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Investimento estrangeiro produtivo no Brasil cresce 91%

Por Miguel do Rosário

11 de dezembro de 2011 : 17h36

Uma matéria do Globo sobre os investimentos do Japão no Brasil não mereceu menção nem na primeira página nem sequer na capa do caderno de economia. A capa do Globo fala de reitores investigados. A capa do caderno de economia fala das lojinhas de consultoria financeira no Leblon. Entretanto, ao tentar suprir as lacunas da matéria, tive uma surpresa.

Enquanto nossa mídia se esmera em divulgar matérias mal contextualizadas sobre queda na produção industrial, o Japão triplicou seus investimentos no Brasil em 2011.

 

A matéria informa, en passant, que o investimento estrangeiro direto no Brasil atingiu US$ 58 bilhões de janeiro a outubro de 2011, já superando de longe todo o ano de 2010, que totalizou US$ 52,8 bi. Lembre-se que o conceito de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) corresponde apenas a investimentos de caráter duradouro, destinados a produção. Não inclui dinheiro especulativo.

Curioso que sou, fui ao site do Banco Central, fucei os números, e tive uma surpresa. O investimento estrangeiro direto no Brasil cresceu 91% em Jan/Out 2011, na comparação com igual período de 2010. Caramba!  Esse dado, que deveria parar no Jornal Nacional,  foi simplesmente ignorado pela mídia. Nem os colunistas especializados escreveram sobre isso. Dado que grande parte desses investimentos são destinados para ampliação de instalações industriais, ou construção de novas unidades (o Banco Central só tem dados discriminados por atividade até 2009; de 2007 a 2009, de 30 a 40% dos IED destinaram-se ao setor industrial), eles são mais um fator a pôr em cheque a tese da “desindustrialização”.

 

Obs: há uma diferençazinha aí entre o número do Globo para o IED e o que eu peguei no BC. O Globo dá US $ 58 bi, os números do BC dão US$ 56. Como a diferença apenas reforça meus argumentos, nem preciso me aprofundar nisso.

Na Folha, encontramos também uma reportagem que desmente a desindustrialização, trazendo detalhes sobre a criação de um grande pólo tecnológico em Jundiaí. Publico a íntegra da matéria abaixo:

Com tablet, Jundiaí quer ser polo digital

Depois de atrair R$ 300 milhões da fabricante de produtos Apple, cidade dá incentivos e cria parque tecnológico

Entre os tributos que terão cortes estão ISS, IPTU e ITBI; empresas reclamam de escassez de mão de obra

Zé Carlos Barreta/Folhapress

Prefeito Miguel Haddad, em seu escritório, em Jundiaí; cidade cria parque com incentivos fiscais após atrair Foxconn

CAMILA FUSCO, DE SÃO PAULO

Depois de chamar a atenção por ser o primeiro polo de fabricação de produtos da Apple fora da China, Jundiaí quer atrair mais empresas de base tecnológica.

O município está finalizando um projeto de lei para dar incentivo à indústria de montagem de eletrônicos que prevê redução de IPTU, Imposto Sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

“A cidade está se tornando a capital nacional do tablet, com duas empresas já habilitadas a produzir. Seria natural estender os benefícios a mais empresas que se instalem no município”, diz o prefeito Miguel Haddad (PSDB).

Entre as empresas beneficiadas estão a taiwanesa Foxconn, que produzirá iPads e iPhones, para a Apple, e a Itautec, que faz de computadores a caixas eletrônicos.

Só a Foxconn investiu

R$ 300 milhões no último ano para a construção de sua terceira fábrica no município, dos R$ 435 milhões aplicados pela indústria na cidade.

Também serão beneficiadas a AOC, de monitores, e Compal e Arima, que montam equipamentos eletrônicos, de celulares a computadores.

Hoje o setor representa 8% da arrecadação, de R$ 1,3 bilhão, e o objetivo é chegar a 10% já no ano que vem, segundo o secretário das Finanças, José Antonio Parimoschi.

