Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

No Title (1923) by Wassily Kandinsky

Wanderley: a democracia deve ir às ruas

Por Miguel do Rosário

20 de novembro de 2018 : 09h42

Coluna Segunda Opinião

A democracia deve ir às ruas

Por Wanderley Guilherme dos Santos

Pelo tempo que existir, o próximo será um governo culturalmente tosco. Não basta a nulidade reconhecida do anunciado chefe da casa civil, a impostura de um anônimo Bebiano, agraciado com os despojos do toma lá dá cá de uma legenda sem destino, a truculência do futuro ministro da fazenda e a grosseria das manifestações orais do próprio clã Bolsonaro.

Era preciso adicionar ao espetáculo fantasmagórico um ministro das relações exteriores que se entusiasma com a confissão, por outras palavras, de ser um frankstein ideológico. Difícil interpretar como a Casa de Rio Branco concedeu-se o vexame de abrigar semelhante exemplar de talidomida diplomático. Mas, se o mundo não estiver ensandecido à la Trump, a Europa ocidental, os nórdicos, mais os russos e sobretudo a China se encarregarão de expulsá-lo do Itamaraty, já que os nossos não o fizeram.

Urgente compreender o que significa um governo de ocupação para o qual os discordantes são inimigos a serem vigiados e perseguidos. A regra do segundo turno ilude a governantes e governados de que se trata de um governo de maioria. Nunca foi, nem é. Os cerca de 58 milhões de votos dados a Jair Bolsonaro no segundo turno, correspondem a não mais do que a 41% do eleitorado total e a 28% da população. A maioria de 59% do eleitorado não o escolheram, sem mencionar a porcentagem dos que, na realidade, votaram contra Fernando Haddad. Dadas as regras, a eleição foi limpa e o mandato é legítimo, mas o governo não é da maioria mas, sim, deveria governar para a maioria. Com o que, a concepção brutamontes em cartaz discorda, mediante ameaças e promessas de vingança.

Consta que as OABs dispõem de sentinelas para acorrerem aos perseguidos e injustiçados. Pois é absolutamente vital que os profissionais não esperem pelas associações de classe, nem pelas burocracias partidárias em contínua disputa para controlar frentes que não terão fundo, só fachada. Essencial que grupos de médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras, assistentes sociais, psicólogos e, claro, advogados e advogadas, tomem a iniciativa de compartilhar o número dos celulares, endereços eletrônicos, turnos de receptores e distribuidores de mensagem, sem necessidade de hierarquia, documentos com bravatas ridículas ou relatórios para funcionários de partidos. Não custam nada, apenas tempo e disposição democrática, sem restrição de qualquer espécie. Importa a compromisso de atender aos ferimentos da democracia e dos democratas, ali onde necessário. E que os postos de recebimento de informações sobre atentados à democracia sejam largamente conhecidos e, assim, qualquer brasileiro ter a quem comunicar uma arbitrariedade que testemunhe.

Não existe nenhuma organização vigilante fascista no país e duvido que venha a existir. Mas, sem uniforme ou saudações fanáticas, bem que cada um de nós poderia funcionar como vigilantes da democracia. Não se iludam. Seremos necessários.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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25 comentários

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Aureliano

22 de novembro de 2018 às 12h19

ESCOLA SEM PARTIDO SERÁ UM GRANDE NEGÓCIO
(No Blog do Nassif)

Jornal GGN – Jair Bolsonaro recebe quinta-feira (22) o procurador da República Guilherme Schelb. Ao jornal O Globo, o capitão da reserva disse que Schelb é “cotado sim” para assumir o Ministério da Educação.

Bolsonaro deixou claro que não escolherá para a Pasta um nome que possa desagradar a bancada evangélica, que tenta emplacar a qualquer custo o projeto de lei da Escola Sem Partido. Nesse sentido, o perfil de Schelb cai como uma luva: na internet, ele ganhou fama disponibilizando um modelo de nofiticação extrajudicial para ser usado por pais contrários à “ideologia de gênero” nas escolas.

