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Lutador

Por Luis Edmundo

04 de junho de 2016 : 14h23

Por Luis Edmundo Araujo, editor de esporte do Cafezinho

No início era Cassius Klay, o negro alto, americano e forte que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Roma, em 1960. Dali iniciou-se a carreira meteórica no boxe profissional com 15 nocautes em 19 lutas, nenhuma derrota até que o garoto de 22 anos tivesse a chance de disputar o título mundial com o então campeão Sonny Liston. Dias depois da vitória e de se tornar campeão do mundo pela primeira vez, Cassius Klay anunciava a conversão ao Islamismo e a mudança de nome. Passava a se chamar Muhammad Ali, aquele que viria a se tornar a maior estrela do boxe em todos os tempos. Campeão mundial por três vezes, protagonista de lutas históricas dentro e fora dos ringues, Ali teve sua morte anunciada na madrugada de hoje. Ele morreu ontem, depois de 32 anos de luta contra o Mal de Parkison.

Aos 22, antes mesmo da luta contra Liston, Cassius Klay já demonstrava a competência diante das câmeras e microfones. Ex-presidiário, não lá muito simpático com a imprensa, Liston era tido como o “negro mau”, que havia vencido por duas vezes, a segunda por nocaute no primeiro assalto, o campeão anterior, Floyd Patterson, tido como o “negro bom”, bom até demais, como mostra o perfil dele feito por Gay Talese, pequena obra prima do chamado jornalismo literário cuja versão em português pode ser lida no livro Fama e Anonimato.

Após tomar o título do “negro mau”, Ali seria ainda mais avassalador na revanche, em maio de 1965, com uma vitória por nocaute no primeiro assalto que virou pôster vendido nos quatro cantos do planeta até hoje. Dois anos depois, ao recusar participar da guerra do Vietnã, passaria a ser tratado, ele próprio, como o “negro mau”, pelo menos aos olhos da sociedade branca conservadora americana, que já havia torcido o nariz com a mudança de nome e a conversão ao Islã.

Ali foi banido do boxe por três anos, perdeu o título mundial e se envolveu cada vez mais nas questões políticas e sociais de seu país e de sua gente, em encontros com líderes como Malcom X. e Martin Luther King. Recuperou seus direitos num julgamento que rendeu um bom filme, voltou a lutar em 1970 e reconquistou o título mundial dos pesos pesados em 1974, em Kinshasha, capital do antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo, naquela que muitos apontam como sua maior luta, contra o mais demolidor dos adversários, e que também foi muito bem documentada para o cinema.

Muhammad Ali ForemanEm solo africano, na superprodução montada sob os auspícios do ditador Mobutu Sese Seko, Ali abusou do discurso racial, suportou a força dos golpes de George Foreman e venceu por nocaute no fim. Essa, porém, na visão do próprio lutador, não foi sua luta mais difícil, mas sim os dois confrontos pelo título mundial com Joe Frazier, o primeiro em 1971, quando o grande campeão foi derrubado pela primeira vez; e o segundo em 1975, nas Filipinas, quando Ali manteve o título ao vencer por pontos e declarou depois da luta: “foi o mais perto que cheguei da morte”. A trilogia de lutas entre os dois rivais inclui um combate no meio desses dois, vencido por Ali, por pontos, mas que não se compara às outras duas lutas por não ter sido uma disputa de título mundial.

Em fevereiro de 1978, Muhammad Ali perdeu seu título no ringue pela primeira vez, na derrota por pontos imposta a ele por Leon Spinks. Sete meses depois, venceria Spinks para recuperar seu título e, como campeão mundial dos pesos pesados, se retirar do boxe. Ele ainda tentaria aumentar sua condição de lenda ao disputar o título após a aposentadoria anunciada, contra Larry Homes. Perdeu essa e mais uma última luta, no dia 11 de dezembro de 1981, quando foi derrotado por Trevor Berbick, que viria a ser campeão mundial cinco anos depois. Nada que tirasse de Muhammad Ali, por toda a eternidade, o título atribuído a ele por ele mesmo, de rei do mundo.

luis.edmundo@terra.com.br

 

 

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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