Manuel Castells na FGV

Os erros da oposição na discussão da reforma da Previdência

Por Miguel do Rosário

12 de julho de 2019 : 18h29

Nesta quarta-feira, 10 de julho, a reforma da Previdência foi aprovada por um resultado acachapante na Câmara dos Deputados, 379 votos favoráveis versus 131 contra.

Nem no impeachment de Dilma, a esquerda teve uma derrota dessa magnitude; naquela noite fatídica de domingo, 17 de abril de 2016, um total de 367 deputados votaram em favor do afastamento da presidenta da república. 

Os últimos números do Datafolha ajudam a explicar o resultado. Vamos fazer aqui uma análise das duas pesquisas do instituto: a aprovação do governo e a avaliação sobre a reforma, cujos relatórios completos podem ser baixados aqui e aqui. E aí vamos tentar apontar o que foram, em nossa opinião, as falhas da oposição.

Vamos começar examinando a pesquisa que mediu a opinião das pessoas sobre a reforma da previdência.

   

Os números deixam claro que a reforma da Previdência foi uma espécie de terceiro turno eleitoral. A base social que elegeu Bolsonaro também apoiou a reforma da Previdência: entre eleitores declarados de Bolsonaro, 67% apoiam a reforma da Previdência.

Na estratificação por renda, temos uma ideia ainda mais clara de como a polarização política influenciou diretamente o debate sobre a reforma.

Conforme a renda familiar sobe, maior o apoio à reforma, numa equação muito parecida com o que vimos no processo eleitoral, em que o apoio a Bolsonaro subia na mesma proporção que a renda. No entanto, assim como na eleição, não seria correto falar que apenas os “ricos” apoiam a reforma, já que os números revelam que o apoio supera a rejeição já entre quem ganha acima de 2 salários.

Agora vamos analisar os números de aprovação do governo, que devem ser comparados com a da pesquisa de abril.

Os percentuais de bom/ótimo do governo oscilaram 1 ponto para cima, de 32% para 33% no intervalo entre abril e julho, revelando que houve um processo de estabilização da aprovação a Bolsonaro, após o “choque” dos três meses iniciais, quando a opinião pública pode entender melhor como é, e quem é, o novo presidente.

Entretanto, analisando os dados estratificados, notamos algumas tendências. Em alguns segmentos, como moradores da região sul, cidadãos com renda acima de 10 salários, residentes em municípios com mais de 200 mil habitantes, e pessoas com mais de 60 anos, a aprovação a Bolsonaro experimentou alta expressiva.

Essas variações podem ser resumidas pela alta de 6 pontos na aprovação entre os próprios eleitores de Bolsonaro. Em abril, 54% de seus eleitores achavam seu governo bom/ótimo; hoje são 60%.

A polarização é, de fato, radical. Entre eleitores de Haddad, 64% acham o governo do Bolsonaro ruim ou péssimo.

Conclusão: os números refletem a estratégia de Bolsonaro, que é apostar na polarização. A mensagem de Bolsonaro não tem sido, como de presidentes anteriores, em especial os petistas, de “estender a mão” a todos os brasileiros, e sim de manter acesa a mesma polarização que o levou a vitória. Está dando certo, por enquanto, como vimos com essa mudança de opinião em relação à reforma da Previdência.

A oposição encontra forte dificuldades para sair do isolamento e estabelecer pontes com setores mais amplos da sociedade.

A estratégia adotada na luta contra a reforma da Previdência, de luta do bem contra o mal, acabou sendo facilmente neutralizada quando o congresso substituiu a proposta inicial do governo, que era muito radicalizada, por uma versão bem mais branda. Itens muito polêmicos, como a capitalização pura, o fim da prestação continuada e da aposentadoria rural, foram retirados, transformando completamente a proposta.

