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Moro, o que tudo grava, não pode ser gravado. Até PF põe em cima de correspondente estrangeira

Por Redação

31 de março de 2016 : 15h44

por Fernando Brito, no Tijolaço

O Dr. Sérgio Moro é um homem singular.

Manda grampear um ex-presidente da República e em seguida divulga suas conversas privadas à curiosidade pública, mesmo as que tratam apenas de questões políticas.

Mas quando ele próprio vai dar uma palestra, proíbe gravações.

Ontem, registra o portal IG, Moro proibiu anotações e gravação de sua própria palestra em São Paulo, em congresso no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região:

Duas semanas após liberar a divulgação de gravações do ex-presidente Lula, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava jato na primeira instância, decidiu proibir que sua palestra fosse gravada durante evento realizado nesta terça-feira (29), em São Paulo. Moro foi um dos convidados a discursar no evento “Combate à corrupção: desafios e resultados. Casos Mãos Limpas e Lava Jato”, realizado no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região.

O magistrado também proibiu que os jornalistas que acompanhavam o evento digitassem suas falas em tablets e em celulares, além de exigir que o canal de TV online do Ministério Público Federal, que transmitia o evento, interrompesse as filmagens enquanto ele palestrava.

Mas é pior ainda.

A jornalista Stephanie Nolen, correspondente do principal jornal canadense, The Globe and Mail, queixou-se no Twitter de ter sido abordada por um policial federal que a acusou de ter gravado o que dizia moro “sub-repticiamente”.  Brian Winters, do inglês The Guardian, perguntou: “Uma nova era de juízes no Brasil? Eles podem gravar o que se diz em privado, mas não podem ser gravados em público?”

Falta esclarecer a quem vem lá de fora que juiz, aqui, pode tudo: desde receber auxílio-moradia tendo casa própria até gravar a Presidenta da República.

Este pessoal que vem destes países atrasados não entendeu que aqui não se dirige o país pelo voto, mas pela mídia e pela “otoridade”.

E que a imprensa brasileira, com raríssimas exceções aceita isso com um “sim, sinhô dotô”. E completa: “se eu me comportar direitinho, o senhor me arranja um vazamento?”

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