Além disso, o procurador vende um curso digital em que ensina o que é a tal “ideologia de gênero” em sua visão e como os pais podem utilizar essa “doutrina” para ameaçar ou processar de fato instituições públicas ou privadas. Ele frisa que a ação é vantajosa: cada caso pode gerar de R$ 5 a R$ 30 mil por danos morais.

NO BLOG DO NASSIF

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Tamosai

22 de novembro de 2018 às 10h43

Sim. Ciro e Cid nas ruas. Com o DEM e tudo. Vamos encher a sorveteria 50 sabores em Fortaleza.

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Fafa Viera

22 de novembro de 2018 às 06h49

Calma gente, o artigo nao se refere ao termo Democracia como vista pela direita (Alemanha, Suica, Suecia, EUA e outros). Esse artigo menciona a Democracia definida pela esquerda como a que vemos em Cuba, Coreia do Norte, URSS), por isso gera esse impacto que parecemos nao entender.

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Luiz

20 de novembro de 2018 às 22h14

E aí Miguel? quem irá às ruas? Ciro, PDT, PSB….
Diz por aí que cachorro velho só late sentado…

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Justiceiro

20 de novembro de 2018 às 19h55

Vamos lá.

1 – Se usarmos esse critério, nem Lula e nem Dilma também não foram eleitos pela maioria. Quem usa esse tipo de argumento só para tentar tisnar a vitória do capitão é um canalha.

2 – a democracia esteve nas ruas recentemente. elegeu Governadores, Senadores, Deputados Estaduais e Federais e o presidente. Isso não é democracia?

3 – Em 2016, a democracia colocou 6 milhões de cidadãos nas ruas e impixou Dilma.

4 – CHOLA MAIS!!!!!!!!

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    degas

    21 de novembro de 2018 às 08h17

    Não atrapalhe a lógica petista. Lembre que, para eles, a simples suspeita deveria ser motivo para a prisão dos adversários, mas toda condenação a alguém da turma é perseguição judicial.

    Então, quando Lula e Dilma ganharam, o fato deles não terem obtido a maioria dos votos não tinha importância. Mas agora tem.

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nelson

20 de novembro de 2018 às 18h57

Vai tu e ciro

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    Amaro

    20 de novembro de 2018 às 21h28

    Exatamente.

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Stalingrado Lula da Silva

20 de novembro de 2018 às 18h12

De acordo com o candidato de Wanderley, não há problemas com a democracia brasileira :
https://www.brasil247.com/pt/247/poder/375542/Bolsonaro-n%C3%A3o-%C3%A9-risco-%C3%A0-democracia-diz-Ciro.htm

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CAR-POA

20 de novembro de 2018 às 17h36

————Dadas as regras, a eleição foi limpa e o mandato é legítimo,…———–
UM BELO EXEMPLO DE IMORALIDADE .
É UMA LEITURA RASA E FARTAMENTE PROVIDA DE IGNORÂNCIA DA REALIDADE .
FATO QUE NESTE CASO NÃO SE JUSTIFICA,(TRATA-SE DE UM “INTELECTUAL” ),PORTANTO ESTE MOSTRA-SE IMORAL

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CAR-POA

20 de novembro de 2018 às 17h24

PRA VC MIGUEL E SEU “ANALISTA” PREFERIDO ,UM TEXTO ESCLARECEDOR QUE MARCA UM CAMINHO PARA SE ANALISAR —-INTELIGENTEMENTE—-OS ÚLTIMOS ANOS DA DESTRUIÇÃO DEMOCRÁTICA NO BRASIL.
https://jornalggn.com.br/noticia/uma-ditadura-de-novo-tipo-por-marcio-sotelo-felippe

VIVENDO E APRENDENDO

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Marcos Videira

20 de novembro de 2018 às 17h06

Creio que os números corretos sejam os seguintes:
. Eleitorado: 147,2 milhões – 100%
. Bolsonaro: 57,8 milhões – 39%
. Haddad: 47 milhões – 32%
. Alienados: 42,4 milhões – 29%
Portanto, 61% NÃO votou em Bolsonaro.
Cadê os líderes da Frente Ampla pelo Estado Democrático de Direito ?

