Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Wadih e Jandira conversam sobre o golpe

Por Miguel do Rosário

18 de outubro de 2015 : 09h21

O Rio não elegeu apenas Eduardo Cunha e Bolsonaros.

O Rio também elegeu Jandira Feghali, Jean Wyllys e Wadih Damous.

Aliás, parabéns a Jean Wyllis pelo prêmio de melhor deputado segundo o Congresso em Foco.

Entre os 11 deputados mais votados, seis vieram da esquerda: Jean Wyllys, Chico Alencar, Ivan Valente, Edmilson Rodrigues, Jandira Feghali e Maria do Rosário. PSOL, PCdoB e PT. É um sinal – ufa! – de que a onda fascista está refluindo.

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Abaixo, uma conversa entre o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB) sobre a recente vitória política e jurídica contra o golpe.

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No Siga Jandira.

2 DEDOS DE PROSA: Wadih Damous e o golpismo barrado no STF

Deputado foi um dos responsáveis por barrar no STF o golpe Deputado foi um dos responsáveis por barrar no STF o golpe

Um dos responsáveis por barrar o impeachment no STF esta semana, o advogado e deputado federal, Wadih Damous (PT/RJ), conversou com o mandato de Jandira e explicou sua visão sobre o golpismo que permeia o Parlamento. Wadih é formado pela UERJ, tem mestrado em Direito Constitucional e foi presidente da seccional da OAB no Rio de Janeiro. Em 2010, foi protagonista da Campanha pela Memória e pela Verdade, com foco na abertura dos arquivos da ditadura. Ainda em sua gestão, criou a Comissão da Verdade da OAB, que reuniu elementos sobre o papel da Justiça Militar na ditadura.

A entrevista é com o repórter João Pedro Werneck.

João Pedro Werneck: Por que o rito regimental dado por Cunha para o Impeachment é ilegal?

Wadih Damous: É ilegal porque fere o principio constitucional da reserva legal. O que eu quero dizer com isso: o artigo 85 da Constituição de 1988 estabelece que o impeachment é matéria que deve ser tratada e regulada por lei. Isso cria o princípio da reserva legal. Só a lei pode traçar o rito, regular, encaminhar o processo com um eventual pedido de impeachment do Presidente da República. O que o Eduardo Cunha fez respondendo uma questão de ordem do DEM, aliás combinado com o DEM, foi criar um rito da cabeça dele. Por isso nós fomos ao Supremo Tribunal Federal para barrar essa inconstitucionalidade, que na verdade era um instrumento a serviço do golpe.

JP: Como o senhor enxerga a movimentação da oposição junto de grupos golpistas?

WD: A oposição tornou-se golpista. A oposição está no seu leito natural. Se associando ao banditismo, a grupos desqualificados. Buscando apoio de pseudo juristas, que não tem nenhuma tradição no mundo jurídico, no âmbito de direito, para perpetrar um golpe parlamentar. Para criar, transformar a Câmara dos Deputados num tribunal de exceção. Essa é oposição mais desqualificada que já existiu na história do Brasil.

JP: Ideias conservadoras têm sido propagadas na sociedade por diversos movimentos neoliberais. Isso é preocupante?

WD: É preocupante sim. Eu estou na Câmara há cerca de 5 meses. O que eu tenho visto por lá em termos de conduta de determinados blocos de deputados, condutas pessoais, atuação parlamentar das mais lamentáveis. E o que nós vemos na Câmara hoje é a existência de uma pauta reacionária, que atenta contra princípios civilizatórios, pauta homofóbica, pauta racista, pauta que criminaliza a juventude pobre, negra desse país. Então isso de fato é muito preocupantes porque a associação desses setores de barbárie com a ideologia neoliberal.

JP: Que mensagem o senhor poderia dar a presidenta Dilma neste momento?