Os partidos de oposição, que tinham se reunido para discutir a posição relativa à proposta original do governo, deveriam ter voltado a se encontrar para discutir o substitutivo, que era uma reforma diferente. Como não o fizeram, perderam o pulso da mudança de opinião de seus próprios parlamentares, e acabaram demonstrando debilidade e divisão.

A “greve geral”, por sua vez, revelou-se, como prevíamos, um tiro no pé. A mensagem passada à população foi confusa e negativa. Em meio a uma situação de grande insegurança no mercado de trabalho, com altíssimo desemprego, a ideia de uma greve geral repercutiu mal nos ouvidos da população, e ainda mais porque não houve greve geral nenhuma, apenas algumas ações mal planejadas para sufocar o transporte público de periferias já expostas a um isolamento urbano desesperador, e a organização de manifestações nos centros (sem participação das periferias, já que os transportes foram dificultados) em que a pauta da Previdência parecia secundária diante de outras bandeiras pouco aglutinadoras.

Para se ter uma ideia do fiasco, na manifestação do Rio contra a reforma da Previdência, que eu fui, o PCO conseguiu um carro de som em que um locutor passava o tempo inteiro gritando que a solução para a Previdência era derrubar Bolsonaro e pôr Lula na presidência. Em seguida, ele pedia às pessoas para comprarem fitinhas Fora Bolsonaro, que, segundo ele, ajudavam a sustentar o partido.

No congresso, tanto as lideranças de Minoria e Oposição, como os partidos, não pareceram, em momento algum, interessados em subsidiar os debates com propostas alternativas consistentes. O PDT, que tinha uma proposta de reforma da previdência bastante avançada, e que poderia usá-la para fazer um contraponto narrativo à chantagem do governo, de que a reforma seria única saída para a crise econômica, preferiu a posição confortável de se manter à sombra do maniqueísmo da polarização, diminuindo-se não apenas em relação ao conjunto da sociedade, como perdendo apoio dentro de suas próprias fileiras.

PSB e PDT passaram meses vendendo à opinião pública a imagem de que seriam uma oposição diferente, propositiva, e na hora em que era necessário oferecer uma proposta, recolheram-se à sua insignificância.

O principal nome do PDT para o tema da Previdência, Mauro Benevides, percebendo que a linha do partido seria aquela, pediu licença e foi ajudar o governo do Ceará.

Tábata Amaral, até então a estrela mais brilhante da legenda, que vinha avisando, há meses, que estava interessada em votar algum tipo de reforma, foi ignorada, e lançada na fogueira do linchamento público. A deputada tinha deixado mais ou menos claro que, diante do substitutivo, o qual removera os pontos mais drásticos da proposta original, ela poderia votar em favor se houvesse acordo para melhorar alguns pontos estratégicos da reforma, como a idade mínima das mulheres e de professores. E foi exatamente isso que aconteceu. O destaque em favor das mulheres foi aprovado no dia seguinte à aprovação do texto-base, e a Câmara, hoje, acaba de aprovar destaque do próprio PDT para reduzir a idade de professores.

Agora a legenda se vê diante do dilema de expulsar oito de seus deputados.

Ciro Gomes, que vinha promovendo debates públicos e populares sobre a reforma da Previdência, uma iniciativa sensacional, igualmente esqueceu o mais importante, que era debater com os parlamentares de seu próprio partido, e pôr em prática o que ele mesmo vinha pregando, com orgulho (como se viu) um tanto excessivo, que o seu partido faria um tipo de oposição diferente. Ao cabo, o PDT fez o pior tipo de oposição possível: não propôs nada e ainda se mostrou desorganizado e dividido internamente.

Diante do desastre, o PDT e sua militância caíram facilmente em outra armadilha, que é fazer de Tábata Amaral o bode expiatório de um fracasso que é do partido, da esquerda e de toda oposição. Afinal, o objetivo não é simular uma resistência para as redes sociais, visando garantir apoio de nichos de opinião pública e espaços limitados no parlamento, e sim construir estratégias efetivas e vencedoras de transformação social.

