Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

A hipocrisia dos golpistas ao bradar contra a corrupção não será esquecida

Por Pedro Breier

12 de agosto de 2016 : 13h50

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

O impeachment quase consumado de Dilma Roussef só foi possível graças a um trabalho diuturno de manipulação da opinião pública pela mídia oligopolizada.

Praticamente desde que Lula assumiu a presidência o PT é pintado nos grandes meios de comunicação como o partido mais corrupto de todos.

Primeiro com a ajuda do STF, no mensalão, no qual petistas foram condenados sem provas com base na teoria do domínio do fato, cujo próprio autor criticou a forma como foi usada no julgamento.

Depois, com uma associação explícita com a operação Lava Jato, que também apresenta um viés de perseguição ao PT indisfarçável, formando uma dupla em perfeita sintonia com a mídia.

A manipulação da opinião pública deu resultado quando combinada com a crise econômica.

Anos martelando o tema da corrupção, como se esse fosse o único e grande problema nacional, e colando-o ao PT, fizeram com que o descontentamento da população com a piora nas condições de vida resultasse em revolta contra o partido.

Seria o golpe perfeito não fossem uns pequenos detalhes chamados fatos.

Os fatos não deixam dúvida de que na verdade os grandes corruptos brasileiros estão no grupo que derrubou a presidenta (perdão, Carmem Lúcia) eleita.

Eduardo Cunha, por exemplo.

Mesmo havendo provas avassaladoras contra ele, mesmo tendo sido afastado da presidência da Câmara por atrapalhar as investigações, o governo interino e os partidos da base trabalham pelos seus interesses na Câmara.

O último escárnio foi obra de Rodrigo Maia, atual presidente da Casa: a sessão que votará a cassação do mandato de Cunha foi marcada para o dia 12, uma segunda-feira, dia de tradicional baixo quórum e a 20 dias do primeiro turno das eleições municipais, o que certamente esvaziará ainda mais o plenário. Como Maia vem dizendo que só colocará em pauta a cassação com o mínimo de 400 deputados presentes, a tendência é mais um adiamento da cassação do gângster Eduardo Cunha.

Rodrigo Maia é do DEM, aliado de primeiríssima hora do PMDB e do PSDB, todos abraçados na operação salva bandido.

A primeira coisa que Rodrigo Maia fez ao assumir a presidência da Câmara foi receber Aécio Neves.

Aécio, que bradava contra o “mar de lama” da corrupção petista nas eleições há dois anos, anda quieto. Citado por diversos delatores e imortalizado na frase antológica de Sérgio Machado – ‘Quem não conhece o esquema do Aécio?’ -, ao senador só resta o silêncio.

É um caso raro de candidato com um percentual significativo nas pesquisas de intenção de voto mas que todos sabem não ter a menor chance na eleição de 2018: não há blindagem midiática que segure a avalanche de denúncias contra o mineiro.

O presidente decorativo (quem manda no governo não é ele, mas os grupos que bancaram sua ascensão) também evidencia toda a dissimulação dos golpistas ao se portarem como paladinos da moral.

Segundo a Veja, a delação da Odebrecht incluirá Temer como recebedor de R$ 10 milhões em dinheiro vivo – o que é suspeitíssimo – da empreiteira. O interino já havia sido citado na delação premiada de Sérgio Machado, que afirmou ter sido procurado em nome de Temer para obter propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita.

Essas acusações tem que ser provadas, mas podemos compará-las com o que foi encontrado contra Lula e Dilma: apartamento no Guarujá, reforma em sítio e pedalinhos contra Lula e “contra” Dilma a informação fornecida por Delcídio do Amaral em delação premiada de que a briga com Eduardo Cunha começou quando a presidenta eleita afastou os apaniguados de Cunha de Furnas para encerrar os seus esquemas na hidrelétrica.

Os golpistas já estão condenados pela história.

Todos os seus podres estão registrados e não serão esquecidos.

A hipocrisia, o cinismo e o desprezo pela democracia dos artífices do golpe ficarão marcados eternamente na memória nacional e não há cartel midiático que possa mudar isso.

 

 

 

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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3 comentários

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Sérgio Rodrigues

12 de agosto de 2016 às 15h49

O impeachment não, o golpe, você quer dizer!…

Responder

    Rita

    12 de agosto de 2016 às 17h28

    O golpe, não o impedimento, você quer dizer.

    Responder

    Atineli

    12 de agosto de 2016 às 22h03

    Ele fala golpe no último parágrafo, está correto começar por impeachment que é o eufemismo de golpe para os golpistas. Enfim, é GOLPE !!!!! #ForaTemer

    Responder

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