A audiência pública sobre a reforma tributária

Se não houvesse o golpe de 64, Brasil hoje seria uma potência

Por Redação

17 de abril de 2019 : 15h09

No site do PDT

“Se eles deixassem João Goulart governar, hoje o Brasil seria uma grande potência”

Osvaldo Maneschy e Apio Gomes
16/04/2019

Jair Kirschke é referência internacional na luta pelos Direitos Humanos, especialmente no combate às ditaduras latino-americanas que se engajaram na Operação Condor, de eliminação de lideranças políticas da América do Sul.

O gaúcho Jair Kirschke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), acompanhou a trajetória política de João Goulart, primeiro, no Rio Grande do Sul, como deputado e secretário de Justiça e depois, no Rio de Janeiro, como ministro do Trabalho, até se tornar Presidente da República.

“Jango foi tão bom ministro de Getúlio Vargas, que fez com que os coronéis lançassem um manifesto, articulado pelo então coronel Golbery do Couto e Silva, como mais de 100 assinaturas, porque os militares não admitiam que Jango, no Ministério do Trabalho, defendesse trabalhadores”.

Outro momento pouco conhecido da juventude brasileira, na opinião de Kirschke, foi o movimento da Legalidade, liderado por Brizola, que garantiu a posse de João Goulart, vetada pelos militares. “Brizola foi pioneiro, criou, pelo rádio, a rede social que garantiu que o golpe não se completasse. Jango estava na China tentando vender produtos brasileiros que, anos depois, o mundo inteiro descobriu ser excelente negócio”.

Kirschke, ainda sobre a Legalidade, relembrou um fato que despertou sua atenção, na volta de Jango da China, na reunião, em Montevidéu, que resultou na aceitação do parlamentarismo como solução da crise, entre os integrantes do grupo de negociadores, liderado por Tancredo Neves, estava então coronel Ernesto Geisel.

“João Goulart pretendia, com as reformas de base, modernizar o Brasil. Era fiel discípulo de Getúlio Vargas, o grande estadista que mudou o perfil socioeconômico do Brasil, a quem devemos a grande mudança de o Brasil sair de país agropastoril para país industrializado. Mas Jango não parou aí, pretendia fazer avançar as reformas de base, dar maior dignidade ao povo brasileiro. Isto assustou a direita”.

Em seu depoimento, Kirschke lembrou ainda que, na reforma agrária de Jango, os beneficiados receberiam o título de propriedade de terra: “Nada mais capitalista do que isto”. Mesmo assim, isto assustou a direita, que derrubou Jango, acusando-o de ser comunista.

“Jango tentou fazer uma reforma inteligente e oportuna – das melhores –, que distribuía terras ao longo das rodovias e não colocando peões no interior do Brasil”. Com a reforma, acrescentou, Jango pretendia conquistar outro patamar para o povo brasileiro. “Mas as oligarquias viam defeitos em Jango (na verdade, as suas grandes qualidades). Jango sempre quis que o Brasil fosse independente, de fato e de direito”.

Em 1964, Kirschke entendia como equivocada a decisão de Jango de não resistir ao golpe – como Brizola queria. “Mas com o transcurso da História, acho que foi uma decisão sensata. Eles queriam dividir o Brasil em dois, tipo Coreia. Eu não tinha esta informação na época, mas Jango a tinha”.

No exílio, relata, Jango foi monitorado e perseguido, mesmo sendo o homem que evitou derramamento de sangue no Brasil. “Ele não foi respeitado”, assinalou. Destacou ainda, nesta entrevista, que Jango tinha um papel importante a desempenhar com a volta da democracia no Brasil e, por isto, a notícia de sua morte o encheu de tristeza.

“Jango era uma figura que esperávamos ver de novo na Presidência da República”. Temos uma dívida histórica com ele: em curto espaço de tempo, foi um grande presidente. Teve o melhor ministério que este país já teve, escolheu figuras extraordinárias para compor sua equipe. “Se eles deixassem Jango governar, hoje o Brasil seria uma grande potência”.

Jango se posicionava como igual com cada um de seus peões: gostava da vida no campo. “Ele fazia amigos em qualquer extrato social, era um homem simples, uma figura simples, um grande homem, portanto quando falo deste homem, falo de um homem bom, de temperamento afetivo e de visão clara do que interessava ao nosso país”.

