Foto: Divulgação Riotur/Agência Brasil Fonte: Carnaval - iG @ http://carnaval.ig.com.br/2015-02-14/blocos-do-rio-tem-paquera-fantasias-criativas-e-mulheres-bonitas.html
Uma das maiores derrotas políticas do PT nos últimos anos foi a alienação da classe média, causada por inúmeros fatores que não nos cabe analisar aqui.
Nem sempre foi assim: o PT nasceu e ganhou o poder político com forte apoio da classe média. A falta de comunicação e a despolitização do país fizeram PT e classe média se afastarem um do outro.
Afastaram-se tanto que tornaram-se inimigos. A classe média liderou as “jornadas de junho” de 2013 e, mais tarde, as marchas do impeachment.
A classe média brasileira caminhou tanto para a direita que hoje uma parcela importante dela se identifica com Bolsonaro.
A Lava Jato, por sua vez, é um fenômeno cultural típico de classe média, e tem antecedentes históricos bastante sinistros, mas isso é assunto para outro post.
Um dos desafios do campo progressista, nessas eleições, é reconquistar ao menos a parte mais esclarecida do eleitorado de renda média, convencendo-o de que deve olhar para si mesmo como integrante da classe trabalhadora, pois não vive de renda: assim como qualquer pião de obra, a classe média vive, em sua grande maioria, do suor de seu trabalho.
A classe média ocupa todas as funções liberais, e ter seu apoio é essencial para o exercício do poder. Juízes, procuradores, delegados, políticos, jornalistas, professores, advogados, médicos, oficiais militares, arquitetos, intelectuais, médios ou altos servidores públicos, todos são de classe média e vivem cercados de pessoas de classe média. Não ter o apoio deste setor dificulta muito a desenvoltura das campanhas eleitorais e, posteriormente, a sustentação política dos governos. A não ser que detenha um controle quase absoluto das finanças do país, como tinha o regime venezuelano, onde a exportação de petróleo, monopólio estatal, sustentava a economia nacional, será muito difícil, para qualquer governo, administrar os conflitos políticos sem o apoio de uma parte substancial das classes sociais que controlam a opinião pública.
Quem são os candidatos com potencial para conquistar a classe média nas eleições deste ano?
Elaborei alguns gráficos e tabelas com base na última pesquisa Datafolha (6 a 7 de junho de 2018), que nos auxiliarão em nossas análises sobre a evolução eleitoral dos candidatos, e que nos permitirão obter algumas informações também neste sentido.
O Datafolha estratifica as intenções de voto em 4 faixas de renda. Considerei como “classe média” apenas as duas últimas colunas: eleitores com renda familiar entre 5 e 10 salários, que formam mais ou menos 10% da população, e com renda familiar acima de 10 salários, que formam 2%, segundo os critérios usados pela própria pesquisa.
Na faixa que ganha entre 5 e 10 salários, Bolsonaro lidera com 29%, seguido de Lula, com 17%.
Ciro Gomes vem terceiro lugar, tanto em cenários com Lula, como em cenários sem o ex-presidente. Com o ex-presidente no páreo, Ciro Gomes mais que dobrou seu eleitorado na classe média que ganha de 5 a 10 salários, passando de 5% para 11%. Sem Lula, o pedetista agora abocanha 17% da mesma classe média, um crescimento de 125% sobre a sondagem de abril.
Entre quem ganha mais de 10 salários, Ciro Gomes já tem 14%, avanço de dois pontos sobre a pesquisa anterior.
Estes 17% de Ciro Gomes junto à classe média de 5 a 10 salários é o mesmo percentual obtido por Lula, com uma diferença importante: a rejeição do petista junto a este setor é muito alta. Entre quem ganha de 5 a 10 salários, 50% responderam que não votariam, “de jeito nenhum”, num candidato apoiado por Lula, um número próximo aos 52% de rejeição de Collor, ao passo que a rejeição de Ciro Gomes neste mesmo segmento é de apenas 27%.
Entre quem ganha mais de 10 salários, a rejeição a Lula é de 61%, bem maior que a de Collor, que tem 48%; Ciro tem rejeição de 26% nessa faixa de renda.
Marina e Alckmin estão comendo poeira na disputa pela classe média: a candidata da Rede tem hoje 8% na classe média que ganha de 5 a 10 salários, em cenários com Lula, e 11% sem a presença do ex-presidente. Entre quem ganha mais de 10 salários, Marina não pontua mais em cenários com Lula, e tem apenas 3% caso Lula não concorra.
