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Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em São Paulo — e escancara o paradoxo de uma campanha que cresce apesar da rejeição

0 Comentários🗣️🔥 O instituto Datafolha divulgou nesta quarta-feira (8) uma pesquisa que confirma o estado real da disputa presidencial em São Paulo: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados, com 35% cada no cenário estimulado de primeiro turno. No segundo turno, o quadro se inverte ligeiramente a favor do […]

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Sergio Lima/AFP e Daniel Ramalho/AFP

O instituto Datafolha divulgou nesta quarta-feira (8) uma pesquisa que confirma o estado real da disputa presidencial em São Paulo: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados, com 35% cada no cenário estimulado de primeiro turno. No segundo turno, o quadro se inverte ligeiramente a favor do bolsonarista — 46% a 43% —, mas segue dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento, que ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios paulistas entre 1º e 3 de julho.

Um empate que esconde uma assimetria importante

O dado mais revelador da pesquisa não está no empate técnico em si, mas na composição dele. Quando o Datafolha testa a intenção de voto espontânea — sem apresentar nomes ao entrevistado —, Lula dispara na frente, com 24% contra 18% de Flávio. É um sinal de que o presidente ainda ocupa espaço mais consolidado no imaginário político paulista do que o senador, cuja candidatura, mesmo com meses de exposição nacional, ainda depende fortemente do estímulo do nome na cabine de votação para converter-se em intenção de voto.

A rejeição confirma essa leitura de formas opostas: 51% dos paulistas dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 43% de rejeição a Flávio — uma vantagem real para o senador nesse quesito específico. Ainda assim, essa rejeição maior de Lula convive com uma avaliação de governo relativamente mais estável do que se poderia supor: o índice de paulistas que classificam a gestão federal como ruim ou péssima caiu de 46% em março para 43% agora, mesmo com o estado historicamente hostil ao PT em disputas presidenciais.

São Paulo como território hostil — mas nem tanto

O histórico é conhecido e a própria matéria original o resgata: Lula só venceu em segundo turno no estado de São Paulo uma única vez, em 2002, na eleição que o levou à Presidência pela primeira vez. Em 2022, Jair Bolsonaro derrotou o petista no estado por uma margem expressiva, de 55,24% a 44,76% — mais de dez pontos de diferença. É esse número de 2022 que dá a real dimensão do que os dados atuais representam: se o cenário do Datafolha se confirmar, o segundo turno paulista de 2026 (46% a 43%) marcaria uma redução drástica da vantagem bolsonarista no estado, de mais de dez pontos para uma diferença dentro da margem de erro.

O interior é de Flávio, a Grande São Paulo é de Lula

O levantamento também traz uma quebra regional que ajuda a explicar a disputa apertada: no interior paulista, tradicional reduto conservador, Flávio abre vantagem de 52% a 38% sobre Lula em simulação de segundo turno. Já na região metropolitana — mais populosa e mais heterogênea —, o quadro se inverte, com o presidente à frente por 48% a 40%. É o retrato de um estado dividido entre dois eleitorados com prioridades e trajetórias políticas distintas, e que devem seguir sendo o alvo prioritário de ambas as campanhas nos próximos meses.

O que fica por trás dos números

O contexto em que a pesquisa foi feita — mesma semana em que Flávio protagonizou o episódio mais desgastante de sua pré-candidatura até agora, indo aos Estados Unidos depor na audiência do USTR sobre o tarifaço e admitindo publicamente que sua preocupação central era o calendário eleitoral brasileiro — já rendeu reação dura até de empresários que participaram do mesmo evento em Washington, que classificaram a atuação do senador como um esforço de “fazer palanque” em vez de defender genuinamente os interesses comerciais do país. É um desgaste que ainda não aparece de forma nítida nos números captados por este levantamento específico, feito antes da repercussão mais intensa do episódio, mas que reforça o padrão observado na pesquisa nacional Meio/Ideia divulgada também nesta quarta: o de uma vantagem de Lula que cresce menos por mérito próprio do governo, e mais pelo desgaste acumulado do principal adversário.

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