Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Mídia, manipulação e golpe

Por Miguel do Rosário

11 de abril de 2013 : 12h52

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No post de hoje, dois assuntos. Primeiro, falamos de inflação, mostrando que produtos essenciais à alimentação, como carne, registraram forte queda de preços. Depois trazemos à baila o clássico de René Armand Dreifuss, reproduzindo trechos que descrevem a meticulosa operação para manipular a opinião pública levada a cabo nos anos anteriores ao golpe de 64. Nesses tempos de comissão da verdade, vale a pena reler um pouco do Dreifuss.

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Primeiro vamos falar de inflação, cujo índice de março foi divulgado ontem pelo IBGE e levou os grandes meios de comunicação a fazerem um escarcéu sensacionalista. Entretanto, a inflação caiu em março. Estava em 0,6% em fevereiro e caiu para 0,47% em março. Ela só cresceu no acumulado de 12 meses, o que era já esperado, assim como é esperado cair ao longo do ano.

Inflação no Brasil

 

Observe ainda uma coisa. Houve problemas inflacionários com alguns produtos agrícolas, como farinha de mandioca e tomate. Mas é importante destacar que o preço da carne vem caindo substancialmente nos últimos meses. Em março, a inflação da carne foi negativa, ou seja deflação, de – 1,63%. No acumulado de 12 meses, enquanto a inflação estourou (temporariamente) o teto e ficou em 6,6%, mas a carne registrou inflação de apenas 3,0%.


Hoje eu queria trazer um pouco de literatura política. Em 1981, o escritor uruguaio René Armand Dreifuss publicou o que seria, até o momento, o maior clássico sobre a preparação do golpe de estado de 1964: “1964, A conquista do Estado – Ação política, poder e golpe de classe”.

O capítulo VI trata da campanha ideológica que preparou a sociedade para receber o golpe. Nessa parte do texto, o acadêmico fala das estratégias, meticulosamente calculadas, para manipular a opinião pública, desmoralizar as ideias de soberania e justiça social e unir “um bloco de poder em torno de um programa específico de modernização econômica e conservadorismo sócio-político”. Lembremos que as siglas IPES e IBAD referem-se aos instititos milleniums da época, muito fortes, que recebiam inclusive financiamento externo (EUA).

Vamos ao trecho. Acho incrível como o argumento de Dreifuss parece atual. Ele parece se referir a algo que está acontecendo agora:

Doutrinação geral

Os canais de persuasão e as técnicas mais comumemente empregadas compreendiam a divulgação de publicações, palestras, simpósios, conferências de personalidades famosas por meio da imprensa, debates públicos, filmes, peças teatrais, desenhos animados, entrevistas e propaganda no rádio e na televisão. A elite orgânica do complexo IPES/IBAD também publicava, diretamente ou através de acordo com várias editoras, uma série extensa de trabalhos, incluindo livros, panfletos, periódicos, jornais, revistas e folhetos. Saturava o rádio e a televisão com suas mensagens políticas e ideológicas. Os jornais publicavam seus artigos e informações. Para alcançar essa extensão de atividades variadas, o IPES alistava um grande número de escritores profissionais, jornalistas, artistas de cinema e de teatro, relações públicas, peritos da mídia e de publicidade. O complexo IPES/IBAD também era capaz de articular e canalizar o apoio de algumas das maiores companhias internacionais de publicidade e propaganda, criando assim uma extraordinária equipe para a manipulação da opinião pública. Jornalistas profissionais se integravam no esforço geral como “manipuladores de notícias” e propagandistas, trabalhando sobretudo através das unidades operacionais dos grupos de Opinião Pública, Estudo e Doutrina e Publicações. Certas empresas financeiras e industriais ligadas ao complexo IPES/IBAD se incumbiam dos arranjos financeiros, incluindo-os em suas folhas de pagamento, propiciando, assim, outra forma de financiamento indireto da açaõ da elite orgânica. Escritores, ensaístas, personalidades literárias e outros intelectuais emprestavam seu prestígio, escrevendo e assinando, eles próprios, artigos produzidos nas “estufas políticas e ideológicas” do complexo IPES/IBAD.

Em seguida, Dreifuss detalha a participação dos seguintes jornais na preparação ideológica do golpe: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, as rádios Eldorado (do Estadão), O Globo, a Tribuna da Imprensa, o Diário de Pernambuco.

Um detalhe triste da pesquisa de Dreifuss é a descoberta de que o líder do IPES era o romancista Rubem Fonseca, que não por acaso seria o único escritor brasileiro a realmente ganhar dinheiro com venda de livros durante a ditadura, sucesso que se estenderia após a redemocratização.[/s2If]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Messias Franca de Macedo

14 de abril de 2013 às 18h47

*DE QUEM É A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO DA MÍDIA?

