média lacerdista, mas felizmente ainda não foi tipificado como crime. Melhor festejar em Paris do que nas ilhas Cayman, como Serra e os tucanos fizeram, conforme se pode comprovar lendo o livro Privataria Tucana.

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O PIG é o verdadeiro chapa-branca https://www.ocafezinho.com/2012/05/21/o-pig-e-o-verdadeiro-chapa-branca/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/21/o-pig-e-o-verdadeiro-chapa-branca/#comments Tue, 22 May 2012 00:45:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5392 (Ilustração capa: Joseph Beuys)

Leio no blog do Eduardo Guimarães que foi discutido, numa reunião do Barão de Itararé, instituição que representa a blogosfera progressista, o ódio crescente, nas redações, aos blogueiros. Então imagino que este humilde escriba também deva ser alvo de hostilidade em alguns ambientes da grande imprensa. Pelo que tenho observado nos próprios jornais, a constatação é autêntica. Na sexta-feira passada, Nelson Motta publicou um texto que flerta com o nazismo. Sim, nazismo. Ele faz chacota de todo o universo popular. Ele zomba da própria democracia. Movimentos sociais, partidos de esquerda, sindicatos e, claro, blogueiros progressistas, ele junta tudo num balaio de sarcasmo vulgar. Acho interessante aliás que a figura do blogueiro progressista (com esse nome estranho, progressista, que muita gente caçoou, mas que acabou pegando bem) entrou de vez no imaginário do conservadorismo autoritário. Sim, conservadorismo autoritário, porque é uma turma que simplesmente não aceita que haja setores sociais que discordam das opiniões da grande mídia.

Não consigo entender Nelson Motta: o cara podia estar de bem com a vida; escreve sua biografias; ganha bem na Globo; de onde vem seu ódio contra Dirceu, contra a esquerda, contra os movimentos sociais. É o mensalão? Ora, mesmo que se aceite a tese esquizofrênica do mensalão, pela qual o Professor Luizinho, deputado pelo PT é chamado de “mensaleiro” porque um assessor sacou 20 mil reais para pagar dívidas de campanha, mesmo assim, é tudo muito ridículo. Ora, mensalão pra valer foi o processo da reeleição de FHC, um chavismo sem consulta popular e por isso ditatorial. De maneira que se Motta e seus colegas realmente acham que o mensalão foi um terrível e imperdoável crime contra a democracia, por uma questão de coerência deveriam ter mais ódio ainda de FHC e do PSDB.

A imprensa não quer fazer um debate político transparente sobre o mensalão. O que foi o mensalão? O governo subornava deputados para que estes votassem com ele? Ora, a teoria tem muitos furos. Em primeiro lugar, são 513 deputados. Não é comprando meia dúzia que se muda uma votação.  Em segundo lugar, a mídia jamais discutiu que leis ou reformas foram votadas naqueles dois primeiros anos de governo que eram tão importantes a ponto de levar o PT a comprar “consciências”. Para se tipificar um crime, é preciso saber o motivo do crime. Qualquer leitor iniciante de Agatha Christie sabe disso. No caso de FHC, é fácil: a emenda da reeleição, que significava, como significou, ampliação de poder do Executivo e do grupo que o dominava. No caso do mensalão, não houve nenhuma “lei” ou “reforma” revolucionária. E, sobretudo, nada que ampliasse o poder do Executivo. Houve caixa 2, isso sim. É grave, é, mas sejamos minimamente precisos: foi caixa 2 de campanha, cujas sobras são distribuídas durante os meses que sucedem o pleito.

Caixa 2 é um crime menor? É. É considerado uma infração eleitoral, mas não é tipificado como crime. No entanto, o caixa 2 costuma acontecer, por razões óbvias, conjuntamente a crimes de lavagem de dinheiro. Se esses crimes forem detectados, com provas cabais, que os réus sejam condenados. O que não compreendo é esse ódio seletivo. Será que é prerrogativa para escrever no jornal Globo demonstrar ódio ao PT? Acho que sim.

