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Sem a Seleção…

Por Luis Edmundo

13 de junho de 2016 : 12h51

Por Luis Edmundo Araujo, editor de esporte do Cafezinho

A Seleção até que tocava bem a bola, mostrava a categoria de alguns de seus jogadores, os passes precisos do William, do Lucas Lima, do Philippe Coutinho, mas não chegava assim com tanta frequência ao gol adversário, não como sugeria a transmissão comandada pelo narrador Galvão Bueno, na Globo. Lá pelos 14, 15 minutos do primeiro tempo, o placar mostrava o zero a zero, o Brasil trocava bolas, a seleção peruana se defendia, fechada lá atrás, e na tela da Globo parecia estarmos diante de outro Brasil x Peru, de uma época sombria como a de hoje, mais escancarada, não tão cínica nem dissimulada, e também mágica, pelo menos no âmbito estrito da paixão pelo futebol, que quando bate, quando encanta não quer saber de política, de mais nada fora das quatro linhas.

Galvão narrava com entusiasmo enquanto Casagrande elogiava o meio-campo extremamente técnico, só com Elias como homem de marcação, elogiável de fato, o conceito, não a eficiência, a incapacidade de fazer um gol sequer no Peru. Mantendo-se fiel a seu estilo como comentarista, Ronaldo Fenômeno não acrescentava muita coisa. Naquela que talvez tenha sido a melhor oportunidade da Seleção no primeiro tempo, Elias roubou a bola, fez boa jogada pela direita e passou a Gabriel, que dominou de costas, virou rápido e chutou para grande defesa do goleiro peruano, Gallese. Galvão comentou o lance com ares de revelação, como se a procura pelo centroavante ideal para a Seleção estivesse, enfim, terminada, como se Gabriel fosse Romário, ou Ronaldo, o jogador, não o comentarista, e nem gol tinha sido.

Daí em diante foi inevitável imaginar como seria benéfico para as intenções da Globo nos dias de hoje uma Seleção exuberante, a vitória convincente sobre o Peru com futebol de primeira qualidade, lançamentos perfeitos, golaços, depois outra grande exibição contra a Colômbia de James Rodrigues nas quartas-de-final, talvez quem sabe um embate heróico contra os americanos superpoderosos, não no futebol mas, enfim, donos da casa, ainda que não pudesse ser num 4 de julho, e por fim a grande catarse nacional, a decisão contra a Argentina de Messi, a exibição de gala da camisa amarelinha que levaria ao delírio milhões de torcedores outrora descrentes espalhados pelo País afora, que voltariam a gritar, esquecidos do golpe, do Temer, até do Cunha: salve a Seleção! Só que não.

Só a chance de acontecer trajetória tão gloriosa assim nesta Copa América, mesmo improvável, delirante até, ainda mais sem Neymar, poderia justificar, talvez, tamanha mudança de atitude em relação à filosofia de trabalho do técnico Dunga, o mesmo que motivou forte campanha da Globo contra ele em plena disputa de uma Copa do Mundo, em 2010, na África do Sul, que por sua vez provocou a reação um tanto exagerada do treinador, não muito reconhecido pela parcimônia nem pela paciência no trato com a grande imprensa, o que nos últimos anos tem passado a ser, cada vez menos, uma prerrogativa só dele.

Ontem, com o gol ilegal do Peru, de mão, feito pelo baixinho Rui Diaz, que também usava a camisa 11 e sorria de canto, maroto, enquanto o juiz Andrés Cunha, uruguaio, confabulava com o bandeirinha, com alguém no ponto eletrônico, com qualquer um que pudesse assistir o replay do lance e lhe falar se tinha sido mão ou não, com esse gol o Brasil foi eliminado da Copa América, pela primeira vez na primeira fase desde 1987. Em jogos oficiais, o Peru não vencia o Brasil há 41 anos, e depois do gol Casagrande começava a entregar os pontos tentando salvar a ideia do meio-campo só com o Elias marcando, que não podia ser sacrificado por um jogo, que vinha Olimpíada por aí, enquanto Galvão já saía do ufanismo esperançoso para direcionar as baterias ao culpado de sempre, único, Dunga, só ele, apenas e tão somente o treinador como responsável pela situação atual do futebol brasileiro, como se não fosse a emissora do narrador a grande fiadora e organizadora de tudo isso que está aí desde os tempos áureos de Ricardo Teixeira, quando ele, Galvão, confabulava feliz com o próprio Teixeira, com seu colega J. Hawilla, ainda sem tornozeleira eletrônica, com o parceiro Ronaldo e demais amigos.

