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Brasília - O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, em entrevista coletiva após encontro sobre a operação de segurança no revezamento da tocha olímpica dos Jogos Rio 2016. ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em homenagem a Genoíno, Aragão devolve medalha da Aeronáutica

Por Redação

24 de agosto de 2016 : 11h53

Ofício n.º

Brasília, em 23 de agosto de 2016

 

Excelentissimo Senhor

Ten. Brig. Ar Nivaldo Luiz Rossato

  1. Comandante da Aeronáutica e

Chanceler da Ordem do Mérito Aeronáutico

Nesta

 

Senhor Comandante,

 

tenho tido, por toda minha vida profissional, alto apreço pelas Forças Armadas Brasileiras, incluindo-se a Aeronáutica. Não foi por outro motivo que já lecionei e palestrei, dentre outras instituições militares, na Universidade da Força Aérea e tive, também, como alunos, oficiais da Aeronáutica no Curso de Especialização em Direito Internacional dos Conflitos Armados, oferecido em conjunto pela Escola Superior do Ministério Público da União, a Universidade de Brasília e a Ruhr-Universität Bochum (Alemanha), onde me doutorei após pesquisar por três anos no Instituto de Direito Internacional da Paz e dos Conflitos Armados. Tenho boa lembrança, também, do inestimável apoio que a Força Aérea deu ao desintrusamento do Parque Indígena Yanomami, em Roraima, que tive a honra de acompanhar, conhecendo, de perto, a competência, a dedicação, o compromisso social e o patriotismo dos militares empregados na operação. Em várias oportunidades, tenho me manifestado publicamente contra a desvalorização de nossos servidores militares, que, com denodo e esforço incomum, garantem a segurança de nosso País, com ganhos gritantemente desproporcionais com outras carreiras civis que não têm a complexidade e nem exigem de seus integrantes tamanho sacrifício e risco no desempenho de suas funções.

Por isso, recebi com muita honra condecoração da Ordem do Mérito Aeronáutico, no grau de comendador, em 23 de outubro de 2007. Pode crer, Vossa Excelência, o quanto para mim significou integrar o quadro da ordem de mérito de tão valiosa instituição que comanda. Significa-me muito esse reconhecimento que me foi dado, ainda mais que sempre vinculei minha pesquisa acadêmica aos conflitos armados, tendo trabalhado no Timor Leste com o saudoso Sérgio Vieira de Mello e acompanhado autoridades militares brasileiras em visita ao teatro de operações em Porto Príncipe (Haiti), logo no início da missão. Sempre fiquei admirado e, até, profundamente tocado, com a qualidade de nossos militares.

Não obstante todo apego afetivo e toda gratidão pela honraria a mim dispensada, tomei conhecimento, na data de ontem, da exclusão do corpo de graduados especiais da Ordem, de José Genoíno Neto, no grau de comendador (Portaria n.º 920, de 26 de julho de 2016, publicada no D.O.U. De 18 de agosto de 2016. Independentemente do juízo que se formou na esfera judicial sobre o honrado cidadão mencionado, conheço-o e sua trajetória de muito amor pelo País,  em prol da justiça social, das políticas inclusivas e da grandeza do Brasil no concerto das Nações. Poucos brasileiros tanto exerceram o patriotismo sincero, inclusive com elevado risco e sacrifício pessoal, como José Genoíno, pessoa correta e moralmente irretocável. Tenho certeza que a história lhe fará justiça que estes tempos de crise e desamor com o avanço social lhe negam. Não vejo autoridade moral em ninguém que haja provocado essa iniciativa mesquinha, que não encontra nenhum amparo legal, estando sujeita, apenas, ao juízo discricionário da administração, conforme os respectivos decretos regulamentares.

Pelo exposto e com muito pesar restituo a Vossa Excelência a honraria a mim destinada, devolvendo-lhe a condecoração e o respectivo diploma, requerendo minha exclusão, também, do corpo de graduados especiais da Ordem do Mérito da Aeronáutica, deixando claro o quanto isso me custa e me pesa sentimentalmente. Mas tomei essa decisão ao considerar que não posso participar de um quadro que excluiu esse gigante da política brasileira de seus graduados, por mais que outros possam, desconhecendo a pessoa de José Genoíno, lançar-lhe juízos injustos.

Minha dor expresso nos versos “Mais uma vez”, de Renato Russo, acreditando, apesar de sua intensidade, sempre, num amanhã melhor:

 

Mas é claro que o Sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o Sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você

Mas deveria estar do lado de lá

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Tem gente enganando a gente

Veja nossa vida como está

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o Sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o Sol já vem

Nunca deixe que lhe digam

Que não vale a pena acreditar no sonho que se tem

Ou que seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança (7x)

            Receba, Vossa Excelência, meus protestos de elevada consideração e distinto apreço, com a certeza de que este meu ato não pretende de forma nenhuma negar nem diminuir a grandeza e a honra das Forças Armadas Brasileiras, em especial da Aeronáutica, que continuarão a merecer, para o resto de meus dias, todo o respeito devido.

Respeitosamente,

Eugênio José Guilherme de Aragão

Subprocurador-Geral da República

Professor Adjunto da Faculdade de Direito da

Universidade de Brasília

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11 comentários

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Alexandre Abreu

25 de agosto de 2016 às 15h33

POR QUÊ a Dilma não colocou esse Eugênio como ministro DESDE SEU PRIMEIRO MANDATO??????????????????????????????

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Alexandre Abreu

25 de agosto de 2016 às 15h30

INÚMERAS PALMAS PARA VOCÊ, GRANDE EUGÊNIO ARAGÃO!!!!!!!!!!!!!!! FICARÁ REGISTRADO NA HISTÓRIA DESSE PAÍS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Ana Christina Passos

24 de agosto de 2016 às 23h57

Precisamos de mais brasileiros como Eugênio Aragão e não ratos que impregnam a política brasileira. Parabéns Aragão!

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Lucyenne Lins

24 de agosto de 2016 às 19h30

As atitudes de Aragão me traz grande admiração por sua pessoa, íntegro, corajoso e lúcido!!! Precisamos de mais brasileiros como ele e não estes ratos que ora impregnam a política nacional.

Responder

    Richard Zimmermann

    24 de agosto de 2016 às 20h27

    Contraste Lua/Sol, ze/Aragão. Mas agora é tarde.

    Responder

Marcos Augusto Neves

24 de agosto de 2016 às 17h30

Parabéns, exemplo para todos.

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José Guedes

24 de agosto de 2016 às 17h19

Essa é a diferença entre os nacionalistas e os entreguistas………………….Só pessoas com o dom patriótico tem o desprendimento de fazer o que o Prof. Aragão decidiu executar.

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Luiz Baptista

24 de agosto de 2016 às 16h02

Ainda bem que ainda temos alguns exemplos de retidão de caráter como o do nobre ministro Eugênio Aragão.
Um brasileiro de bem e de fato.

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tadeunova

24 de agosto de 2016 às 14h46

Homem de respeito e caráter age assim. Meu cumprimentos.

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Eros Alonso

24 de agosto de 2016 às 14h06

Olhando a vida pública e privada de Genoino, a forma em que vive, pobre, e vendo tantos ricos safados soltos e ocupando cargos públicos, em todos os Poderes,agente fica descrente com a Toga, com o Poder Judiciário, que serve as Castas e é parte delas.Não há mais Democracia, há bandos de ladrões assaltando o Brasil.

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Dilson Magno

24 de agosto de 2016 às 13h12

Só espero que os militares respeitem nossa democracia, e que no futuro possam evitar golpes como o que aconteceu em 1954 e 2016.

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