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Petróleo dispara e ultrapassa US$ 100 pela primeira vez em dois meses com entrada dos houthis na guerra Irã-EUA

0 Comentários🗣️🔥 O preço internacional do petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira (23), com o barril tipo Brent atingindo US$ 100,07 — alta de 6,42% no dia e o patamar mais elevado desde 26 de maio. O salto reflete uma nova fase de escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã, agora com a entrada […]

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Alimurat Üral / Pexels

O preço internacional do petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira (23), com o barril tipo Brent atingindo US$ 100,07 — alta de 6,42% no dia e o patamar mais elevado desde 26 de maio. O salto reflete uma nova fase de escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã, agora com a entrada direta dos houthis, grupo militante iemenita aliado a Teerã, que passou a atacar embarcações comerciais no Mar Vermelho — rota que vinha sendo usada como alternativa ao Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã há duas semanas.

Duplo estrangulamento das rotas marítimas

O Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, segue completamente bloqueado para tráfego marítimo desde que o Irã fechou a via em resposta à retomada dos confrontos diretos com as forças americanas. Diante disso, a Arábia Saudita vinha escoando parte de sua produção por um oleoduto alternativo, ligado ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho — de onde saem diariamente cerca de 4,9 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis refinados, segundo a consultoria de energia Kpler.

Nesta quinta-feira, porém, ao menos duas embarcações foram atacadas nessa mesma rota enquanto tentavam alcançar o estreito de Bab al-Mandab, gargalo estratégico que conecta o Mar Vermelho ao golfo de Aden. Um dos ataques foi confirmado por autoridades de transporte sauditas; o segundo foi reivindicado pelos próprios houthis, em comunicado veiculado pela rede de televisão Al-Masirah, embora ainda sem confirmação oficial de Riad. O grupo já havia alertado, no início da semana, que atacaria qualquer embarcação que tentasse cruzar a região — e o resultado já aparece nos números: diversos navios-tanque que transportavam petróleo saudita deram meia-volta ao longo dos últimos dias, aprofundando o gargalo logístico.

Uma guerra sem sinais de desaceleração

No front militar, as forças americanas executaram nesta quinta-feira uma nova ofensiva aérea de grande porte contra alvos dentro do território iraniano, enquanto Teerã afirmou ter atacado bases dos EUA na Jordânia e no Kuwait. Em agenda no Sudeste Asiático, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, adotou tom duro contra o governo iraniano, afirmando que o país “está implorando por um acordo todos os dias” mas descumpre ou tenta alterar qualquer negociação já fechada — argumento usado para justificar a manutenção da pressão militar. Do lado iraniano, o porta-voz das Forças Armadas, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, reiterou publicamente que Teerã manterá retaliações enquanto os EUA insistirem em atingir infraestrutura e áreas costeiras do país.

O preço que chega ao posto de gasolina brasileiro

A escalada nos preços do petróleo já vinha sendo monitorada de perto pelo governo brasileiro havia meses. Em março, um levantamento citado pelo Banco Central apontou que 96% dos analistas de mercado avaliavam que uma escalada militar envolvendo o Irã teria impacto direto sobre a inflação brasileira — diagnóstico que se confirmou ao longo do conflito. O Ministério da Fazenda já havia revisado para cima, em análises anteriores, a projeção de preço médio do petróleo para 2026, de US$ 65,97 para US$ 73,09 o barril — número que a cotação atual já supera com folga.

Para conter o repasse aos consumidores, o governo Lula mantém desde então um pacote de medidas que inclui zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, subvenção por litro a produtores e importadores, e um imposto sobre exportação de petróleo — mecanismo que, segundo análises anteriores do setor, funciona como uma espécie de blindagem para evitar que a alta internacional se transforme em inflação descontrolada nas bombas do país. A cada nova escalada do conflito, como a de hoje, a pressão para reforçar esses subsídios tende a se renovar.

Um padrão que já dura meses

O retorno do barril à casa dos US$ 100 encerra um intervalo de relativa acomodação nos preços, que haviam recuado das máximas de maio. Ao longo do conflito, que já se estende por quase cinco meses, o mercado de petróleo tem oscilado em sincronia quase perfeita com o calendário de escaladas e tréguas entre Washington e Teerã — um padrão que reforça o argumento de analistas de que, enquanto não houver uma solução diplomática duradoura, o custo da guerra continuará sendo repassado, direta ou indiretamente, a economias como a brasileira, ainda que o país siga entre os beneficiados pela alta nas receitas de exportação de seu próprio petróleo.


Leia Mais: EUA mantêm ataques ao Irã; Teerã diz que dois petroleiros explodiram no Estreito de Ormuz

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