Boulos em Recife

Hábito militar (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Bolsonaro parabenizou assassinos na tribuna do Congresso

Por Miguel do Rosário

24 de junho de 2018 : 11h24

A Folha foi generosa e disse que Bolsonaro “parabenizou grupos de extermínio”. Eu acho que é preciso usar um português mais corrente. Bolsonaro parabenizou assassinos.

***

Na Folha

ELEIÇÕES 2018
Em 2003, Bolsonaro parabenizou grupos de extermínio por substituir pena de morte no país

Fala era resposta a deputado que havia afirmado que o governo da Bahia assumira a existência de esquadrões na região

24.jun.2018 às 2h00

Ranier Bragon
BRASÍLIA

O deputado federal Jair Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência pelo PSL, usou os microfones da Câmara em 2003 para parabenizar e defender a ação de grupos de extermínio no país.

Capitão reformado do Exército e defensor do regime militar, Bolsonaro disse na ocasião que, como o Brasil não tem pena de morte, esses grupos são úteis e teriam seu apoio.

A sua fala era uma resposta a um deputado que horas antes havia afirmado que o governo da Bahia, na época, assumira pela primeira vez a existência de esquadrões da morte na região.

“Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio, porque no Rio de Janeiro só as pessoas inocentes são dizimadas. Na Bahia, as informações que tenho —lógico que são grupos ilegais, mas meus parabéns— [são a de que] a marginalidade tem decrescido.”

Um mês depois da fala de Bolsonaro, um crime atribuído aos esquadrões da morte da Bahia ganhou repercussão internacional.

Em setembro de 2003, o mecânico Gérson Jesus Bispo foi assassinado dias depois de prestar depoimento à relatora da ONU (Organização das Nações Unidas) para execuções sumárias, Asma Jahangir. Ele acusava PMs de torturar e assassinar seu irmão e um amigo.

Ainda em 2003, a Câmara dos Deputados instalou uma CPI para apurar a ação de grupos de extermínio no Nordeste. Em seu relatório, dois anos depois, a comissão apresentou um perfil desses grupos.

Segundo o documento, os esquadrões da morte surgiram “com o pretexto de combater o crime e ‘limpar’ a sociedade de pessoas consideradas ‘indesejáveis’”, atuando no extermínio tanto de adultos como de crianças e adolescentes. “As vítimas adultas costumam estar ou não ligadas ao mundo do crime. Também agem sob o ódio de base étnica, cultural, racial, sexual e violência rural.”

Segundo a CPI, os grupos são constituídos em sua maioria por policiais, ex-policiais, seguranças privados, integrantes de organizações criminosas vinculadas ao tráfico de drogas e outras atividades lícitas e “grupos que não guardam relações específicas com o crime organizado, mas exercem o controle de determinadas regiões com a desculpa de garantir a ‘segurança’ de seus moradores”.

Especificamente sobre a Bahia, a comissão afirmou que os esquadrões da morte agiam em várias regiões do Estado, em um “caminho que começa na segurança ilegal privada e termina nas execuções sumárias, inicialmente daqueles que cometem pequenos furtos nas áreas que se pretendem protegidas, depois, de forma indiscriminada, de todos aqueles que, por alguma razão, se interpõem no caminho dos integrantes e dos patrocinadores dos grupos de extermínio”.

Entre os casos relatados, havia a da juíza da Vara Criminal de Juazeiro, segundo quem uma única pesquisa no cartório de registro civil da cidade, em junho de 2001, mostrava 198 óbitos de jovens por morte violenta com características similares: “Um grupo de motoqueiros, sempre com um carona, nos finais de semana, com as vítimas sendo pobres, normalmente pretas e jovens, algumas com passagens pela polícia”.

A Folha perguntou à assessoria de Bolsonaro se ele mantém a posição de 15 anos atrás, quando ele já estava no seu quarto mandato na Câmara, e se queria se manifestar. Não houve resposta.

O presidenciável, que lidera as pesquisas nos cenários sem Lula, é deputado desde os anos 90. Ele se envolveu em várias polêmicas por defender posições extremadas ou mesmo ilegais, como um novo golpe militar no país.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Jose carlos

27 de junho de 2018 às 07h45

Eita país lixo. Ele defende pena de morte para ladrão pobre, se o ladrão for deputado aí não, aí deixa quieto.
Esse é o problema de pessoas que pensam igual esse verme. Se o crime foi cometido por um pobre e negro ainda por cima, pena de morte. Se o crime foi cometido pelo filho de quem defende a pena de morte ou de alguém da ” boa ” sociedade aí perdoa e esquece.
Com o poder que já tem, alguns juízes fazem muita lambança. Olha aí as pataquadas da lava jato.
Esse bolsonaro é um estúpido. Ele pensa que ainda está na caserna. Pensa que somos os soldadinhos dele.
Ele não é o Collor, antes de agosto a mídia frita ele.

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ciro nao

25 de junho de 2018 às 06h46

LA NOS E.U.A QUE A ESQUERDA TANTO FALA MAL, ONTEM UM POLITICO FOI PRESO E ALGEMADO .. POR QUE NAO OBEDECEU POLICIAIS …
RSSS
E DPOIS QUEREM COMPRARA ESSE PAIS COM PAISES SERIOS..
NOS EUA A IMPRENSA NEM EM SONHO PENSA EM AFRONTAR A LEI.. DUVIDAR DE PROCURADORES DE JUIZES .. POR QUE TERIAM QUE PROVAR .. OU IRIAM PAGAR CARO DMAIS E IMEDIATAMENTE…
A JUSTIÇA PRECISA SER INTIMIDADORA.. AVASSALADORA.. HUMILHANTEMENTE GROSSEIRA.. TEM QUE LITERALMENTE DAR UMA LIÇÃO DE MORAL E CIVICA EM UM CIDADÃO CONDENADO..
SIMPLES.. É QUE O PROCESSO SEJA IGUAL..

