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No centro, o presidente "autoproclamado" da Venezuela, Juan Guaidó. Foto: EFE.

Sanções Econômicas como Punição Coletiva: O Caso da Venezuela

Por Redação

03 de maio de 2019 : 16h42

Maio de 2019
Por Mark Weisbrot e Jeffrey Sachs

Este documento analisa alguns dos impactos mais importantes das sanções econômicas impostas à Venezuela pelo governo dos Estados Unidos desde agosto de 2017. Ele conclui que a maior parte do impacto dessas sanções não recaiu sobre o governo, mas sim sobre a população civil.

As sanções reduziram a ingestão calórica das pessoas, aumentaram as doenças e a mortalidade (tanto para adultos quanto para crianças) e deslocaram milhões de venezuelanos, que fugiram do país como resultado do agravamento da depressão econômica e da hiperinflação. As sanções exacerbaram a crise econômica na Venezuela e tornaram quase impossível estabilizar a economia, contribuindo ainda mais para as mortes adicionais. Todos esses impactos prejudicaram desproporcionalmente os venezuelanos mais pobres e vulneráveis.

Ainda mais severas e destrutivas do que as amplas sanções econômicas de agosto de 2017 foram as sanções impostas por ordem executiva em 28 de janeiro de 2019 e pelas subseqüentes ordens executivas neste ano, e o reconhecimento de um governo paralelo, que como mostrado abaixo, criou um novo conjunto de sanções financeiras e comerciais que são ainda mais restritivas do que as próprias ordens executivas.

Concluímos que as sanções infligiram, e infligem cada vez mais, danos muito sérios à vida e à saúde humanas, incluindo uma estimativa de mais de 40.000 mortes entre 2017 e 2018; e que essas sanções se encaixariam na definição de punição coletiva da população civil, conforme descrito nas convenções internacionais de Genebra e Haia, das quais os EUA são signatários. Elas também são ilegais sob as leis e tratados internacionais assinados pelos EUA, e parecem violar a legislação dos EUA.

Tradução por Aline Piva.

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17 comentários

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Nelson

06 de maio de 2019 às 17h43

“se o chavismo se arraigasse, com o desrespeito inevitável às leis e aos direitos de cidadania que se seguiriam, estaria ainda pior do que está”.

Construir casas populares com a renda gerada na exploração da riqueza – petróleo – pertencente a todo o povo venezuelano e garantir saúde de qualidade a todos configura “um desrespeito inevitável às leis e aos direitos de cidadania” desse povo, meu chapa?

Foram nada menos de 2.700.000 casas para o povo construídas em pouco mais de seis anos, desde 2011.

Responder

Nelson

06 de maio de 2019 às 17h24

A maior ditadura que a humanidade já viu, o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos, está a punir mais um povo – foram tantos punidos ao longo da história – por este ousar desfrutar de seu direito à autodeterminação e à soberania.

Mas, a coxinhada, pataiada, trouxaiada – minions em geral -, gente que se diz amante inveterada da liberdade, quer acreditar que é o socialismo que está a destruir o país vizinho. Mesmo sendo a Venezuela, um país que, à parte as corretas medidas socializantes implementadas pela Revolução Bolivariana, ainda é quase que plenamente capitalista.

Responder

Thiago

06 de maio de 2019 às 06h52

TRUMP JÁ MATOU 40 MIL VENEZUELANOS

Trump já matou 40 mil venezuelanos!
Sachs: sanções econômicas americanas têm efeito devastador!

O Conversa Afiada reproduz trechos de entrevista de Jeffrey Sachs, economista norte-americano autor do livro “O Fim da Pobreza”, ao portal Democracy Now:

(…) Democracy Now: Muitos acusam Nicolás Maduro de causar uma paralização da economia da Venezuela. Você afirma que o problema é outro.

Sachs: Não é apenas uma paralização da economia. É um colapso da economia, uma catástrofe. Sim, havia uma crise econômica na Venezuela antes de Trump assumir a presidência dos EUA – mas a ideia do governo Trump, desde o início, é derrubar Maduro. Isso não é uma hipótese – Trump perguntou explicitamente aos presidentes da América Latina: “os EUA não deveriam simplesmente invadir?”. Ele já falava isso em 2017.

Os líderes latino-americanos deixaram claro que não queriam uma ação militar. Então o governo dos EUA, desde então, tenta estrangular a economia da Venezuela.