Mas ainda assim não entendo. O PT é um partido cheio de problemas, mas é uma legenda que abandonou há tempos – se é que teve algum dia – qualquer prurido de violência institucional. Tudo bem não concordar, não gostar, mas sentir ódio?

Quanto à teoria do chapa-branquismo da blogosfera, isso é uma cachorrada sem tamanho. A blogosfera ainda vive as dores de seu próprio nascimento. Não tem financiamento, não tem dinheiro, não tem nada. A mídia, portanto, quer sufocá-la desde o berço, pois é evidente que um setor de comunicação ligado a ideologias de esquerda terá enorme dificuldade de entrar no ambiente publicitário altamente monopolista e conservador das grandes agências que operam as contas das empresas privadas. Aliás, hoje, o setor é dominado por agências norte-americanas, cujas ideologias neoliberais a gente conhece muito bem.

O próprio discurso desqualificador da grande mídia dificulta ainda mais o acesso da blogosfera às contas privadas. E aí eles também não querem que sequer tenhamos banners das empresas estatais? Por quê, se eles por décadas ganharam milhões e milhões e milhões de verbas publicitárias das agências estatais? A própria fundação das empresas de mídia no Brasil se deu através de empréstimos milionários que esses grupos conseguiram junto aos bancos públicos. Lembro que estudando a campanha do jornais lacerdistas contra Getúlio Vargas, topei com historiadores que observavam a ironia. Eles (os jornalões) acusavam Vargas de corromper a opinião pública (era quase igual a história do mensalão) através de empréstimos ao Último Hora, que era varguista. No entanto, esses mesmos jornalões haviam obtido financiamentos igualmente polpudos junto aos bancos públicos, em governos anteriores. Ou seja, o lacerdismo era hipócrita.

No caso dos jornalões que chamam a blogosfera de chapa-branca, a acusação assume ares de uma tenebrosa farsa, porque essas mesmas empresas consolidaram-se como grandes grupos de mídia através não apenas de empréstimos do governo militar – elas também se beneficiaram enormemente do esmagamento dos jornais mais “independentes”. Quando a ditadura chegou ao fim, o Globo imperava solitário no Rio de Janeiro. A ditadura o ajudara a derrotar seus concorrentes. E por quê? Porque o Globo era chapa-branca, os outros o eram menos. Mesmo nos governos democráticos, eles continuaram recebendo milhões, até mesmo bilhões, em empréstimos públicos. É público e notório o empréstimo de 1 bilhão de reais que os tucanos deram ao Globo no apagar das luzes de seu reinado. Veja, Estadão, Folha, todos chapa-brancas da ditadura, primeiro, e mais tarde do governo mensaleiro e protochavista de FHC.

Quem é chapa-branca? Quem recebeu mais dinheiro do governo?

Quer dizer que ser amigo de ditador pode, receber dinheiro de ditadura pode, mas apoiar governo democrático e receber publicidade de um governo popular, aí não pode? Que palhaçada é essa?

Eu não vou cair nessa armadilha moralista da grande mídia. Para mim, o Estado tem sim de ampliar cada vez mais a destinação de verba à blogosfera (ainda não dá praticamente nada), de maneira a promover a desconcentração da mídia e a pluralidade das ideias. A grande mídia sempre continuará recebendo a maior parte das verbas, por razões lógicas: ela atinge um grande público. O Estado brasileiro é democrático e, portanto, tem legitimidade ética e republicana para escolher em quais blogs ele vai anunciar. Os governos tucanos não compram milhares de assinaturas da Veja, não doam horários nobres para Folha e Estadão terem programa em canais públicos?  Agora somente Globo, Estadão, Abril e Folha, só eles podem receber verbas do governo?

A estratégia deles é simples: eles querem evitar a todo custo uma evolução profissional da blogosfera. Se o Estado fizesse anúncios de maior vulto na blogosfera, permitiria que esta se profissionalizasse, ganhasse qualidade e status, abrindo caminho para os anunciantes privados. Isso é muito claro para mim. Se o Estado ajudasse os blogueiros a dar um pontapé inicial, poderia haver a criação de uma rede de blogs profissionais. 