Eu acho que Tábata Amaral errou feio, porque ela deveria ter seguido a orientação do partido e, em seguida, fazer a devida autocrítica à maneira como o processo foi conduzido. É o que Tadeu Alencar, líder do PSB na Câmara, por exemplo, tem feito.

Mas não foi apenas a Tábata. Oito deputados do PDT e onze do PSB votaram em favor da reforma da Previdência. E votaram porque houve um hiato fatal entre as reuniões partidárias que fecharam questão contra a proposta original do governo, e a entrada em cena do substitutivo, que já era uma proposta completamente diferente.

Os partidos de centro-direita, por sua vez, estão salivando com a possibilidade de aumentar suas bancadas e, talvez, até mesmo seus fundos partidários, com a entrada dos parlamentares expulsos pelo PSB e PDT.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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32 comentários

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Rose

13 de julho de 2019 às 23h25

Os eleitores escolheram um governo e um congresso majoritariamente de direita. A informação da mídia que chegou ao povo era de que não só a reforma era necessária, mas também boa para o trabalhador e que iria gerar emprego. Tudo isso foi veiculado de forma desonesta e sem contraditório. Os sindicatos, golpeados financeiramente e também por conta do desemprego e da informalidade, nunca estiveram tão fracos. Os movimentos sociais estão sendo perseguidos. Tudo isso complica a mobilização das massas. O governo despejou dinheiro no colo dos deputados. Os militantes de esquerda, na verdade, estão se mostrando muito corajosos, já que estão sendo ostensivamente ameaçados pelos fascistas. É injusto responsabilizá-lós.

Responder

Franci

13 de julho de 2019 às 22h09

A esquerda já havia perdido a votação antes de ser iniciada
Nenhuma rede de comunicação, globo, SBT, Record ou de mídia impressa ficaram contra a reforma, ficou tudo dominado impossibilitando um debate sadio e intelectual sobre a reforma, então aprovaram o monstro
É, inclusive, extremamente pesaroso ver a rede globo de televisão bancar o advogado do diabo do governo diariamente, o dia todo, mantendo o gado em seu devido lugar, apesar do estado lastimável em que se encontra a administração pública federal, isso, não tem como a esquerda competir

Responder

Rodolpho

13 de julho de 2019 às 20h43

Dizer que o PDT não propôs nada, quando o partido tinha apresentado a sua própria proposta desde as eleições e participou da discussão da reforma que passou, apresentando pontos pelo Mauro Benevides ou da própria Tabata, é um tipo de análise muito rasa, incomum do que eu costume ver aqui no cafezinho. Sem falar, como foi dito no próprio texto, que o PSB e o PDT conseguiram ajustes importantes na pós-reforma. Como isso é possível classificar isso de “não propôs nada”?

Achar que a oposição poderia conduzir a reforma, é também de um desconhecimento fora do comum do cenário político na câmara. A oposição está em uma posição, numericamente falando, muito fragilizada, se o governo Bolsonaro fosse minimamente articulado e Rodrigo Maia tivesse um estilo mais próximo ao de Eduardo Cunha as derrotas da oposição estariam sendo muito maiores. Tanto que a retirada de pontos cruciais da reforma (BPC, Aposentadoria Rural, capitalização), foi um movimento de vários partidos políticos, principalmente o Centrão, tendo a oposição um papel mais coadjuvante.

Para mim o grande erro do PDT, e também do PSB, foi a condução política dentro do própria partido, ameaçar expulsar os deputados criou uma situação muito tensa e o erro de avaliação quanto ao texto final da reforma(como foi dito), me passou uma impressão de que o “engessamento” da estrutura partidária resultou em todos esses conflitos, que ficou feio para todo mundo.

