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Presidente do Conselho da ABI denuncia golpismo e elogia Dilma Rousseff

Por Miguel do Rosário

08 de dezembro de 2015 : 16h59

A luta contra o golpe mal começou e já arrebanhou virtualmente todos os grandes espíritos nacionais que não sucumbiram ao egoísmo, à manipulação, ao oportunismo.

Reproduzo abaixo um texto divulgado há pouco por Ivan Proença, grande intelectual, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no qual defende a honra e a legitimidade de Dilma Rousseff, e ataca os golpistas, na política e na imprensa.

“O indivíduo e joio Cunha, com o (não) caráter que Deus lhe deu, foi apenas o executor daquilo que seus cúmplices diretos ou indiretos desejavam.

Entre esses, os políticos sujos e, pior, jornalistas (articulistas de fundo ou não), matérias assinadas no incorrigível O Globo, ou Grande Imprensa em geral, revistas não veja, fora de época e isto não é. São muitos e sistemáticos.

Não raro, até, ofensas e agressões verbais à Presidente.

Difícil listar a enxurrada. Por exemplo, Nelson Mota, Noblat, Gaspari, Cora, Merval, os neodireitistas Gabeira, Aarão, Ancelmo, e os vitalícios (alguns mais fiéis escrevem também nas Revistas dos Clubes Militares, ao lado de eternos apologistas ou defensores do golpe de 64 e das barbaridades cometidas ao longo dos 21 anos).

Todos cúmplices sim da miséria política que envolve o impeachment.

Não sou PT menos ainda Lulista. Ao contrário, entrei, desde a fundação, para o PDT e ocupei cargos no Governo Brizola (como faz falta hoje!). Sempre tive sérias restrições ao PT, inclusive por uma injustificada oposição deles ao PDT e a Brizola (só um exemplo: os ataques aos CIEPS).

Mas bem sei que, também, boa parte da elite econômica e da incrível classe média jamais se conformou com o fato de um metalúrgico chegar ao Poder e, após, uma guerrilheira ser Presidente. Inconformismo da velha corja da política brasileira desde o 2º Governo de Getúlio, a deposição de Jango, o golpe militar e civil que durou 21 anos.

Vi, há pouco, a imagem do joio Cunha aclamado por Paulinho (da fraqueza sindical) e por um Bolsonaro. Como pode esse tipo de gente investir despudoradamente contra uma mulher tão digna, séria, limpa? E preparada, sim. Acusam, ainda, a Presidente de não ser boa oradora. E daí? Mussolini, Hitler, Pinochet, Lacerda (até Aécio, o neto) empolgaram e ou empolgam “seus” públicos com oratória bizantina.

Problemas econômicos, em fases, todos sabemos, se devem ao contexto flutuante do capitalismo, e no Brasil são atribuídos, ainda, aos exageros (!) na assistência aos menos favorecidos (através bolsas, cheques família, minha casa minha vida, etc): era só o que faltava para caracterizar tal oposição a serviço. Essa gente é que propõe a luta de classes.

Corrupção? Claro, um horror, uma vergonha. O PT fez o que — em boa proporção — fazem outros partidos. E foi com muita sede ao pote. Errou e corrompeu. E a figura do dedo-duro (eufemisticamente, hoje, delator premiado) entra em cena e escancara o mar de lama ética e moral. Os transgressores estão sendo justamente punidos, o que não ocorria antes.

Paciência, Presidente Dilma. A senhora lutou e arriscou a vida para que essa gente, que pede seu impeachment, possa expressar-se. Orgulho nosso tê-la como governante, por seu passado e sua dignidade. Desanima não. Se a excluírem, é porque não a merecem e não estão à altura de alguém com sua personalidade e sua conduta de vida. Azar o deles.

Valeu, embora à distância, conhecê-la. Vida e luta continuam.

Ivan C. Proença

(Hoje, Presidente do Conselho da ABI, membro da Academia Carioca de Letras. Diretor da OLIP (Oficina Literária que leva seu nome), detentor da medalha Chico Mendes (Grupo Tortura Nunca Mais), no Governo Brizola, Diretor de Cultura do Estado, Diretor do MIS e Assessor Pedagógico. Professor universitário, Mestre e Doutor em Literatura (e Cultura Brasileira), autor de inúmeros livros e Ensaios Literários e de Cultura Popular. Protagonista do conhecido Episódio CACO quando era capitão do Regimento Presidencial Dragões da Independência no dia do golpe, o que lhe custou prisão, cassação e perseguição por 21 anos).”

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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