Claro, nem todo mundo quer ser profissional. O lado mais forte da blogosfera é seu amadorismo jovial, engajado, libertário. Os blogueiros fazem um trabalho excepcional sem precisar de nenhum financiamento, e muitos jamais precisarão. O problema é que essa realidade acabou por envelhecer o movimento. Há encontros de blogueiros em que a presença da juventude é absolutamente minoritária. E por quê? Porque os jovens não podem se dar ao luxo de trabalhar de graça por muito tempo. Eles montam blogs, mas a sua vida profissional ainda está começando, eles precisam abraçar cargas de trabalho e estudo extremamente pesadas, e as perspectivas financeiras de um jovem intelectual no Brasil são sempre algo sinistras mesmo que ele não seja “de esquerda”. Se for de esquerda, então, o bicho pega mais ainda, em função do preconceito ideológico que a nossa própria mídia vem inoculando na sociedade desde muito tempo, desde o golpe de 1964. Então ele vai ser professor, advogado, engenheiro, jornalista em grande empresa, qualquer coisa que lhes dê estabilidade financeira. Só os malucos como eu decidem ser blogueiros.

Outro erro grave da mídia e de seus lacaios é subestimar a autenticidade da blogosfera enquanto movimento social, como se fosse possível ao governo ou ao PT controlar algo que é monstruosamente livre e anárquico por natureza. As razões políticas que levam muitos blogueiros a apoiar o PT e o governo federal deve ser procurada nas pesquisas de popularidade. Ou a mídia não acha que seria bizarro que uma presidenta gozasse de popularidade recorde, olímpica, e não houvesse quem a defendesse nas redes sociais e na blogosfera?

Toda a teoria política da mídia é falha, débil, absurda. Seu ódio demonstra medo, insegurança, fraqueza, covardia. A mídia corporativa é um poder político. Ela sabe disso. São empresas que possuem enormes interesses financeiros e por isso lutam para eleger seus aliados. Agora vimos que não hesitam sequer em se valer do auxílio espúrio do mais perigoso mafioso já aparecido nas últimas décadas. Carlinhos Cachoeira deixou PC Farias no chinelo. PC Farias não tinha ligações com vários governadores, não tinha senador, deputados, prefeitos, jornalistas da Veja, comendo em sua mão.

As pessoas não são trouxas. A blogosfera não nasceu de uma estratégia do PT para aniquilar a “imprensa independente”. Surgiu naturalmente, como evolução necessária da consciência política da sociedade. Eu frequentei eventos de blogueiros desde início. Blogueiros e comentaristas de blogs são pessoas pacatas, generosas, democráticas, atentas, bem informadas, cultas, curiosas. Não são bestas feras querendo destruir a “imprensa livre” como idiotas como Merval tentam fazer crer.

São brasileiros cuja opinião política merecia ser mais respeitada pelas grandes empresas de mídia, já que elas se arvoram em “paladinas” da liberdade de expressão.

É incrível. O Globo amordaça seus empregados, ninguém pode falar de política em rede social (leia-se: não pode falar bem do PT, claro; falar mal pode). O Estadão demitiu sumariamente a Maria Rita Kehl porque ela ousou publicar um artigo em que, embora muito sutilmente, defendia Lula. Os mesmos colunistas ocupam vários jornalões. Gaspari, Jabor, Nelson Motta, os caras estão em todas. Alguns parecem que são legião, não indivíduo, como é o caso da Miriam Leitão, do Jabor e do Merval Pereira. Estão no jornal impresso, na TV, no rádio, na internet. Só falta surgirem embaixo da nossa cama, gritando mensalão.

Ou seja, eles conseguiram – nos últimos anos – criar um verdadeiro conglomerado ideológico, uma frente de batalha unida, coesa e poderosa. Tudo bem. O que eu acho incrivelmente autoritário da parte deles é que, além de não darem liberdade a seus jornalistas, criando um ambiente opressivo e totalitário, eles querem, com sua campanha de desqualificação, tolher a liberdade dos blogueiros independentes?

