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Mineração está matando outro grande rio no Pará. Quem liga?

Por Redação

05 de janeiro de 2016 : 19h56

Por Manoel Dutra em seu blog, sob o título “A morte anunciada chegou: Adeus Tapajós, adeus encontro das águas, adeus praias, adeus Alter do Chão…” (via Diógenes Brandão, no As Falas da Pólis)

De nada adiantou mostrar, pedir, denunciar, publicar carta aberta ao governador do Estado, fazer abaixo-assinado, solicitar a interferência do vice-governador que nasceu às margens do Tapajós, prefeitos, vereadores, deputados. Até mesmo parte da sociedade da região Oeste do Pará parece ter imaginado que isso nunca aconteceria, aliás, que isso nunca se repetiria, como se verificou há quase três décadas: a contaminação de mais de 700 quilômetros de extensão do Rio Tapajós e de seus principais afluentes chegou à sua foz, diante de Santarém.

E agora, como ficará a nascente indústria do turismo que hoje emprega milhares de pessoas ao longo do rio entre Santarém e Itaituba? E a saúde pública, ameaçada pela contaminação dos cardumes por metilmercúrio? E a economia, de modo geral, do Oeste do Estado? E as decantadas belezas daquela região, que atrai os próprios moradores e visitantes de muitas outras partes do Brasil e do exterior?

Talvez ainda agora, hoje, alguém haverá de negar a realidade que está aí diante dos olhos: a poluição por barro, mercúrio, cianeto, sabões, detergentes, graxas e combustíveis tudo isso está agora chegando à frente de Santarém, matando o o encontro das águas e fazendo desaparecer a coloração verde/azulada cuja beleza sempre foi uma das características da foz do Tapajós, onde o grande rio deságua no Amazonas.

Esta era a cor do Tapajós, na sua foz, até novembro passado, na foz, local em que ele deságua no Amazonas, de cor naturalmente amarelada. (Foto: Nil Vieira)

Esta era a cor do Tapajós, na sua foz, até novembro passado, local em que ele deságua no Amazonas, de cor naturalmente amarelada. (Foto: Nil Vieira)

Hoje de manhã, o engenheiro agrônomo Nilson Vieira, uma voz quase solitária a mostrar a devastação das fontes de vida e beleza do Oeste do Pará, em sua página do Facebook, escreveu o que segue:

“As duas primeiras imagens foram feitas hoje (29/03/15) e mostram o Rio Tapajós com águas sem as cores verde-azuladas que lhe são características. As duas outras foram feitas em um passado bem recente, em agosto e novembro de 2014, apresentando cores bem típicas. Segundo moradores das margens do Tapajós, isso não resulta de um fenômeno natural, sendo consequência da atividade garimpeira no leito do Tapajós e de seus afluentes. Pelo jeito, a mistura de barro, lama e metais pesados chegou à foz do nosso lindo rio azul. E agora, José?”

 

Na frente de Itaituba, o Tapajós feito lama, em foto do dia 11 de março passado. Na imagem menor, à direita, o rio como ele foi até pouco tempo atrás. (blog José Parente)

Na frente de Itaituba, o Tapajós feito lama, em foto do dia 11 de março passado. Na imagem menor, à direita, o rio como ele foi até pouco tempo atrás. (blog José Parente)

Imagem do Tapajós e do lago de Alter do Chão, de dentro de um avião comercial, em setembro de 2012. À esquerda, a 600 metros de altura, já era possível observar a mudança de cor do Tapajós

Imagem do Tapajós e do lago de Alter do Chão, de dentro de um avião comercial, em setembro de 2012. À esquerda, a 600 metros de altura, já era possível observar a mudança de cor do Tapajós

Alter do Chão, em setembro de 2013. Ainda se via a cor natural do rio. E agora, turismo?

Alter do Chão, em setembro de 2013. Ainda se via a cor natural do rio. E agora, turismo?

Tapajós na frente de Itaituba, em dezembro de 2014. Um mar de lama, sem peixes. Rio morto. (Foto Padre Sidney Canto)

Tapajós na frente de Itaituba, em dezembro de 2014. Um mar de lama, sem peixes. Rio morto. (Foto Padre Sidney Canto)

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37 comentários

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Luis Neto

07 de janeiro de 2016 às 00h01

E assim vai-se acambando nossas reservas de água.

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Ewerton Carvalho

06 de janeiro de 2016 às 20h21

O governo federal o que faz????

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Rosi Farias

06 de janeiro de 2016 às 18h22

Que triste! Adeus Alter do Chão! Minha vontade de conhecê-la ficou frustrada!

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Janaina Correia Paiva

06 de janeiro de 2016 às 15h11

Em Mariana se sabe quem são os culpados… Quem ja pagou algo????

