Continua debate sobre prisão em 2ª instância

O golpe que Putin aplicou em Trump

Por Tulio Ribeiro

05 de março de 2019 : 10h46

Quando Estados Unidos estavam esperando asfixiar a detentora da maior reserva de petróleo do mundo, eis que a rival Rússia lhe golpeia as pretensões . A PDVSA estava ficando sem um produto escuro que é vital para manter sua produção do crudo, produto crucial para saúde financeira do país via exportações.

A Rosneft Oil Co. PJSC, empresa sediada em Moscou e controlada pelo governo de Vladimir Putin, está enviando os primeiros embarques de nafta pesada para a Venezuela, desde que os EUA impôs sanções mais severas contra a PDVSA no final de janeiro passado. O composto é usado para diluir o petróleo venezuelano, de modo que ele possa passar por dutos até a costa. Sem ele, o petróleo fica preso nos campos e não pode ser processado como petróleo pronto para a refinaria.

A produção de petróleo já despencou para metade depois de anos de falta de investimento externo e sanções de insumos bem como tecnologia. O que resta – cerca de 1,4 milhão de barris por dia – financia os programas de distribuição de alimentos que fornecem sustento a uma população que foi empurrada para crise diante da guerra econômica. Sem o dinheiro para esses programas, a escassez aumentará, que é o grande objetivo estadunidense e da oposição venezuelana.

A Rússia prometeu ajudar a Venezuela a evitar a intervenção militar externa, disse no fim de semana a presidente do parlamento russo, Valentina Matvienko, ao vice-presidente venezuelano, Delcy Rodriguez. A Rússia, junto com a China, tem sido um grande patrocinador de Maduro, com laços que remontam a 1999, quando seu antecessor, Hugo Chávez, chegou ao poder. A PDVSA , por segurança financeira e novas linhas de crédito, está transferindo seu escritório europeu de Lisboa para Moscou, como disse Rodriguez na sexta-feira.

Dois navios Rosneft, “Serengeti e Abliani”, entregarão um milhão de barris de nafta pesada combinado da Europa para a Venezuela nas próximas semanas, terminando com a falta de fornecimento de um mês. Os volumes trarão grande alívio, mas estão longe de resolver totalmente o problema. Antes de as novas sanções serem impostas em janeiro, a Venezuela importava entre 2 milhões e 3 milhões de barris de nafta pesada por mês.

O petróleo diluído da faixa do Orinoco será misturado com outro volume de melhor qualidade administrado pela PDVSA, chegando para empresas como Rosneft, Chevron Corp., Total SA e Equinor ASA. Diante da mistura melhorada, as companhias podem processar 630 mil barris por dia, atualmente operam com taxas reduzidas desde as sanções, devido a falhas mecânicas e escassez de produtos químicos.

Reflexo da ação do governo estadunidense levou que a Litasco SA, o braço comercial da Lukoil PJSC, e a Trafigura parassem de comercializar petróleo novo com a Venezuela, especificamente pelas sanções. A Rosneft – uma parceira da PDVSA e outra joint venture – empreenderam um passo à frente. Passaram a comprar embarques de petróleo e fornecendo combustível. A empresa que já emprestou cerca de US $ 6,5 bilhões para a Venezuela desde 2014 em troca de petróleo, formou numa dívida pendente, pela PDVSA, no montante de US $ 2,3 bilhões, segundo apresentação da Rosneft.

Trump contava em asfixiar por completo a Venezuela, mas a Rússia estrategicamente golpeou o objetivo do mandatário estadunidense. Talvez esteja nesta processo a principal razão de tentar acelerar a invasão à Venezuela, pois a cada dia, o suporte vindo da China e Rússia vence o conjunto de sanções dos EUA. O prêmio são 296 bilhões de barris de petróleo, muito ouro, gás e coltan. São todas as razões para os americanos do norte entrar em guerra com qualquer país.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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