Quer dizer que ninguém no Brasil pode mais pensar com sua própria cabeça? Todo mundo tem que comer na mão do pensamento da grande mídia?

Ora, os blogueiros não querem destruir a “imprensa livre”. Eles querem um espaço ao sol para mostrar à sociedade brasileira que esta imprensa não é livre coisa nenhuma, e em alguns momentos duvidamos se pode ser chamada de imprensa. A liberdade não tem dono! Meia dúzia de mafiosos não podem se apropriar da liberdade de expressão! Ela é de todos!

É uma imprensa corporativa, que tem suas qualidades e tem seus vícios. O brasileiro tem que ser informado de que a imprensa tem vícios, porque se o leitor/espectador dotar-se de senso crítico, ele estará vacinado, e aí poderá se informar sem ser manipulado. Poderá assistir quantos Jornais Nacionais quiser, ler os jornais, e arriscar-se até mesmo a uma olhadinha no último escândalo da Veja, mas saberá separar o joio do trigo. A imprensa corporativa tem recursos para levar adiante reportagens investigativas de longo alcance. Ela tem força, de fato, para derrubar ministros corruptos. Mas também tem para derrubar ministros não-corruptos, sobretudo se este for inimigo de seus amiguinhos mafiosos de Goiás… Fomentar uma consciência crítica na sociedade, essa é uma missão nobre, histórica, da blogosfera!

A imprensa corporativa tem estrutura para enviar repórteres ao exterior e entrevistar chefes de Estado. Talvez, no futuro, a blogosfera política também tenha esse status. A blogosfera de moda, por exemplo, já é bastante capitalizada e independente. Por enquanto, porém, a mídia corporativa ainda é um enorme Golias, insuportavelmente arrogante, que ataca verbalmente seus adversários, denotando um desprezo monumental e aristocrático, visando humilhar sobretudo o jovem e frazino David, que é a blogosfera, um movimento sem recursos financeiros, sem poder político e inclusive sem nenhuma base sindical ou partidária. Chega ser engraçado que a mídia, com seus milhões, seus milhares de empregados, seus poderosos lobbies em Brasília, sinta-se ameaçada por um grupo tão singelo.

A importância da blogosfera se torna evidente em momentos como este, em que temos a grande imprensa distorcendo diariamente as informações e notícias acerca da CPI do Cachoeira. Em outros momentos, os parlamentares eram heróis, mesmo acusando sem provas. Demóstenes era um mosqueteiro da ética. Hoje, a mídia bate nos parlamentares porque eles têm provas e setores da imprensa estão envolvidos. A imprensalona jamais irá admitir que seus membros se envolveram com bandidos. A estratégia de tratar jornalistas e donos da mídia como deuses intocáveis é, todavia, um vício antidemocrático. Numa democracia, todo mundo é igual. Acabou-se o tempo em que os amigos do Rei (leia-se Roberto Marinho) não podiam ser  interrogados.

No domingo, por exemplo, Merval Pereira escreveu em sua coluna uma sucessão de mentiras e ilações. É preciso haver blogueiros que o contestem! Confira análise do Cafezinho.

 

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https://www.ocafezinho.com/2012/05/21/o-pig-e-o-verdadeiro-chapa-branca/feed/ 12
Distorções e escandalização https://www.ocafezinho.com/2012/05/10/distorcoes-e-escandalizacao/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/10/distorcoes-e-escandalizacao/#comments Thu, 10 May 2012 18:49:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5128 A CPI está fornecendo farto material para a blogosfera fazer a contra-informação.

