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FMI eleva projeção do Brasil para 2,4% em 2026

0 Comentários🗣️🔥 O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta quarta-feira (8) sua projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,4% — meio ponto percentual de melhora em relação ao relatório anterior, divulgado em abril. O novo número consta do relatório Perspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook), e chega num […]

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RICARDO STUCKERT/PR

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta quarta-feira (8) sua projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,4% — meio ponto percentual de melhora em relação ao relatório anterior, divulgado em abril. O novo número consta do relatório Perspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook), e chega num contexto em que o próprio Fundo reduziu a expectativa para o crescimento da economia global, hoje projetada em 3%, ante 3,1% na rodada de abril.

Uma trajetória que também conta uma história

O dado de hoje ganha mais sentido quando colocado ao lado das duas revisões anteriores do próprio FMI para o Brasil neste mesmo ciclo. Em janeiro, o Fundo havia cortado a estimativa para 1,6%, atribuindo o corte principalmente à política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação — a Selic, hoje em 15% ao ano, a maior taxa básica de juros do país em quase duas décadas. Em abril, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o FMI reviu a projeção brasileira para cima, para 1,9%, justamente por avaliar que o Brasil, como exportador líquido de commodities energéticas, tenderia a se beneficiar da alta do petróleo provocada pela guerra, enquanto boa parte do mundo sofreria o efeito inverso.

Agora, com o novo salto para 2,4%, o Brasil aparece novamente entre os poucos países com revisão positiva num cenário global mais cauteloso — uma melhora que o próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia adiantado durante um fórum econômico no BNDES na semana passada, antes mesmo da confirmação oficial do Fundo.

O que está por trás da cautela global

O tom mais reservado do FMI em relação à economia mundial reflete diretamente os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre preços de energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados. Segundo o Fundo, tensões geopolíticas continuam pressionando decisões de investimento e ampliando a volatilidade nos mercados internacionais — e o relatório foi fechado antes mesmo de uma nova declaração de Donald Trump sobre um possível fim do cessar-fogo com o Irã, o que pode adicionar ainda mais instabilidade ao quadro nos próximos meses. Na prática, o principal ativo que sustenta a melhora brasileira é uma vulnerabilidade alheia: quanto mais a guerra pressiona o preço do petróleo, mais o Brasil, como produtor e exportador da commodity, tende a colher o efeito colateral positivo — um tipo de “sorte” que depende inteiramente de uma tragédia geopolítica continuar ocorrendo em outro lugar do mundo.

O que os números não dizem sozinhos

Vale contextualizar o outro lado da equação, que o comunicado oficial não menciona: o próprio FMI vem, em relatórios recentes, apontando para uma trajetória de alta da dívida bruta brasileira, projetada para saltar de 87,3% do PIB em 2024 para 91,4% neste ano — um indicador que segue sob monitoramento de investidores e agências de risco, e que tende a pesar nas discussões sobre a sustentabilidade fiscal do país nos próximos anos, independentemente do desempenho pontual do PIB.

Também merece nota que a melhora nas projeções do Fundo para o Brasil, embora real, ainda deixa o país com ritmo de expansão mais moderado do que a média das economias emergentes: o FMI projeta crescimento de 4,2% para o conjunto de economias emergentes e em desenvolvimento neste ano — quase o dobro da nova estimativa brasileira —, com destaque para a China, cuja expansão prevista gira em torno de 4,4%.

Uma boa notícia real, mas que exige leitura sem excesso de entusiasmo

A elevação da projeção do FMI é, sim, um dado positivo para o governo Lula (PT), que já vinha sinalizando otimismo com o desempenho da economia em 2026 — reforçado, na mesma semana, pela revisão para cima nas vendas de veículos feita pela Anfavea. Mas a trajetória de vaivém das próprias estimativas do Fundo ao longo do ano — corte em janeiro por causa dos juros, alta em abril por causa da guerra, nova alta agora — é também um lembrete de que essas projeções são fotografias de um momento particularmente volátil, sujeitas a revisão a cada poucos meses conforme a guerra no Oriente Médio, o custo do crédito interno e o cenário fiscal brasileiro evoluam. Tratar o número de hoje como veredito definitivo sobre a saúde da economia brasileira seria ignorar exatamente o padrão que os últimos dois relatórios do próprio FMI acabaram de demonstrar.

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