Cafezinho 5 minutos – comentários diários de Miguel do Rosário

New York Times humilha Lava Jato: está jogando democracia brasileira num abismo

Por Miguel do Rosário

23 de janeiro de 2018 : 15h16

(Foto: Marco Aurélio Canônico. Site Diario de Goias)

Reproduzimos abaixo, para registro histórico, artigo publicado hoje no New York Times, de Mark Weisbrotjan, importante intelectual norte-americano, que faz críticas duríssimas à condenação de Lula.

Agradecemos aos internautas que publicarem traduções nos comentários.

Opinion | OP-ED CONTRIBUTOR

Brazil’s Democracy Pushed Into the Abyss
By MARK WEISBROTJAN. 23, 2018

WASHINGTON — The rule of law and the independence of the judiciary are fragile achievements in many countries — and susceptible to sharp reversals.

Brazil, the last country in the Western world to abolish slavery, is a fairly young democracy, having emerged from dictatorship just three decades ago. In the past two years, what could have been a historic advancement ― the Workers’ Party government granted autonomy to the judiciary to investigate and prosecute official corruption ― has turned into its opposite. As a result, Brazil’s democracy is now weaker than it has been since military rule ended.

This week, that democracy may be further eroded as a three-judge appellate court decides whether the most popular political figure in the country, former President Luiz Inácio Lula da Silva of the Workers’ Party, will be barred from competing in the 2018 presidential election, or even jailed.

There is not much pretense that the court will be impartial. The presiding judge of the appellate panel has already praised the trial judge’s decision to convict Mr. da Silva for corruption as “technically irreproachable,” and the judge’s chief of staff posted on her Facebook page a petition calling for Mr. da Silva’s imprisonment.

The trial judge, Sérgio Moro, has demonstrated his own partisanship on numerous occasions. He had to apologize to the Supreme Court in 2016 for releasing wiretapped conversations between Mr. da Silva and President Dilma Rousseff, his lawyer, and his wife and children. Judge Moro arranged a spectacle for the press in which the police showed up at Mr. da Silva’s home and took him away for questioning — even though Mr. da Silva had said he would report voluntarily for questioning.

The evidence against Mr. da Silva is far below the standards that would be taken seriously in, for example, the United States’ judicial system.

He is accused of having accepted a bribe from a big construction company, called OAS, which was prosecuted in Brazil’s “Carwash” corruption scheme. That multibillion-dollar scandal involved companies paying large bribes to officials of the state-owned oil company, Petrobras, to obtain contracts at grossly inflated prices.

The bribe alleged to have been received by Mr. da Silva is an apartment owned by OAS. But there is no documentary evidence that either Mr. da Silva or his wife ever received title to, rented or even stayed in the apartment, nor that they tried to accept this gift.

The evidence against Mr. da Silva is based on the testimony of one convicted OAS executive, José Aldemário Pinheiro Filho, who had his prison sentence reduced in exchange for turning state’s evidence. According to reporting by the prominent Brazilian newspaper Folha de São Paulo, Mr. Pinheiro was blocked from plea bargaining when he originally told the same story as Mr. da Silva about the apartment. He also spent about six months in pretrial detention. (This evidence is discussed in the 238-page sentencing document.)

But this scanty evidence was enough for Judge Moro. In something that Americans might consider to be a kangaroo court proceeding, he sentenced Mr. da Silva to nine and a half years in prison.

The rule of law in Brazil had already been dealt a devastating blow in 2016 when Mr. da Silva’s successor, Ms. Rousseff, who was elected in 2010 and re-elected in 2014, was impeached and removed from office. Most of the world (and possibly most of Brazil) may believe that she was impeached for corruption. In fact, she was accused of an accounting maneuver that temporarily made the federal budget deficit look smaller than it otherwise would appear. It was something that other presidents and governors had done without consequences. And the government’s own federal prosecutor concluded that it was not a crime.

While there were officials involved in corruption from parties across the political spectrum, including the Workers’ Party, there were no charges of corruption against Ms. Rousseff in the impeachment proceedings.

Mr. da Silva remains the front-runner in the October election because of his and the party’s success in reversing a long economic decline. From 1980 to 2003, the Brazilian economy barely grew at all, about 0.2 percent annually per capita. Mr. da Silva took office in 2003, and Ms. Rousseff in 2011. By 2014, poverty had been reduced by 55 percent and extreme poverty by 65 percent. The real minimum wage increased by 76 percent, real wages overall had risen 35 percent, unemployment hit record lows, and Brazil’s infamous inequality had finally fallen.