Merval Pereira, o colunista do Globo, continua obcecado pela blogosfera. Agora todo dia é um ataque diferente. Mentir e agredir, é o lema de guerra do colunista. Confiram o trecho de seu artigo de hoje:

Com relação à imprensa, o delegado Raul Souza foi categórico ao afirmar que a PF não encontrou qualquer indício de ilegalidade nos contatos do diretor da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Junior, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Apensas conversas entre jornalista e fonte” foi a definição do delegado. Ora, se é verdade que existem mais de 200 ligações telefônicas entre o jornalista e o bicheiro, como gostam de alardear os blogs chapas-brancas, muitos financiados pelo governo exatamente para fazer esse trabalho de solapar a grande imprensa, como não se consegue nenhum diálogo direto entre os dois ou mesmo entre o jornalista e membros do grupo do bicheiro, que revele a suposta troca de favores que evidenciaria o crime?

Até o momento o que há são conversas entre os criminosos sobre o jornalista, que servem para alimentar ilações grotescas sobre conluio da direção da revista com o crime organizado.

O primeiro parágrafo é uma mentira descarada, o segundo uma informação distorcida e o terceiro uma conclusão falsa.

O depoimento do delegado Raul Souza foi focado na operação Vegas, da qual ele foi o chefe. Ele trabalhou apenas superficialmente na operação Monte Carlo, onde, aí sim, houve apuração das ligações entre o esquema Cachoeira e a revista Veja.

Sobre sua acusação aos blogs, é na verdade um elogio, vindo de um notório defensor de corruptos como é Merval Pereira, visto sua defesa incondicional dos acusados pelos crimes da privatização e agora, dos mafiosos da mídia ligados à Cachoeira.

Quanto aos diálogos diretos entre Poli e Cachoeira, a informação sobre 200 ligações é da PF, não dos blogs. Também estamos aguardando o seu conteúdo.

Não são apenas conversas entre fonte e jornalista. Há áudios dos criminosos conversando sobre matérias na revista que os beneficiariam. Cachoeira sabia até com duas semanas de antecedência que denúncias (fornecidas por ele mesmo) seriam publicadas. E as matérias foram publicadas exatamente como ele diz. As provas estão na próprias revista, bastando relacionar os áudios às reportagens. Ou seja, a agenda política nacional foi pautada por um esquema criminoso durante anos, visto que a Veja publicava matérias plantadas por Cachoeira e as organizações Globo (e demais grupos de mídia) transformavam a denúncia numa campanha de grande escala para derrubar este ou aquele desafeto da máfia Cachoeira X Demóstenes.

Aliás, é impressionante o esforço da imprensa para botar Agnelo Queiroz, Marconi Perillo e Sérgio Cabral no mesmo saco, com isso beneficiando, naturalmente, o governador de Goiás, visto que é contra ele que pesam as únicas acusações realmente graves.

Não boto a mão no fogo por Agnelo, quanto mais por Sérgio Cabral. Mas em se tratando do esquema Cachoeira, a chapa esquenta mesmo é para o governador Marconi Perillo.

Quanto a Agnelo, as informações de que dispomos dão conta que o esquema Cachoeira não foi bem sucedido em suas tentativas de infiltrarem-se no governo, e o contrato da Delta nos serviços de limpeza urbana em DF foi assinado na gestão anterior (começou em 2007, no governo Arruda, dos Democratas), imposto na atual pelo Judiciário e pratica preços menores do que em outros estados. E a mídia não tem falado que o vice de Agnelo, Tadeu Filipelli, pagava 100 mil por mês para Mino Pedrosa, assessor de Carlos Cachoeira, detonar Agnelo… Por quê? Certamente para chantagear o governador e forçá-lo a aceitar seus esquemas.

Diariamente, os jornais publicam ou repetem a história das fotos de Cabral festejando com seus secretários e o dono da Delta, Fernando Cavendish. A escandalização da intimidade é o fato principal, visto que a amizade entre Cavendish e o governador é conhecida há anos. Cavendish era um empresário respeitado no Brasil inteiro, tanto que sua empresa ganhou contratos milionários com dezenas de governos e centenas de municípios, além de ser um dos principais fornecedores do PAC. Há informações, por exemplo, que a Delta tem mais contratos com o governo de São Paulo do que qualquer outra unidade da federação. Isso os jornais não dizem.

