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A exótica matemática golpista

Por Bajonas Teixeira

04 de setembro de 2016 : 10h51

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

 

Após terem desferido um golpe de estado contra a democracia e usurpado o poder, não é de admirar que eles se voltassem contra a matemática. O golpe agora é sobre a aritmética primária. Temer, na China, afirma que não há protestos, são apenas “40 pessoas que quebram carro”.  Será que estamos vendo coisas, e que os milhares que todos nós enxergamos nas ruas, na verdade, se reduzem a poucas dezenas?

Mas, se for assim, a repressão policial está mais delirante ainda, porque envia centenas de policiais, que disparam dezenas de bombas de efeito moral, e de gás lacrimogêneo, sem contar as milhares de balas de borracha, contra a bagatela de 40 pessoas.

Do mesmo calibre de veracidade que as afirmações de Temer, parecem ser as alegações do ministro da cultura, Marcelo Calero, vaiado e desmoralizado em um evento no Festival de Cinema de Petrópolis, no Rio de Janeiro, agora na sexta-feira, dia 02.

Sobre o episódio, o alto dignitário da cultura no país, que deve ter disputado o cargo com outro eminente intelectual, Alexandre Frota, deixou um depoimento que vale registrar e comentar. Cito resumidamente e faço algumas considerações a seguir:

Calero explicou o acontecimento em seu perfil afirmando que “um cidadão, acompanhado de outros cinco, iniciou um tumulto, com as ações e palavras agressivas e intimidatórias que fazem parte do repertório desse pessoal. A União Juventude Socialista – UJS reivindicou a organização e execução do ataque”. Sem descer do salto, continua ele, demonstrou sua indignação com toda dignidade, ou seja, “com altivez”. “Fiquei penalizado com o fato de que essa meia dúzia deixou as produtoras do evento constrangidas e lamentando o ocorrido. Mas não se abalem! Esse pessoal não quer saber de cultura. Eles não se conformam com a democracia. Querem fazer valer a todo custo a sua verdade particular”.

Ele diz que “um cidadão acompanhado de outros cinco, iniciou um tumulto”. Vejam como a matemática do golpe é um ramo inovador. De fato, se aquele que começou, “um cidadão”, estava acompanhado de outros cinco, então o tumulto foi iniciado não por um, mas por seis. O curioso é que assistindo ao vídeo, não parece que estamos ouvindo um coro de seis magras vozes, mas um verdadeiro trovão orfeônico, daqueles que Villa-Lobos orquestrava com milhares de vozes nos anos 30.

Mas o ministro do culto, digo, da cultura, prossegue: O episódio foi obra da “União Juventude Socialista – UJS”. Ele não percebe que assim se contradiz. Se isso fosse verdade, ficaria difícil aceitar que “um cidadão acompanhado de outros cinco” começou tudo. Provavelmente, essa União Juventude Socialista, fosse ela a organizadora, disporia de muito mais voluntários para formar o coro orfeônico contra o ministro já que, como todo mundo sabe, os jovens afluem aos milhares em eventos com autoridades do golpe presentes, para vaiá-las.

E isso talvez ocorra porque, tendo vivido nas duas últimas décadas em regime democrático, e aprendido a gostar da democracia, essa geração tenha muito apreço pelo regime político que os golpistas querem arruinar. Aliás, isso nos ajuda a questionar a última e mais prendada pérola pronunciada pelo ministro.

“Mas não se abalem! Esse pessoal não quer saber de cultura. Eles não se conformam com a democracia. Querem fazer valer a todo custo a sua verdade particular”.

Notem, o ministro nos convida a não nos abalarmos com os que não se conformam com a cultura e a democracia. Como?!?!? Isso não é um absurdo ?!?! Nada deveria nos abalar mais do que os que não se conformam com a democracia. Os que dão golpes, por exemplo. E por isso são chamados de golpistas.

O ministro convida seus eleitores a não se abalarem com ataques à democracia e à cultura. Isso já seria estranho, dito por qualquer um envolvido com políticas culturais. Mas, quando é um ministro da cultura quem o diz, mais do que abalo, sofremos um choque que nos lança na maior perplexidade.

Mas é isso mesmo: os golpistas não se abalam com ataques à cultura e à democracia. Se se abalassem, não o fariam, pois são eles mesmos os que nesse momento atuam para destruir a democracia e a cultura no país.

O ministro diz que manteve a altivez. Bem, isso é interessante. No vídeo o vemos fazendo com as mãos um gesto que lembra muito aquilo que na Globo se chama o “núcleo popular” da novela. Se quando o ministro mantém a altivez, segundo ele mesmo diz, representa o ‘popular’ estereotipado da Globo, imaginem quando está à vontade e pode relaxar.