But in 2014, a deep recession began, and the Brazilian right was able to take advantage of the downturn to stage what many Brazilians consider a parliamentary coup.

If Mr. da Silva is barred from the presidential election, the result could have very little legitimacy, as in the Honduran election in November that was widely seen as stolen. A poll last year found that 42.7 percent of Brazilians believed that Mr. da Silva was being persecuted by the news media and the judiciary. A noncredible election could be politically destabilizing.

Perhaps most important, Brazil will have reconstituted itself as a much more limited form of electoral democracy, in which a politicized judiciary can exclude a popular political leader from running for office. That would be a calamity for Brazilians, the region and the world.

Mark Weisbrot, co-director of the Center for Economic and Policy Research in Washington and the president of Just Foreign Policy, is the author of “Failed: What the ‘Experts’ Got Wrong About the Global Economy.”

A version of this op-ed appears in print on January 24, 2018, on Page A10 of the National edition with the headline: Brazil’s democracy faces an abyss. Today’s Paper|Subscribe

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

10 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Walldemar Sobrinho

25 de janeiro de 2018 às 00h40

Um dia triste para a porção vagabunda e criminosa da sociedade brasileira, afinal, não é todo dia que vêem seu chefe dar mais um passo em direção a jaula. Mas os cidadãos de bem não devem ficar satisfeitos com esse resultado porque o Brasil só poderá se desenvolver e reduzir a bandidagem quando o último eleitor de esquerda for preso e esterilizado.

Responder

MARIO FRANULOVIC CAMPOS

24 de janeiro de 2018 às 15h56

Desculpem, mas o título é absolutamente inapropriado. A matéria em questão foi publicada na seção “Opinion”, e não se qualifica como editorial. Trata-se apenas da opinião própria do Sr. Weisbrot. Outra pessoa que publicou artigo na mesma seção, apoiando Lava-Jato, é Marina Silva. Isso nos permite dizer que NYT apoia a Lava Jato?

Responder

Benoit

24 de janeiro de 2018 às 11h51

Só uma nota: acima o nome do autor do artigo do NYT aparece errado. O nome e a data foram juntados e aparecem como “Weisbrotjan”. As tês últimas letras são parte da data em que o artigo foi publicado, em janeiro (jan.). O nome dele é Mark Weisbrot, um economista americano muito bem informado acerca de assuntos relativos à America Latina.

Responder

Benoit

24 de janeiro de 2018 às 11h49

O Der Spiegel (online) na Alemanha trouxe hoje também um artigo crítico acerca do processo contra o Lula. O título do artigo é : “Die Schlacht von Porto Alegre” (A batalha de Porto Alegre). Eles mencionam sobretudo a crítica dura do Reinaldo Azevedo (quem diria!!!) ao processo e a de um jurista, Fábio Tofic Simantob.

