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O que significa Lula no governo?

Por Miguel do Rosário

16 de março de 2016 : 12h13

Análise Diária de Conjuntura – 16/03/2016

Em primeiro lugar, quem é o Lula que assume hoje, na prática, a liderança do governo?

Não é o Lulinha paz e amor, autor da Carta aos Brasileiros, o Lula fofinho das elites, as quais, cansadas de governar por tantos séculos, davam uma chance a um operário aparentemente domesticado, como quem deixa o filho pequeno brincar – sob sua estrita vigilância – em seu computador.

É notório que as elites se arrependeram logo em seguida e, desde 2005, articulam golpes midiáticos consecutivos para tentar derrubar Lula. 

Mas não contavam com uma coisa: Lula fez um governo tão bom, fez a economia crescer tanto, fez a própria elite ganhar tanto dinheiro, que todo mundo sossegou. 

Quando os instrumentos de blindagem da economia brasileira se esgotaram, e os problemas econômicos mundiais finalmente chegaram aqui, após o governo fazer de tudo para postergar esse momento, o clima mudou radicalmente,

Num ambiente econômico mais difícil, e após um período de ascensão social substantivo para milhões de pessoas, a redistribuição de renda começa a chegar, de fato, no bolso de classe média e ricos, ou pelo menos de sua parcela mais descansada, mais tradicional. 

Os setores mais dinâmicos da classe média – aqueles que vieram de baixo – continuam ascendendo socialmente, e rápido.

Enfim, o Lula que chega hoje ao governo é um Lula humilhado, perseguido, mais próximo de suas raízes (as palavras são do amigo Ricardo Targino, cineasta). 

É um Lula diferente, que nunca tínhamos visto antes. 

Um Lula que bate de frente com a mídia. 

Um Lula brizolista!

Um Lula que, depois de libertar o povo da fome, agora entende que enfrentará uma batalha muito mais difícil: libertá-lo da escravidão midiática.

O povo brasileiro está preso no cativeiro da Globo.

Não é Lula que irá libertá-lo, e sim toda a sociedade, claro.

Mas o Lula de hoje tem consciência dessa escravidão e pode oferecer algumas armas para que o povo lute por seu direito à informação.

Esperamos que, a partir de hoje, o governo se torne mais altivo e mais proeficiente em matéria de comunicação política. 

Temos argumentado que a comunicação ajuda inclusive a combater a corrupção interna do governo, porque traz o povo mais para perto dos negócios públicos. 

Lula tem, pela frente, imensos desafios:

1) Barrar a escalada fascista: essa truculência que vem se expandindo, baseada em racismo, em preconceito, contra tudo que parece "fraco" aos olhos dos campeões sociais: negros, gays, mulheres, jovens, pobres. 

2) Barrar o golpe: desmascarar uma série de conspirações midiático-judiciais, baseada em tortura de réus, em vazamentos seletivos, em mentiras, e, sobretudo, a criação de uma atmosfera de terror, chantagem e medo.

3) Superar a crise econômica, que é em boa parte provocada por um processo deliberado de sabotagem econômica, do qual a Lava Jato é o exemplo principal; mas há outros. 

4) Gerar empregos, e para isso Lula poderá liberar grandes créditos para obras inovadoras de mobilidade urbana, como metrôs, trens de superfície e trens intermunicipais. 

5) Derrotar a desesperança que a mídia, sempre ela, tem procurado impor ao povo brasileiro, para que ele abaixe a cabeça e não queira continuar ganhando melhores salários, não queira ver seu filho se formar na faculdade e não pretenda escolher o próximo presidente da república.

***

O primeiro efeito da entrada de Lula na Casa Civil é uma grande injeção de ânimo numa militância angustiada com as conspirações intermináveis da mídia. 

Bem vindo, Lula! 

Os brasileiros de bem, aqueles que tem consciência dos desafios profundos que ainda precisamos superar, e que lutam por mais direitos, mais democracia, mais justiça social, estarão a seu lado!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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