No conceito deste mundialmente respeitado defensor dos Direitos Humanos – que, com família em São Borja, o conheceu bem –, os brasileiros precisam saber mais sobre a trajetória de João Goulart, porque “um dia tivemos a oportunidade de ser um país melhor, mas perdemos a chance”.

Confira a entrevista completa abaixo:

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24 comentários

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Nelson

19 de abril de 2019 às 20h09

Um sugestão ao nosso blogueiro Miguel do Rosário.

Fazer uma matéria sobre o livro “Estatais” que cito em réplica que fiz abaixo a comentário do Jorge. Quem sabe, poderia também fazer uma entrevista com seus autores, o professor Octaviani ou a professora Nohara.

Grato.

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Nelson

19 de abril de 2019 às 00h18

O senhor Kirschke pode ter razão. Se ao povo brasileiro fosse assegurado o seu direito, inalienável, à autodeterminação e à soberania, o direito de escolher o caminho que desejava seguir, certamente não teria acontecido o golpe de Estado de 1964.

A partir daí, com as reformas de base implementadas, como queria Goulart, o Brasil teria conseguido formar um mercado interno robusto, que, aliado à exploração sensata das imensas riquezas que o país possuía e ao investimento nas capacidades de nosso povo, certamente teríamos dado um enorme salto na direção de patamares bem mais altos de desenvolvimento.

O problema é que desta forma o Brasil “sairia dos trilhos”, ou seja, do caminho traçado pelo Sistema de Poder que domina os Estados Unidos para nosso país. Tal Sistema projetou o controle do nosso país para que ficássemos sempre sendo uma mera economia complementar à dos EUA e não atingíssemos o status de economia autônoma.

Ao “sair dos trilhos” e se desenvolver, com todos os recursos de que dispunha, o Brasil, em poucas décadas teria alcançado ou se posicionaria muito próximo das economias mais avançadas do planeta.

Atingindo tal estágio, passaríamos a prescindir da tecnologia dos países ricos. Mais ainda, nos tornaríamos competidores de tais países no fornecimento de tecnologia àqueles que não a possuíssem.

Então, amigo, era preciso apear do poder o quanto antes um governo, nacionalista, que colocaria o Brasil neste rumo. Esta é a razão real para a derrubada de João Goulart. “Ameaça comunista”, “corrupção”, já naquela época eram pretextos velhos. Tinham sido utilizados para a derrubada de Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954, e de Mohammed Mossadegh, no Iran, em 1953.

Imagine. Ameaça comunista no Iran de Mossadegh, um primeiro-ministro de centro-direita. Nesse país até hoje os comunistas são perseguidos. Os comunistas tiveram contribuição fundamental na derrubada da ditadura do Xá Reza Pahlevi – ditadura que foi patrocinada e apoiada pelos Estados Unidos durante todos os 26 anos que durou. Derrubado o Xá, os comunistas foram proscritos.

Em suma, Arbenz, Mossadegh e Goulart foram derrubados pelo mesmo motivo. Eram nacionalistas e queriam desenvolver as potencialidades de seus países para garantirem uma vida melhor para seus povos, contrariamente ao determinado pela maior ditadura do planeta, o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos.

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Roque

18 de abril de 2019 às 10h36

Como assim??? Este Véio doido é especialista dos direitos humanos no combate as ditaduras da América Latina, mas é completamente cego a ditadura cubana e venezuelana? Haja óleo de peroba na cara de pau destes pelegos safados.

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    Sergio Araujo

    18 de abril de 2019 às 11h02

    A ONU (orgào inutil) que esses elementos adoram relata que hà constantes violaçoes dos direitos humanos em Coreia do Norte, China, Cuba, Venezuela, entre outros…

    Nunca gostei de quem usa barba longa.

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Jorge

18 de abril de 2019 às 05h05

Tomem muito cuidado, sempre que algum politico vier falando em “defesa do tranalhador” mas ao mesmo tempo fala em Estatais, fuja para longe! Ele nao quer te defender, ele quer ser seu dono.

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    Nelson

    19 de abril de 2019 às 20h05

    Amigo. Alessandro Octaviani e Irene Patrícia Nohara, professor e professora de Direito na Universidade de São Paulo, lançaram, há pouquíssimo tempo, o livro “Estatais”. Não li o livro, vez que o encomendei e deve estar a caminho da minha casa.

