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Marcel Coelho: Neocolônias não precisam de Forças Armadas

Por Redação

23 de abril de 2019 : 13h44

Marcel Coelho: Neocolônias não precisam de Forças Armadas

A constituição federal brasileira estabelece, em seu artigo 142, que as Forças Armadas se destinam à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. Há consenso que dentre suas atribuições, a mais relevante e exclusiva das Forças Armadas é a defesa da pátria. Afinal de contas, a República Brasileira tem outros/vários instrumentos de caráter civil para a garantia dos poderes constitucionais, assim como da lei e da ordem. Defesa da pátria significa a guarnição de fronteiras, dissuasão das ameaças advindas das assimetrias de poderes globais e defesa da soberania nacional.

Alguns países decidiram dissolver suas Forças Armadas. Os irmãos costarriquenhos são um exemplo interessante de país que optou por seguir um destino sem a proteção dos fardados. Desde 1948, quando o presidente costarriquenho José Figueres Ferrer dissolveu oficialmente o exército, os quartéis cederam lugar à escolas e centros culturais. Hoje a Costa Rica busca ocupar uma posição diplomática neutra —não poderia ser diferente — em conflitos globais. País com uma economia atrelada ao ecoturismo e tem como principal produto de exportação a banana, seguido do café. Também sedia empresas transnacionais de eletrônicos como a Intel. O nome, Costa Rica, advém da prosperidade conquistada com os cultivos de banana e café. Seu principal parceiro comercial são os Estados Unidos. Apesar da ausência de Forças Armadas, Costa Rica já no governo de Laura Chinchilla, nos idos de 2010, autorizou cerca de 7 mil marines a operar no país com 46 navios de guerra capazes de mobilizar até 200 helicópteros e aviões para o fortalecimento da guerra contra as “drogas”. O país seria um corredor importante para o tráfico. Para que Costa Rica precisa de um exército se pode contar com a maior máquina de guerra do mundo? Um ponto importante, Costa Rica não possui reservas de Petróleo e de minérios. Não possui indústrias estratégicas nem desenvolvimento de produtos nacionais com elevado valor agregado que possa despertar a cobiça e sabotagens internacionais. O pequeno país escolheu se alinhar ao irmão do Norte e viver sob sua sombra. Hoje, satisfaz-se em ser o jardim botânico do Smithsonian Institute e servir de laboratório natural para jovens estudantes da classe média americana.

A exemplo da Costa Rica, Brasil tem feito escolhas de alinhamento incondicional ao irmão do Norte. São inúmeras as evidências. Podemos citar as mais impactantes. As que saltaram aos olhos desde 2016. Brasil, já no primeiro mês de governo Temer — governo golpista para o autor — aprovou projeto de autoria do senador José Serra que previa quebra do regime de partilha do pré-sal; iniciando a entrega do óleo às companhias estrangeiras. Nos próximos dias o governo doará a seção onerosa do pré-sal avaliada em R$3,2 tri por míseros R$100 bi. Além do óleo, está sendo desfeita toda a cadeia produtiva associada. Significa a entrega do principal motor multiplicador do desenvolvimento industrial brasileiro. São estaleiros. Indústria petroquímica. Fertilizantes. Também foi entregue um dos maiores símbolos da soberania e expertise nacional. A EMBRAER. Há forte esforço para a entrega de parte do território nacional, a estratégica Base de Alcântara. Toda a estrutura da construção civil nacional foi desmantelada com a criminalização de empresas ao invés de pessoas. Empresas que lideravam esse mercado em continentes inteiros. Prática jurídica única e típica de um país carente de soberania. Ademais, corações e mentes estão sendo aquecidos para a entrega do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, ELETROBRAS, e claro, a PETROBRAS. Como se não bastasse, há orgulho do total alinhamento diplomático, diante das mais absurdas e estapafúrdias decisões, com o irmão do Norte. Como a transferência de embaixadas em zona de conflitos histórico. Tudo isso para barganhar… hum… nada.