Alckmin também perdeu espaço no segmento com renda familiar entre 5 e 10 salários. Tinha 9 pontos em cenário sem Lula, em abril, e caiu para 5%, em junho.
Repare ainda que Ciro Gomes começa a ganhar um pouco de autonomia em relação ao eleitorado de Lula. Mesmo em cenários com a presença do ex-presidente, o pedetista consegue pontuações razoáveis em alguns segmentos: entre quem tem mais de 60 anos, por exemplo, Ciro já tem 8% em cenários com Lula. No cenário sem o ex-presidente, Ciro atinge a primeira colocação junto ao eleitorado mais velho, 13%; Bolsonaro e Marina tem 12% e 10%, respectivamente, entre os eleitores idosos.
Segundo o Datafolha, os cidadãos com mais de 60 anos formam 18% do eleitorado nacional; no Sudeste, correspondem a 21% do eleitorado.
Outras observações que podemos fazer: Ciro Gomes empatou com Marina Silva entre o eleitorado masculino; sem Lula no páreo, Ciro e Marina detêm 12% dos votos dos homens. Com Lula, ambos caem para 8%. Ciro também alcançou Marina entre eleitores com ensino superior: os dois tem 12%.
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O Brasil está "globotomizado", ou seja, sob a lavagem cerebral ditada pela globo. Quem comandou as manifestações desde 2013 foi esta emissora. A classe média, coitada, não tem opinião, perdeu o bonde. Simplesmente vê novela, assiste o BBB, o futebol e acha que o jornal nacional é o oráculo de todas as verdades. É doce viver na ilusão.
Exato.
Nesse segmento, 12% da população ( mais de 5 salários mínimos), nunca, digo nunca LULA, PT, Esquerda(os comunistas) ou progressistas tiveram mais que 1/3 dos votos. O ódio sempre foi igual, o que eles não tinham era o discurso para combater LULA, o PT e a esquerda(comunismo). No auge da lava jato e da crise econômica( esse foi o fator predominante para LULA e o PT perder parte substancial do seu apoio do resto dos eleitores ou seja 88% da população). Após 2 anos do golpe essa parcela que foi enganada começa a voltar para LULA e em menor proporção par PT e esquerda. Qualquer governo de esquerda, terá que controlar MP, através do PGR, e a PF, e se possível indicar ao STF ministros ligados ao presidente. concluindo, esta sua analise é valida só para fazer esse diagnostico, Ciro com 1 mês do que LULA , o PT sofreram de perseguição da mídia ele se desmancha.
Depois desta "Brilhante análise" só me resta dizer tchau...DUPLOEXPRESSO infelizmente teve razão.
Se é por falta de Adeus, já vai tarde!
A classe média brasileira é entre as classes médias do mundo a mais imitadora, aliás, uma das características da classe média é a imitação! Imitação por achar que é rica, imitação por achar que é intelectual, imitação por achar que é uma classe política, etc.
A classe média brasileira é a única classe que se preocupa com o dólar, pois gosta e precisa fazer compras em Miami para satisfazer seu ego de rico!
Aliás, a classe média, são nossos eternos sacoleiros americanizados é por isso que o país estar nesta situação, são os únicos que estudam em universidades públicas, a exemplo da USP e UNICAMP, deveriam no final dos cursos indenizar a União através de prestação de serviços públicos.
Fiz um curso há um tempo com o Francês e ele estava indenizando o governo Francês por ter estudado de graça!
Esquece a classe média brasileira que rico não vota e não enfrenta fila para votar!
O movimento golpista via classe média obteve cooperação também da "cruzada" das religiões evangélicas de várias vertentes... Fundamentalismo e desapego a constituição e a exagerada pouca vergonha dos políticos completaram a derrocada do processo que fazia o Brasil avançar.....A cereja do bolo, a subida de padrão das classes mais pobres acabaram com os resquícios de tolerância da classe dita média e aí o quitute estava prontinho....Chegou a hora de digerir o doce amargo da inconsequência e voltarmos as leis....melhora las, a começar pelo valor das campanhas eleitorais que definem a lógica acachapante da corrupção. Afinal ninguém investe milhões para ser presidente para ganhar trinta e poucos mil mensais e muito menos empresários e pessoas físicas são tão desprendidas a ponto de investir tanto somente por altruismo.....Deixemos as paixões de lado, os moralismos que nenhum de nós segue pessoalmente em nosso dia a dia e busquemos sim, juntos regras que contemplem a maioria, e que diminuam as possibilidades e até incentivos a ladroagem a níveis suportáveis e assim garantiremos a renovação da redentora democracia.