Responder

João Humberto Zago

24 de janeiro de 2018 às 07h12

do Brasil democracia empurrou para o abismo por Mark weisbrotjan. 23, 2018 Washington – The Estado de direito e a independência do sistema judicial são frágeis realizações em muitos países – e suscetíveis a Sharp reversões. Brasil, o último país no mundo Ocidental a abolir escravidão, é bastante jovem a democracia, tendo surgiu de ditadura apenas três décadas atrás. nos últimos dois anos, o que poderia ter sido um histórico avanço – The partido dos trabalhadores governo concedido autonomia para poder judicial para investigar e processar oficial corrupção – se transformou em sua frente. como resultado, do Brasil democracia é agora mais fraco do que tem sido desde domínio Militar terminou. esta semana, que a democracia pode ser mais corroído como um período de três juiz de apelação Tribunal decide se as mais populares a figura política no país, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do partido dos trabalhadores, vai ser impedidos de competir na 2018 eleição presidencial, ou mesmo presos. não há muito pretexto de que o Tribunal será imparcial. o presidente juiz da apelação painel já elogiou o julgamento juiz de decisão de convencer o Sr. da Silva para a corrupção como “tecnicamente irrepreensível,” e o juiz do chefe de gabinete da publicado em sua página do Facebook uma petição chamando para o Sr. da Silva do prisão. o julgamento juiz, Sérgio Moro, demonstrou sua própria partidarismo por diversas ocasiões. ele tinha pedir desculpas para a Suprema corte em 2016 para liberar grampeada conversas entre o Sr. da Silva e presidente Dilma Rousseff, seu advogado, e sua esposa e filhos. juiz Moro organizado um espetáculo para a imprensa em que a Polícia mostrou-se em Sr. da Silva do casa e levou-o de distância para questionar – mesmo que o Sr. da Silva tinha disse ele relatório voluntariamente para questionar. as provas contra o Sr. da Silva é muito abaixo as normas que ser levado a sério, por exemplo, os Estados Unidos “sistema judicial. ele é acusado de ter aceite um suborno de uma grande empresa de construção, chamado OEA, que foi processado no Brasil é” lavagem de carros “a corrupção regime. que multibilionário de dólares escândalo envolvidos empresas pagar grande subornos aos funcionários do Estado de propriedade companhia de petróleo, a Petrobras, para obter contratos em grosseiramente preços inflacionados. o suborno alegada ter sido recebidos pelo Sr. da Silva é um apartamento de propriedade da OEA. mas não há provas documentais que, ou o Sr. da Silva ou sua esposa nunca recebeu o título, alugado ou até mesmo se hospedaram no o apartamento, nem que tentou aceitar este presente. as provas contra o Sr. da Silva é baseado em o testemunho de um condenado OEA executivo, José aldemário Pinheiro filho, que tinha sua prisão frase reduzida em troca de giro do Estado provas. de acordo com a reportagem de o destaque jornal brasileiro Folha de são Paulo, o Sr. Pinheiro foi bloqueado de fundamento de negociação, quando ele originalmente disse a mesma história como o Sr. da Silva sobre o apartamento. ele também passou cerca de seis meses de pré-julgamento detenção. (esta evidência é discutida na 238 páginas sentença documento.), mas este escassa provas foi o suficiente para juiz Moro. em algo que os americanos pode considerar a ser um corte Canguru processo, ele condenado o Sr. da Silva a nove anos e meio de prisão. o Estado de direito no Brasil já tinha sido tratados um devastador golpe em 2016 quando o Sr. da Silva do sucessor, Ms. Rousseff, que foi eleito em 2010 e re-eleito em 2014, foi impeachment e removido do escritório. a maior parte do mundo (e, possivelmente, a maioria de Brasil) pode acreditar que ela foi impeachment para a corrupção. na verdade, ela foi acusado de uma contabilidade manobra que temporariamente fez o Federal défice orçamental olhar menor do que de outra maneira aparecem. era algo que outros presidentes e governadores tinha feito sem consequências. e o governo do próprio promotor concluiu que não foi um crime. Apesar de haver foram funcionários envolvidos em corrupção de partes em todo o espectro político, incluindo o partido dos trabalhadores, não houve encargos de corrupção contra Ms. Rousseff na impeachment processo. o Sr. da Silva continua a ser o front-corredor no de outubro de eleição por causa de sua e do partido sucesso na reversão um longo declínio económico. de 1980 a 2003, a economia brasileira mal cresceu em todos os, cerca de 0.2 por cento ao ano per capita. o Sr. da Silva assumiu o cargo em 2003, e Ms. Rousseff em 2011. até 2014, a pobreza tinha sido reduzido em 55 por cento e pobreza extrema 65 por cento. o verdadeiro salário mínimo um aumento de 76 por cento, os salários reais geral subiu 35 por cento, desemprego hit registro baixos, e do Brasil infames a desigualdade tinha finalmente caído. mas, em 2014, uma profunda recessão começou, e do Brasil direito foi capaz de tirar partido da recessão a fase o que muitos brasileiros considere um parlamentar golpe. se o Sr. da Silva é impedido a partir da eleição presidencial, o resultado poderia ter muito pouco legitimidade, como no Honduras eleição em novembro de que foi amplamente visto como roubados. uma pesquisa no ano passado descobriu que 42.7 por cento dos brasileiros acreditava que o Sr. da Silva estava sendo perseguido pela mídia e o poder Judiciário. um noncredible eleição poderia ser politicamente desestabilizadora. talvez o mais importante, o Brasil tem reconstituído-se como um muito mais limitada forma de eleitoral democracia, em que um politizado Judiciário pode excluir um popular líder político de execução do Office. que seria uma calamidade para brasileiros, a região e o mundo. Mark weisbrot, co-diretor do Centro da economia e política de investigação em Washington e o presidente de apenas política externa, é o autor de” falha: o que o “especialistas” tem errado sobre a economia global. “uma versão deste op-Ed aparece na impressão em 24 de Janeiro de 2018, na página a10 da edição Nacional com o título: do Brasil democracia enfrenta um abismo. hoje do papel | subscrever terça-feira 23 Janeiro 2018