Até então, portanto, Cavendish era um empresário idôneo, assim como são os donos da Andrade Gutierrez, da Odebrecth, e outras construtoras, que vivem viajando em companhia de governadores e presidentes da república. Lula viajou muito em companhia de grandes empresários, o que acabou rendendo vultosos negócios para essas companhias, e dinheiro para o Brasil, na forma de receita de exportação e impostos. Com certeza, houve jantares alegres entre Lula e empresários, o que não é crime. Só não houve vazamento de fotos.

Cabral, secretários e Cavendish mostraram-se em público, não era um encontro às escondidas, nem conversas em telefones codificados. As fotos demonstram antes um momento de inocente fanfarra do que uma reunião de conspiradores. O Rio é uma cidade com potencial turístico, que precisa desesperadamente de investimentos, que está se tornando um dos principais centros de eventos do mundo, então é normal que o governador viaje ao exterior. Viajando, tem de comer, e o governador não vai fazê-lo num kebab do subúrbio de Paris. O mesmo restaurante frequentado por Cabral deve receber brasileiros de todos os tipos. Hoje em dia até empregada doméstica viaja à França, então a escandalização da mídia tem muito daquele lacerdismo hipócrita, invejoso, irritado, metido a engraçadinho, que visa apenas desgastar o governador junto à classe  média ingênua e transformá-lo em piada nos programas do Casseta e Planeta.

Repito que não boto a mão no fogo por Cabral. O PMDB é um partido altamente corrompido no Rio de Janeiro, mas até o momento não apareceu nenhum fato que ligue o governador ao esquema Cachoeira. Se aparecer, cadeia nele! Por enquanto, fica parecendo que a intenção é botar Cabral no fogo para tentar salvar Perillo.

Outro exemplo: José Serra foi acusado pelos irmãos de Vedoin de fazer parte da máfia das sanguessugas, apareceu em fotos ao lado dos principais líderes da quadrilha, mas a mídia jamais escandalizou o fato. Aí haviam testemunhas e provas, mas o caso não foi adiante porque, no Brasil, é a mídia que dita se tal político merece ou não ser investigado pelo Ministério Público. O procurador-geral da República é pautado pelos jornalões. Há uma covardia institucional generalizada no país. Não vejo outra razão para Gurgel, atual procurador-geral, decidir investigar antes Agnelo Queiroz do que Marconi Perillo, e mencionar Cabral – com base em fotos – antes de falar na privataria tucana – onde existem toneladas de documentos incriminando Serra e comparsas.

 

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Apertem os cintos, os juros vão despencar! https://www.ocafezinho.com/2012/05/04/apertem-os-cintos-os-juros-vao-despencar/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/04/apertem-os-cintos-os-juros-vao-despencar/#comments Fri, 04 May 2012 23:25:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5015 (Ilustração capa: Farnese de Andrade.)

A principal notícia do dia, a meu ver, é o lançamento do novo portal de transparência do governo, com dados da União, Estados e municípios centralizados. É uma iniciativa bastante inovadora, que põe o Brasil na vanguarda mundial da transparência pública.

Ela permite que as críticas aos governos sejam mais qualificadas. Agora não há mais desculpas para se afirmar que tal ministério acabou com isso, reduziu investimentos naquilo, sem apontar exatamente um link do portal de dados que mostra esse recuo. E o próprio governo terá uma ferramenta para se defender.

Esse tipo de transparência reduz o poder da mídia, porque permite ao cidadão informar-se diretamente, sem intermediários. Não é por outra razão que os jornalões investem cada dia mais em infográficos deslumbrantes: é o único diferencial que eles podem oferecer ao cliente.

Por falar em infográfico, os jornalões vieram hoje com notícias catastróficas em relação a produção industrial. Eu já esperava isso. Vou repetir aqui alguns argumentos que já expus ontem, num post para assinantes.

Os números do IBGE não mostram uma indústria em queda, mas sim em recuperação dos baques sofridos nos últimos meses, por causa da crise vivida na Europa e EUA. As coisas estão tão bem no Brasil, que às vezes se esquece que o mundo desenvolvido viveu uma (outra) grande crise no ano passado, e ainda respira com dificuldade.

