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Produção industrial cresceu 8% em 12 meses

Por Miguel do Rosário

28 de março de 2012 : 19h27

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(Ilustração da capa: instalação de Jonathan Meese.)

 

No dia 26, o Banco Central divulgou os índices da atividade econômica brasileira em janeiro, e a mídia repercutiu, como sempre, apenas o seu aspecto negativo, omitindo acintosamente uma série de coisas.

Vamos analisar uma reportagem do Estadão, publicada ontem, sobre o tema. Todos os outros jornais seguiram a mesma linha. Analisando esta, portanto, cobrimos toda a mídia grande nacional, e podem botar aí todos os canais de TV e rádio na jogada. Com perdão pela vulgaridade: é tudo farinha do mesmo saco.

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Em primeiro lugar, acho curioso que os jornais continuem escondendo a fonte da notícia. Essa é uma das diferenças entre ler esse tipo de informação na imprensa convencional e num blog como este. Vamos enfatizar este ponto. A origem da informação do Banco Central está no site oficial da instituição, em particular nesta página aqui:

http://www.bcb.gov.br/?INDECO

Ela contém todos os indicadores econômicos atualizados esta semana com números até janeiro de 2012.

Os jornais fizeram uma leitura extremamente superficial que leva o leitor a se posicionar equivocadamente. É por isso que os estrangeiros, que não lêem jornais brasileiros, investem cada vez mais pesado no Brasil, enquanto os investimentos privados nacionais não decolam no ritmo esperado. A presidente teve que chamar os empresários ao Palácio para pressioná-los a botar a mão no bolso e investir, em vez de ficarem só de choradeira.  Estão chorando de barriga cheia.

Nesta tabela aqui do Banco Central, vê-se que a produção industrial brasileira cresceu 8,32% no acumulado dos últimos 12 meses. Como se vê, a realidade muitas vezes é diametralmente oposta a propaganda lobbista da Fiesp, que infelizmente contamina até setores sindicais (que tem interesse que o governo ajude o setor para o qual trabalha) e daí áreas progressistas. A desinformação, porém, atrapalha todo mundo e, sobretudo, não é ético, não é justo, enganar as pessoas.

Considerando apenas o setor de bens de capital, que é a menina dos olhos da indústria de transformação, visto que compreende a fabricação de máquinas e equipamentos destinadas ao segmento, o crescimento nos últimos 12 meses foi de 10,89%.

 

Todos esses dados estão devidamente dessazonalizados, conforme é praxe na imprensa, e partem das mesmas fontes usadas pelo Estadão para publicar sua matéria.

Em janeiro, houve queda sobre o mês anterior, mas esta foi menor que o esperado. O próprio Estadão admite, embora não a ponto de usar esta ressalva, fundamental, para influenciar a linha editorial da matéria. Confira esse trecho:

Apesar da primeira queda da atividade desde outubro, a variação foi melhor do que era prevista. A maioria do mercado esperava retração de 0,50%.

Eu já sabia que isso iria acontecer. Os primeiros meses do ano mostram sempre uma atividade econômica mais fraca, sobretudo na indústria. As férias de fim de ano, o carnaval e o calor insuportável dificultam a produtividade e muitas fábricas dão férias coletivas nesse período. Este ano, houve ainda um fator extraordinário, todas as fábricas de caminhões interromperam suas atividades para reajustarem suas instalações às novas exigências de uma lei, que as obriga a produzir veículos menos poluentes.

Por isso, dentro do setor de bens de capital, o segmento de transportes registrou uma queda brutal de 44% em janeiro, na relação com o mês anterior.  No acumulado de 12 meses, porém, este mesmo item registrou crescimento de 9,14%, revelando que o setor ainda se mostra vigoroso.

Uma tabela sobre a produção de veículos mostra que a locomotiva do setor tem sido a produção de ônibus, caminhões e motos. A produção de veículos comerciais e passeio encontra-se estagnada.

Há um dado, porém, preocupante. Os jornais têm falado nisso, mas de forma muito superficial, e os industriais jamais tocam no assunto. A produtividade da indústria de transformação tem se mantido estagnada, ou mesmo em queda. Os colunistas vivem repetindo, como um mantra, a necessidade do país aumentar o percentual de investimentos em relação ao PIB, mas esquecem de ressalvar que este dinheiro deve vir, sobretudo, das empresas privadas. No caso das indústrias, há uma tremenda falta de investimentos em modernização, e por isso a moeda morte até ajuda, porque permite ao empresário renovar seu maquinário a um custo menor. Falta agora as indústrias investirem pesado na formação de mão-de-obra qualificada.

Uma das tabelas do Banco Central revela que o emprego na indústria de transformação cresceu 2,82% em São Paulo, e 1,85% no país, no acumulado de 12 meses até janeiro último. A produtividade do setor, no entanto, caiu 0,37% no período. A mesma tabela revela que a produção de aço bruto, um dos setores que compõem a indústria pesada, de base, cresceu 2,6% em fevereiro último, e 6,13% no acumulado dos últimos 12 meses.  Um país que está aumentando assim a sua produção de aço não está se desindustrializando, pelo contrário.

Mesmo assim, não podemos nos esquecer que o mundo vive hoje a chamada era do conhecimento, o que torna esses discursos sobre “desindustrialização” ainda mais ridículos. Hoje em dia, ter fábricas de guarda-chuvas, brinquedos ou mesmo sapatos não quer dizer nada em termos de desenvolvimento estratégico. O importante, para um país que se pretende desenvolvido ou em vias de ser considerado como tal, é possuir uma boa infra-estrutura, serviços públicos de qualidade, desemprego e inflação baixos e, sobretudo, investimentos maciços em ciência, tecnologia, cultura e educação.  No caso do Brasil, com sua pujante produção agropecuária, mineral e agora até mesmo grande produtor de petróleo, é particularmente ridículo querermos disputar com a China na produção de sapatos.

O setor agropecuário tem gerado capital em grande quantidade, o qual por sua vez está financiando um grande processo de industrialização do interior brasileiro, mas não de fábricas de guarda-chuva ou sapatos, e sim de setores ligados à economia local, desde a produção de máquinas agrícolas especializadas à realidade nacional, até fábricas de processamento da imensa gama de itens agropecuários produzidos no país.[/s2If]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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spin

29 de março de 2012 às 06h30

A volta de Lula http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/a-

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Yuri Mendonça

28 de março de 2012 às 19h36

Também fico bobo de ver como as pessoas caem no conto da Fiesp. O Brasil tem que investir em ciência e tecnologia. Os industriais precisam, por sua vez, de serem mais criativos e investirem em novos produtos, e sobretudo, serem mais competitivos em termos de preço. Vendem super caro todos os produtos, que no Brasil são mais caros que nos EUA e França! E agora vem chorar porque o brasileiro está importando mais. Que reduzam suas taxas de lucro, e sejam mais competentes!

Abraço

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Jorge Cerqueira

28 de março de 2012 às 19h35

Poxa, é impressionante como a imprensa ainda distorce os dados econômicos. Sua participação neste universo é fundamental, blogueiro!

Abraço

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Helena Freitas

28 de março de 2012 às 19h34

Valeu pela informação, Miguel.

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