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Indústrias brasileiras se recuperam

Por Miguel do Rosário

31 de janeiro de 2012 : 16h58

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Os números do IBGE divulgados hoje sobre o desempenho da indústria brasileira em dezembro revelam o que o pior já passou e que o setor está se recuperando. Os jornais terão trabalho para pintar um quadro negativo em suas edições impressas. Mas já começaram o trabalho em seus sites, e eles tem um talento infinito para isso.

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O Globo publicou matéria há pouco informando que a indústria “andou de lado”. Bem, andar de lado é melhor do que andar para trás, então o nível de pessimismo declinou um pouco.  O jornal publica inclusive uma observação de um dos executivos do IBGE, André Macedo:

Ele afirma que, apesar do fraco resultado da indústria em 2011, com expansão de apenas 0,3%, os dados do crescimento dos bens de capital para a indústria indicam que o setor pode estar vivendo uma preparação para um crescimento do investimento:

— Os bens de capital para a indústria cresceram 3,9% em 2011, o que é um alento em relação ao comportamento total da indústria. Quando vemos isso e lembramos que um dos setores onde mais se avançou a importação foi em máquinas e equipamentos, há uma sinalização de investimentos — disse.

Eu apenas retificaria esse “pode estar vivendo” para um “está vivendo”, porque o aumento da produção de bens de capital, somado a maior importação registrada no mesmo segmento são dados absolutamente concretos, que não deixam margem de dúvida. Eles representam um sinal bastante claro de que há aumento nos investimentos.

Bens de capital são bens ou máquinas destinadas às indústrias. O desempenho deste segmento, portanto, é o principal indicador de aumento ou queda nos investimentos no setor. Se há aumento na produção de bens de capital num país, é absurdo falar de desindustrialização.

Tratadas friamente, as estatísticas do IBGE para a indústria brasileira mais confundem do que informam. E a grande imprensa contribui para esta confusão por causa de sua tara em mostrar uma situação negativa. A indústria de um país como o Brasil, que tem uma economia tremendamente diversificada, não pode ser interpretada por uma média. O que há, evidententemente, é crescimento de alguns setores e queda em outros. Em 2011, segundo o IBGE, tivemos quedas basicamente nos setores têxtis e calçadista, em função da concorrência chinesa, mas altas na maioria dos outros segmentos, incluindo aí o de bens de capital.

Os dados mostram que o Brasil está se tornado, cada vez mais, um dos maiores produtores industriais de produtos voltados para o transporte: carros, caminhões, tratores, navios, aviões, motos. Falta agora entramos no ramo de trens, por isso o trem-bala é tão importante, ele dará início à indústria ferroviária brasileira.

A globalização é assim: de maneira espontânea (e um tanto cruel), os países vão se especializando em determinados produtos.

Em relação à indústria têxtil e calçadista brasileiras, durante décadas elas não acreditaram no poder de consumo da grande massa. O povo andava quase desnudo, com roupas rasgadas, descalço, porque os produtos eram oferecidos a preços inacessíveis. Aí chegou a China, vendendo camisetas e tênis baratos, e dominou o mercado.

Segmentos que experimentaram alta em 2011:

 

Desempenho de outros segmentos:

Em resumo, a indústria brasileira, na média, se manteve estável em 2011, não caindo em relação ao ano anterior, que havia sido de grande crescimento. Além disso, o forte crescimento de 2011 se deu porque a base comparativa, 2009, havia apresentado, aí sim, uma forte queda.

Ilustração da capa: não descobri o autor. É um quadro cubista, obviamente. Picasso ou Bracque. Ele entra aqui porque o cubismo tinha a ver com a industrialização.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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