Sobre a Tabata, repudio xingamentos e qualquer demonização em cima dela, mas também acho que ela conduziu de péssima forma toda a situação. Ela tinha diversas opções, dar o voto contrário, ou até mesmo o voto a favor justificando que era o meio que encontrou de minimizar os danos da r eforma, no entanto, ela não fez qualquer ressalva, e gravou aquele video em que exalta a reforma e diz que vai ser bom para os pobres e vai reduzir a desigualdade. Passou uma imagem de desprezo ao próprio partido e a luta da esquerda de uma forma geral.

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    Redação

    14 de julho de 2019 às 07h55

    Prezado Rodolpho, obrigado pelo comentário. O PDT tinha uma proposta, que era uma emenda substitutiva com ela, assinada pelo Mauro Benevides, mas foi tudo apenas formal, protocolar. Mauro Benevides inclusive se licenciou e volto ao Ceará. O partido não fez nenhuma defesa política consistente de seu projeto. Poderia ter criado uma narrativa diferente, ter se mostrado propositivo.

    Responder

Silva

13 de julho de 2019 às 18h29

Gshdjebeidbedj

Responder

    Ari

    13 de julho de 2019 às 20h33

    Enquanto comentários como este abaixo são publicados…

    Silva
    13 de julho de 2019 às 18h29

    Gshdjebeidbedj

    Responder

    outros, embora não ofensivos e dentro do tema proposto não o são. É necessário ser sócio ou colaborador (R$) para ter uma opinião publicada?

    Responder

NeoTupi

13 de julho de 2019 às 15h28

Queria que as centrais sindicais sequer fizessem uma greve geral (fraca que seja) diante de uma reforma lesiva aos trabalhadores? O pior dos mundos é perder sem lutar. Perder lutando (do jeito que for, certo ou errado, por linhas tortas) é parte do processo histórico, até que cada vez mais gente apática e prejudicada entenda a luta e se engaje nela. A ditadura durou 21 anos. Sem luta (que também começou fraca) estaria aí até hoje.

E sem a greve e as manifestaçãos da oposição, a reforma seria quase unanimidade na opinião pública, dado o pensamento único da mídia corporativa ao espalhar a fake news de que a reforma é o elixir mágico para sair da crise e “destravar” empregos (quando na verdade é rescessiva, aumentando o número de população economicamente ativa disputando empregos, com a consequente depreciação de salários, e com queda da renda das famílias com queda nas vendas das empresas).

Estrategicamente é de uma burrice política monumental o voto por convicção de Tábata na reforma. Os 8 do PDT e 11 do PSB (nem todos por convicção, boa parte por emendas), não alterariam a aprovação, conquistada pelo centrão e pelo governismo (que já havia tirado os maiores bodes da sala colocados pelo Paulo Guedes em jogo de compadres). Os dissidentes cederam apenas mais uma vitória política aos vencedores, aos dar palanque para dizerem que a esquerda está errada e que a reforma governista é “boa”.
E votar contra a reforma em nada impediu que os deputados de oposição votassem e apresentassem destaques reduzindo danos.

Tábata não tem perdão. Se votou por convicção formou convicção com seus financiadores de campanha e não com seus eleitores, a quem deveria representar de fato na democracia representativa. Quer política mais arcaica do que representar financiadores em vez dos eleitores? O nome disso é atender à lobbies, e do que há de mais sanguessuga nos cofres públicos do Brasil, o do mercado financeiro.

Responder

maria do carmo

13 de julho de 2019 às 15h04

Senhores internautas com neuroneos a forca do povo e o voto, nao votem nos 379 deputados que apoiaram e votaram para a reforma da presidencia, que esta tirando os direitos dos trabalhadores, canalhas ainda estao recebendo pra isso, e o toma la da ca descarado e todos que apoiaram esses politicos canalhas!!!

Responder

    gutie

    13 de julho de 2019 às 21h52

    Apróxima campanha deve ser esta. Você foi feliz neste objetivo e, buscara apoio para quem votou contra este assassinato dos trabalhadores e dos pobres de nosso País. Penso da mesma forma que você.Parabéns.