Enquanto o cenário se descortina, o ministro Paulo Guedes soa a camisa em busca do prêmio de R$1 tri com a reforma da previdência. Acontece que nunca tantos militares ocuparam o poder. Dos 22 ministros, 8 são militares. No poder executivo federal somam 130. O general Eduardo Villas Bôas, ex Comandante do Exército Brasileiro, cedeu à pressão “Bolsonarista” e também chancelou o governo. Paradoxalmente, o custo para a manutenção de Forças Aramadas como a brasileira é altíssimo. Em 2019 serão gastos R$104,2 bi, o quarto maior volume da Esplanada. O déficit do sistema de aposentadorias somente com os militares chegou a R$43,8 bi. Uma máquina gigantesca que perdeu funcionalidade diante das decisões que o país vem tomando. Se há uma condição de alinhamento incondicional aos americanos a ponto de serem doadas empresas, recursos minerais e até o território ao irmão setentrional, é mais que justo que os brasileiros contem com a quarta frota americana para sua proteção e que sejam extintas as, agora inúteis, Forças Armadas Brasileiras. É um paradoxo serem adotadas medidas econômicas defendidas por Paulo Guedes, ao lado de uma diplomacia de total subserviência comandada por Ernesto Araújo associada à manutenção do gasto de uma pesada máquina militar. Ao invés de o trilhão de Guedes ser adquirido do lombo do trabalhador, o custo de manutenção dos fardados urge por reavaliação. Os militares, ao chancelarem as decisões do governo, também assinam seu processo de extinção. A razão é singela. Deixaram de seguir os princípios que justificam sua existência. Não exercendo a função constitucional de assistir a soberania brasileira, tornam-se um peso desnecessário. Colônias e protetorados não demandam militares. Podem contar com as Forças Armadas da metrópole e cultivar, além de bananas, a paz.

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16 comentários

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Mario

31 de outubro de 2019 às 00h19

Agora mesmo a Marinha está montando uma operação de Guerra para evitar a contaminação por petróleo lá em Obrolhos na Bahia. Os argumentos do autor foram por água abaixo….

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MAM

25 de abril de 2019 às 07h14

Ok, tá certo, mas não é ‘soa’, é ‘sua’, do verbo ‘suar’: “O ministro Paulo Guedes SUA a camisa”; e não existe déficit da previdência, o que já foi explicado por inúmeros especialistas.

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Leonardo

24 de abril de 2019 às 11h54

Nunca li tanta idiotice numa única matéria. É impressionante a falta de conhecimento, de visão do contexto global, regional e nacional, a desconexão de idéias a ponto de falar tanta asneira. Lamentável.

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Valdeci Souza

24 de abril de 2019 às 09h33

Em um país grande como o Brasil, acabar com as forças armadas é mais complicado. Essa tarefa tem que ser feita sem o povo perceber , por de baixo dos panos. Na verdade as forças armas vão ser transformadas em uma força policial, sem que os brasileiros percebam .
*Prender ou perseguir oficiais que queiram uma força armada com tecnologia de ponta nuclear.
*Não permitir que disponha de caças avançados, radares, satélites ou misseis.
*Usar só equipamentos de comunicação e tecnologia, que potências estrangeiras dominem e controlem .
*Afirmar que defendem com a vida a bandeira nacional, enquanto que o Chefe Supremo bate continências pra bandeiras estrangeiras.

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Alisson

24 de abril de 2019 às 07h33

Graças as FFAA somos um país democrático.
Graças as FFAA não somos uma “Venezuela”
Graças as FFAA não fomos invadidos e temos a nossa soberania.

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Thiago

24 de abril de 2019 às 05h34

A HIERARQUIA DE PODER NO CABARÉ BRAZIL

Danald Trump
(Senhor absoluto da 3ª Guerra Mundial)

Steve Bannon e Bibi Netanyahu
(capatazes imediatos)

Olavo de Carvalho
(o nosso Rasputin de pau pequeno; o original era bem dotado)

Bolsonaro e seus filhos aloprados
(todos psicopatas; nenhum governa)

Moro, Dallagnol e o resto da República de Curitiba
(traidores que quebraram as empresas brasileiras que concorriam com similares americanas)

Militares com uma boquinha no desgoverno Bolsonaro
(não querem largar essa boquinha nunca)

Mourão
(sempre sentado no banco de reserva, mas levando porrada o tempo todo dos filhos do capitão)

STF, também conhecido como supreminha
(estamos fodidos; não temos a quem recorrer)

Todo o resto do poder judiciário
(com algumas exceções, eu não os trocaria por um rolo de papel higiênico)

Polícia militar
(essa mata que é uma beleza)

O povo brasileiro
(esse tá na bimba do boi)

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Sergio

24 de abril de 2019 às 04h13

Brilhante o seu argumento! Está certo, as forças armadas já não tem função nesse Brasil .

