Derrubaram a estátua de Thatcher

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Cardápio variado hoje para assinantes do Cafezinho: informações atualizadas sobre volume dos reservatórios; notícias sobre a candidatura de Campos; comentário sobre a iminente ruptura entre PMDB e PT no Rio; e uma análise sobre a morte de Thatcher, e a defesa (às vezes constrangida) de sua herança, nos jornalões.

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Já que andaram falando novamente em apagão, voltamos, ansiosos, para o site da ONS para checar a situação dos reservatórios. Eles continuam a encher de maneira firme.  No sudeste, chegaram a 57% de volume útil, no sul 64% e no Norte, 94%. Mesmo no Nordeste, onde persiste o clima seco, os mesmos cresceram 36% desde janeiro e estão hoje em 44%.

 

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Sobre a candidatura Campos, temos hoje uma nota divertida na coluna do Ilimar Franco.

“O minguante PPS é uma contrafação da história de lutas do PCB. A proposta de fusão com o ascendente PSB não pode ser levada a sério. Não seria mais lógica a fusão DEM-PPS?” Roberto Amaral
Presidente do PSB (no exercício)

A afirmação de Amaral tem um significado político importante. Mostra que os contatos de Eduardo Campos com Roberto Freire e José Serra tem pouca chance de frutificarem, e que o PSB continua apostando, nos últimos dias, num recuo estratégico, tentando neutralizar os sinais pró-oposição que emitiu nos últimos meses.

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Ainda na coluna do Ilimar, destacada na abertura:

Cabral: não aos dois palanques
O governador Sérgio Cabral (PMDB) já avisou à presidente Dilma (PT) e ao ex-presidente Lula que não aceita a existência de dois palanques no Rio. “Não imagino a presidente no palanque do Pezão e de outro candidato ao governo. Eu não me imagino apoiando dois candidatos a presidente. Num dia recebo Dilma, e no seguinte outro candidato”, afirma Cabral

PMDB cobra reciprocidade do PT
O desejo do PT de ter um candidato e a disposição do senador Lindbergh Farias são naturais, segundo Sérgio Cabral, mas não nas atuais circunstâncias. “Aliança pressupõe reciprocidade. O Lula teve nosso apoio para lançar sua sucessora (Dilma). Será que eu não tenho legitimidade para lançar meu (o vice Luiz Fernando Pezão) sucessor?”, pergunta o governador. Na sua avaliação, o Estado tem uma agenda de eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas) e investimentos pela frente e, por isso, não passa pela sua cabeça a cisão entre aliados. “Não vejo como pensar em dois palanques numa situação dessas”, arremata

A nota é mais um capítulo da batalha de forças que está sendo jogada no Rio. A candidatura de Lindberg está sendo decidida no alto e as próximas semanas podem ser decisivas. O petista tem trabalhado duramente para fortalecer sua imagem no estado, tornando-a tão forte a ponto de convencer o PT nacional de que a tentativa valeria o risco de tensionar uma aliança tão forte entre Dilma e Cabral. Ainda há incertezas no ar, mas eu aposto que, dessa vez, Cabral vai perder. O PT nacional poderia até se sentir inclinado a abandonar uma candidatura própria do partido, mas Lindberg tem se mostrado um articulador político implacável. A sua ambição e a energia que empenha para satisfazê-la correspondem a seu maior trunfo. E menciono ambição não como algo negativo. Além do mais, depois de enfrentar a gestão de uma prefeitura em Nova Iguaçu, ele me parece bastante preparado para o jogo sujo, pesadíssimo, que caracteriza as eleições no Rio de Janeiro.

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As diversas mortes de Margaret Thatcher

Os grandes jornais de hoje amanhecerem repletos de homenagens à Margaret Thatcher, a maioria delas envergonhadas, constrangidas pelas manifestações espôntâneas dos britânicos, de comemorar a morte de uma das maiores vilãs do trabalhismo inglês.

A Folha teve o mérito de publicar a coluna de Vladimir Safatle, detonando a herança de Thatcher, mas em seu editorial revela o que realmente pensava. O início é um xarope adocicado e ficcional.

Aos dez anos, a menina que viria a ser lady Thatcher – nascida Margaret Hilda Roberts, em 1925, filha de um vendeiro- retrucou ao professor que assinalara sua sorte ao vencer um concurso de poesia: “Eu não tive sorte. Eu mereci”.

O episódio resume a crença no trabalho duro, na responsabilidade e na liberdade individuais que faria dela o primeiro governante do sexo feminino no Reino Unido e a mulher mais influente do século 20 -morta ontem aos 87 anos.

É um tanto ridículo afirmar que a líder política que mais contribuiu para o desemprego (a ponto de fazer do desemprego uma política afirmativa de Estado) e para a depressão dos salários seja um símbolo do valor do “trabalho duro”.  Muito pelo contrário. O thatcherismo é símbolo da esperteza financeira, do rentismo hereditário, da especulação imoral, valores exatamente contrários ao que se convencionou chamar de “trabalho duro”. 

Em sua coluna, Miriam Leitão também enfatiza os aspectos “positivos” da herança thatcherista. Miriam elogia a herança thatcherista no Brasil implementada pelos tucanos: privatização e redução do Estado, omitindo naturalmente o quadro de profunda recessão causado pelo thatcherismo brasileiro: desemprego, desindustrialização, ausência de investimento em infra-estrutura, aumento da miséria. Para ela, o negativo é justamente um suposto “ciclo de expansão do Estado” promovido pelos governos Lula e Dilma: novamente omitindo o quadro de emprego pleno, volta dos investimentos em infra-estrutura e redução da desigualdades.

Definitivamente, não é de se espantar que enquanto a morte de Chávez foi comemorada por milhões de venezuelanos caminhando emocionados pelas ruas de Caracas, em Londres, o mais comum era ver delicadas manifestações como essa:

 

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Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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