Hangout com Miguel do Rosário: Bolsonaro nos EUA

Governador do Rio propõe congelamento do piso salarial

Por Theo Rodrigues

13 de fevereiro de 2019 : 13h44

Em artigo exclusivo para o Cafezinho, o deputado estadual Waldeck Carneiro (Foto) denuncia o ataque do governador Wilson Witzel (PSC) aos trabalhadores do Rio de Janeiro.

De acordo com Waldeck, ao mesmo tempo em que congela o salário dos trabalhadores o governo aumenta a tarifa dos transportes públicos.

Leia abaixo a denúncia:

Congelamento do piso salarial: crise na conta dos trabalhadores

Por Waldeck Carneiro

A proposta do governador Wilson Witzel de congelamento, por dois anos, do piso salarial regional, é mais uma demonstração comum de que quem deve pagar a fatura da crise é o trabalhador.

Esta proposta prejudica inúmeras categorias profissionais que atuam no Rio de Janeiro e tem o piso estadual regulamentado a cada ano.

É bom lembrar que o Rio tem um Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Geração de Renda que subsidia o Governo do Estado antes do envio da Mensagem Executiva à ALERJ para votação sobre o piso salarial regional.

Este ano, na reunião sobre a definição do piso, empregadores e trabalhadores não tiveram acordo.

Mas isso já tinha acontecido no passado. Por vezes, este encontro produz acordo e outras vezes não.

Para 2019, a proposta dos trabalhadores foi de 6,95% de reposição das perdas salarias e um pequeno percentual de aumento real e os empregadores propuseram 1,22%.

O salário mínimo nacional teve um aumento de 4,61%, a inflação do ano de 2018 é de 3,75% e a acumulada nos últimos doze meses, de janeiro do ano passado a janeiro deste ano, é de 3,78%.

Normalmente, quando o governo recebe a ata da reunião do conselho revelando que não houve acordo, o Executivo trabalha com uma média da proposta feita por trabalhadores e empregadores, que, neste caso, seria de 4,08%, número próximo da inflação acumulada no período.

Não há razão, portanto, para sacrificar a população congelando o piso salarial regional por dois anos!

Mesmo por um ano já não seria admissível, pois a reposição das perdas inflacionárias, como prevê a Constituição, deve ser garantida.

O que chama a atenção é que, enquanto o governador Witzel pretende congelar o piso salarial regional, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (AGETRANSP) permite um aumento na tarifa das barcas, tanto na tarifa social quanto na tarifa seletiva.

Neste último caso, inclusive, ao arrepio de lei votada na Assembleia Legislativa (ALERJ) que estabelece um limite para este valor.

Enquanto o governo propõe este congelamento do piso salarial regional no Rio de Janeiro por dois anos, a bancada do governo na Casa Legislativa patrocina a cobrança de tarifa social de água para templos religiosos, o que representa uma renúncia de receita para a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), empresa pública que paga dividendos ao tesouro estadual ao final de cada exercício anual.

Não dá para pensar na lógica de que é o trabalhador quem paga a fatura da crise! O rombo orçamentário/financeiro é substancial, mas é preciso encontrar soluções duradouras para revertê-la gerando receitas novas.

Não faremos isso sacrificando os trabalhadores que, arrochados, não consumirão. Sem consumir, os setores econômicos de comércio e serviços tenderão a ter perdas decorrentes deste congelamento.

Portanto, minha posição é contrária a esta proposta governamental.

Waldeck Carneiro é deputado estadual (PT) no Rio de Janeiro.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

3 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Isaías

14 de fevereiro de 2019 às 19h13

Tudo que o trabalhador faz é trabalhar e esperamos por um aumento digno porque não cancelar o a juste do judiciário que foi de 16 por cento tadinhos já ganham pouco fora as regalias,mas acho que deveria colocar a mão na cabeça e ver que o povo já e carente ainda querem congelar o salário do RJ estão de brincadeira fala sério não se esqueça que 4anos passa e o povo tá de olho.votamos em pessoas acho que deveriam prestar atenção né os governos corruptos do RJ fizeram isso agora esse novo governo já que prejudica o povo fala sério não gosto de injustiça sou trabalhador quero meus direitos.

Responder

Renato

14 de fevereiro de 2019 às 13h34

Engraçado esse Petê , partido da boquinha. Foram aliados aos dois governos de Cabral e ao de Pezão, ajudando a arrebentar o Estado do Rio e agora vêm com o mimimi de quem vai pagar o pato é o trabalhador. Enquanto os petistas estavam mamando e ajudando Sérgio Cabral a mamar nas tetas do estado, não se lembraram dos trabalhadores e nem das consequências de seus para os trabalhadores. É muita hipocrisia !

Responder

Paulo

13 de fevereiro de 2019 às 19h22

Esses “pisos estaduais” na verdade, têm pouco alcance e efetividade. Só fumaça. O que vale é o salário mínimo (estabelecido no plano nacional, pela União) e os pisos negociados por cada acordo/convenção coletiva, entre empresas/sindicatos patronais e sindicatos profissionais…

Responder

Deixe uma resposta