Ronaldo então falou algo inusitado, ao menos pra ele. Em meio aos lamentos de seus companheiros de transmissão, disse que tinha de ser levada em conta, vejam só, a questão política. Suspense, expectativa total sobre o que dirá o Fenômeno e ele fala só da política da CBF, da falta de força na Conmebol, por causa do juiz e coisa e tal, como se a “força política” da CBF não estivesse séria e claramente debilitada desde as revelações dos esquemas de corrupção que envolviam, todos, eventos cujos direitos pertencem, há décadas, à Rede Globo. E ficamos nisso, no fim da transmissão. O Brasil está fora da Copa América Centenário. Se depender da Seleção, pra ajudar o golpe não vai ter Copa, e a Olimpíada se anuncia complicada…

luis.edmundo@terra.com.br

 

 

 

 

 

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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14 comentários

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willams will

15 de junho de 2016 às 01h28

Olhar e torcer pelo futebol no Brasil é o de menos! Não tem importância alguma quando a nossa vida e nosso destino está nas mãos de Congresso golpistas, PIG golpista, Temer Golpista e os bandidos togados. Temos é que esvaziar o futebol e encher as ruas protestando contra esse golpe!

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willams will

15 de junho de 2016 às 01h25

Quero é que o Brasil se f…. toda vez que jogar. Assim o povo presta atenção ao golpe e a Mídia golpista! Achei ótimo o Brasil perde! Quero que a Globo tenha o maior prejuízo com tudo que manipula com as transmissões exclusivas. Quero que a PIG se f… Bem feito, bem feito! Perde Brasil! Perde também a classificação na copa! Vai ser o máximo!

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Marcio,São José dos Campos, SP

13 de junho de 2016 às 23h31

Jogos da Seleção Brasileira perdeu o seu protagonismo com o mando e o demando da Globo.
O povo brasileiro não aguenta mais esse gavião bueno e seus convidados a encherem a bola desses jogadores, que são mais mercenários do que patriota.

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Luís CPPrudente

13 de junho de 2016 às 23h02

A Rede Golpe de Televisão perdeu o jogo para o Peru.

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Aecius Micus

13 de junho de 2016 às 20h52

coxinhas perderam rss

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carlos

13 de junho de 2016 às 18h28

Timinho de coxinhas huáhuáhuá

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João Luiz Brandão Costa

13 de junho de 2016 às 18h22

Estarrecedora foi a declaração de Dunga após o jogo. Disse que não poderiam ser julgados nem jogadores e nem o técnico, por uma derrota com um gol irregular. Esqueceu-se, que contra o equador, também escapamos de uma derrota por um gol legítimo, mal anulado. Sem contar o retrospecto da curta campanha. Na chave mais fácil do torneio – chegando a ser alvo de chacotas da parte de argentinos e uruguaios. na ocasião do sorteio – .não conseguiu ganhar de ninguém, a não ser o incipiente quase amador Haiti, que ainda sim teve o maior feito de sua história ao marcar um gol contra o Brasil. .

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Eduardo Albuquerque

13 de junho de 2016 às 18h17

Bem simples. Timinho. Tecnicozinho.

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Domingos Martire

13 de junho de 2016 às 17h40

Seleção Brasileira e o uniforme dos coxinhas…tudo a ver!

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renato andretti

13 de junho de 2016 às 17h32

Não consigo mais torcer para a seleção brasileira.
Não consigo..
Sumiu, desapareceu o meu sentimento pela seleção.
Pode ser que em um dia isto volte..
Sinto Muito..

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    Jadir Rocha

    13 de junho de 2016 às 17h59

    A verdade é que, a grande maioria desdes jogadores, não estão nem um pouco preocupados com a torcida do Brasil. O que, querem é dinheiro. Dane o resto. São mercenários.

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    cousinelizabeth

    13 de junho de 2016 às 22h32

    Não entendo lhufas de futebol, confesso, mas tomei consciência de que o Brasil não tem mais uma seleção digna do nome faz tempo. Naquela final em que o Ronaldo “amarelou” já tive essa sensação mas tentei supera-la. Depois daquele 7 a 1 que jogou por terra todas as nossas esperanças de uma maneira vergonhosa, sucumbi. Não há mais seleção brasileira de futebol. Ponto. O resto é mera ilusão de ótica.

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Aurelio, e não orelha!

13 de junho de 2016 às 17h31

E AINDA HÁ QUEM VEJA O JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA! Depois daquele 7×1… e pior é na gROUBO! com o urubu bueno! TENHA DÓ!

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    Pedro Contabeis

    14 de junho de 2016 às 21h28

    muito antes do 7-1 meu amigo, não tome só aquele jogo como base, tome o todo

    Responder

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