A classe média não existe. Existem duas classes, o que há são camadas médias dentro do proletariado. Se Miguel está lendo Marx ou não concorda ou não entendeu.
Se vai apontar um erro do PT, com a intenção clara e sistemática de atacar Lula, tem que dizer que o erro foi não ter politizado o proletariado no Governo, aqueles que compraram um carrinho, entraram na Minha Casa , Minha Vida MAS NÃO MUDARAM DE CLASSE, como erradamente falou o PT.Esses não saíram as ruas para defender Dilma nem Lula, como a maioria do proletariado.
Vc só politiza o proletariado em um governo revolucionário e anti-imperialista.
Não preciso falar que se o Lula não fez ,Ciro não fará de jeito nenhum, por suas origens e compromisso que são 0 com os movimentos sociais e operários.
Mas desta vez se o Lula ganhar , pela experiência passada, pela polarização e pelo acirramento da luta de classes deverá fazer até para sobreviver.
Avisa Marilena Chauí tb... kkkkkkkkkkkkkk
Acredito que o afastamento da classe média se deu mais em função das características históricas do que essa análise "grafista" de intenção de voto tentando tirar leite de pedra. Até o final da década passada os eleitores na faixa de 20 a 40 anos nasceram nas décadas de 70 e 90, ou seja a maioria de votantes em 2010 havia experimentado o final dos governos militares, sarney, collor e FHC. Agora, já em 2018 esses são minorias, então é muito natural uma virada para a direita já que a experiência dos mais novos é exatamente o período de governo do PT.
Benoit
Essa sua análise não faz sentido. Vou compartilhar uma análise que circula por aí no facebook do historiador Fernando Horta, leia se quiser ampliar sua percepção dos fatos.
Fernando Horta
10 de junho às 22:21 ·
A falta de lógica de quem não "acredita" em Lula candidato.
Há dois grupos. Os dois sem nenhuma lógica.
1) Os que defendem que Lula indique já alguém e saia da disputa;
Argumentos
A) o golpe é poderoso e não foi dado para "deixar lula voltar"
B) Lula deveria ser "realista" e indicar alguém
Problema) Se o golpe é assim tão poderoso e homogêneo, o que impede de retirar, um a um, os indicados por Lula?
Problema) Neste sentido, não é mais lógico deixar o golpe e a oposição sem saber nada até o último instante possível? Esta estratégia não protege o candidato e causa confusão nos golpistas e oposição? Nesta estratégia, nosso papel não seria exatamente dar a Lula o poder da indicação, reafirmando a ele o apoio?
2) O Ciristas que defendem Ciro como "único caminho"
Argumentos
A) Não vão deixar Lula ser candidato. O golpe é muito forte
B) Ciro é a única esperança da esquerda.
Problema) Se o o golpe é tão forte e Ciro uma ameaça tão clara, por que deixam Ciro concorrer?
Problema) Ciro, sendo permitido concorrer, já não seria uma indicação que ele não ameaça o golpe?
Problema) Se Ciro é uma ameaça aos golpistas, mas o golpe não pode tirar Ciro, então ele (golpe) não é assim tão poderoso. Logo, Lula pode ser candidato.
Por qualquer lado que se olhe, não há vantagem alguma em Lula indicar alguém ou a militância sair em desespero, apoiando o discurso da "única opção" contra bolsonaro.
Ao defender isto, fazem o jogo da direita.
Quanta ânsia de ter uma opinião...
Quantas análises, quantos números, multiplicados, subdivididos, elevados ao cubo...
Quantos dadinhos, avança, retroceda, na estrada do tesouro...
Quantas tantíssimas considerações para o eleitor levar a sério na sua escolha antes de endoidar...
As coisas são mais simples, a vida e o mundo seriam melhor: quanta ânsia de dar uma opinião...
Como o Ciro não está conseguindo no computo geral chegar a dois dígitos, toda e qualquer análise se torna inútil, pois ele não está conseguindo ficar entre os dois que podem ir para o segundo turno, que provavelmente será Lula ou seu indicado e Bolsonaro, infelizmente !
Tudo isso para justificar o " por favor vote em Ciro". Esquece, quem respeita Lula não vota em Ciro.