Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

São Paulo - O prefeito Fernando Haddad, participa do Dia de Mobilização Nacional contra o Aedes aegypti (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em SP, a esquerda se divide e corre o risco de fortalecer a direita[:en]EM [:es]EM

Por Miguel do Rosário

03 de junho de 2016 : 13h13

Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Por Leonardo Miazzo, editor geral do Cafezinho

O Cafezinho noticiou nesta quinta-feira que, mesmo com candidaturas próprias, os partidos de esquerda vão fechar um pacto de não-agressão nas eleições municipais do Rio de Janeiro. Embora a ideia tenha limitações, representa sem dúvida um avanço. O divisionismo da esquerda brasileira, manifestado em todos os níveis da política, apenas contribui com o fortalecimento da direita. Este já é um processo histórico. Se o Rio tenta se livrar do domínio dos candidatos conservadores – que já dura mais de 30 anos -, a esquerda em São Paulo tem, em 2016, o desafio de assegurar o prosseguimento de uma gestão progressista, atualmente representada pela figura de Fernando Haddad.

Há, no entanto, uma divisão ainda mais clara do que no caso carioca. Até se cogitava a possibilidade de uma frente de esquerda envolvendo PSOL, PCdoB e PT em torno do atual do prefeito, mas a ideia não prosperou. Luiza Erundina, que recentemente deixou o PSB para fundar o Raiz Movimento Cidadanista, abrigou-se no PSOL e aceitou o convite para disputar a Prefeitura, tendo como candidato a vice o deputado federal Ivan Valente. Vale lembrar que Erundina era a candidata a vice de Haddad no início do jogo eleitoral em 2012, mas deixou a chapa após divergências com acordos fechados pelo PT.

São Paulo tem, neste momento, um prefeito de esquerda, algo que para muitos é surpreendente; afinal, a capital paulista é o reduto do conservadorismo brasileiro. O fato é que Haddad, mesmo bombardeado pela imprensa, liderou uma gestão marcada por importantes avanços, especialmente no que se refere à mobilidade urbana e à ocupação do espaço público. E a direita paulistana, com Paulo Skaf (PSDB), Celso Russomano (PRB) e João Dória Jr. (PSDB), admite publicamente que vai reverter prioridades e atacar conquistas da cidade, como ciclovias e corredores de ônibus. É neste contexto que se apresenta a necessidade de barrar essa ofensiva e defender um projeto popular para São Paulo; por isso, soa no mínimo ingênua a estratégia da esquerda.

É preciso entender, também, o amplo contexto político em que se desenvolvem as eleições municipais. O golpe contra a presidenta Dilma foi, também, um golpe contra a esquerda em geral, incluindo os seus movimentos de luta. A campanha de ataques aos partidos e políticos progressistas, com o financiamento da grande imprensa, certamente vai se estender ao pleito municipal. Em São Paulo, é fato que os conservadores vão adotar táticas violentas contra Haddad; em outras palavras, existe união na direita, ainda que com candidaturas próprias. Todos eles terão um inimigo em comum. Voltando ao PSOL, é importante destacar que o partido, ao contrário de PT* e PCdoB, não tem uma estrutura centralizada, ou seja, é organizado em correntes, entre as quais há profundas divergências. Em 2014, nas eleições presidenciais, Luciana Genro atacava Dilma com entusiasmo, ecoando muitas das críticas feitas pelos candidatos de direita. Genro representa uma corrente que, agora, se nega a fazer parte da luta contra o golpe.

Mas Luiza Erundina e Ivan Valente são, sem dúvida, comprometidos com os valores progressistas. Se a união formal, via chapa única, já não é mais uma possibilidade, ao menos deve ser discutida uma aliança aos moldes da carioca: evitar agressões e, assim, não permitir que a direita se fortaleça ainda mais.

O cenário político atual não permite caprichos ou idealismos. É necessário pensar de modo prático, direto, despendendo energia para combater os reais inimigos. Rachas na esquerda, neste momento, não trazem qualquer resultado positivo.

Ainda há tempo para perceber isso.

* O Partido dos Trabalhadores, embora formalmente organizado em correntes desde a sua fundação, vem cada vez mais se tornando uma sigla centralizada em torno do grupo que ocupa a direção. Na prática, portanto, há centralização das decisões.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Paulo RM BARBOSA

17 de setembro de 2016 às 11h14

O golpe contra Dilma e PT foi o fim das mamatas das empreiteiras e corruptos, a reconstrução da PETROBRAS e Brasil

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Marcos Ferraz

05 de junho de 2016 às 23h26

O que me chateia, é o oportunismo do Psol em abrigar a Erundina só prá ela ser candidata.

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    Leonardo Cordeiro Nenzi

    06 de junho de 2016 às 14h11

    Acredito que seja pra fortalecer a nominata de vereadores, é um nome conhecido pra vaga de prefeito.

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Glecio Tavares

04 de junho de 2016 às 09h53

Sou de São Paulo e acho que isso fortalecerá a base legislativa.
Veja bem, até Suplicy irá disputar para vereador. O vice do Haddad é do PDT, o Chalita, que pode ajudar a trazer votos do centro. Não tem um candidato forte de urna na direita. O Russomano é bom de pesquisa, não tem discurso e não tem projeto. Quanto a Marta, que deve vir pelo PMDB, em vez do Skaf, Erundina vai tirar votos dela, e somar ao Haddad se tiver segundo turno.

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Carlos Santos

03 de junho de 2016 às 14h49

Setores desta “esquerda é tão golpista quanto a Direita. basta ver a tentativa de impor a renúncia da presidenta eleita e promover novas eleições presidenciais já. Isto é o mesmo que condenar a presidenta sem processo, defesa e julgamento.
No máximo o que Dilma poderia fazer é convocar uma Assembléia Nacional Constituinte somente para promover uma Reforma Política. Com esse congresso, a meu ver, não há outra saída.

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ymara

03 de junho de 2016 às 13h16

Colocar o Chalita como vice nao reforça uniao de esquerda nunca!

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