Com investimentos anuais de R$ 30 milhões em parceria com o governo Estadual, Jundiaí pretende iniciar em janeiro a estruturação de seu parque tecnológico.

Será uma área de ao menos 300 mil metros quadrados para atrair empresas de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia, em tentativa de diversificar o tradicional “chão de fábrica” das empresas de montagem de equipamentos.

Entre os incentivos planejados para o parque estão redução de ICMS, já que há parceria com o governo do Estado, e e também de ISS.

Apesar da proximidade de aeroportos e de três faculdades e escolas técnicas públicas com 3.600 formandos ao ano, empresas de tecnologia reclamam da falta de profissionais qualificados.

A Bematech, de sistemas para terminais de ponto de venda, tem ali um centro de desenvolvimento de software com 150 pessoas. Hoje está com 50 vagas abertas e precisa recorrer a profissionais de nível técnico e investir em treinamento por não encontrar oferta suficiente com formação superior.

“Hoje vemos um apagão de mão de obra. Se levávamos um mês para repor um funcionário que saía, hoje são três meses”, diz Cléber Morais, presidente da Bematech.

Recife e Vale dos Sinos são polos digitais

Porto Digital tem 200 empresas que faturam, juntas, R$ 1 bi; no Rio Grande do Sul, antiga área calçadista lidera patentes

Inauguração de 85 novos polos pode fazer o setor de tecnologia representar 6% do PIB nacional até 2020

DE SÃO PAULO
As regiões que criaram parques tecnológicos para impulsionar a atividade industrial já sentem mudança em seu perfil econômico.

Pernambuco, que abriga o Porto Digital, maior parque segundo a Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), notou o fenômeno na última década.

Com a atração de empresas multinacionais e brasileiras, o setor de tecnologia que representava 1,6% do PIB estadual em 2001 já chega a 4%.

Sediado em Recife, o Porto Digital tem 200 companhias em 1 milhão de metros quadrados. O faturamento combinado das empresas chegará a R$ 1 bilhão em 2011.

“Até os anos 90, não havia empresas de alta tecnologia. Isso gerava um êxodo de profissionais”, diz Sérgio Cavalcante, do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar), uma das principais organizações do Porto.

O Cesar desenvolve sistemas e celulares sob encomenda, incuba empresas e tem curso de mestrado em engenharia de software.

PATENTES

Outro exemplo vem do Parque Tecnológico do Vale dos Sinos, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), que tem 19 empresas com faturamento de R$ 200 milhões.

A atração dessas companhias fez com que municípios que durante décadas tiveram suas principais atividades concentradas na indústria calçadista diversificassem para os setores de eletrônica, de telecomunicações e de automação industrial.

[Nota minha: Dêem atenção a esse parágrafo. Vejam como funcionam as coisas e porque eu não concordo que a choradeira industrial não é solução. A região tinha fábricas de sapatos que fecharam, levando o capital humano e financeiro acumulado existente a investir em segmentos bem mais modernos e promissores. ]

“Alguns dos principais ativos desenvolvidos na região são 98 patentes”, diz Oliverio Maria Ferreira, presidente do conselho do parque.

Atrair empresas que desenvolvam capital intelectual é hoje um dos desafios de Jundiaí (SP). Entre os planos para seu parque tecnológico estão empresas de jogos eletrônicos, cinema e animação.

Uma das táticas para atrair empresas do ramo é formar animadores em um curso técnico gratuito, frequentado pelos irmãos Igor e Ivan Lopes, 22 e 25, que começaram uma empresa de aplicativos para tablets e aguardam a chegada de outros potenciais empregadores. Desde o ano passado 50 profissionais se formaram no curso.

“Parques tecnológicos são ambientes ideais para a indústria criativa”, diz Francilene Garcia, da Anprotec.

Hoje existem 30 parques tecnológicos em operação e 85 iniciativas em desenvolvimento, que poderão contribuir para ampliar a participação do setor de 4,4% do PIB nacional para 6% até 2020.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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