Responder

Amadeu

23 de janeiro de 2018 às 23h02

O superjuiz vendeu uma sentença e o direiro de muitos, mas os coxinhas ainda nao acordaram, so vao acordar qdo tiverem trabalhando 49 anos ou mais para se aposentar. Cairam no conto do juiz, digo vigário.
E se acham os sabichões.
Nesse mundo tem muito otário de diploma que nao chega nem aos pes do povo da roça.
trambiqueiro. Vendedor de sentença, ladrao de direitos de votar.
Explica aí: por que Aécio e Temer pegos com malas de dinheiro vivo estao soltos ?
Pq o Rocha Loures, um deputadozinho de mer.da, esta solto ?

Responder

Sephora Terzakis

23 de janeiro de 2018 às 19h58

A Democracia Brasileira Empurrada para o Abismo

WASHINGTON – A regra da lei e a independencia do judiciario sao conquistas frageis em muitos paises – e suscetiveis a bruscos retrocessos.
Brazil, o ultimo pais no mundo ocidental a abolir a escravidao, ‘e uma demoracia jovem e bem fragil, tendo emergido de uma ditadura ha apenas tres decadas. Nos ultimos dois anos, o que poderia ter sido um avanco historico – O Partido dos Trabalhadores deu poder ao Judiciario para investigar e processar corrupcao oficial – se transformou no oposto. Como resultado, a democracia no Brasil esta agora mais fragil do que nunca, desde o fim do controle militar.
Esta semana, esta democracia pode sofrer uma ainda maior erosao, quando uma corte de apelacao (segunda instancia) formada por tres juizes decidira se a figura politica mais popular do pais, ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva, sera impedido de competir nas eleicoes presidenciais de 2018, ou ate condenado ‘a prisao.
Nao existe muita expectativa de que o juri sera imparcial. O juiz que preside o juri de apelacao ja elogiou a decisao do juiz de primeira instancia de ter condenado o Sr. Da Silva por corrupcao, como « tecnicamente irrepreensivel », e a chefe de gabinete do juiz postou em sua pagina de Facebook uma peticao pedindo a prisao do Sr. Da Silva.
O juiz de primeira instancia, Sergio Moro, demonstrou seu partidarismo em inumeras ocasioes. Ele teve que pedir desculpas ‘a Corte Suprema Brasileira em 2016 por ter divulgado conversas gravadas entre o Sr. Da Silva e a entao Presidente Dilma Rousseff, seu advogado, sua mulher e seus filhos. O juiz Moro organizou um espetaculo para a imprensa no qual a policia chegou ate a residencia do Sr. da Silva e o levou para interrogatorio – quando o Sr. Da Silva ja havia dito que ele se apresentaria voluntariamente a um interrogatorio.
A evidencia contra o Sr. da Silva esta muito abaixo dos padroes do que seria considerado como suficiente, por exemplo, no Sistema juridico dos Estados Unidos.