Tudo começou com as sanções em 2017, que impediram o acesso do governo aos mercados de capitais internacionais e a estatal de petróleo PDVSA de renegociar seus empréstimos. Isso jogou a Venezuela num cenário de hiperinflação. Foi o colapso total. O dinheiro ganho com o petróleo desabou. Os salários utilizados para comprar remédios e comida desabaram. Foi aí que a crise social e humanitária fugiu do controle.

E aí, neste ano, houve essa ideia bem inocente, bem estúpida, em minha opinião, da auto-proclamação de um presidente – uma ação coreografada com os EUA. (…) Agora, a Venezuela está em completa catástrofe, muito por culpa do governo americano, que intencionalmente causou sofrimento em massa. (…)

Democracy Now: Como você chegou ao número de 40.000 mortos como consequência das sanções americanas?

Sachs: Sinceramente, ninguém sabe ao certo o número de mortes. Foi um cálculo simples baseado nas estimativas das universidades venezuelanas que calcularam o aumento da mortalidade da população após o início das sanções. Não quero que ninguém pense que esses números são precisos. O que eu tenho certeza, entretanto, é que existe uma catástrofe humanitária, causada deliberadamente pelo governo americano, através do que considero sanções ilegais – eles querem criar o caso com o propósito de derrubar um governo.

Democracy Now: Por qual motivo?

Sachs: É a atuação normal da diplomacia da direita americana, só isso. É a mesma política externa que foi aplicada à América Latina durante boa parte do século XX, é a mesma política externa que é aplicada ao Oriente Médio. É o que o sr. Bolton entende por diplomacia. É o que Trump entende por diplomacia: socar o oponente na cara, esmagar o oponente, fazer o que for necessário para que tenha o resultado desejado. É uma forma burra. E nunca funciona. Apenas causa catástrofe. (…)

https://www.conversaafiada.com.br/politica/trump-ja-matou-40-mil-venezuelanos

É TÃO ÓBVIO que o motivo da guerra é o roubo do petróleo que SACHS não se deu ao trabalho de comentar sobre o assunto.

Enquanto isso, e aqui no Brasil, a Rede Globo se desmoraliza mais ainda ao apresentar GUAIDÓ – o facínora que pede aos ESTADOS UNIDOS, a maior potência bélica de todos os tempos, para invadir seu próprio país -, como o salvador da pátria. E Guaidó passa a ser cantado em prosa e verso no JN e no Fantástico. Qual o impacto que a defesa do comportamento do facínora Guaidó pela Globo e assemelhadas causa em nossos netos?

Existe exemplo mais nefasto de corrupção do que o praticado pela Rede Globo de Televisão quando mostra Guaidó como um verme palatável e Maduro como um ditador execrável?

O que a Globo está dizendo aos meus netos é que vale a pena receber dinheiro do Trump para derrubar um governante legítimo de um país petrolífero. E com essa atitude, a Rede Globo contribui para a propagação do banditismo numa escala mundial.

PS: Concordo com o internauta Eudoro, que ontem nessa coluna chamou a atenção para o fato de que numa guerra contra a Venezuela muitos brasileiros vão morrer soterrados sob escombros, inclusive ele. E dentre os prédios que serão demolidos pelos mísseis venezuelanos, o da Rede Globo possivelmente será uma deles. Fiquei muito alegre diante dessa última possibilidade.

Responder

Jorge

06 de maio de 2019 às 04h25

As sancoes dos EUA causaram 10% do sofrimento total que o socialismo causou na Venezuela, e visam justamente acabar com esse regime cruel que confiscou todas as riquezas do seu povo e as deram para politicos e lideres do regime se lambuzarem em restaurantes internacionais.

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    Nelson

    06 de maio de 2019 às 17h16

    O que se pode fazer quando o sujeito opta pela “cegueira intencional”?

