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Guaidó viaja tentando apoio

Por Tulio Ribeiro

28 de fevereiro de 2019 : 18h52

O autoproclamado Juan Guaidó começa o segundo ato do teatro, que montou com o Grupo de Lima para tentar golpear o presidente eleito da Venezuela .

Juan Gerardo Guaidó Márquez foi suplente de deputado na eleição de 2010 e em 2015 logrou uma vaga na Assembleia Nacional pelo estado de Vargas com 97492 votos. Parlamentar do ‘Voluntad Popular’, a extrema direita venezuelana, seu partido foi responsável em 2017 pela execução das ‘guarimbas’, movimento violento que queimou 29 pessoas vivas nas ruas de Caracas (veja vídeo). O Voluntad, explodiu estações de transmissão, depredou prédios públicos e chegou colocar bombas caseiras em hospital-creche na periferia caraquenha, obrigando crianças serem transportadas na madrugada. O Voluntad tem representantes nos principais países envolvidos no golpe, inclusive no Brasil.

Guiadó se formou em engenharia, mas faz parte de um grupo seleto de defensores do neoliberalismo formado nos EUA , no seu caso na Universidade George Washington como Leopoldo lópez,, Henrique Caprilles e Iván Duque procuram retribuir todo investimento feito pelo norte através da defesa de suas demandas. O parlamentar teve uma atuação apagada na Assembleia, sem nenhum projeto relevante aprovado. Preparado ainda em 2018 para assumir a presidência do congresso oposicionista, Gauidó teve a grande oportunidade de sua vida, quando abraçou a ideia dos EUA em impor um presidente venezuelano submisso as suas demandas e sacando o eleito pela população, uma peça teatral de ‘realismo fantástico’.
O fracasso da invasão “Cavalo de Tróia”, levou Guaidó voltar ser o que é, um parlamentar do baixo clero que tenta manter viva sua apresentação com acentuado teor teatral. Fugido da justiça venezuelana que tinha proibido sua saída , Guaidó se tornou um espantalho para o Grupo de Lima, que enfraquecido deixou de alardear “todas opções estão na mesa” para descartar a invasão.

A verdade apresenta que indiferente da decisão dos países que seguem as ordens dos EUA em buscar o petróleo da Venezuela, Guaidó não tem mais utilidade. Recebeu milhões de dólares no final do ano passado, e prometeu um milhão de pessoas na fronteira, simplesmente não entregou. Seja para invadir ou aumentar a guerra econômica contra Maduro, Guaidó não tem liderança política para movimentar massas e gerar turbulência que “justifique uma invasão pela democracia”.

Guaidó se perde em frases de efeito que lhe permitam continuar a representar esta película de horror, desde que solicitou a invasão de seu país com a irresponsabilidade das mortes que gerou. Entretanto seu personagem é muito pequeno, sem coragem para implementar qualquer atitude, precisa mais dos seus donos que eles de ti:

“Um prisioneiro não serve a ninguém, tampouco um presidente exilado. Estamos em uma área inédita. E meu papel e dever é estar em Caracas apesar dos riscos, apesar do que isso implica.”

Esta situação se aclara com a crítica do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, diretamente para Guaidó: “Bravatas não vão derrubar Maduro(…) esperava mais aporte de recursos pelos milionários venezuelanos”. Pence percebeu que a posição passada pelo deputado era inverídica, a base social chavista não está fracionada e nem há confiança dos capitalistas em Guaidó muito menos na queda de Maduro.

É tão dispensável que pode gerar uma situação que permita seu assassinato. Guaidó é descartável e isso significa o perigo que pode ser eliminado fisicamente, em uma operação de falsa bandeira destinada a culpar o governo venezuelano. Para Washington e os poderes por trás do golpe contra a Venezuela, vale tudo e o martírio pode levar o sobrenome Guaidó.

Esta preocupação cresce na Venezuela, e foi externada ontem pelo presidente da Assembléia Constituinte da Venezuela (ANC), o líder chavista Diosdado Cabello

Estão aplicando uma sentença de morte a Juan Guaidó para culpar o governo Bolivariano . O Grupo Lima afirma ter relatórios confiáveis ​​de que a vida de Juan Guaidó está em perigo, voe com isso! Nós não estamos interessados em ​​Juan Guaidó morto, isto só interessa ao Grupo Lima, ao imperialismo interessa (..) o bloco de oposição é responsável pelo cuidado da segurança de Guaidó para não lhe acontecer nada “.