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    O Pai

    20 de novembro de 2018 às 17h31

    E 68% NÃO votou em Lula, digo, Haddad.

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Ricardo

20 de novembro de 2018 às 15h43

Pode chorar PTistas mas essa regra eleitoral é a mesma que Lula e Dilma se elegeram. A Democracia sobrevive na alternância do poder. Ja tivemos 13 anos de PT roubando e trapaceando com discurso progressista. Agora senta na rampa e chora.

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O Pai

20 de novembro de 2018 às 14h11

Fiquem tranquilos, gente!
Bolsonaro não é ditador, é apenas honesto por isso lhes assusta.
Viado vai continuar viado (só que não vai poder transar dentro da sala de aula).
Ladrão vai continuar ladrão (só que vai ser preso e continuar preso).
Travesti vai continuar travesti (só que vai fazer programa na boate e não em museu de Arte pra crianças).
Maconheiro vai continuar maconheiro (só que não vai mais fumar na rua e nas escolas).
Jornalista vai continuar mentindo (só que sem dinheiro público).
Sapatão vai continuar sapatão (só que não vai ficar pelada na rua urinando na bandeira do Brasil e na porta de igrejas).
Político corrupto vai continuar corrupto (só que não terá apoio da lei e o Moro vai pegar).
Dinheiro público vai pagar obra (não político).
Quem ganha para trabalhar vai ter que trabalhar (chega de cargos só de fachada)
Claro que isso assusta vocês. Medo de acabar com jeitinho brasileiro, com lei de Gerson.
O Brasil não será mais dos espertos, e sim dos honestos!

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    mariocinelli

    20 de novembro de 2018 às 22h16

    Falou, PAI. Você deve ser o PAI do BOZO.

    Responder

maria do carmo

20 de novembro de 2018 às 13h45

Concordo com Wanderley Guilherme dos Santos em genero numero e grau, presidente bolsonaro bronco, nazista, fascista, despreparado, sem nocao, mentiroso e o que temos e terrivel!

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WG

20 de novembro de 2018 às 12h06

O governo bolsonaro não será uma organização fascista vigilante ? Se iniciaram perseguição antes da posse, o que veremos depois ? Alguns comentaristas lembraram bem que Ciro não concordaria com o perigo fascista do governo bolsonaro. As falas de Ciro prejudicam a coerência do filósofo.

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João Ferreira Bastos

20 de novembro de 2018 às 12h05

Bolsonaro não é risco a democracia. Diz Ciro

Como se estivéssemos numa democracia desde o golpe

Sabe a fabula do escorpião ???? Ciro não demora e será picado

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Renato

20 de novembro de 2018 às 11h41

Mas a democracia foi às ruas,caro professor. Dia 28 de outubro, foi ás ruas votou em Bolsonaro e deu um chute na bunda do Petê !

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ari

20 de novembro de 2018 às 11h13

“…a eleição foi limpa e o mandato é legítimo”
Legítimo, quando o candidato que quase certamente seria o grande vencedor foi aprisionado para não concorrer? A eleição foi uma farsa, professor. Limpa, quando a omissão do TSE gritava aos céus? E o STF, impedindo de todas as formas que esse candidato ao menos falasse a seu povo?

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Wilton Santos

20 de novembro de 2018 às 11h08

Seria interessante o professor explicar o que o Ciro Gomes quis dizer sobre o Bolsonaro não oferecer risco à democracia!

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Wilton Santos

20 de novembro de 2018 às 11h06

Seria interessante o professor explicar a declaração do Ciro Gomes de que Bolsonaro não oferece risco à democracia!

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Augusto Jose Hoffmann

20 de novembro de 2018 às 11h05

Vai não! Não foram sequer quando a gasolina dobrou de preço, no último ano. As panelas, então, haviam se transformado em peneiras…O Brasil (ou Brazil?) é uma jabuticaba. Definitivamente.

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Paulo

20 de novembro de 2018 às 10h48

Exagero!

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