    Porém, Octaviani concedeu entrevista a Paulo Henrique Amorim, na qual apresenta o livro. E o que ele diz, em apenas 26 minutos, deveria fazer os neoliberais privatistas se esconderem de vergonha por tentarem, insistentemente, enganar o povo brasileiro com a arenga de que só as privatizações vão trazer a solução para nossos males.

    Muito antes pelo contrário. Octaviani chega a afirmar que sem estatais o Brasil não vai crescer e mostra o tamanho da mentira que os neoliberais privatistas divulgam à exaustão, principalmente por meio da mídia hegemônica e seus comentaristas.

    Segundo o autor, os Estados Unidos, pátria da iniciativa privada, tem nada menos de 7.000 estatais. E a Alemanha, outro país capitalista, tem 15 mil estatais. A China, “que é a economia capitalista que mais cresce no mundo”, diz o professor, tem 150 mil estatais.

    “O que seria do agronegócio brasileiro sem a estatal Embrapa?” é um dos questionamentos que faz Octaviani aos que insistem em difamar as empresas estatais brasileiras.

    A entrevista do professor Alessandro Octaviani ao PHC está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=INgIhdKGJj4.

    Responder

Jorge

18 de abril de 2019 às 05h01

Sim, com certeza estariamos voando em naves espaciais de maos dadas cantando cantigas de amor

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Direitos dos Manos

17 de abril de 2019 às 22h39

Faltou dizer que Jango faria um acordo com o Papail Noel para que nenhum brasileirinho ficasse sem presente no Natal. Sem falar que ele apoiaria o sindicato dos coelhinhos da pascoa a fim de que eles nao fossem mais explorados pela elite burguesa. Jango no poder faria nos anos 60 o que Chavez e Maduro fizeram com a Venezuela 50 anos depois. Mas nao adianta argumentar com esquerdopatas, ainda que o muro de Berlim tenha caido, a URSS tenha implodido e a China tenha se tornado uma economia de mercado, eles vao continuar dizendo que se Cuba tivesse isso, se Chavez tivesse aquilo, se o DilmAnta tivesse sei la o que…

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Paulo

17 de abril de 2019 às 19h09

Considero Jango um grande homem, e a sua decisão célebre de evitar a guerra armada, preconizada por Brizola, e jamais perdoada pelos militares (e, no final, Jango é quem foi assassinado), é a prova cabal disto. Todavia, era um político fraco, o Brasil estava alvoroçado, política e socialmente, e o clima caminhava fortemente para uma guinada à esquerda de seu Governo, de contornos imprecisos e desfecho imprevisível. Se os comunistas já haviam protagonizado a Intentona Comunista, 30 anos antes, num cenário muito mais desfavorável a eles, imaginem o que não poderiam fazer com Goulart! Creio que é mais fácil profetizar que o Brasil teria se tornado uma grande Cuba, dividido, como as Coreias e o Vietnã, e o desejo de resistência de Brizola, aliado à presença (embora ainda incipiente) de guerrilhas rurais em formação, bem o fazem um cenário mais provável…

Responder

    lucio

    17 de abril de 2019 às 19h46

    o jango foi derrubado só porqué queria nacionalizar as refinarias e ponto final

    Responder

    degas

    17 de abril de 2019 às 20h03

    Vontade eles tinham (e têm ainda). Mas, se não tivessem recuado, creio que os militares derrotariam rapidamente os comandados do baderneiro Brizola. Quanto às “previsões” do Jair Kirschke só dando risada. Aliás, conheço esse campeão dos diretos humanos desde criança e nunca ouvi uma palavra dele contra a sexagenária ditadura e suas dezenas de milhares de mortos. Um tremendo dum hipócrita.

    Responder

      Paulo

      17 de abril de 2019 às 22h39

      É a hipocrisia natural da esquerda. Cuba é uma democracia, na visão unilateralista deles, e o Brasil, um país totalitário, ou, quando muito, uma democracia débil, atualmente ameaçada por “fascistas”. É assim que eles pensam, e, vou te dizer, a maioria acredita (escravos da ideologia que são)! Eles sequer se indagam sobre isso. Inocentes úteis, nada além disso…

      Responder

        lucio

        17 de abril de 2019 às 23h29

        mim arrependo de ter dado valor a vc… dando razao para um merda mentiroso devastado por alucinaçoes como o degases…

        Responder

        Sergio Araujo

        18 de abril de 2019 às 08h52

        Poucos passam d’ issso aì.

