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Waldeck Carneiro: as razões para impedir a privatização da CEDAE no Rio

Por Theo Rodrigues

14 de fevereiro de 2017 : 09h57

Em mais um artigo exclusivo para O Cafezinho, o deputado Waldeck Carneiro contextualiza as razões pelas quais considera a privatização da CEDAE um ataque contra a população do Rio de Janeiro.

PRIVATIZAÇÃO DA CEDAE: VOTO CONTRÁRIO EM DEFESA DO POVO FLUMINENSE

Por Waldeck Carneiro*

A água é um bem essencial à vida. Em breve tempo, ainda na primeira metade deste século, a água será a maior riqueza do planeta. A disputa pelo controle dos principais recursos hídricos motivará guerras (o que já ocorre!) e poderá redesenhar a correlação entre os países. O capital já busca assumir o controle das principais reservas hídricas, sobretudo em países da periferia do capitalismo. Convertida em mercadoria e gerida sob a lógica do lucro, a água tornar-se-á bem inacessível a expressivas parcelas das populações, em especial às mais empobrecidas. Ora, um bem assim tão estratégico deve ficar sob a governança do Poder Público, de modo que sua gestão, submetida a mecanismos de controle social, oriente-se, não pela perspectiva da acumulação capitalista, mas segundo o interesse público e a missão social do Estado de promover saúde e bem estar a todas as pessoas, sem exceção ou discriminação.

No Rio de Janeiro, porém, a ALERJ está novamente diante de um pacote apresentado pelo governador, baseado em dois eixos principais, a saber, aumento da contribuição previdenciária do servidor público (de 11% para 22%) e privatização da CEDAE, além de outras propostas atentatórias ao serviço público: congelar durante anos salários e planos de cargos dos servidores e reduzir compulsoriamente sua jornada de trabalho e seus salários, iniciativa para a qual Pezão pede o beneplácito do STF. Derrotado na ALERJ no final de 2016, o governador, agora cassado pelo TRE-RJ, alinhou-se ao governo federal ilegítimo e passou a repetir como um mantra: se a nova versão do pacote não for aprovada, não haverá pagamento de salários. O Planalto simula colaboração, mas trata o RJ como se fosse o FMI a subjugar uma economia da periferia do capitalismo: impõe a privatização da CEDAE para entregar a gestão da nossa água a setores privados. O agente dessa coação é o BNDES, que deveria, isto sim, apoiar o Plano de Expansão e Modernização da CEDAE (como faz com vários empreendimentos privados), contribuindo para o aprimoramento dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto no território fluminense. Pressionado pelo usurpador Temer e por lideranças que lhe ameaçam com o fantasma do impeachment, Pezão se curvou ao plano de privatização da superavitária CEDAE (R$ 380 milhões de lucro em 2016), embora tenha assumido, durante sua campanha à reeleição (2014), o compromisso de não entregá-la à sanha capitalista.

Na ALERJ, como presidente da Comissão de Economia, dei parecer contrário ao PL 2.345/17, que propõe a privatização da CEDAE, não apenas pelas razões aqui já declinadas, como também pela fragilidade do Projeto. Com efeito, o aludido PL mistura dois temas: autorização para alienação das ações da CEDAE (sem nenhuma avaliação sobre o valor da empresa!) e autorização para o RJ contrair novo empréstimo no valor de R$ 3.5 bilhões (sem nenhuma menção às condições: juros, encargos, carência e prazo de pagamento). Ou seja, o governador espera que a ALERJ lhe dê um cheque em branco para vender a CEDAE e para endividar ainda mais o RJ. Embora não tenha se apressado para cobrar dos grandes devedores do Estado (a Dívida Ativa do RJ é de R$ 65 bilhões!) nem para rever sua irresponsável política de isenção tributária, verdadeira farra fiscal, Pezão, curiosamente, agora tem pressa. Por ser lesiva aos interesses da população e ao futuro do RJ, meu voto é contrário à privatização da CEDAE.

*Professor da UFF e Deputado Estadual (PT-RJ).

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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11 comentários

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Rubinho da Divineia

15 de fevereiro de 2017 às 15h39

Mas, Não Era “Só” Tirar o PT?!

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pauli agra

15 de fevereiro de 2017 às 14h57

Nao contra a privatizacao

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Fabio

14 de fevereiro de 2017 às 22h02

o HIDRÔMETRO novo da CEDAE é um verdadeiro caça-níquel. minha conta vem sempre R$ 1.000 pra uma familia de 4 pessoas que trabalham. Se vc recorrer no TJ , a CEDAE é defendida pelo escritorio da familia Zveiter e os juízes nunca vão te dar razão. a CEDAE , infelizmente , faz parte de esquemas como todas as estatais desse país.

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    Anônimo

    15 de fevereiro de 2017 às 21h24

    vc já fez uma vistoria para saber se ha um vazamento?

    Responder

Fabio

14 de fevereiro de 2017 às 21h57

A CEDAE presta um péssimo serviço, lembrando muito as telefonicas estatais dos anos 70 e 80. cada vez mais tarifas insuportáveis de se pagar. Seria uma ótima ser privatizada.

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    Anônimo

    15 de fevereiro de 2017 às 21h31

    o Sr esta ciente que a grande maioria dos funcionários da CEDAE são terceirizados e que já faz 15 anos que não ha concurso para servente, estalador de agua ,supervisor e quem deixa a CEDAE assim são os políticos para que a o povo tenha o mesmo pensamento seu?

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Atreio

14 de fevereiro de 2017 às 13h53

todos contra privatização da CEDAE!
todos pela democracia e verdadeiro estado de direito: sem crime, sem impeachment!

reDILMA-se!

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Henrique

14 de fevereiro de 2017 às 11h14

Quis dizer, impolutos togados

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Henrique

14 de fevereiro de 2017 às 11h12

É um absurdo, essae governo temerário faz essa “exigências” sem bem se preocupar com justificativas. Acha que tudo é questão de cifras, mas nem disso entende. Vão dar o pré sal hoje e presal de amanhã, a agua, também. Só para roubar com a anuência dos impostos togados.

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    Henrique

    14 de fevereiro de 2017 às 11h13

    Impolutos togados

    Responder

Luiz Carlos P. Oliveira

14 de fevereiro de 2017 às 11h07

Privatizar água? Isso é uma bestialidade. Temos 11% de toda a água potável do mundo e vamos entregar para o capital privado? Isso é de uma irresponsabilidade incomensurável. Os cariocas precisam protestar veemente, antes que seja tarde demais.

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