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novembro 2017

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Óleo diesel e gasolina já respondem por 20% das exportações americanas ao Brasil

Escrito por , Postado em Quem ganhou com o golpe

[Essas tabelas formam a quarta parte da série Quem ganhou com o golpe?, cujos capítulos anteriores, você pode ler clicando aqui.]

Você sabe qual o principal produto importado pelo Brasil?

Quem acompanha o Cafezinho já sabe: é óleo diesel. Nossa infra-estrutura de transporte foi montada, sobretudo após o golpe de 64, quase que exclusivamente sobre rodovias. O sangue que corre pelas artérias do país é feito de diesel e gasolina.

Dentre os principais produtos importados pelo país nos primeiros dez meses de 2017, a maioria são derivados de petróleo, petróleo bruto e carvão.

O óleo diesel, que move nossa frota de caminhões, está em primeiro lugar. O Brasil importou 4,4 bilhões de dólares em diesel apenas nos 10 primeiros meses de 2017, um aumento de 90% sobre o ano anterior.

Importamos também, no mesmo período, 1,5 bilhão em gasolina, um crescimento de 93% sobre o ano anterior.

A importação de carvão, usado em nossas termoelétricas, cresceu mais de 100% este ano. O carvão foi o quarto produto mais importado pelo Brasil em 2017. Nos 10 primeiros meses deste ano, o Brasil importou 2,4 bilhões de dólares em carvão betuminoso, também conhecido como hulha betuminosa.

É interessante lembrar que uma das ideias novas que o almirante Othon Pinheiro vinha tentando implementar no Brasil, antes de ser preso pela Lava Jato, era alimentar nossas termo-elétricas com energia nuclear, ao invés de carvão. Isso representaria uma matriz energética mais limpa, e uma economia significativa em nossa balança comercial.

Esse aumento incrível na importação de combustíveis ocorre no momento que o Brasil vive uma das piores depressões econômicas de sua história, e explica-se pela decisão do governo brasileiro, via Petrobrás, de não usar a capacidade máxima de nossas próprias refinarias. A Petrobrás está preferindo importar a refinar o petróleo do pré-sal. Então a gente exporta petróleo cru para os Estados Unidos e o recompra refinado, com valor agregado muito maior.

A importação de óleo diesel correspondeu a 3,5% do valor total importado pelo Brasil em 2017, o que mostra um crescimento muito significativo desse produto em nossa balança comercial. Para efeito de comparação, em 2015, antes do golpe, as importações de óleo diesel corresponderam a 2,0% do total.

O peso do diesel em nossa balança comercial quase dobrou.

O nosso óleo diesel importado está vindo quase todo (mais de 80%) de refinarias situadas nos Estados Unidos.

Isso é importante enfatizar.

Os EUA passaram a exportar ao Brasil, após o impeachment da presidenta Dilma, quantidades muito maiores de diesel e gasolina do que em anos anteriores. Talvez isso tenha sido fruto de algum tipo de negociação entre Aloysio Nunes e homens do governo americano, quando o tucano esteve em Washington e Nova York, pouco antes do impeachment, para participar de encontros a portas fechadas com autoridades comerciais da Casa Branca.

As exportações estadunidenses de diesel subiram 106% em 2017. Com isso, os EUA passaram a controlar 4/5 das importações brasileiras totais desse produto. Há dois anos, a fatia americana no mercado brasileiro era menos de 40%.

O óleo diesel já é, de longe, o principal produto norte-americano importado pelo Brasil. Só este produto respondeu, este ano, por 17% de todos os artigos americanos exportados ao Brasil. Em 2015, antes do golpe, o diesel correspondia por apenas 5% das exportações americanas ao Brasil.

Juntos, diesel e gasolina já respondem por 20% de todos os produtos americanos vendidos ao Brasil, em 2017, contra apenas 6% há dois anos.

Minha teoria, já exposta nas partes anteriores desta série, é que o golpe de 2016 foi patrocinado e organizado, por petroleiras norte-americanas e suas poderosas firmas de lobby, incluindo a Albright Stonebridge e a Hogan Lovells. A Stonebridge é presidida por Anthony Harrington, presidente do Brazil Institute, do Wilson Center, entidade que passou os últimos anos tentando – com sucesso –  “orientar” o judiciário brasileiro a seguir por um determinado caminho.  A Hogan, onde Harrington também foi sócio-diretor, tem ganhado muitos milhões de dólares com a Lava Jato, vendendo serviços de auditorias em empresas como a Eletrobrás. Quando voltarmos a ser uma democracia e um país soberano, iremos determinar que a Polícia Federal investigue a participação dessas duas firmas na articulação do golpe, e, possivelmente, no pagamento de propinas para políticos, procuradores e juízes.

 

 

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