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O Brasil melhorou após as manifestações?

Por Miguel do Rosário

21 de julho de 2013 : 20h07

Uma contribuição ao debate.

É duro constatar, mas acho que as manifestações pioraram o Brasil. Ficamos mais conservadores, mais violentos, mais condescendentes com saques e depredações. A direita ficou mais próxima de voltar ao poder. O Brasil não melhorou em nada. Por isso a mídia está tão eufórica com as manifestações, chamando-as de pacíficas mesmo que seus carros estejam sendo incendiados, as fachadas de seus prédios depredadas, seus repórteres obrigados a cobrir os eventos do alto de helicópteros ou de cima de prédios.

Nem em situações de guerra, vimos repórteres tão precavidos com sua segurança. Mas as manifestações continuam sendo descritas como ~pacíficas~ e o vandalismo como coisa de uma minoria ou de ~infiltrados~.

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Capa da Revista de Domingo do dia 14/07/2013, tentando faturar em cima das manifestações

Não são infiltrados. Eles fazem companhia aos manifestantes desde o início das passeatas. Gritam com eles, fazem sua ~segurança~ e expulsam aqueles que não consideram ~adequados~ à estética do protesto: movimentos sociais, sindicatos, partidos, etc. Quando o protesto chega ao fim, a testosterona da playboyzada acostumada a filmes de destruição e videogames violentos fala mais alto e todos partem para o quebra-quebra. E no dia seguinte, ~intelectuais~ justificam os saques dizendo que os saqueadores “nos representam, são os únicos que nos representam”, conforme disse Francisco Bosco.

Enquanto isso, os homens de “bem” dizem que apoiam as manifestações, que o Brasil precisa mudar. Mas ninguém percebe que o pacto democrático implica em que as mudanças devem ser discutidas com toda a sociedade, e realizadas mediante instrumentos democráticos e pacíficos.Até porque, em caso contrário, voltamos à barbárie em que aqueles que falam mais alto, tem mais músculos e são ricos o suficiente para pagar bons advogados, serão os todo-poderosos das manifestações e da política.

Por mais que os instrumentos democráticos sejam demorados, são os mais seguros, prudentes, e que nos afastam de situações de guerra social. Adotaremos modelos de guerra civil da África sub-saahariana?

Se as depredações são justificadas, o que vem em seguida? Assassinatos e linchamentos dos donos dessas lojas? Restarauntes serão invadidos por ~manifestantes~ enfurecidos e seus clientes espancados? Aí ninguém mais vem ao Brasil, ninguém mais investe em nosso país, o desemprego aumenta, e tudo desanda. A economia precisa de estabilidade e um mínimo de paz social para se desenvolver.

Algumas revoluções são lindas, mas só quando absolutamente necessárias e inevitáveis. Revolução conduzida por jovens mascarados de classe média alta, filhos da elite mais reacionária do país, ninguém merece.

Temos assistido um ataque às instituições e aos valores democráticos. Em tempos de simulacro e midiatização de tudo, as pessoas assistem ao quebra-quebra como quem vêem filmes. Mas milhões estão sofrendo transtornos. As polícias estão sendo pressionadas psicologicamente muito além do limite razoável. No Leblon, assistimos vídeos (eu assisti) com centenas de playboys humilhando um PM que passava pelo meio da multidão. Quem mora em grande cidade, já viu esta cena antes.

Hà alguma coisa estranha no ar. Não queria ser paranóico. Mas neste momento de delírio coletivo, talvez seja a hora de sê-lo. E vamos tentar chamar as pessoas à razão.

As pessoas estão desenvolvendo um ódio irracional à política e aos políticos. Qual a razão do ódio súbito a Sergio Cabral? Porque “privatizou” o Maracanã? Porque está tocando as obras da Copa? Ora, não dá para entender. Num lugar protestam porque o Estado gastou com a construção de um estádio, no outro porque entregou ao setor privado. O Leblon anti-Cabral sempre foi o lugar que mais concentra defensores da privatização, e não do Maracanã, mas de empresas estratégicas, como Petrobrás, Banco do Brasil e Vale do Rio Foce. O Leblon carioca votou em Serra.

Entendo perfeitamente que não gostem de Cabral. Mas se organizem para eleger outro candidato. O que estamos vendo é a emergência da velha classe média favorável a soluções de força, e irritada com os resultados de eleições limpas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Fabio

28 de abril de 2014 às 20h48

Quase um ano depois a única coisa que mudou no pais é que antes os políticos se achavam intocáveis. Agora a molecada e o povinho também. Não se respeita mais nada e a ninguém neste pais. Para começar a querermos ordem é necessário começar a respeitar alguém.

