Após sua demissão, Dilma Rousseff denuncia: ‘uma guerra política, suja e hipócrita’

Foto: Reprodução/ Le Monde

por Claire Gatineau, no Le Monde | Tradução: Valeria Lima Salem, especial para O Cafezinho

Cinco dias depois de sua demissão, a presidente brasileira Dilma Rousseff recebeu o Le Monde nesta segunda-feira, 5 de setembro, no palácio presidencial da Alvorada, em Brasília. Na véspera da sua mudança para Porto Alegre, onde ela deverá encontrar sua família, a ex-guerrilheira continua a proclamar sua inocência das acusações de manipulações contábeis que são, oficialmente, a causa da sua queda. « Este processo de impeachment é uma fraude. Uma ruptura democrática que cria um clima de insegurança nas instituições políticas e que afetam toda a América Latina », denuncia.

Corrupção: « Eu entendo que os eleitores estejam desapontados com todos os partidos políticos »

Para Dilma, « não havia outra motivação » por trás de sua destituição: « Interromper a operação Lava Jato, parar todas as investigações relacionadas à corrupção, à lavagem de dinheiro, à existência de caixa dois [para o financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais]. » O escândalo de corrupção « Lava Jato » relacionado ao grupo público petroleiro Petrobras tem afetado toda a classe política brasileira.

« Eu entendo que os eleitores estejam desapontados com todos os partidos políticos », disse a ex-presidente, que defende seus resultados e os de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva na área. Para ela, sem as leis adotadas desde a ascensão ao poder de seu partido, o Partido dos Trabalhadores em 2003, « a polícia nunca teria conseguido passar por cima do sistema [de corrupção] dentro da Petrobras ».

« Os protagonistas desta remoção são a oligarquia brasileira »

« O outro interesse perseguido [por seus seus adversários] era implementar uma agenda neoliberal, que não estava prevista no meu programa, » Rousseff também explica: « Os protagonistas desta destituição são a oligarquia brasileira. O grupo dos mais ricos, meios de comunicação, dominados por 100 famílias [que, de acordo com o presidente, ajudaram a transmitir uma informação tendenciosa.] »

Traída por seus aliados no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro, do seu seu sucessor Michel Temer) ela lamenta « o sistema político brasileiro, com trinta e cinco partidos, [que] obriga a fazer essas alianças. » E reconhece a sua incapacidade para alcançar uma reforma em 2013: « É como pedir à raposa para vigiar o galinheiro. »

« Eu fui vítima de observações machistas ».

A ex-chefe de Estado, finalmente, evoca as « observações machistas » que ela teve que suportar. « Disseram primeiro que eu era dura (…). Em seguida, eles quiseram me fazer parecer uma mulher frágil, doente, deprimida. »
Mas para ela, este revés « não é o fim »: « A resistência deve ser por meio da crítica, do debate político. Este é o início de uma luta. Estou otimista. A indignação está mais viva hoje no Brasil. O país vai crescer. »

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