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Lucya Silva

06 de janeiro de 2016 às 14h21

Legal demais##

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marcelo batista

06 de janeiro de 2016 às 11h23

Tem muito minério no Pará, mas não tem governador. já é o quarto mandato do psdb, e um estado rico como o Pará vive uma lástima.
infelizmente o pt passou com Ana julia e não fez muito.
o Pmdb de Jader????
Paulo rocha , seria a esperança.

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Lucy Ane Ane Ane

06 de janeiro de 2016 às 13h00

acordem!!! enquanto não deixarem a terra igual marte ou a lua, não irão cessar seu instinto: de vermes!

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Edevaldo Lourenço Oliveira

06 de janeiro de 2016 às 11h33

Airam Medebeisi

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Sandra Viana Assis

06 de janeiro de 2016 às 10h03

Reginaldo Paulo de Assis

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Marcus Vinicius Meschini

06 de janeiro de 2016 às 08h32

O governo federal, liga ??? Óbvio que não !!

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Sil Costa

06 de janeiro de 2016 às 04h30

Tatiana Rosa, olha isto… =(

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Rosinaldo Silveira

06 de janeiro de 2016 às 02h43

São garimpos e não “mineradoras” (que dar a entender que são empresas de grande porte).
Logo, erro do governo do estado em nao impedir a mineração ilegal na região.

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Mary Andrade

06 de janeiro de 2016 às 02h41

E o que o Ministério Público tem feito? e governador do Pará? nada!

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Manu Rocha

06 de janeiro de 2016 às 02h08

Jesus :(

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Giovanni Pedroso

06 de janeiro de 2016 às 00h56

O novo marco regulatório da mineração está lá no congresso parado faz tempo esperando a boa vontade dos deputados, ou seja, não será votado tão cedo! pq será? rsrs.

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Rui Barbosa Jr.

06 de janeiro de 2016 às 00h23

Wie traurig, Regine Rehaag!

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Luss Elias

06 de janeiro de 2016 às 00h23

Jônatas Andrade

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Elismar Fontenele

06 de janeiro de 2016 às 00h19

Comunidade do setor local, precisa se comover e dar inicio na busca por soluções. Em seguida estamos aqui mesmo pra dar uma força através da mídia paralela.

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Ac Fonseca

06 de janeiro de 2016 às 00h10

quantos gritos teremos que dar para que alguem nos ouça, ouça a natureza

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Leo Sérgio Campos

05 de janeiro de 2016 às 23h35

Sobre o NIÓBIO, ningu.ém falou mais nada

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Marcelo Silva

05 de janeiro de 2016 às 23h29

Eu ligo! Conto com uma adequada política ambientalista!
#Dilma13!

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Leo Sérgio Campos

05 de janeiro de 2016 às 23h24

Cadê a fiscalização , IBAMA etc.

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Waleska Veiga Isis

05 de janeiro de 2016 às 23h21

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Ivo Vanda Reis

05 de janeiro de 2016 às 23h06

Isso aí , Cafezim, manda ver. De os nomes das mineradoras que estão destruindo esse santuário . Imprensa e pra isso. Parabéns !!!!!

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Ivan Nascimento

05 de janeiro de 2016 às 23h01

Quem liga ? Pergunta pro Lulão Empreiteiro se ele não tem os telefones de mineradoras , empreiteiras etc . Tudo que da dinheiro pra corrupto.

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    Gustavo Assis

    05 de janeiro de 2016 às 23h53

    quem obstruiu a CPI da mineração em 2013 foi o PSDB. Quem recebeu o maior volume de recursos na forma de doação para campanha foi o PSDB. Quem foi denunciado pelo Ministério Público em diversas situações foi o Aécio (PSDB). Vc tá sofrendo de confusão mental? está se fazendo de besta? ou age de má fé?

    Responder

    César Reis

    06 de janeiro de 2016 às 00h10

    Tucano sempre age de má fé.

    Responder

    César Reis

    06 de janeiro de 2016 às 00h12

    É a Vale?

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    Gustavo Assis

    06 de janeiro de 2016 às 00h50

    César Reis nesse caso tem um agravante: a criatura é pobre de direita. kkkkkkkkk

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    Luis Sergio Pinto

    06 de janeiro de 2016 às 00h53

    Ivan nascimento, não se preocupe os chineses logo logo irão comprar jumentos do Brasil. Você estará longe do Brasil.

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    Mary Andrade

    06 de janeiro de 2016 às 02h40

    Pergunta pra o jatene, governador do Pará do partido do Aecinho, o que ele tem feito pelo oeste do Pará

    Responder

Marcia Mendes de Almeida

05 de janeiro de 2016 às 22h49

!!!!!!!!!!!!!!!

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