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franciny Maradei

29 de setembro de 2013 às 15h19

concordo plenamente com vc Pedro savaget Nascimento…… as manifestaçoes tinham q ter acontecido mesmo …. nao mudou muita coisa na verdade quase nada , mas tenho certeza q’ os caras estao mas alerto em q eles fazem com o nosso país …. …. pq nao estamos dormindo mais e temos voz ativa …..

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antonio paulo

22 de julho de 2013 às 16h51

O Brasil piorou não resta dúvida.Ninguém sabe o que quer cada um pede uma coisa.E os vândalos aproveitam.A direita agradece. já tem gente pedindo a volta dos militares.É só pressionar os políticos para uma reforma radical e não esquecer nunca de por fim a tal de imunidade ou impunidade parlamentar que faz com que bandidos,corruptos se escondam atras de mandatos populares.

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Wandemberg

22 de julho de 2013 às 16h47

O cafezinho, eu concordo que a manifestação deva ocorrer em paz, mais uma paz generalizada, onde a policia deva agir contra, somente contra, quem provoque distúrbios, e que não saia prendendo, xingando e batendo em todos que estão na manifestação com o pretexto que não da para saber quem é vândalo e quem é só manifestante.

Sobre usar mascaras, camisa no rosto e etc, poucos se aproveita para fazer algazarras, a maioria se tampa por causa do desconforto das bombas e do spray.

Acredito, e quero morrer acreditando na nossa democracia, mais acredito na ferramenta que nela existe para tirar do governo, federal, estadual ou municipal do poder se ele passe a desrespeitar o bom senso ou as regras do poder. Eu acho justo e legitimo a reivindicação do povo carioca.

O melhor fruto de toda essa manifestação esta na volta do interesse popular pela política, só essa vantagem já valeu.

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claudinei watanabe

22 de julho de 2013 às 16h45

Pois é Miguel, há algum tempo atrás por conta de um comentário meu no aqui blog, sobre a crise do Palocci, você me chamou de pequeno burguês, ao que parece você está com os mesmo sintomas que os meus. Esse artigo parece um lamento de pequeno burguês inconformado com as manifestações, pois elas instalaram uma profunda crise no governo no federal. O fato concreto é que o governo Dilma pode estar em uma crise terminal. Estamos em uma crise, ou melhor, é uma etapa pré-revolucionária no país, é isso que você e o PT ainda não entenderam, portanto estamos vivendo um momento de DISPUTA POLÍTICA, ECONÔMICA, SOCIAL E IDEOLÓGICA, logo chingar os caras de coxinhas não resolve o problema, ou ainda esse seu choro constitucionalista pequeno burguês não é um bom antidoto contra os problemas reais “Entendo perfeitamente que não gostem de Cabral. Mas se organizem para eleger outro candidato”. Revoluções são assim elas não esperam o tempo marcado da institucionalidade burguesa, elas querem resolver o aqui e agora e não daqui a dois anos. Você e o PT ainda não entenderam que para sair da crise, mesmos que nos marcos da institucionalidades burguesa “medidas convencionais” não fecham a crise política, a disputa petista no congresso é o caminho mais curto para aprofundar a crise. É preciso fazer a disputa política nas ruas é de lá que se pode tentar “salvar” o governo Dilma, só de lá. É preciso uma agenda de esquerda para disputar as ruas como diz o dirigente do PT Valter Pomar “A verdade é que ou o PT se recicla, gira à esquerda, aprofunda as mudanças no país; ou toda a esquerda será atraída ao fundo”…. “Para vencer esta disputa teremos que combinar ação de governo, ação militante na rua”. Mas qual a saída proposta pelo governo, corte de 15 bilhões do orçamento e possível troca ministerial, sobretudo o ministro da Fazenda, tudo isso para levar “tranquilidade” ao mercado financeiro, ou seja, o governo quer garantir que os juros serão pagos a banca custe o que custar. Já no encontro como o MPL “o Movimento Passe Livre saiu do Palácio do Planalto dizendo que o governo federal não apresentou nenhuma proposta concreta para zerar a tarifa do transporte público ou melhorar o serviço” e qual a resposta de Dilma sobre pauta de reinvindicação das centrais sindicais, de concreto nada somente ser essas palavras da presidenta, “Eu considero que em qualquer manifestação onde haja interrupção de rodovias e que se tenha atos de violência, eles têm de ser condenados”. Essa não é digamos assim não é uma agenda de esquerda e muito menos popular até porque como sabemos as reinvindicações vão ser estudadas e quando e na medida do possível serão respondidas. Bem quanto ao corte do orçamento esse é para já agora sem demora. Miguel crises revolucionárias é assim mesmo podem levar a esquerdar ou direita ao poder, pode ser através de eleições ou golpes. A miopia política do PT pode estar preparando um golpe constitucional estilo Paraguai ou ao modo Egípcio, essa possibilidade ira se concretizar ninguém pode dizer, mas, objetivamente esse horizonte político começa a dar sinais de concretude. Para finalizar o problema do PT é que ele não quer correr risco algum, a direção decretou, as ruas estão proibidas a militância petista, o seja, é preciso baixar a fervura das ruas, essa é a encruzilhada Petista, mas a história está cheia de exemplos do que a covardia política produz. Allende e João Gullar são símbolos da recusa de mobilizar as massas, eles acreditaram até o fim na institucionalidade burguesa, Allende sacrificou a própria vida, mas isso não deteve a crise, muito ao contrário possibilitou a ascensão da uma sanguinária ditatura que ceifou a vida milhares de lutadores, já os vacilos de Gullar decretou o fim de seu governo e a instalação de uma ditatura civil-militar, responsável pela morte de ao menos 3.500 lutadores além de ter sido o exemplo, e, base de apoio para instalação de novos regimes ditatória em todo o cone sul. Miguel centrismo POLÍTICO em momentos de crises aguda como essa, quando não levam a derrotas eleitorais abre alas e regimes ditatórias, o PT pode estar chocando o ovo da serpente.