O auto proclamado traiu seu povo, enganou o Grupo de Lima ao passar a ilusão que seria um líder político, transformando os 97 mil votos no poder de comandar os 32 milhões de venezuelanos. A verdade chegou, e ela não lhe sorriu !No Brasil ele não deve ser tratado como Chefe de Estado, cargo que nunca teve, mais um passo para fechar as cortinas do seu teatro. Quanto a peregrinação de Guaidó por países, é apenas uma busca de patrocínio para continuar o show, uma atitude de mercador em benefício próprio, não importando quantas vidas caiam pelo caminho.

www. youtube.com/watch?v=BjhPORc0p_k

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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5 comentários

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Luiz

01 de março de 2019 às 09h48

Com o apoio da maior potência do planeta, com os apoios do Brasil, do Chile, da Colômbia e da ditadura do Paraguai, Guaidó ainda é um estranho no ninho. Não quer falar com o Mujica, não sabe quem é aquele indiozinho da UNASUL (URSAL?) e provavelmente vai ganhar algum fazendo palestras nos EUA.

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Valdeci Souza

01 de março de 2019 às 08h06

Guaidó , quer tanto ser Presidente da Venezuela, que não se importa em sacrificar o Povo Venezuelano para com isso conquistar o Território da Venezuela. ele não se importa em matar o Povo. Por isso está em campanha pedindo uma invasão estrangeira em seu país.
Se fosse testado por Salomão, Guaidó não se importaria em partir a criança ao meio.

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Nelson

01 de março de 2019 às 01h07

Meu chapa.

Desde que Hugo Rafael Chávez Frias tomou posse como presidente da Venezuela, em fevereiro de 1999, dando início à Revolução Bolivariana, o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos já enviou suas forças armadas a causarem destruição e morte em vários países. Vou citar apenas alguns:

Bombardeio da Iugoslávia, em 1999;
Invasão e bombardeio do Afeganistão, em 2001;
Invasão e bombardeio do Iraque, em 2003;
Invasão e bombardeio da Líbia, em 2011;
Invasão e bombardeio da Síria, em 2014.

Vou citar apenas os resultados sobre o Iraque da cruzada “humanitária” dos EUA.
Até o início de 2009 os números pavorosos eram os seguintes no país árabe: 1,5 milhão de mortos, 4,5 milhões de deslocados de seus lares, entre 1 e 2 milhões de viúvas e 5 milhões de órfãos. Confira em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=80204.

Mas tem mais. As bombas revestidas com urânio “empobrecido”, que os EUA já tinha utilizado na Iugoslávia, deixaram uma contaminação radioativa pavorosa que levará nada menos de 4,5 bilhões de anos para se dissipar. Por conta disso, explodiram os casos de câncer, de leucemia, a mortalidade infantil e o nascimento de crianças deformadas no Iraque.

Repetindo. Estou citando apenas dados relativos ao horror perpetrado contra os iraquianos pelos EUA.

Nesses 20 anos, eu não lembro de ter visto uma vez, umazinha só, a Revolução Bolivariana, seja com Hugo Chávez, seja com Nicolás Maduro, ordenar que um avião ou navio de suas forças armadas saísse a bombardear um outro povo. Também não vi o governo de Cuba fazer isso.

E você me vem com essa de “super-Cuba”?

Ora, meu chapa. Só na América Latina os EUA umas 20 bases militares, algumas ali bem pertinho da Venezuela – 9 na Colômbia e 8 no Peru. Quantas bases militares Cuba e Venezuela têm fora de seu território?

E você vem me dizer que está com medo de Cuba e da Venezuela?

Como podemos enquadrar o teu caso? Falta de informação, burrice ou “cegueira intencional” provocada por capachismo e sabujice aos Estados Unidos. Por outros comentários teus, me parece que a terceira opção se aproxima mais da verdade.

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Alan Cepile

28 de fevereiro de 2019 às 21h19

Sou mais o Zé de Abreu!

kkk

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Paulo

28 de fevereiro de 2019 às 20h19

É, o plano A falhou. E agora, o que fazer para evitar uma super-Cuba na América do Sul?

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