LAWFARE NADA MAIS É QUE UM PROPRIO LAWFARE ( OU SEJA NADA )
POIS CONTRA FATOSSS NÃO EXISTEM ARGUMENTOSSS MUITO MENOS , NARRATIVAS…

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ciro nao

25 de junho de 2018 às 06h41

NOSSAAA…. PARABENS MIO.. JA IA VOTAR EM VOCE AGORA SIM.. DESDE SEMPRE FALANDO A VERDADE REMANDO CONTRA A MARÉ… PENSANDO COMO PENSA O PAI DE FAMILIA PAGADOR DE IMPOSTOS.. NAO ESSE BANDO DE ADOLESCENTE QUE PENSAM QUE TEM ALGUM PODER NO BRASIL..
A JUVENTUDE BRASILEIRA ESTA PERDIDA.. PRECISAM ACHAR NOVOS RUMOS..
SOMENTE UM CAPITÃO P CAPITANEAR ESSA BARCA FURADA..

O BRASIL PRECISA DE ALGUEM COM CORAGEM E SEM POLITICAGEM P ENTRAR NAS ENTRANHAS DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA FEDERAL ..
QUANTO DEVEM P QUEM DEVEM ?? ( O LULA NAO TINHA PAGO ?? KKK)
DEMITIR 50% DOS FUNCIONALISMO PUBLICO ADMINISTRATIVO..
DIMINUIR NUMEROS DE POLITICOS .. DE ASSESSORES.. CORTAR CARTOES CARROS… PASSAGENS…
O BRASIL PRECISA SE REMONTAR… ESTA ÍOR QUE O PRESIDIO DO CARANDIRU.. TEM QUE SE DEMOLIR …

JAIR MESSIAS BOLSONARO É CARA P FAZER ISSO. O EXERCITO ESTA COM ELE.

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Marise Machado

24 de junho de 2018 às 22h58

Apesar de haver ressalvas sobre a atuação de Slobodan Milosevic nas guerras étnicas sangrentas da antiga Iugoslávia , as diversas patentes e vertentes políticas à esquerda e à direita não se cansam de praticar crimes étnicos e políticos que referendam seu discurso de ódio e de intolerância.

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Marise Machado

24 de junho de 2018 às 22h37

Pra quem defendeu e homenageou Ustra, um conhecido e confesso torturador, diante de uma de suas vítimas (Dilma), de um Congresso de corruptos e de milhões de espectadores no dia do impeachment(golpe), defender criminosos armados pelos poderes paralelos (milícias, tráfico e comércio) é algo naturalmente válido
Aliás, da limpeza étnica à sanitária ( política ) , sobrevive apenas quem acredita num determinado regime ou quem se submete ao mesmo.
Teremos nos um Slobodan Milosevic?

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Alan Cepile

24 de junho de 2018 às 20h17

Cadê os lulistas inflamados se revoltando contra um pré candidato elogiando grupos de extermínio?

Patos….

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Almir Zenith J,

24 de junho de 2018 às 18h30

O gulag americano
Marinha dos EUA planeja construir acampamentos militares para prender 120.000 imigrantes
Alec Andersen
23 de junho de 2018

Um memorando que vazou para a revista Time na sexta-feira revela os preparativos da Marinha dos Estados Unidos para a construção de campos de concentração para abrigar mais de 120.000 imigrantes indocumentados. Acampamentos gigantescos que abrigam quase 50.000 cada estão sendo propostos no norte e no sul da Califórnia, perto das maiores populações de imigração do país, com um total inicial de 25.000 abrigados em bases militares no Alabama.

A capacidade das novas instalações corresponderia ao número total de japoneses e nipo-americanos detidos durante a Segunda Guerra Mundial. Isto segue um anúncio separado do Departamento de Defesa, na quinta-feira, de que os militares vão construir campos de detenção em quatro bases do Exército no Texas e no Arkansas, que terão mais de 20.000 crianças migrantes.

O estabelecimento de campos de prisioneiros militares em solo americano marca um marco sinistro na história dos EUA. Estes estão sendo erguidos para deter não apenas os imigrantes, mas também os trabalhadores em greve, os manifestantes contra a violência policial e todos os que resistem às condições de aprofundamento da exploração, da guerra e da ditadura. Esta política do estado policial é destinada a toda a classe trabalhadora.

https://www.wsws.org/en/articles/2018/06/23/immi-j23.html

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    Josoaldo Silva

    25 de junho de 2018 às 12h09

    Que absurdo forcar as pessoas a seguirem as leis!

    Responder

Cláudio

24 de junho de 2018 às 12h04

Ué, mas a esquerda também sempre gostou e rendeu homenagens a assassinos e exterminadores. Afinal, o que foram os irmãos Fidel e Raul Castro e terrorista Cesare Battisti, se não assassinos , todos tão adorados pela esquerda ?

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    Josoaldo Silva

    25 de junho de 2018 às 12h06

    Se alguem conseguir me dizer alguma coisa que Hitler fez que o Stalin nao tenha feito igual ou pior, até comeco acreditar nesse papo de esquerda da paz.
    ambos perseguiram e mataram minorias, tiveram campos de concentracao, trabalho forcado, morte de inocentes, ivadiram e saquearam paises. A diferenca que todos sabem e repudiam os horrores do nazismo, mas muitos esquerdistas ainda idolatram o comunismo.

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