    Responder

NeoTupi

13 de julho de 2019 às 13h33

Caro Miguel, a própria pesquisa só comprova duas coisas: o povo está desinformado e apático sobre a reforma. Eis a prova:

1) Na pergunta “Na sua opinião, os trabalhadores brasileiros, em geral, se aposentam, mais cedo do que deveriam, mais tarde do que deveriam ou na idade adequada?”:
45% mais tarde do que deveriam;
41% na idade adequada;
11% mais cedo do que deveriam;
Conclusão: Se 86% acham que a atual idade para aposentar deveria se manter ou ser reduzida, como é possível que 47% aprove a reforma que aumenta a idade? A explicação está na pergunta a seguir.

2) Na pergunta grau de conhecimento: 31% não tomou conhecimento; só 17% se dizem bem informados;
Conclusão: só 17% conhecem bem as consequências das reformas.

A auto-crítica da esquerda deve vir por aí: o que se pode fazer para tirar o povo da apatia e lutar mais por seus próprios interesses. Achar que o povo aprova o que foi votado é diagnóstico errado. Em outro comentário vou dar minha opinião sobre a apatia e a desinformação.

Responder

gutie

13 de julho de 2019 às 12h45

Vamos simplificar:

O erro é pouca vergonha,o amor a dinheiro e as regalias que possuem ( v. gratia aposentadoria depois de oito anos, com vencimentos integrais) e o desamor ao nosso País, a ausência de humanidade, de solidariedade, de compaixão e amor, pela grande maioria de nossos político. E ponto final.

Responder

Guilherme Nagano

13 de julho de 2019 às 12h22

“estender a mão”??? Com aquele discurso do “nós contra eles”, da “elite branca”??? Quem dividiu o País foi o Lula, q acabou preso por corrupção! E olha como era o discurso do Miguel falando em Guerra Civil se o Lula fosse preso (conseguiram reunir um “exército” de uma rua na frente da CUT)! Apostaram TUDO no mito Lula e perderam feio

Responder

Tiago

13 de julho de 2019 às 11h26

Não comentarei mais nesse site, já que a moderação não aceita meus comentários – principalmente por destoar do pensamento/propaganda divisionista que equivocadamente buscam. Os títulos, imagens e análises distoam dos pontos principais e buscam uma esquerda que a direita adora (polarizada com a própria esquerda, sem olhar seus próprios erros de perda de apoio social – inclusive o deste humilde leitor). Uma pena. (Podem continuar a publicar essa opinião, pois é apenas para servir à reflexão da estratégia da redação deste site… Ou se não servir para refletir, que continuem com as flexões dos tempos atuais que se busca mais esforçar-se em destruir do que construir/unir). Continuem a afundar e a ter como dissonância cognitiva a confortar seus egos a busca de identificar erros na esquerda, PT, etc e esqueçam de ver que vcs contribuem para um erro maior: a destruição de opção do trabalhador confiável. Aliás, confiança é que se primeiro perde a quem pretende se pautar por divisionismos e sem clareza de propósitos. Será que Brizola seguiria suas análises ou site? Ou quem vc acha que seria seu leitor “núcleo duro” já que está na moda esse termo no Bolsonarismo. Parece que duro mesmo é ver a própria realidade, pois para isso é melhor acusar os defeitos na realidade de outros que buscam os propósitos que vcs buscam seguir mas que não se transformam em ações, talvez em munições para uma direita que adora.

Responder

Ari

13 de julho de 2019 às 09h34

Caro Articulista,

As vitórias acachapantes da extrema direita se devem às mesmas figuras do baixo clero e às bancadas evangélicas, da bala e do agro-negócio. A classe empresarial é quem está ditando as ações no Congresso Nacional e a ousadia deles agora é tão grande que entidades classistas estão publicando notas de agradecimento aos deputados que votaram a favor da Revogação da Previdência Social e do Estado Social Brasileiro estampando a foto de cada um deles como benfeitores da pátria.