Ele e’ acusado de ter aceito propina de uma grande empresa de construcao, chamada OAS, a qual foi processada na Operacao Lava-Jato. O escandalo multibilionario involveu empresas pagando grandes somas de propina para oficiais da empresa publica de petroleo, Petrobras, em troca de contratos superfaturados.
A propina que alega-se ter sido recebida pelo Sr. Da Silva e’ um apartamento que pertence ‘a construtora OAS. Mas nao existe qualquer evidencia documental de que o Sr. Da Silva, ou sua esposa tenham sido proprietarios, nem que teriam alugado, ou mesmo se hospedado no apartamento, nem nunca tentaram aceita-lo como presente.
A evidencia contra o Sr. da Silva e baseada no testemunho de um executive da OAS que foi condenado, Jose Aldemario Pinheiro Filho, o qual teve sua pena reduzida em troca do fornecimento de evidencias. De acordo com o proeminente jornal brasileiro Folha de Sao Paulo, inicialmente o Sr. Pinheiro foi negado reducao de sentenca, quando sua versao sobre o apartamento coincidia com a versao do Sr. da Silva. Ele tambem passou seis meses em prisao pre-julgamento (evidencia discutida na pagina 238 do documento de sua sentenca).
Mas essa evidencia insuficiente foi bastante para o juiz Moro. Em algo que os Americanos podem considerar como um kangaroo court proceeding, ou seja, quando uma autoridade judicial intencionalmente ignora as obrigacoes legais e eticas de um tribunal (Wikipedia), ele sentenciou o Sr. Da Silva a nove anos e meio de prisao.
A regra da lei brasileira ja sofreu um grande golpe em 2016, quando a sucessora do Sr. Da Silva, a Sra. Rousseff, a qual foi eleita em 2010 e reeleita em 2014, foi removida do cargo de Presidente da Republica. A maior parte do mundo (e possivelmente a maior parte da populacao brasileira) pode acreditar que ela sofreu o Impeachment devido a corrupcao. Na verdade, ela foi acusada de uma manobra contabil que temporariamente fez o deficit do orcamento federal parecer menor, do que normalmente aparentaria. Foi a mesma medida que outros presidentes e governadores executaram anteriormente, sem qualquer consequencias. E o proprio promotor federal concluiu que nao constituiu crime.
Enquanto haviam oficiais involvidos em corrupcao em varios partidos, incluindo o Partido dos Trabalhadores, nao existiu nenhuma comprovacao de corrupcao contra a Sra. Rousseff no processo de Impeachment.
O Sr. Da Silva continua sendo o lider nas pesquisas de eleicao de Outubro devido ao seu sucesso, e de seu partido, em reverter uma longa queda na economia. De 1980 a 2003, a economia brasileira praticamente nao teve crescimento, algo em torno de 0.2% per capita anual. O Sr. da Silva assumiu a Presidencia em 2003 e a Sra. Rousseff em 2011. Em 2014, a pobreza havia sido reduzida em 55 por cento e a extrema pobreza reduzida em 65 por cento. O salario minimo foi aumentado em 76 por cento, salarios em geral cresceram 35%, desemprego atingiu recordes de diminuicao, e a infame desigualdade brasileira finalmente diminuiu.
Mas em 2014, uma recessao intense comecou, e a Direita brasileira pode tirar vantage da queda da economia para armar o que muitos brasileiros consideram um Golpe Parlamentar.
Se o Sr.da Silva for impedido de participar das eleicoes presidenciais, o resultado pode ser de minima legitimidade, como nas eleicoes de Honduras em Novembro que foi largamente reconhecida como roubadas. Uma pesquisa ano passado descobriu que 42.4 por cento dos Brasileiros acreditavam que o Sr. Da Silva estava sendo perseguido pela midia e pelo judiciario. Uma eleicao describilizada pode se tornar politicamente desestabilizante.
Talvez o mais importante, Brasil tera se reconstituido como uma forma muito mais limitada de democracia eleitoral, na qual um judiciario politizado pode excluir um popular lider politico do processo eleitoral. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, para a regiao e para o mundo.

Esta ‘e uma traducao livre e nao constitui documento oficial, nao podendo ser alterada, a nao ser pela sua autora. O conteudo desta traducao nao constitui necessariamente a opiniao da tradutora, mas sim uma interpretacao gramatical livre do artigo original em ingles de autoria do Sr. Mark Weisbrot, publicado pelo jornal New York Times em 22 de janeiro de 2018, “Brazil’s Democracy Pushed into the Abyss”.

Recado ao Cafezinho: Caso encontrem trechos que requerem correcoes, favor entrar em contato, ficarei feliz em auxiliar.

Responder

Francisco

23 de janeiro de 2018 às 19h30

Isso é que não pode mais acontecer: para saber o que acontece no Brasil, ter de ler jornal gringo!

Responder

Terramarinha

23 de janeiro de 2018 às 19h08

Mesmo sendo um jornal que foi coaptado pelos mercenários internacionais, o NYT ainda se dá o luxo de vez em quando, voltar aos velhos tempos em que a mídia era independente, afinal os norte americanos precisam manter a ideia de que é o berço da democracia. Mas infelizmente são tempos que não voltam mais, só se houver uma revolução na mídia. Aqui nem isso temos, um jornal que de vez em quando fale a verdade. Sem falar que temos de aguentar uma mídia de esquerda que se limita a ser comentarista das noticias do PIG. Pobre Brasil!

Responder

Neto

23 de janeiro de 2018 às 16h03

O NYT, o jornal lá da terra dos patrões dos golpistas, diz o que todo mundo já sabe, Sérgio Moro é um juiz partidário, indigno da magistratura, e com seus abusos de autoridade levou a democracia brasileira para o abismo. Sérgio Moro é o coveiro da democracia no Brasil.

Responder

Deixe uma resposta

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com