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As mentiras da Globo sobre a Venezuela

Por Miguel do Rosário

18 de abril de 2013 : 16h53

As críticas à cobertura do O Globo sobre a Venezuela
Enviado por luisnassif, qui, 18/04/2013 – 12:21

Por Demarchi
Do Vermelho

Professor demonstra manipulação de O Globo sobre Venezuela

Diante da manipulação da informação nos jornais da Rede Globo, como O Globo, sobre a situação econômica da Venezuela, depois da confirmação de que o candidato Nicolás Maduro, Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv) venceu a eleição no domingo (14), o professor de economia Victor Leonardo enviou carta ao impresso manifestando sua indignação. No domingo, uma onda de violência foi iniciada pela oposição.

Globo ataca governo venezuelano com dados manipulados

Prezada Senhora Sandra Cohen

Editora de Mundo de O Globo

Já é sabido que o jornal O Globo não nutre qualquer simpatia pelo governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, e tem se esforçado a formar entre os seus leitores opinião contrária ao chavismo – por exemplo, entrevistando o candidato Henrique Caprilles sem oferecer ao leitor entrevista com o candidato Nicolás Maduro em igual espaço. Isto por si já é algo temerário, mas como eu não tenho a capacidade de modificar a linha editorial do jornal, resigno-me. O problema é que o jornal tem utilizado sistematicamente dados um tanto quanto estranhos na sua tarefa de formar a opinião do leitor. Sou professor de Economia da Universidade Federal Fluminense e, embora não seja “especialista” em América Latina, conheço alguns dados sobre a Venezuela e não poderia deixar de alertá-la quanto aos erros que têm sido sistematicamente cometidos.

Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou a economia “em frangalhos”, o jornalista José Casado, em matéria publicada em 15/04/2013 (“Economia em frangalhos no caminho do vencedor”) informa que o déficit público em 2012 foi de 15% do PIB. Infelizmente, as fontes desta informação não aparecem na reportagem (apenas uma genérica referência a “dados oficiais e entidades privadas”!!!), uma falha primária que nem meus alunos não cometem mais em seus trabalhos. Segundo estimativas apresentadas para o ano de 2012 no “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe”, da conceituada Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o déficit foi de 3,8% do PIB, ligeiramente menor do que no ano anterior, mas muito inferior ao apresentado pelo jornal. Caso o jornalista queira construir a série histórica para os resultados fiscais para a Venezuela (e qualquer outro país do continente), pode consultar também as várias edições do “Estudio Económico” também da Cepal. Para poupar o seu trabalho: a Venezuela registrou superávit primário de 2002 a 2008: 1% do PIB; 2003: 0,3; 2004: 1,8; 2005: 4,6; 2006: 2,1; 2007: 4,5; 2008: 0,1; e déficit nos anos seguintes: 2009: -3,7% do PIB; 2010: -2,1; 2011: -1,8; 2012: -1,3. O déficit é decrescente, mas bem distante dos 15% do PIB publicados na matéria. Afirmar que o déficit público na Venezuela corresponde a 15% do PIB tem sido um erro recorrente, e também aparece na matéria intitulada “Onipresente Chávez”, publicada na véspera, também no caderno “Mundo” do jornal O Globo em 13/04/2013. A este propósito, tenho uma péssima informação a lhe dar: diante de um quadro fiscal tão saudével, o presidente Nicolás Maduro não precisará realizar ajuste fiscal recessivo, e terá condições de seguir com as políticas de seu antecessor.

A matéria do dia 15/04/2013 possui ainda outros erros graves. O primeiro é afirmar que existe hiperinflação na Venezuela, e crescente. Não há como negar que a inflação é um problema grave na Venezuela, mas O Globo não tem dispensado o tratamento adequado para informar os seus leitores. A inflação na Venezuela tem desacelerado: foi de 20% em 2012, contra 32% em 2008 (novamente utilizo os dados da Cepal). Tudo indica que o jornalista não possui conhecimento em Economia, pois a Venezuela não se enquadra em qualquer definição existente para hiperinflação – a mais comumente utilizada é de 50% ao mês; outras, mais qualitativas, definem hiperinflação a partir da perda da função de meio de troca da moeda doméstica, situações bem distantes do que ocorre na Venezuela.