Responder

Tiago

13 de julho de 2019 às 09h31

A análise do Miguel peça em dois pontos:

1- Em não deixar claro que a esquerda tem muito pouco parlamentar nesse parlamentarismo de fato (pelo menos mais eloquente depois do Temer). Se somar todos os deputados do PT, PDT, PSB, PCdoB, PSol não dá mais que 140 deputados em uma câmara de 513 deputados com ao menos 350 deputados representantes da direita/ capital. Aliás, os movimentos de Burla do financiamento empresarial de campanhas e candidatos como o “Acredito” e “Renova BR” nasceram pra continuarem a influência do capital sobre o legislativo. Assim o movimento “Acredito” que a Tábata adere ao seu programa mais que o programa do PDT (que esses movimentos usam como legendas de aluguel) teve mais deputados que partidos tradicionais como PDT, PSB, PCdoB, etc.

2- Peca em não entender que faltou para a esquerda ainda maior coesão (basta olhar a proporção da direita que votou contra o desgoverno elitista e a proporção da esquerda que votou contra seus partidos), coerência (pois mesmo esses partidos da esquerda não têm formação de quadros e o PDT e PSB viu e mancharam suas imagens com tanta incoerência nos votos que legitimaram a destruição de direitos à maioria, enquanto uma minoria lucra com entreguismo e especulação no mercado financeiro) e, principalmente, a falta de coordenação da esquerda que não enxerga que esse governo polariza pra não incorrer na falta de apoios como aconteceu com Dilma ao fazer a agenda neoliberal pra tentar se manter (e a indicação de Joaquim Levy foi simbólico). Essa polarização se faz para destruir a esquerda (e outros pontos de resistência a esse elitismo como universidades e sindicatos), mas muitos da esquerda preferem polarizar com a própria esquerda e ser a “esquerda que a direita gosta”, pois dá munição para a direita buscar destruir ainda mais a esquerda (e toda a esquerda acaba queimada com isso). A população se dividiu em +/- 30% de direita (neoliberal, mas parte liberal nos costumes e uma parte que cresce com a marketagem de Bolsonaro como conservador e reacionário), 30% de esquerda (e são Lulistas, para depois petistas… Porém se afastam cada vez mais do PDT), e 30% que não está tanto na polarização (mas que tem 10% tendendo à esquerda, 10% centro e 10% tendendo à direita, mas muito fluídos… E Ciristas estão com 12% a 15% nesse grupo). A direita tem ódio a quem for lhe atrapalhar em aumentar as margens de lucro e que tentar contra a desigualdade conquistada (e tem raiva do PT, mas nunca votariam no Ciro – por isso o patriotismo da direita é de verniz e cínico), mas essa polarização da direita esquerda e, principalmente, da esquerda x esquerda só beneficia o Bozo.

Responder

Malco

13 de julho de 2019 às 09h28

Colocaria estes erros como responsáveis por 20% da aprovação da reforma e os outros 80% pela liberação de grana pelo e como acontece a 30 anos tem que molhar a mão do centrão para que qualquer votação importante para o governo passe. Sem essa grana não haveria reforma nenhuma.

Responder

Paulo

13 de julho de 2019 às 07h53

Miguel mente para os seus leitores.
Essa pesquisa pergunta sobre a necessidade de uma reforma , a reforma de Bolsonaro era rejeitada por 55% , se não me engano.
A maioria das pessoas contribuiu em média seis meses por ano , por causa da rotatividade , essas pessoas vão se aposentar sabe com que idade?
77 anos.
Será que quando o povo se der conta disso vai apoiar a reforma?
Talvez na terra da fantasia em que Miguel vive..