Em março, houve recuo de 0,5% na indústria geral, na comparação com o mês anterior, mas o setor de bens de capital, avançou 3,8% em março, depois de ter disparado 5,7% em fevereiro.

(Gráfico do Estadão).

O crescimento do segmento de bens de capital é sinal de recuperação, porque indica investimento na infra-estrutura industrial do país.

O forte crescimento de 3,4% dos bens duráveis, em março, também é um excelente sinal de que os setores mais estratégicos da economia mostram-se bastante dinâmicos.  Bens duráveis referem-se à produtos industriais de maior valor agregado, como carros, geladeiras, ar-condicionados, aviões, etc.

O setor de veículos automotores, por exemplo, que é o principal eixo da indústria de transformação no país, registrou crescimento de 11,54% em março. Outro segmento estratégico que apresentou um crescimento razoável foi o item Máquinas para Escritório e Equipamentos de Informática, cujo crescimento em março foi de 3,17%.

Algumas quedas verificadas em março foram pontuais, como a de produtos hospitalares: depois de crescer 24% em fevereiro, o item recuou 10% em março; no acumulado do primeiro trimestre do ano, este item registra alta de 15% sobre o ano anterior.

Vale a pena analisar esse gráfico, com os melhores e piores do trimestre. Repare que, entre os piores, há liderança dos veículos automotores, justamente o setor que registrou a maior recuperação em março:

(Gráfico da Folha).

*

O senador pernambucano Humberto Costa (PT) divulgou ontem o relatório sobre o caso Demóstenes no Conselho de Ética. Eu achei particularmente interessante o seguinte trecho:

Em outro trecho, com riqueza de detalhes, Humberto Costa destaca a atuação de Demóstenes, em 2003, para questionar a renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Gtech do Brasil, para operação da loteria: nove meses antes de vir à tona o vídeo em que Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu, aparece pedindo propina a Cachoeira, o senador fez um requerimento de informações ao Ministério da Fazenda, sobre o contrato fechado entre a Caixa e a Getch.

Humberto Costa, tendo por base relatório da CPI dos Bingos, mostra que Cachoeira queria fazer negócio com a Gtech e contava com a ajuda de Waldomiro. Quando a negociação fracassou, no início de 2003, Demóstenes começa a agir no Senado. Em agosto de 2003, ele reclama, no plenário do Senado, que recebeu documentos da Fazenda “mutilados” e denuncia, então, irregularidade no contrato CEF-Gtech. Quando o vídeo veio à tona, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) elogia a “capacidade de antevisão de Demóstenes”.

O relator pergunta: “O que balizou o requerimento, feito nove meses antes que os fatos se tornassem públicos? Qual o interesse de um senador da República em um procedimento licitatório que não possuía, àquele tempo, qualquer questionamento público? Quem estaria a par das tratativas não oficiais entabuladas?”. E arrisca um palpite: “Tudo leva a crer que seriam os vínculos que já ligavam o senhor Carlinhos Cachoeira ao autor do requerimento: o senador Demóstenes Torres“.

Ou seja, Humberto matou uma charada. A denúncia contra Waldomiro Diniz, o primeiro grande golpe no ministro José Dirceu, e um dos prelúdios do “mensalão”, teve como pano de fundo a tentativa (mal sucedida) de Cachoeira de montar um esquema com a Gtech. E mostra, também, que Demóstenes operava em favor de Cachoeira desde o início do mandato.

*

Apertem os cintos:  os juros devem cair muito ainda este ano. Não sou eu que digo, e sim economistas entrevistados pelo Estadão, que não é exatamente um jornal governista. Eles esperam juros de 8% ou menos até o fim de 2012. A queda dos juros básicos, somada à redução do spread, das taxas administrativas e dos juros reais cobrados pelos bancos, já estão promovendo uma nova revolução no crédito, que deverá se aprofundar até o fim do ano.  Como de praxe, os jornais não estão informando a população corretamente, escondendo as notícias mais importantes. Por exemplo, confiram essa informação oculta ao final de uma nota na página 31 do caderno de Economia, do Globo:

Considerando as diferentes linhas de financiamento para pessoa física, a média diária de desembolsos em novas operações do BB cresceu 48,16% nos últimos 20 dias, passando de R$ 190,5 milhões, antes do corte, para R$ 288,5 milhões. Já os desembolsos em operações para empresas cresceram 20% na mesma comparação.

