Hangout com Miguel do Rosário: Bolsonaro nos EUA

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Fora do fascismo, todos querem ser Lula

Por Tadeu Porto

24 de julho de 2018 : 12h14

Se existe alguma certeza no meio da imprevisível eleição de 2018, que sempre considero que pode sequer acontecer, é que o legado do ex-presidente Lula é imbatível.

A direita pode espernear, chorar, reclamar, fazer hashtag com um batalhão de robôs e desenvolver a máquina de “desmemória” dos Homens de Preto. De nada adiantará, quando o assunto for apagar o legado do sindicalista.

Não à toa, inimigos mortais do lulismo tentam se apropriar da imagem do presidente.

Nossa mídia “especializada” em análises eleitorais, parece deixar escapar que Geraldo Alckmin – escolhido para encarnar a agenda neoliberal – tenta de qualquer maneira imitar Lula em 2002, buscando um vice do capital produtivo nacionalista.

Na verdade, Alckmin sequer foi muito original na cópia, afinal, foi buscar o filho do ex-vice de Lula, o empresário Josué Alencar. A investida foi tão forte que na reunião aberta da campanha do tucano, também conhecido como Roda Viva, Geraldo teve um espaço para bajular o empresário, dizendo que se sentiria honrado em tê-lo como vice.

Não vou estranhar se o governador licenciado de São Paulo começar a usar o nome Geraldo da Silva.

Coincidentemente ou não, Ciro Gomes segue pelo mesmo caminho. Não só tentou o próprio Josué Alencar na sua aproximação ao tal centrão, como ventilou nomes como Benjamin Steinbruch, criando, inclusive, atrito com seus eleitores de esquerda, tudo para tentar repetir o feito de Lula: um vice do capital produtivo nacional.

Todavia, nesse quesito, ninguém supera Henrique Meirelles, candidato do legado do Governo Temer. Meirelles “vaza” vídeos que o liga ao ex-presidente Lula e encomendou uma pesquisa justamente para saber como anda sua ligação com o melhor presidente da história.

Obviamente, vale aqui uma menção honrosa a Manuela D’Ávila, que, entre outras políticas semelhantes com Lula, passou a andar “pelo Brasil” como a caravana do ex-presidente e Boulos que, apesar de ser do PSOL (partido com grande resistência ao PT) faz uma das melhores defesas do ex-presidente entre os grandes nomes do movimento social brasileiro.

Finalizando entre os presidenciáveis, dos que valem a pena considerar, sobram Marina e Bolsonaro. Sobre a candidata da Rede, honestamente nem sei nem como anda a campanha (juro que procurei informações sobre mas ela parece não ter acordado da hibernação ainda).

Já Bolsonaro, esse sim se comportar como o verdadeiro anti-Lula (por isso o título).

[Aqui vale um adendo: penso que Bolsonaro encarnou forte o espírito antipetista (já escrevi sobre ele há algum tempo) e, portanto, terá uma boa votação – digna de segundo turno – a não ser que aconteça algo pra lá de extraordinário, tipo uma prova concreta de corrupção por parte do deputado. Eu não menosprezo a força dele e nem penso que será fácil tirá-lo da disputa. Mas isso fica pra outro texto].

Quando Serra, em 2010, exaltou Lula e escondeu FHC, talvez não tínhamos a dimensão do tamanho do lulismo. Agora, em 2018, quando poucas candidaturas parecem estar a fim de arriscar (estão se estudando, como no começo de um jogo de futebol) todos apostam no mais seguro.

E não há outro nome pra isso do que Lula.

 

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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2 comentários

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Sebastiao

26 de julho de 2018 às 03h58

Todo mundo que nao vota no grande lider Lula é facista e será fuzilado e queimado quando Lula voltar ao poder.

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Jonas

24 de julho de 2018 às 12h28

E tem articulista q acha q a esquerda tem q esconder lula para não “judicializar a política”.
Francamente…

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