Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Partidos políticos dão a volta por cima e atraem quadros da sociedade civil

Por Theo Rodrigues

07 de março de 2018 : 10h32

Por Theófilo Rodrigues

Apesar da criminalização permanente da atividade partidária desferida por parcelas do judiciário, do ministério público e dos principais meios de comunicação, os partidos políticos sobrevivem.

Presidentes, tesoureiros e demais dirigentes de legendas diversas estão presos. O MPF chegou até mesmo a entrar com uma ação de improbidade administrativa contra um partido político, o PP, o que poderia significar o seu fechamento.

Em meio ao tiroteio, alguns optaram por mudar de nome para fugir do desgaste de imagem: o PMDB agora é MDB, o PTN virou Podemos, o PEN transformou-se em Patriota e o PTdoB passou a se chamar Avante. Todos temerosos com o nome “partido”.

A situação é tão absurda que os próprios partidos aceitaram a censura ao aprovar uma antidemocrática lei em 2016 que impede dirigentes partidários de assumirem cargos em empresas estatais. Submetidos a um tempo prolongado de intimidação, os partidos passaram a ter simpatia perante seus agressores, o que simboliza uma espécie de síndrome de Estocolmo.

Não que os partidos não mereçam algumas das críticas que recebem. Com efeito, algumas figuras nefastas e alguns casos recorrentes contribuem para a imagem negativa. Mas são frutos podres que podem e devem ser retirados do cesto. O que não é recomendável fazer, como diziam os mais antigos, é jogar a água suja da bacia fora junto com o bebê.

Felizmente, malgrado esse quadro de adversidades, há também sinais de vitalidade que permanentemente animam essas organizações. Essa fonte de vida rejuvenescedora é oriunda dos novos quadros da sociedade civil que, por motivos diversos, assumem a responsabilidade da filiação partidária.

Candidata presidencial com forte apoio na sociedade civil e nos movimentos sociais, Manuela D´Ávila aponta esse caminho: “Temos de utilizar instrumentos inovadores de diálogo que despertem nas pessoas a paixão pelo Brasil e reacendam o interesse pela participação política e social”. Tarefa difícil, mas não impossível.

Na última semana, Guilherme Boulos, líder do MTST, filiou-se ao PSOL e anunciou que será candidato às eleições presidenciais pelo partido. Já o juiz federal Wilson Witzel abandonou o judiciário para ser o candidato do PSC ao governo do estado do Rio de Janeiro. Ainda no Rio, o advogado e escritor Edu Goldenberg filiou-se ao PCdoB, enquanto o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, foi para a Rede. Ambos pretendem disputar uma vaga na ALERJ. O empresário Junior Macagnam, presidente da União dos Lojistas de Shoppings Centers e dirigente do Vem pra Rua será a aposta do Partido Novo no Mato Grosso. Sem pretensões eleitorais, a escritora e filósofa Marcia Tiburi registrou filiação ao PT.

A despeito de tanto descrédito na política, quadros da sociedade civil buscam partidos da esquerda à direita do espectro ideológico como meios privilegiados de acesso ao debate na esfera pública. Trata-se de uma boa notícia. Afinal de contas, numa democracia de partidos fracos, quem fala sozinho com a burocracia e determina a agenda do Estado é o mercado. E esse não tem o voto de ninguém.

Theófilo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

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3 comentários

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Carlos Augusto De Bonis Cruz

08 de março de 2018 às 06h51

A direita odienta (judiciário, MP, rentistas)posta na destruição partidária e assim implantar sua ditadura econômica e política. Sem povo, sem eleições, sem oposição. Democracia sem votos.

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Luis CPPrudente

07 de março de 2018 às 20h11

” PMDB agora é MDB, o PTN virou Podemos, o PEN transformou-se em Patriota e o PTdoB passou a se chamar Avante. Todos temerosos com o nome “partido”.” (by Theófilo Rodrigues) Todos estes que escondem o termo partido, são todos partidos de aluguel e fisiológicos, envoltos em corrupção. O PMDB (MDB) é o exemplo gritante de partido oportunista, corrupto, de canalhas e de aluguel ao capital.

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Gustavo

07 de março de 2018 às 16h12

“A situação é tão absurda que os próprios partidos aceitaram a censura ao aprovar uma antidemocrática lei em 2016 que impede dirigentes partidários de assumirem cargos em empresas estatais.”

Um presidente de partido em uma estatal terá um eterno conflito de interesses entre favorecer o partido ou favorecer a gestão da estatal e já vimos inúmeros casos na administração independente do partido. O recente caso da Caixa Econômica que o diga. Se as indicações partidárias já dão tanta dor de cabeça e ineficiência às estatais quem dirá se o próprio partido ocupá-las.

Não podemos criminalizar a atividade partidária, mas é fato que partidos políticos em estatais não costumam ter final feliz. Já sofremos muito com Petrobrás, Sudan, correios e outros inúmeros exemplos.

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