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Antonio Luiz Teixeira

21 de julho de 2013 às 21h09

“Se as depredações são justificadas, o que vem em seguida? Assassinatos e linchamentos dos donos dessas lojas? Restaurantes serão invadidos por ~manifestantes~ enfurecidos e seus clientes espancados? Aí ninguém mais vem ao Brasil, ninguém mais investe em nosso país, o desemprego aumenta, e tudo desanda. A economia precisa de estabilidade e um mínimo de paz social para se desenvolver.”

Miguel, esse seu trecho já diz tudo. É exatamente o que se quer. Por isso que, entre perdas e danos, a Globo não contabiliza seu veículos depredados. Ela pensa no futuro diferente do presente, em que nada garante sua estabilidade de agente corrupto e corruptor que sempre foi. Com mesmo viés, agem e pensam daqui de dentro e lá de fora.
Amanhã desembarcará no Brasil o novo Papa, codinome Francisco. Diz o noticiário que, antes disso visitou o demissionário Ratzinger (codinome Bento XVI). A missão de Wojtyla (codinome João Paulo II) perante seus compromissos com o mundo capitalista foi o de derrubar o Muro, sucumbir o perigo comunista (para os cristãos) e instalar em todos os rincões do mundo o estilo de democracia ocidental, sob proteção norte-americana. Como unha e dedo ali sempre estiveram Ratzinger e Wojtyla. O inquisidor-mor, Ratzinger, perseguiu até o seu silêncio os seguidores da Teologia da Libertação. No Brasil, vários clérigos foram vitimados, tendo como expressão máxima o franciscano Leonardo Boff, que não esconde seu entusiamo com Bergoglio (codinome Francisco). Ao que parece muito mais pela escolha do nome do que por algo concreto que o mesmo já tenha apresentado ao mundo.
A imprensa de hoje noticia que perguntado sobre a Teoria da Libertação, Bergoglio afirmou que não é seu seguidor. E mais, que a ela seria indiferente.
Depois de muito tempo, Leonardo Boff ocupa novamente as páginas da Agência Carta Maior. Ao invés de falar sobre a vinda do Papa e suas mensagens de esperança para os cristãos que aqui estarão reunidos, Boff esquadrinha as fragilidades e desvios conceptuais (sic) do PT. Nada de Papa, tampouco de Teologia da Libertação.
É a onda…

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Desacreditado

21 de julho de 2013 às 20h16

O mínimo que se espera é uma atuação enérgica do Ministério Público, que ainda detém alguma credibilidade junto à sociedade. O que se espera de uma organização criminosa como a PMERDA do Rio de Janeiro? Os policiais justificam a atuação como sendo parte da hierarquia militar da corporação, onde eles recebem ordens e devem obedecê-las, prática idêntica ao que aconteceu na Alemanha Nazista, quando muitos judeus foram mortos por causa da mesma justificativa. A Polícia que deveria dar exemplo, na verdade é tão corrupta, sanguinária e bandida como esse governadorzinho que temos. AS MANIFESTAÇÕES NÃO VÃO E NÃO PODEM PARAR!!!
BOI BOI BOI BOI DA CARA PRETA PEGA O CABRAL QUE É SAFADO E PICARETA!!!!
http://www.youtube.com/watch?v=ihJrDRVEsc0
http://www.youtube.com/watch?v=zdIwLguI_TI
http://www.youtube.com/watch?v=5H75O9uU3N0
http://www.youtube.com/watch?v=3myg7k7iV4g
http://www.youtube.com/watch?v=_sU-IQx_3TM

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