Resposta: os mesmos antinacionalistas, entreguistas, corruptos, golpistas, terroristas, ineptos, pilantras “cheirosos(as)”, nefastos e famigerados de sempre da [eterna] DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL!…

*Nunca antes, na história deste País, houve uma coincidência tão grande entre capas de revistas e manchetes de jornais; essa sintonia ocorre às vésperas de uma reunião do Comitê de Política Monetária e tem dois objetivos paralelos: arrancar juros maiores do governo e desgastar a presidente Dilma; quem seriam os articuladores? FHC? Roberto Setúbal?…
14 DE ABRIL DE 2013 ÀS 09:54
*em http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/98840/De-quem-%C3%A9-a-m%C3%A3o-que-balan%C3%A7a-o-ber%C3%A7o-da-m%C3%ADdia.htm

República da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL… AVARENTA, sanguessuga, LACAIA, ABJETA, GOLPISTA/TERRORISTA de meia-tigela, ABESTADA, ALIENADA, ALOPRADA, indecorosa, AÉTICA, traidora, despudorada, impunemente fascista, histriônica, MENTEcapta, néscia, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

14 de abril de 2013 às 18h13

O DOMINGO DEDICADO AO [MAIS NOVO]’ABACAXI’ DO PIG: O TOMATE! [Risos estonteantes!]

… E, aí, a patroa preparou o seguinte cardápio para o almoço [festivo!], 14/04/2013:

Entrada: sopa de tomates [Ah! Uma delícia!];

Pratos principais: suflê de tomates;
tomates secos [em conserva];
‘tomates verdes fritos’ [Nós já vimos esse filme antes (sic)];
salada de tomates a vinagrete;
*’Taquin’ de carne refogado ao molho de tomate;

*’taquuim’: pedaço pequeno, amostra exígua de algo, segundo o ‘matutês’!

Bebida: suco de tomate

Sobremesa: doce de tomate [supimpa!]

… E para o lanche da tarde… Adivinhem! Sim, bolo de tomate e vitamina(!?) de tomate!

… E PARA O [‘glamouroso’] JANTAR: sopa de tomate, pão de tomate, geleia de tomate… E um ‘cafezinho’ em homenagem à Cristiane do ‘Fato & Distorções’ do PIG! [Haja risos!]

A festa foi completa!

RESCALDO: uma ‘banana’ para “ôcês” do PIG! Uma ‘banana esturricada pela seca’, seus energúmenos!…

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO [depende, como vimos hoje, de nossa reação – e ação! É a dialética, estúpidos PIGuentos!…]

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

14 de abril de 2013 às 11h12

UM POUCO MAIS SOBRE ‘A FALHA DE SÃO PAULO’, LIBERDADE DE IMPRENSA(!), HOMENS CORDIAIS E O PODER DOS MEIOS DE COMUNICAÇÕES EM GRAMSCI!

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A sociedade precisa de homens que sirvam de conselheiros. Pessoas de passado íntegro e retidão moral, capazes de avalizar e dar sentido às lutas que muitas vezes são tratadas como subjacentes, mas que estão na raiz da nossa desigualdade escandalosa. Fábio Konder Comparato é um desses intelectuais. Toda vez que fala precisamos ouví-lo com atenção e reverência. Prólogo escrito pelo eminente, competente e intrépido jornalista Marco Aurélio Mello.

Excertos da entrevista concedida ao Jornal Unidade pelo egrégio, catedrático e impávido jurista e mestre brasileiro Fábio Konder Comparato.
Entrevista repercutida em http://maureliomello.blogspot.com.br/2013/04/das-vozes-que-precisamos-ouvir.html – DAS VOZES QUE PRECISAMOS OUVIR
13 abril 2013

(…)

Unidade: Qual a sua análise sobre o poder dos meios de comunicação no Brasil. O senhor acredita que a Justiça brasileira tem atuado em benefício dos grandes veículos de imprensa?
Fábio Konder Comparato: Evidentemente, em todos os países capitalistas, os grandes meios de comunicação de massa se tornaram um poder concorrente ao poder estatal. E, de acordo com o espírito do capitalismo, este poder é exercido de modo oculto e dissimulado. Os grandes jornais, rádios, televisões nunca dizem que tem algum poder sobre o mercado ou sobre a esfera política. Mas, na verdade, este poder é exercido e a apresentação dos veículos de comunicação de massa como órgãos que obedecem a lei e que não fazem censura é profundamente falsa. Mas quem foi que aprovou a lei? Não foram aqueles que obedecem ao poderio dos grandes meios de comunicação de massa? E estes meios de comunicação empresariais de massa são contrários à censura? Eles mesmos exercem uma censura brutal em seu âmbito de atuação.