Responder

Vinicius

13 de julho de 2019 às 00h00

O dono desse site se diz de esquerda e adora apontar os erros da esquerda, leia-se PT. Parece parte de um plano político que busca tomar do PT a hegemonia da esquerda no Brasil. No final das contas o PT e Psol são os únicos partido em que vc pode confiar que tomarão as decisões que os eleitores de esquerda esperam, vide o comportamento da ex estrela do PDT. Se o jornal acredita que uma guinada ao centro poderia favorecer o Brasil, ele na verdade deveria tentar discutir as teses com partidos como PTB, PMDB, PSDB e mais os outros quarenta que existem nessa zona chamada centro.

Responder

LUPE

12 de julho de 2019 às 22h23

Caros leitores

Não adianta buscar erros , faltas, falhas, aqui e ali.

O negócio é que a luta é extremamente difícil.

A “Reforma” da Previdência é um grande negócio,
um grande lucro
para nossos superpoderosos inimigos.

A Grande Mídia e seu imenso poder de fazer a cabeça das pessoas
está com eles.

Serve a eles .

Aí o povo bate cabeça com “eles” ,
acham que “eles” estão certos.

E com eles vão às ruas,
promovendo o seu próprio …..

desgraçar………

Responder

    Edibar

    12 de julho de 2019 às 23h00

    Ainda bem q eu não tenho inimigos.

    Responder

    Paulo Eduardo de Vasconcellos

    13 de julho de 2019 às 14h34

    Concordo com o leitor que aponta a dificuldade de fazer oposição em um cenário no qual os brasileiros mais afetados tem muita desinformação e pouco interesse em se mobilizar. Não há líder político capaz de conduzir um processo de resistência ao rolo-compressor da ignorância, da manipulação, da despolitização e do desalento – até porque um deles está preso e o outro (Ciro Gomes) não é exatamente um líder popular e tem pouca disposição para ir ao Congresso Nacional pressionar os parlamentares do PDT a respeitarem a decisão do partido.

    Responder

Renato Gomes Vieira

12 de julho de 2019 às 21h15

Inacreditavel!!!!! Ainda na defesa da Tabata!!!!!! Como podemos afrmar que ela é a “mais brilhante da legenda”?? O problema da posição desta deputada não é só na questão da previdência. Na área da educação logo vai aparecer sua defesa da pauta dos reformadores empresariais. Agora mesmo o movimento “Todos pela Educação”, da qual ela faz parte, defende redução da verba do FUNDEB e exclusão dos professores!!! Isso já bastaria para sabermos onde se encontra no espectro político a deputada. Podemos acrescentar a defesa: do homesscohling, da BNCC, da reforma do ensino médio etc. Precisa de mais alguma informação para sabemos de sua posição nitidamente neoliberal?
Ops….Esqueci: votou CONTRA o abono salarial para trabalhadores que ganham até 2 mil reais.

Responder

    Redação

    12 de julho de 2019 às 21h25

    Pois é, uma pena. Não defendo, mas prefiro não demonizar. E quero analisar as coisas com calma.

    Responder

      LUPE

      12 de julho de 2019 às 22h32

      Caro Miguel

      As evidências de que a deputada tenta forjar uma posição de “esquerdista” e que ,
      por outro lado ,
      assume posições nefastas de direita ,

      estão muito óbvias.

      Será que tem alguém “gamado” pela bonitinha no pedaço?

      Responder

      Francisco

      13 de julho de 2019 às 01h02

      Traduzindo: o ‘Redação’ vai continuar passando o pano.