    Responder

Oswaldo

05 de maio de 2019 às 23h34

Washington monta guerra colonial na América Latina

Os acontecimentos sucedem-se em cascata nos últimos dias tendo como alvos a Venezuela e, por arrastamento, a Nicarágua e Cuba – a «troika da tirania», citando o triunvirato fascista que comanda Trump: Michael Pompeo, John Bolton e Michael Pence. Os movimentos militares não estão apenas em cima das mesas de conspiração, conforme reconhece a própria CNN, as sanções económicas e políticas multiplicam-se, as ondas de choque extravasam em muito a região latino-americana e desconcertam até alguns dos mais fiéis súbditos de Washington, como a União Europeia.

https://www.abrilabril.pt/washington-monta-guerra-colonial-na-america-latina

Responder

carlos

05 de maio de 2019 às 14h07

Um monte de bobão falando de bolivaranismo, sem saber o que é, sem saber nada, o caso da Venezuela, é muito simples, lá atrás a Venezuela que tinha economia e sua renda com base no petróleo, se não me engano 96% por cento é o petróleo, com preço do petróleo em alta no mercado internacional, ai é que entra aquela frase nada é tão bom que não possa ser melhorado, a culpa é da política que não foi diversificada, aí com queda no preço do petróleo teve que pagar o preço que toda economia que tem como base um produto único sofre.

Responder

LUPE

05 de maio de 2019 às 14h05

Caros leitores,

Em vez de sanção econômica,

não seria melhor dizer

bloqueio criminoso de criminosos que ,

com o sofrimento do povo venezuelano,
planejam e pretendem

(mesmo com o genocídio deste)

pilhar,
roubar,
saquear
a maior reserva de petróleo do Mundo?

Responder

Alvarez

04 de maio de 2019 às 14h59

Um plano detalhado do “COMANDO DO SUL DOS ESTADOS UNIDOS” datado de “23 de fevereiro de 2018” foi publicado com o título “PLANO DE SUBSTITUIÇÃO DA DITADURA VENEZUELANA ‘MASTERSTROKEKE’”

https://www.voltairenet.org/article201100.html

Responder

Sergio Araujo

04 de maio de 2019 às 09h44

Mais um desastre socialista sem por e nem tirar…um càncer da humanidade.

Responder

Paulo

03 de maio de 2019 às 20h00

O poder do “Império” é grande. Por isso que o bolivarianismo latino-americano estava seguindo um caminho inviável, inclusive o Brasil, com sucessivos governos petistas, tendentes a confrontar essa hegemonia americana no Continente. Se não houvesse chavismo, a Venezuela estaria numa situação bem melhor do que está, e, se o chavismo se arraigasse, com o desrespeito inevitável às leis e aos direitos de cidadania que se seguiriam, estaria ainda pior do que está. Chaves e Maduro só não implantaram integralmente um regime socialista por causa das pressões internacionais…

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    Sérgio Araújo

    03 de maio de 2019 às 21h39

    “A cupa é doz eztado zunidos”

    Responder

    Alan C

    04 de maio de 2019 às 09h04

    Se não houvesse bolivarianismo a Venezuela seria um braZil 2019, que tá “ótimo” por sinal…

    Responder

      Sergio Araujo

      04 de maio de 2019 às 09h37

      …e eu sou sobrinho de Napoleão.

      Responder

        Alan C

        05 de maio de 2019 às 15h45

        Corte 3 laranjas
        Esprema
        Coloque em copos com gelo
        Adoce a gosto
        Sirva

        Responder

    Nelson

    06 de maio de 2019 às 17h34

    “Por isso que o bolivarianismo latino-americano estava seguindo um caminho inviável…

    Então, qual é o caminho viável meu chapa? Aceitar, ad eternum e covardemente, a canga dos EUA no pescoço?

    “Se não houvesse chavismo, a Venezuela estaria numa situação bem melhor do que está…”

    Tens certeza? Por que a Argentina e o Brasil estão indo a pique se aqui não há chavismo? Pelo contrário, Temer, Bolsonaro e Macri adotaram medidas para acabar com o pouco de políticas socializantes que foram implementadas pelos governos do PT e dos Kirchner.

    O resultado dessas medidas não poderia ser outro que não o afundamento dos dois maiores e mais viáveis países da América Latina. Bem ao gosto do e como planejado pelo Sistema e Poder que domina os Estados Unidos.

    Responder

      Paulo

      06 de maio de 2019 às 19h17

      Peitar os EUA já deu certo pra alguém, alguma vez? Nem me fale do Vietnã, pois atualmente é amigo dos americanos, ainda que vivendo sob Regime ditatorial, mas com muita concessões ao capitalismo! Apenas devemos ter estratégia. No curto e médio prazos, não dá pra fazer outra coisa…

      Responder

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