Como o sr. vê o fim da Lei de Imprensa. Que consequências esta decisão do STF tem para a sociedade brasileira?FKC: A meu ver, todos os poderes públicos estão hoje submetidos à influência dominante dos grandes meios de comunicação de massa. O Poder Judiciário, em especial, teme muito os grandes jornais, as grandes televisões. E eu mesmo fui vítima de um caso paradigmático. Em fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo, publicou um editorial no qual, comparando o regime militar brasileiro com outros regimes militares da América Latina, sobretudo do Cone Sul, afirmava que no Brasil havíamos tido uma “ditabranda”. Como eu não leio editoriais, eu só tomei conhecimento dele no dia seguinte, por que um leitor do jornal, de Minas Gerais, mandou uma carta onde se dizia indignado com este neologismo. Eu, então, cedendo a meu impulso siciliano, enviei uma carta ao jornal na qual dizia claramente que o diretor de redação e o jornalista que redigiu o editorial deveriam ambos pedir desculpas ao povo brasileiro de joelhos em praça pública. É que eles ofenderam gravemente a consciência do povo brasileiro. Eles poderiam publicar ou não publicar a minha carta. Hoje esta possibilidade de não publicar se tornou muito forte. Por que, desde 2009, é que não existe mais Lei de Imprensa no Brasil.

Unidade: O sr. sofreu alguma represália por ter escrito esta carta à Folha de S. Paulo?
FKC: Sim. O jornal publicou a minha carta. Mas publicou embaixo da carta uma nota da redação dizendo que “o professor Fábio Konder Comparato é cínico e mentiroso, por que nunca criticou outros regimes ditatoriais como o cubano”. Para grande infelicidade do jornal, o então ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins e Silva, publicou uma nota em que dizia que aquela nota da redação continha um “equívoco”, por que o professor Comparato, em uma edição da mesma Folha, tinha publicado uma carta criticando o regime cubano. Evidentemente que o ombudsman foi convidado a se retirar. Confesso que fiquei muito abalado. Mas, uma publicação dessas, na época o jornal de maior circulação, dizer que eu era cínico e mentiroso me abalou muito. Então, eu movi uma ação por danos morais. Eu perdi em primeira instância e perdi no Tribunal por unanimidade.
(…)
… Por exemplo, existe um setor da Comunicação Social que não foi oligopolizado pelo capitalismo, que é a internet. E nós temos que trabalhar neste setor para mostrar a generalidade da opinião pública e, sobretudo, aos jornalistas e às novas gerações, que este poder capitalista sobre os meios de comunicação de massa é absolutamente contrário à dignidade da pessoa humana. No momento em que desmoralizamos os titulares do poder, eles começam a cair. Não se trata de fazer revoluções. Trata-se simplesmente de mostrar como eles são sujos, da cabeça aos pés. E eu acho que isso deve ser feito. E eu acho que vocês jornalistas têm muito mais capacidade do que nós, não jornalistas, para organizar isso.

Fonte original: Jornal Unidade (foto: Levante Popular da Juventude)

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao ínclito, catedrático, humanista e intrépido jurista e mestre brasileiro Fábio Konder Komparato

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

13 de abril de 2013 às 15h48

Ministros do STF pedem a Barbosa análise de recursos do mensalão

Sábado, 13 de Abril de 2013 – 14:05

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm alertado o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, sobre a resistência em levar a julgamento do plenário os recursos de réus do mensalão. Segundo a Agência Estado, integrantes do STF avaliam como um erro de Barbosa deixar pedidos da defesa engavetados com o objetivo de estender prazos de recursos contra a condenação. A avaliação é compartilhada até mesmo entre ministros que votaram pela condenação maciça dos réus. No final da sessão da última quinta-feira (11), o ministro Celso de Mello, decano do Supremo, ponderou com o presidente para que levasse a plenário os recursos movidos pelos advogados antes da publicação do acórdão do julgamento. Também participaram da conversa os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux.

CACHOEIRA – perdão, ato falho –, FONTE: http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/134811-ministros-do-stf-pedem-a-barbosa-analise-de-recursos-do-mensalao.html

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Não tardará o PIG também começar a exorcizar o monstro forjado – pela própria DIREITONA – que existe no Joaquinzão!…

Quem (sobre)viver, verá!…

… República da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL… ALOPRADA, AVARENTA, sanguessuga, LACAIA, ABJETA, GOLPISTA/TERRORISTA de meia-tigela, ABESTADA, ALIENADA, ALOPRADA, indecorosa, AÉTICA, traidora, despudorada, impunemente fascista, histriônica, MENTEcapta, néscia, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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migueldorosario (@migueldorosario)

11 de abril de 2013 às 12h59

Mídia, manipulação e golpe – http://t.co/OGG1FKjGq3

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