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Globo argentina tenta constranger artistas a não apoiar Kirchner

Por Miguel do Rosário

28 de maio de 2014 : 11h46

Legal essa discussão puxada pelo Diario do Centro do Mundo, sobre o que está acontecendo na Argentina. Sobretudo porque a situação no Brasil é infinitamente pior.

E explica porque os artistas vem dando declarações apenas contra o governo, inclusive num ano eleitoral, e isso numa categoria que, historicamente, sempre foi, em sua maioria, progressista e de esquerda. Como a Globo detêm hegemonia absoluta no mercado de ficção, e se tornou uma emissora fortemente partidarizada, o constrangimento aos artistas é claro.

Com exceção do Zé de Abreu, que conquistou, a duras penas, uma condição única, os artistas brasileiros de televisão se vêem absolutamente constrangidos a se posicionarem contra o governo. Aliás, não apenas de televisão. O domínio da mídia sobre o mercado cultural é muito mais terrível do que na seara política, porque na política existem os blogs, os jornais alternativos, e o poder nasce do voto. Na arte, como é um universo totalmente meritocrático, de um lado, e comercial de outro, a dependência da mídia é absoluta. A classe artística vive oprimida pela oligarquia midiática, talvez mesmo sem ter disso consciência, porque precisa da mídia para ficar conhecida junto ao grande público. A concentração da mídia atinge a classe artística em cheio.

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Grupo Clarín ataca artistas favoráveis a Cristina Kirchner

Postado em 28 de maio de 2014, no Diario do Centro do Mundo

Afinal, artistas têm ou não têm o direito de assumirem publicamente suas posições políticas e ideológicas? Esta interessante discussão ganhou força agora aqui na Argentina.

Tudo começou depois das declarações do ator e todo-poderoso gerente de programação do Canal Trece, do grupo Clarín, Adrián Suar (foto) em um programa de TV. Entre outras coisas, Suar afirmou que a maioria dos atores que se identifica e apoia publicamente o governo de Cristina Kirchner o faz por dinheiro ou por interesses que nada têm a ver com suas reais convicções. A crítica também foi dirigida aos chamados atores militantes, que, segundo Suar, são pouco inteligentes por tornar públicas posições ideológicas e/ou partidárias, correndo o risco de se depreciarem.

As declarações de Suar revoltaram o meio artístico argentino. A resposta mais contundente veio da Associação Argentina de Atores, presidida pela atriz Alejandra Darín, irmã mais nova do famoso ator Ricardo Darín, um artista que nunca escondeu seu apoio às políticas públicas do governo Kirchner – e que nunca esteve depreciado, muito pelo contrário, é um dos atores argentinos mais prestigiados da Argentina e do mundo.

Em um comunicado, a entidade afirmou:

“É comum encontrar no setor empresarial essa aversão à participação política de seus funcionários, às ideologias e, inclusive, à conscientização dos trabalhadores quando estes decidem se agrupar e se sindicalizar. O sonho de um mundo sem sindicatos que cuidem dos direitos dos trabalhadores se torna explícito na permanente intenção de manter o trabalho precário. E não satisfeitos com isso, como neste caso, pretendem a assepsia do pensamento dos atores, ávidos por continuar mantendo-os dentro da “ficção”, essa que intencionalmente tenta trocar nosso trabalho e arte por espetacularização, fora da realidade. (…) Custou-nos, e ainda nos custa, e continuamos lutando para que os empresários do setor, Suar entre eles, reconheçam plenamente nossa condição de trabalhadores e respeitem integralmente nossos direitos trabalhistas. Era o que faltava, que um representante do setor empresário pretenda dar-nos seu certificado de bons cidadãos e nos diga o que devemos ou não devemos dizer.”

Reproduzido do Argentin.etc.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Xandão

29 de maio de 2014 às 01h25

Estive na Argentina 15 dias atrás. O país não está na lama, como tentam fazer entender. Fui pela primeira vez pouco tempo após a quebradeira do padrão 1 peso = 1 dólar. O país estava de joelhos. Claro que o casal K fez bobeira, e senti um certo cansaço dos argentinos com a Cristina. Mas ela tá longe de ser demonizada como tentam fazer parecer.

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Vitor

28 de maio de 2014 às 17h02

Claro, a mídia é realmente abominável, mas não podemos achar que o Governo de Cristina é razoável… Alguém sabe dizer a quantas anda a inflação na Argentina?

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Vitor

28 de maio de 2014 às 14h33

Tem um filme com o Darín chamado Nove Rainhas que é muito bom…

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Pablo De la Kema

28 de maio de 2014 às 17h16

acho q esta por fora do q acontece na Argentina, Cristina é sem duvidas junto com Nestor a presidente mais corajosa nos ultimos 30 anos de democracia q vem desafiando os monopolios q destruiram a Argentina nos ultimos anos, estatizou o futbol e muito bem! ja que ele como aqui se habia transformado numa ferramenta das coorporaçoes para manipular o povo e para destruir pequenas emisoras do interior.

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Jose Roberto

28 de maio de 2014 às 15h28

Sinceramente Cristina é patética,destruiu a economia dos hermanos,até estatizou o futebol argentino pagando milhões a AFA pela exclusividade das 3 divisões

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    Miguel do Rosário

    28 de maio de 2014 às 13h48

    o governo dos kirchners tem mil problemas, mas é muito melhor que os anteriores.

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    Anderson

    28 de maio de 2014 às 13h54

    Sim, pagou milhões pelo futebol da AFA. Em compensação os jogos são
    transmitidos por canais abertos, democraticamente. Aqui, vivemos a didatura
    da Globo.

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