Outro equívoco é afirmar que “não há divisas suficientes para pagar pelas importações”. A Venezuela acumula superávits comerciais e em transações correntes (recomendo que procure os dados – os encontrará facilmente na página da Cepal). Esta condição é algo estrutural, e a Venezuela é a única economia latino-americana que pode dar-se ao luxo de não precisar atrair fluxos de capitais na conta financeira para financiar suas importações de bens e serviços. Isto decorre exatamente das exportações de petróleo.

O problema, Senhora Sandra Cohen, é que os erros cometidos ao expor a situação econômica venezuelana não se limitam à edição do dia 15/04, mas tem sido sistemáticos e corriqueiros. Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou uma “herança pesada”, a jornalista Janaína Figueiredo divulgou no dia 14/04 (“Chavismo joga seu futuro”) que em 1998 a indústria respondia por 63% da economia venezuelana, e caiu para 35% em 2012. Infelizmente, a reportagem comete o erro primário que o seu colega José Casado cometeu: não cita suas fontes. Em primeiro lugar, a informação dada pelo jornal é que a Venezuela era a economia mais industrializada do globo terrestre no ano de 1998. Veja bem: uma economia em que a indústria representa 63% do PIB é super-hiper-mega-industrializada, algo que sequer nos países desenvolvidos foi observado naquele ano, nem em qualquer outro. E a magnitude da queda seria digna de algo realmente patológico. Como trata-se de um caso de desindustrialização bastante severo, procurei satisfazer a minha curiosidade, fazendo algo bastante corriqueiro e básico em minha profissão (e, ao que tudo indica, o jornalista não fez): consultei os dados. Na página do Banco Central da Venezuela encontrei a desagregação do PIB por setor econômico e lá os dados eram diferentes: a indústria respondia por 17,3% do PIB em 1998, e passa a representar 14% em 2012. Uma queda importante, sem dúvida, mas algo muito distante da queda relatada por sua jornalista. Caso a senhora, por qualquer juízo de valor que faça dos dados oficiais venezuelanos, quiser procurar em outras fontes, sugiro novamente a Cepal, (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). As proporções mudam um pouco (21% em 1998 contra 18% em 2007 – os dados por lá estão desatualizados), mas sem adquirir a mesma conotação trágica que a reportagem exibe. Em suma: os dados publicados na matéria estão totalmente errados.

O erro cometido é gravíssimo, mas não é o único. A reportagem ainda sugere que a Venezuela é fortemente dependente do petróleo, respondendo por 45% do PIB. Novamente, a jornalista não cita suas fontes. Na que eu consultei (o Banco Central da Venezuela), o setor petróleo respondia por 19% do PIB em 1998, contra pouco mais de 10% em 2012. Como a Senhora pode perceber, a economia venezuelana se diversificou. Não foi rumo à indústria, pois, como eu mesmo lhe mostrei no parágrafo acima, a participação desta última no PIB caiu. Mas, insisto, a dependência do petróleo DIMINUIU, e não aumentou como o jornal tem sistematicamente afirmado.

A edição de 13/04/2012, traz outros erros graves. Eu já falei anteriormente sobre os dados sobre déficit público apresentados pela matéria assinada pelo jornalista José Casado (“Onipresente Chávez”). A mesma matéria afirma que a participação do Estado venezuelano representa 44,3% do PIB. O conceito de “participação do Estado na economia” é algo bastante vago, e por isso era importante o jornalista utilizar alguma definição e citar a fonte – mas isto é algo, ao que tudo indica, O Globo não faz. Algumas aproximações para “participação do Estado na economia” podem ser utilizadas, e as mais usuais apresentam números distantes daqueles exibidos pelo jornalista: os gastos do governo equivaliam a 17,4% do PIB em 2010 (contra 13,5% em 1997) e a carga tributária em 2011 era de 23% (contra 21% em 2000), nada absurdamente fora dos padrões latino-americanos.

Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números que simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados equivocados!

Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse.

E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes.

