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abril 2017

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Bastidores da produção do filme da Lava Jato são mais podres do que se pensava

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Assista ao vídeo com os deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira. Clique na imagem abaixo.

No Conversa Afiada

Diretor da PF mandou delegado buscar grana para o filme

PF da Lava Jato fechou para filmar a suruba

O Conversa Afiada reproduz as principais frases da entrevista coletiva concedida pelos deputados federais Wadih Damous (PT-RJ), Paulo Pimenta (PT-RS) e Paulo Teixeira (PT-SP) sobre as relações entre a Polícia Federal e o filme sobre a Operação Lava Jato:

Wadih Damous:

– PF é órgão público, do Estado. E essa relação com particulares é promíscua

– PF cedeu equipamentos, pessoal, avião, viatura para essas filmagens

– no Direito Público, aquilo que não é permitido é proibido

– Diretor Geral da PF até hoje não nos respondeu!

– não há base legal para que a PF patrocine um filme e – pior – um filme que relata uma investigação em curso, ações judiciais ainda em curso, com a simples finalidade de enaltecer alguns e condenar outros

– influenciar no julgamento e criar convicções no imaginário do público sobre as investigações

– Ari Fontoura declarou que viu as imagens do sequestro do Lula por parte da PF e, embora tenha havido proibição judicial, as filmagens foram feitas e cedidas à equipe do filme

– atores assistiram a essa filmagem proibida

– e tiveram acesso à carceragem!

– com base em que dispositivo legal a privacidade dos presos foi quebrada?

– Diretor Geral da PF não responde

– temos nomes da agentes que participaram

– houve ordem de missão para que carros da PF transportando atores se dirigissem a SP

– carros com placa quente! Chegaram a passar por pedágios na ida a SP

– em SP esses agentes foram hospedados às custas da produção do filme

– temos uma foto de uma comemoração em que está o delegado Igor Romário com as equipes de filmagem, atores etc, no restaurante Madero

– restaurante que foi inocentado pela PF na Operação Carne Fraca…

– Madero foi declarado vítima da atividade de corrupção que estaria sendo apurada pela operação

– curiosidade: o Madero aparece como parceiro ou patrocinador, cedendo carnes para a equipe e atores do filme

– 10 agentes da PF participaram desse apoio ao filme

– no dia 18 de novembro de 2016, a Superintendência Regional da PF lá no Paraná foi fechada para possibilitar as filmagens

– sob a desculpa de que seria fechada para pintura

– eles não trabalharam! Para facilitar as filmagens!

– temos também uma informação interessante: um delegado de nome Reinaldo teria sido instado pelo Diretor Geral da PF para ajudar no patrocínio do filme. Arranjar patrocinadores para o filme!

– amanhã vamos protocolar no MPF em Brasília um pedido de investigação para apurar crimes de improbidade por parte de agentes da PF, peculato, abuso de autoridade e prevaricação

– queremos que seja rigorosamente apurado

– esse filme integra o cenário de estado de exceção

– será alvo de uma representação no CNJ o juiz Sergio Moro, já que ele havia proibido a filmagem da condução do Lula

-essas imagens foram não só produzidas, mas cedidas!

– e o juiz Moro, interpelado pela defesa do Lula, disse que não pode funcionar como censor

– o que se pede é que ele funcione como juiz! E que faça obedecer as suas próprias determinações judiciais

– ele também incorre em, no mínimo, falta disciplinar

– é um fato ilegal que o próprio Moro havia proibido

– agora ele permite a cessão…

– Ministro da Justiça tem que ser convocado a dar explicações

– direito à privacidade faz parte do rol de direitos humanos!

Paulo Pimenta:

– durante o carnaval, 10 agentes da PF estiveram à disposição das equipes de filmagem em SP…

– diárias, despesas de deslocamento até SP…

– as viaturas, o combustível, tudo isso foi disponibilizado pela PF…

– a pedido dos policiais, eles foram incluídos nos filmes!

– sessões de fotos, confraternizações…

– as pessoas que manusearam armas da PF têm habilitação para isso?

– vamos entregar nomes de delegados que por solicitação do Diretor Geral da PF foram instados a buscar patrocínio para o filme!

Paulo Teixeira:

– todo brasileiro quer um julgamento justo

– nenhum brasileiro está acima da lei

– esse episódio revela o Estado querendo influenciar a opinião pública

– utilizando meios ilegais, sem nenhuma transparência

– o próprio Estado, a partir do seu poder de coerção, vai buscar recursos pra bancar um filme

– a Polícia, ao fazer isso, sai do controle da lei

– a Justiça, ao permitir isso, também sai

– é lawfare!

– é guerra de opinião publica, jurídica, repressiva contra o inimigo

– a Polícia precisa responder!

– a PF não vai se pronunciar?

– o MPF e a Corregedoria precisam agir!

– alertamos a sociedade: estão fazendo contra o Lula, mas podem fazer contra qualquer cidadão!

– condenando na opinião pública!

– exigimos a resposta e as providências legais contra esse abuso!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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