O BB informa ainda que, apesar do lucro ter caído nos últimos meses, a inadimplência está sob controle, jogando por terra as projeções urubuzísticas de que haveria a formação de uma bolha de crédito no país.

(Gráfico da Folha).

*

Notícia histórica: o primeiro grande petroleiro totalmente brasileiro, produzido no estaleiro Atlântico Sul, ficou pronto. Atrasou dois anos, um erro perdoável por ser o primeiro. Serviu como uma grande escola técnica para milhares de trabalhadores.  Elio Gaspari, que andou falando besteira sobre “mico na construção naval“, terá que rever sua análise.

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Leandro Fortes publica uma matéria contundente na edição desta semana da Carta Capital, denunciando as ligações da máfia Cachoeira com o governo Perillo e a revista Veja.

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Brasil se torna segundo maior país do Facebook, com quase 50 milhões de usuários.

Aliás, tenho um comentário a fazer sobre a questão da internet no Brasil. Na matéria do Globo sobre a reunião política de Dilma com parlamentares, para arregimentar apoio às mudanças nas regras da caderneta de poupança, a presidenta menciona a “injusta tributação de produtos de primeira necessidade e o alto preço dos impostos de energia e serviços de comunicação.” Nos últimos meses, tenho lido várias notícias sobre avanço dos investimentos na área de internet e banda larga, incluindo aí o lançamento de um satélite de US$ 750 milhões, mas a divulgação dessas notícias tem deixado muito a desejar. Tanto que fica a suspeita no ar de que não são verdadeiras. Sugiro ao governo planejar um evento exclusivamente para anunciar os planos para a banda larga para os próximos anos. A maneira como foi anunciado o PNBL foi um desastre. O plano foi considerado medíocre pelos ativistas digitais e acabou provocando uma hostilidade muito grande contra o ministério da Comunicação e contra o governo Dilma.

*

Merval Pereira escreveu hoje um artigo cujo objetivo principal é blindar a revista Veja.

Trecho:

Mas, mesmo assim, ainda enfrentamos ameaça à liberdade de expressão, que se configura de diversas maneiras. No momento, ela se revela na tentativa, frustrada de início, de levar a grande imprensa representada pela revista “Veja” à investigação na CPI do Cachoeira.

Os documentos surgidos até o momento, no entanto, nada revelam de transgressor no comportamento de seus profissionais, e todas as pseudoacusações se baseiam mais em ilações tiradas de versões do bicheiro e de seus asseclas do que em fatos comprovados.

Como diria aquele travesti, pohan! Não revelam nada de transgressor! Ora, há aí uma contradição gritante. Se não há nada de “transgressor”, porque o Globo jamais sequer menciona alguma coisa a respeito? Se um político governista solta um pum, o Globo diz que ele é detentor de armas de destruição em massa. Quando uma revista se associa a bandidos para queimar políticos adversários, são “pseudoacusações” e “ilações”.  É muito corporativismo! É assim que a mídia pensa em fazer “auto-regulação”?

O interessante no artigo de Merval é a imensa ironia de ver um dos prepostos da mídia se referir a governos populares, num tempo em que esses países vivem seus momentos mais intensamente democráticos de sua história, inclusive no sentido de inclusão social, como “ditaduras” ou “autoritários”. Quando houve efetivamente ditaduras, havia cópias desses mesmos prepostos dizendo que vivíamos numa democracia. Ou Merval acha que o Brasil esqueceu que o Globo, Folha e Estadão comemoraram o golpe de 64 como uma “vitória das forças democráticas”?  Relembrando: o título do editorial do Globo, no primeiro dia após o golpe, foi “Ressurge a Democracia“.

 

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