WD: A presidenta Dilma já mudou o comportamento nos últimos dias. Fez um discurso histórico na CUT em que finalmente falou ao povo brasileiro. Finalmente saiu do canto do ringue para de dedo em riste, democraticamente, dizer que os moralistas sem moral não podem prevalecer, não podem ser vitoriosos. O que eu espero da presidenta Dilma é ao mesmo tempo, serenidade, mas firmeza e determinação na defesa de seu mandato. Que o mandato não é propriedade privada dela, um mandato é patrimônio do povo brasileiro. Um mandato de quatro anos está previsto na Constituição. Esse mandato não pode ser abreviado por elementos desclassificados, golpistas, que não têm nenhum resquício de ética e moralidade para tratar como vem tratando a presidenta Dilma. A presidenta Dilma é uma mulher honesta, não tem conta na Suíça, não tem conta em Lichtenstein, nunca apareceu algemada saindo de prefeituras. Não responde a ação penal e não há a pratica por parte da presidenta de qualquer dos crimes de responsabilidade tipificado de lei. Então a presidenta Dilma pode contar e continuará contando com a nossa resistência, com o nosso apoio, com a nossa solidariedade. Mas esperamos também que ela mude essa política econômica, que nós precisamos ter ao nosso lado os nossos movimentos sociais, todos aqueles que foram responsáveis pela eleição da presidenta Dilma Roussef em 2014.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Marcos Souza

19 de outubro de 2015 às 15h52

É verdade, o Rio não elegeu só Bolsonaros e Cunha, mas só Bolsonaro teve mais votos que Jandira Feghali, Jean Wyllys e Wadih Damous juntos . Chuuuuuuuuuuuuuuuuuupa , petralhada ! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Lula 2018

18 de outubro de 2015 às 23h13

Eu votei no Rio!

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Elisa Almeida

18 de outubro de 2015 às 19h41

Menos mal. Ainda bem que temos uma Jandira.

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Flávio Barbosa

18 de outubro de 2015 às 16h42

Bando de vagabundo! Tai ai, um bando de imprestáveis a serviço do PT! Pago com dinheiro publico!

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    Angela Santos

    19 de outubro de 2015 às 21h10

    Ahh como seria maravilhoso se tivessem mais desses vagabundos e imprestáveis, o Brasil realmente iria mudar o rumo.

    Responder

    Flávio Barbosa

    19 de outubro de 2015 às 21h13

    …iria mesmo, podemos ver em todo lugar o quanto eles contribuem para o desenvolvimento do Brasil!

    Responder

Roger Gilmour

18 de outubro de 2015 às 14h28

Eleger Bolsonaro e Cunha.
O Rio nos mata de vergonha.

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George

18 de outubro de 2015 às 11h33

Pois é… corroborando com o Vitor, o Wadih não foi eleito “de cara” pela população fluminense. Obteve uma votação insuficiente para assumir a vaga na Câmara, a despeito das enormes qualidades morais e intelectuais do próprio Damous.

Damous assumiu a vaga de Fabiano Horta em maio.

Assim, ainda estou um pouco cético acerca da qualidade do voto fluminense.. Ainda estamos na idade média em termos de seleção de representantes, não desconsiderando Jandira, Chico Alencar, Wyllys…

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Jorge Moreira

18 de outubro de 2015 às 13h31

é…o problema é q precisam mil Jandiras e mil Wadihs para consertar o estrago de um cunha e um bolsonaro :P

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Mauricio Gomes

18 de outubro de 2015 às 11h08

Queria saber o que pensam as bestas que votaram nos dePUTAdos BolsoASNO filhote e no Carlos “quero golpe” Sampaio como melhores parlamentares. Provavelmente são patéticos lobotomizados por essa mídia criminosa e irresponsável….

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André Ari Schmitt

18 de outubro de 2015 às 12h41

Cunha tinha um conta de email para receber propinas, por isso e outras insiste em impeachment de Dilma!

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Messias Franca de Macedo

18 de outubro de 2015 às 09h59

Diga-me com quem andas e te direi quem és

DOM, 18/10/2015 – 08:41

Sugestão de Jean Wyllys

via Twitter

(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://jornalggn.com.br/noticia/diga-me-com-quem-andas-e-te-direi-quem-es

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Vitor

18 de outubro de 2015 às 09h26

Na verdade o RJ não elegeu Wadih…

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