Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

O ano em que a juventude esteve sob ataque

Por Lia Bianchini

14 de dezembro de 2015 : 11h39

Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho

O ano de 2015 começou dando sinais de que não seria fácil, ao menos no cenário político. A intensa e polarizada disputa eleitoral de 2014 parecia ter deixado um gosto amargo que insistia em permanecer nas bocas dos mais diferentes tipos de pessoas.

Com o Congresso Nacional mais conservador desde 1964 e a liderança da Câmara dos Deputados na figura ditatorial de Eduardo Cunha, a única certeza era de que esse seria um ano de muita luta para aqueles que vão contra os interesses lobistas e do capital.

Imprevisto, porém, era que os tubarões da política nacional e estadual teriam como alvo a mesma parte da população: a juventude.

Em março, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovava a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, que estava engavetada há mais de 20 anos.

Claramente um agrado ao lobby das armas e um aceno à privatização dos presídios, a PEC percorreu um longo caminho, entre votações na Câmara e manobra golpista de Eduardo Cunha, até ficar “travada” no Senado, onde já foi aprovado o texto do Projeto de Lei de aumento do tempo de internação no sistema socioeducativo de três para oito anos.

Agora, tanto PEC quanto PL esperam por novas votações no Senado e na Câmara dos Deputados, respectivamente. Enquanto isso, o assunto foi silenciado na mídia, todas as mazelas dos sistemas socioeducativo e prisional foram jogadas para baixo do tapete.

No âmbito estadual, a melhora da educação parecia estar em um paradoxal plano de fechamento de escolas. Em outubro, os governadores de São Paulo, Paraná e Goiás anunciaram planos de reorganização das redes estaduais de ensino, que iriam fechar unidades escolares e terceirizar a administração escolar estadual (no caso de Goiás). É importante notar que os três estados estão sob a égide de um mesmo partido: o PSDB.

Falar em “juventude”, no entanto, pode parecer uma coisa genérica, uma palavra muito abrangente. Não basta apenas nomear o alvo, é preciso dar todas as suas características.

Quando propostas como a de redução da maioridade penal ou a de fechamento de escolas são colocadas em pauta, não é a juventude branca, de classe média ou alta que está em perigo. São propostas classistas e racistas, que só terão como fim o aumento da marginalização e da criminalização da juventude negra e pobre.

Para se ter uma ideia, 61% do sistema carcerário brasileiro é composto por pessoas negras e mais de 60% da população jovem em cumprimento de medidas socioeducativas no Brasil são pessoas negras.

Em São Paulo, o plano do Governo Alckmin de “reorganização” da rede estadual de ensino priorizava o fechamento de escolas nos bairros da periferia paulistana. Na primeira etapa de fechamento, em outubro, das 25 escolas que pararam de funcionar, 16 estavam em bairros periféricos.

Dificultam o acesso à educação, recrudescem o sistema punitivo. Fecham-se escolas, abrem-se presídios. Esse parece ser o grande plano dos governantes para o futuro do Brasil.

O que eles não esperavam, no entanto, é que a juventude não assistiria a seu ataque calada ou parada. As jovens e os jovens de São Paulo fizeram Geraldo Alckmin recuar em seu maquiavélico plano, suspendendo a reorganização da rede estadual de ensino. As jovens e os jovens de todo o Brasil mobilizaram seus estados colocando em pauta os malefícios da redução da maioridade penal, foram a Brasília e, constitucionalmente, barraram a PEC 171 (que, apesar disso, foi aprovada após uma manobra de Eduardo Cunha, que colocou o texto em votação no dia seguinte).

Se a juventude foi escolhida como alvo fácil de ser silenciado, parece que os governadores e o Congresso se enganaram drasticamente. A força política que as meninas e os meninos dessa geração vêm mostrando é algo que há muito não se via no Brasil. A juventude dessa segunda década do século XXI sabe revidar muito bem a um ataque.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

11 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

enganado

15 de dezembro de 2015 às 01h44

Que guardem na memória o meu slogan: ___”””O MURO NÃO CAIU”””___ .

Responder

Di Rocha

14 de dezembro de 2015 às 17h05

Fabiola Thalita Liih Mendonça Richard Reis

Responder

Katy Katyta

14 de dezembro de 2015 às 15h26

O ano da corrupção em todas as áreas

Responder

Fabio Tavares

14 de dezembro de 2015 às 14h51

a dilmanta corta muitos gasto dos estudantes e o culpado é o psdb brincadeira mas onde tem muita coisa vermelha chera pt é foda kkkkkkkkkk

Responder

Enio

14 de dezembro de 2015 às 12h39

A mídia zika anti-democrática causa microcefalia no raciocínio do povo.

Responder

Tormenta Maia

14 de dezembro de 2015 às 14h21

Sob ataque mas soube reagir de forma espetacular! Parabéns aos nossos jovens. Nosso FUTURO!

Responder

Luiz Henrique

14 de dezembro de 2015 às 14h13

Agora é a vez da população de São Paulo se livrá dessa corja do PSDB, GOVERNO MEDILCRE E QUE GOVERNA PARA POUCOS.

Responder

Replicante Seletivo

14 de dezembro de 2015 às 14h09

A triste história do Brasil atual, perseguido ferozmente pelos entreguistas, desmoralizado por uma justiça midiatizada, seletiva e partidária, tonto com os golpes desferidos pelo longo represamento do câmbio, devido ao consumo, e, por fim, empurrado para baixo pelos altos juros e cortes orçamentários bruscos, agora agoniza em um ambiente político nefasto, à mercê da pior geração de líderes disponibilizada em seus três (ou seriam quatro) poderes.

Responder

Rogerio Vieira

14 de dezembro de 2015 às 13h55

A resposta do porque isso em SP, e no PSDB, está no documentário “Muito Alem do cidadão kane” esse pessoal continua nos fazendo de bobos, como na á época da ditadura, espalharam antenas pelo brasil para vermos a rede globo que atendia aos desejos dos ditadores…

Responder

Deixe um comentário