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Helbert

24 de abril de 2019 às 01h40

Acho que a esquerda tem que partir para cima dos milicos e questionar para que serve as forças armadas no Brasil. Tem que fazer o povo entender que as forças armadas só serviram até hoje para desestabilizar a democracia e impedir o crescimento do Brasil, ou seja, para darem o golpe.Lula e FHC foram os dois presidentes que resistiram à os golpes das elites apoiadas quase sempre pelos milicos , mesmo que muitos escondam isso, como foi com a presidenta Dilma que foi derrubada pelo consórcio das elites, como bem disse Jucá, com os militares , supremo e tudo.E tem que partir para desnuda=los dessa pecha que eles auto se vangloria de não serem corruptos. Nos documentos sigilosos liberados pelos USA, recentemente , os golpistas de 64 fizeram um consórcio de corrupção com os politicos alinhados e a elite e aparelharam as estatais para roubarem e doar o patrimônio públicos. Roberto Marinho e Silvio, o último ainda está que não me deixa mentir…E até na economia que dizem, eles foram bem, não é bem assim…Tiveram um voo de galinha com os milhares de dólares que pediram aos patrocinadores do golpe, mas deixaram um dívida enorme para o povo brasileiro, sem contar que no final do governo deles, a inflação era pior do que da Venezuela. Então, a esquerda tem que perder o medo e mostrar a verdade. Como o capitão deles, conheceis a verdade, e verdade os libertará.

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    Sergio Araujo

    25 de abril de 2019 às 09h24

    Sabemos muito bèm do porque os esquerdofrenicos nào gostam do exercito, nào precisa perguntar pra ninguem.

    Responder

Sergio Araujo

23 de abril de 2019 às 18h03

Um Pais sem forças armadas è o sonho dos esquerdofrenicos; seria tudo muito mais facil.

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    Hideoshi

    23 de abril de 2019 às 19h30

    País sem forças armadas é um sonho, tio sam que o diga.

    Responder

Alan C

23 de abril de 2019 às 17h32

1º) braZilzinho do #ForaTemer e principalmente com a bozolândia é uma republiqueta banana podre.

2º) Forças armadas daqui são como um cinto de segurança numa moto, não prestam pra absolutamente nada.

Obs: Não é “soa a camisa” e sim “sua a camisa”.

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brasileiro

23 de abril de 2019 às 16h50

Depois de tanta doutrinação entreguista, tem que fazer uma guarda nacional do 0 mesmo.

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Paulo

23 de abril de 2019 às 16h13

Seria o sonho do MST…

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CARPOA

23 de abril de 2019 às 15h50

CONCORDO COM O POST DO INÍCIO AO FIM.
AGREGO,É UM INSULTO VER ESSA ORGANIZAÇÃO ENTREGUISTA SE ARROLAR A FUNÇÃO DE “DEFENSORES DA PÁTRIA”.
AO LONGO DA HISTÓRIA NÃO HESITARAM ATÉ EM ASSASSINAREM COMPATRIOTAS EM PROL DAS DOUTRINAS PROPALADAS PELO TIO SAM.
É UMA AGRESSÃO AO INTELECTO ,SER “CUSTODIADO” POR UM BANDO DE SUJEITOS QUE ESCOLHERAM RENEGAR DA INTELIGÊNCIA,O RACIOCÍNIO E DE SUA CONDIÇÃO DE-INDIVÍDUOS–

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Tenório Galvão

23 de abril de 2019 às 14h35

É isso aí: cultivar bananas!
Banana, menina, tem vitamina! Banana engorda e faz crescer!
O papel das FFAA brasileiras sempre foi o de força de ocupação da metrópole na colônia. Agora, com o planejado extermínio do terço mais pobre da população, não haverá mais necessidade dessa força, pois o perigo de rebelião popular desaparecerá. Um trilhão de economia! O tesouro nacional agradece; os rentistas nacionais ficarão tranquilos e todos dormiremos (morreremos?) em paz.

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