        Responder

LUPE

17 de abril de 2019 às 18h49

Caros leitores

Se o Brasil não tivesse um território tão rico
(um dos 3 territórios mais ricos do planeta)
talvez não fosse alvo da sanha,
da ganância
dos nossos inimigos.

Principalmente nossos inimigos estrangeiros ,
que sempre dominaram, dominam ,
e controlam
a Grande Mídia
(e agora, também, as redes sociais).

Com esta poderosíssima ferramenta
envenenam a cabeça das pessoas
em ódio
contra aqueles que lhes são inconvenientes:;;;

>>>>>>>>>>>> Getúlio Vargas (e sua Lei de remessa de lucros)
>>>>>>>>>>>> João Goulart (e suas Reformas de Base)
>>>>>>>>>>>> Brizola (e seus CIEPs)
>>>>>>>>>>>> Collor (e seu plano de construir 15.000 CIACs ,
sua versão dos CIEPs do Brizola)
>>>>>>>>>>>> Dilma e o petismo
(além do melhor governo que o Brasil jamais teve,
sua Lei de defesa do petróleo do pré sal
para a Petrobrás
e para o progresso do povo brasileiro)

Além do atraso que foi
a Privataria Tucana, ,
mais de 15 TRILHÕES de reais ,

Que a Grande Mídia escondeu,,
não informou os brasileiros, .

Não fez Lava Jato………………

MAS, >>>>>>>>>>> O PT É QUE É O CULPADO…………………………

Responder

    Paulo

    17 de abril de 2019 às 19h12

    Caro Lúmpen, eu vivi pra ver um comunista empedernido como você (ou petista, que seja, se estabelecer distinção) elogiar Collor, Brizola e mesmo Getúlio? É isso mesmo?

    Responder

      LUPE

      18 de abril de 2019 às 00h11

      Caro Paulo, “comentarista” a serviço de nossos inimigos, pago em dólares para vir ao Cafezinho fazer comentários.

      Não vou te dar papo. Sua função também é a de desviar raciocínios.

      Tchau.

      Responder

Alan C

17 de abril de 2019 às 16h11

Não sei se seria tão melhor, o problema aqui não parece ser a ideologia política escolhida e sim a infância social que nosso povo ainda se encontra aliado a corrupção no sangue, típico de povos intelectualmente atrasados que ainda não conseguem enxergar que se o coletivo funciona todos ganham.

Responder

    Sergio Araujo

    17 de abril de 2019 às 18h23

    O engraçado è que voce votou para um pluricondenado por corrupçào exclusivamente por ideologia.

    Responder

      Alan C

      17 de abril de 2019 às 21h33

      Te incomodo né serjolinha??? kkkkk

      Responder

        Sergio Araujo

        18 de abril de 2019 às 08h55

        Nào Samantha (è com H ou sem…?) Rsrs,

        sò nào consigo entender o sentido de falar em corrupçào e votar para uma facçào criminal conclamada e pluri sentenciada.

        Responder

          Alan C

          18 de abril de 2019 às 11h25

          porra serjolinha, acalme-se, vai ter um ataque histérico desse jeito kk

Zé Maconha

17 de abril de 2019 às 15h19

Lembro de minha mãe dizendo que quando eu nasci , em 86 , faltava comida nos supermercados , havia hiper-inflação e o desemprego era altíssimo.
Ela me fazia sopa de frango pois não se achava carne em nenhum lugar.
Foi esse o legado econômico da ditadura militar.

Responder

    degas

    17 de abril de 2019 às 20h11

    Ou uma coisa ou outra, inflação ou desabastecimento. No comecinho de 86 havia uma grande inflação, mas durante quase todo o ano não houve porque o Sarney forçou o congelamento dos preços no Plano Cruzado. Sem conseguir repassar custos que subiam, muita gente parou, gerando o desabastecimento. No final do ano o Cruzado começou a ir para o saco e a inflação começou a voltar, mas o desabastecimento acabou. O verão seguinte, para a sua felicidade, foi o da lata.

    Responder

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