Atenciosamente,

Victor Leonardo de Araujo

Fonte: Rede Democratica

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Messias Franca de Macedo

19 de abril de 2013 às 16h28

A CASA BRANCA QUE NÃO É BRANCA! ENTENDA

… LÁ NAS TERRAS DO TIO SAM é assim, ‘o suspeito pode ser você’! Encontrado, a polícia ‘tem carta branca da Casa Branca’ (sic) para matar, sem pestanejar! Há de se dar resposta imediata à opinião pública; primeiro aos estadunidenses, depois, ao restante do mundo!… E se, depois(!), ficar comprovado que o suspeito assassinado não passava de um mero suspeito?! Aspas para o FBI(!): “Os Estados Unidos já terão varrido da face da Terra e se livrado de outros tantos suspeitos! É imperioso manter acesa a chama da fé em nosso [colossal] povo!…”

E mais: Atentados nos EUA
Caçada por suspeito de atentado para Boston
Um dos suspeitos de atacar a maratona foi morto em confronto com a polícia
em http://www.cartacapital.com.br/internacional/cacada-por-suspeito-de-atentado-para-boston/

NOTA FÚNEBRE: a matéria traz também mais uma pérola:
(…)
Houve uma intensa troca de tiros e um dos suspeitos acabou gravemente ferido, morrendo mais tarde no hospital. “Acreditamos que eles são os mesmos indivíduos responsáveis pelas bombas de segunda-feira na maratona”, disse o coronel Timothy Alben, chefe da polícia estadual. “Também acreditamos que eles são responsáveis pela morte do policial no MIT.”

RESCALDO: o coronel estadunidense afirmou peremptoriamente: “… [Nós] acreditamos…”
RESCALDO II: é verdade: acredite (sic) se quiser!

CÂMBIO: de alguma Central Telefônica de um hospício/manicômio qualquer! E é ‘NOIS’ que somos os loucos!…

Mundo de ‘Nois’ [suspeitos(!)] Bananas!
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

19 de abril de 2013 às 00h03

… AINDA SOBRE AS MENTIRAS DO PIG!…
BOMBA: [MAIS UM] TERREMOTO GOLPISTA, ‘traque deu xabu’!…

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AQUI JAZ O ESTADÃO: PARA DETONAR HADDAD, ESTADÃO USA FOTO DE CRIANÇA FAMINTA NA GUERRA DO CONGO!
A matéria, o lide, a foto de divulgação na conta do twitter, em tudo o Estadão assassinou o jornalismo.
O nível de desonestidade e manipulação para dar uma notícia que em outros tempos o Estadão aclamaria como positiva…
(…)
… O jornalixo faz política de oposição, não jornalismo.

Por Conceição Oliveira – http://mariafro.com/2013/04/18/para-detonar-haddad-estadao-usa-foto-de-crianca-faminta-na-guerra-do-congo-aqui-jaz-estadao/
abril 18th, 2013

O ESTADÃO E AS TÉNICAS DO MARKENTING POLÍTICO APLICADAS AO JORNALISMO

Hoje pela manhã o leitor Ader Gotardo me mandou, pelo twitter, um achado que me pareceu absurdo: o jornal O Estado de S.Paulo, em seu perfil no facebook, utilizou a foto de uma criança feita por Karel Prinsloo na guerra do Congo, em 2008, para ilustrar um post em que acusa o prefeito Fernando Haddad, do PT, de “tirar” a merenda escolar de alunos da periferia para cortar gastos. Após a repercussão no twitter, o jornal trocou a foto por outra, mas manteve a chamada, igualmente tendenciosa. Na verdade, Haddad não “tirou” a merenda escolar de alunos da periferia, como diz o Estadão, e sim reduziu em até 25% o orçamento de clubes-escola, estruturas esportivas públicas. Não houve confirmação alguma de que o corte atingirá o lanche.
(…)
O que é irônico na história toda é esta manipulação escancarada da notícia com fins claramente políticos ter partido de um dos maiores veículos brasileiros de comunicação, os mesmos que vivem ditando regra sobre a melhor maneira de se praticar jornalismo. Que o jornalismo não é “armazém de secos e molhados”, que notícia boa é notícia contra o governo, não a favor. Os mesmos que se arvoram em baluartes do jornalismo “de primeira classe” no país, o mais independente, o mais honesto, o mais bem-feito. Impecável como um anúncio do horário eleitoral, com direito a favela fake e tudo o mais. Um marqueteiro não faria melhor.
Publicado em 18 de abril de 2013

Por Cynara Menezes – http://www.socialistamorena.com.br/o-estadao-e-as-tecnicas-do-marketing-politico-aplicadas-ao-jornalismo/

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… República da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL… ABESTADA, ALIENADA, ALOPRADA, indecorosa, AVARENTA, sanguessuga, LACAIA, ABJETA, GOLPISTA/TERRORISTA de meia-tigela, AÉTICA, traidora, despudorada, impunemente fascista, histriônica, MENTEcapta, néscia, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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