Bem, diante de tudo isso, não nos assombra que o ministro das relações exteriores, José Serra do Pré-Sal, tenha procurado minimizar os protestos no Brasil. De uma maneira cômica, aliás, que terminou dizendo o contrário do que pretendia. Diante da pergunta de um jornalista na China, o ministro simulou desentendimento:

“Manifestações onde?”, questionou Serra. “No Brasil”, respondeu a jornalista. “Mini mini mini mini mini mini.”

Estranha essa compulsão a repetir o “mini”, não? E muito exótica essa matemática do golpe.

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5 comentários

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Fábio Brito

04 de setembro de 2016 às 20h44

A GLOBO NÃO PODE CONTINUAR A OPERAR NO PAÍS.

DESTRUIR A REDE GLOBO É SALVAR NOSSA DEMOCRACIA, é salvaguardar nossa soberania e preservar nosso futuro.

Os parlamentares petistas, não podem continuar a desrespeitar a população brasileira, fingindo um joguinho ridículo de gato e rato, como o Tom e Jerry da infância de muitos de nós, ao denunciar o GOLPE, que este veículo de DESINFORMAÇÃO do povo brasileiro está a patrocinar e, no instante seguinte, saírem a babar nos microfones da GLOBO, como se nada estivesse acontecendo.

A POPULAÇÃO BRASILEIRA EXIGE QUE O PARTIDO DOS TRABALHADORES PROÍBA SEUS PARLAMENTARES E FILIADOS, DE SE COMUNICAREM COM ESTA QUADRILHA DE BANDIDOS, QUE SE CONHECE POR REDE GLOBO.

https://rebeldesilente.wordpress.com/2016/09/04/assalto-no-quarto-nocaute/

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Torres

04 de setembro de 2016 às 16h40

a real é que a cultura, cheia de dinheiro público, chora o fim das mamatas.
cultura é esquerda e vai sempre defender o estatismo.
empresários não.
enquanto a cultura quer mais intervenção, o mercado pede menos.
na cultura sempre haverá protestos por mais verbas, mais estado, mais arte sem respaldo comercial.
e digo isso pq sou de dentro.
vivi anos na cultura e na esquerda.
e hoje sou contra até mesmo pq vi como são feitas as coisas e como são os egos.
na cultura é cobra comendo cobra, sem a menor moral, gratidão.
impera o egoísmo.
coisa suja de montão.

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Rogério Bezerra

04 de setembro de 2016 às 16h02

No rede de 3 mercadinhos que frequento aqui no meu bairro em Florianópolis, a meninada trabalhadora sabe o que ocorreu. Já os mais velhos parece que perderam a “narrativa” da glogolpe e estão mudos. Não sabem dizer o que aconteceu. Seria trágico se… Os 3 mercados andam mais vazios a cada dia e o dono, meu conhecido há 8 anos, lamenta… E lamentará mais, sabemos todos nós!
Só para lembrar: O Usurpador começou a pagar o “Jostissiário” pelo golpe. Saiu a primeira das 7 parcelas, dos 70% de aumento. Os joisses, que já tinha levado antes, querem mais agora…

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Lu

04 de setembro de 2016 às 14h54

“Esse pessoal não quer saber de cultura. Eles não se conformam com a democracia.”. Está falando dele mesmo e de seus pares né?

1. Uma das primeiras medidas que o governo golpista tomou, ainda quando interino, foi extinguir o MinC. Voltou por causa da pressão popular, mas com muito menos recursos disponíveis… como um Ministério de Fachada. Quem não gosta de cultura?

2. Um processo de impedimento da presidenta da República sem crime de responsabilidade. Uma violação constitucional. A anulação de mais de 54 milhões de votos. Um golpe de estado. Quem não gosta e não aceita a democracia, a vitória pelas urnas?

GOLPISTAS. GOLPISTAS. GOLPISTAS!

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Maria Aparecida Lacerda Jubé

04 de setembro de 2016 às 14h10

Pelo visto esse ministro não fugiu só das aulas de matemática, fugiu da escola mesmo, ele acha que democracia é dar um golpe de estado, derrubar uma governante eleita democrática e livremente por mais 54 milhões de eleitores, sem ter cometido nenhum crime, sem uma única denúncia, mesmo mentirosa, de corrupção, para em seu lugar colocar um ficha-suja, com dezenas de denúncias de corrupção. Como isso pode ser ministro da Cultura?

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