      Responder

Oblivion

12 de julho de 2019 às 20h39

Bem, não estou dentro dos partidos então não posso opinar sobre o processo. Porém, pelo que eu tinha visto o PDT tinha proposto uma reforma alternativa mas que não foi aceita pelos “nobres parlamentares”. Se não foi assim, fiquem livres para me corrigir. Outra coisa bem diferente é aceitar que parlamentar qualquer use um discurso hipócrita para colocar a conta da previdência no lombo dos mais pobres, aqueles mesmos que ganham até 2 salários mínimos. Pior é ver isso feito por parlamentar de partido de esquerda e pior ainda de parlamentar que adora ficar falando de sua origem humilde e sua luta por educação. Ora ora, como se a desigualdade social abissal no país ( e agora novamente crescente) não fosse o principal empecilho para uma educação de boa qualidade e inclusiva. Eu vinha discutindo frequentemente com aqueles petistas mais bolsominions pra defender a Tábata, porém, depois dessa acho mesmo que ela (e todos os outros) deveriam ser expulsos. Que vá virar a Cristóvão Buarque do PSL ou PSDB, melhor assim… Ou que calce a sandália da humildade, reconheça o terrível erro e se redima. Mas se continua vendo o voto como correto e com razões convictas, que vá lutar pela privarltizacao das empresas estratégicas, pela manutenção da atual política de preços da Petrobrás, por uma reforma tributária que deixe os ricos, militares, políticos e judiciário fora da conta, etc… Com certeza o Lehman agradece.

Responder

Alan C

12 de julho de 2019 às 20h32

A própria foto já apresenta 3 erros gigantescos que a direita adora:

1) Bandeira de uma instituição que é um anexo do lulopetismo;
2) Barreira em estrada. O quem e ver????
3) Faixa Lula Livre. O que tem a ver com previdência???

A esquerda verdadeira precisa avisar ao povo que a esquerda não é lulopetismo. Este é apenas um estereótipo deturpado que a direita utiliza para manobrar as massas desatentas da realidade, os comentários dos pobres de direita aqui tem exatamente esse objetivo, de que todos continuem considerando a esquerda como somente o PT, fazem isso espertamente sabendo muito bem que não é verdade, ou algum pobre de direita cérebro de minhoca consegue digitar 3 palavras aqui sem inserir Lula, PT ou afins?

Responder

    Marcio

    12 de julho de 2019 às 22h13

    Por curiosidade…qual seria a verdadeira esquerda ?

    Responder

Nelson Perez de Oliveira junior

12 de julho de 2019 às 19h21

Se o blog considera não ter dinheiro e não ter mídia pra se confrontar com a direita q se aboleou no poder um errinho da esquerda vc acertou em cheio. Aliás o Brasil não tem esquerda de verdade, tem alguns partidos q tem em suas pautas o nacionalismo e o desenvolvimentismo como bandeira. A esquerda mesmo e dita anarquista, isentona. A direita sim e uma das mais ferozes senso a mais feroz do mundo. O Brasil acabou e se acaba a cada dia. E não vai melhorar e o PIB? Ah o PIB vai ser muito bom ainda, mas não pra maioria. Somente para uns poucos pouquíssimos.

Responder

Ioiô de Iaiá

12 de julho de 2019 às 19h20

A estratégia da direita usou a mídia hegemônica para martelar ideias falsas do tipo:
-sem a reforma não vai haver crescimento
-a reforma é para acabar com privilégios
-a reforma vai reduzir o déficit da previdência

Isso explica porque existia uma maioria da população a favor de uma reforma que não vai fazer nada disso. A reforma da previdência é uma conquista da mídia venal e financeirizada.

Responder

Marcio

12 de julho de 2019 às 18h50

Se tornou o bem contra o mal sim senhor, uma tentativa de normalidade de um lado e a bandidagem pura (com anexos advogados de defesa, lambe-sal e zumbis ideologicos) do outro.

Nào è nada mais do que isso, e nào venham com papinho ridiculo de Democracia fazendo um enorme favor.

Responder

PASCOAL JACINTO DA SILVA FILHO

12 de julho de 2019 às 18h46

A pesquisa Datafolha pode ser uma farsa. Não temos motivos para acreditar em quem tem interesse em aprovar o fim da previdência pública. E os votos que aprovaram a reforma não foram comprados. Para mim, este artigo considera que tudo foi dentro da legalidade.

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