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Último debate para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, na Globo

Análise e perspectivas para as eleições em 2020 no Rio de Janeiro, capital

Por Miguel do Rosário

03 de agosto de 2019 : 20h36

Uma matéria do Globo, publicada há alguns dias, dizendo que o PT não iria mais apoiar Marcelo Freixo para as eleições municipais do Rio de Janeiro do ano que vem, gerou alguma polêmica na internet, e nos dá ensejo para discutir uma série de temas importantes relacionados ao pleito de 2020.

Em conversa com o jornalista Paulo Cappelli, do Globo, o presidente do PT no Rio, Washington Quaquá afirmou que o partido, que havia indicado apoio a Marcelo Freixo na disputa pela prefeitura do Rio, agora estuda “abandonar a aliança e lançar uma candidatura própria, que seria encabeçada pela ex-governadora Benedita da Silva, hoje deputada federal”, porque ela representaria, segundo ele, “a defesa do legado de Lula”.

Em seguida, o texto fala em “outro motivo” para uma suposta  mudança da orientação do PT em relação à aliança com o Psol no Rio.

Outro motivo para o esfriamento da união PT-PSOL ocorreu nesta terça-feira, durante um ato de apoio ao jornalista Glenn Greenwald, do site “The Intercept”. Petistas afirmam que Cid Benjamin (PSOL) vetou a fala de Benedita da Silva, que pretendia discursar, enquanto Freixo e Jandira Feghali (PCdoB) alternaram falas.

— Além de uma indelicadeza, foi um desrespeito com uma figura icônica do povo brasileiro, que é a Benedita. Não vamos entrar numa aliança onde uns acham que são mais que outros — disse Quaquá.

O ato em apoio a Glenn na ABI ocorreu na quarta-feira, 1 de agosto, mesmo dia da matéria do Globo. Glenn havia sido insultado e ameaçado pelo presidente da república, Jair Bolsonaro, que dissera que ele poderia “pegar uma cana aqui no Brasil mesmo”. A insinuação de que o jornalista poderia ser preso por causa de matérias críticas ao governo chocou o mundo inteiro, gerando uma imensa onda de solidariedade. Até mesmo Tucker Carlson, um âncora na Fox News, muito próximo do governo de Donald Trump, gravou um vídeo em defesa de Glenn.

A entrevista de Quaquá possivelmente refletia uma incompreensão do que havia ocorrido no ato da ABI, em que algumas manifestações espontâneas de “Lula Livre” foram recebidas com visível constrangimento, até mesmo um silêncio hostil, por parte de integrantes da mesa.

Não se tratava de nenhum sentimento negativo contra o ex-presidente, mas é que o homenageado naquele evento era Glenn. Sergio Moro, Dallagnol, Bolsonaro, Antagonista, tentam associar a série de reportagens da Vaza Jato a um objetivo político-partidário, dentre eles o de libertar o ex-presidente Lula. Essa é a linha de ataque da extrema-direita, tanto é que, logo após a prisão dos hackers, o Antagonista e a Globo, iniciaram uma campanha suja para insinuar que os hackers tinham sido pagos pelo PT.

Horas depois da prisão dos hackers, o advogado do DJ Gustavo Elias Santos, afirmou à Polícia Federal, e depois repetiu isso em coletiva de imprensa, que ouviu de Walter Delgatti Neto, que, hoje se sabe, era o único hacker de verdade, que ele cogitara vender o material ao PT. Era o que o Lava Jato queria ouvir. A afirmação virou capa bombástica de Folha, e foi destaque no Jornal Nacional.

Essa narrativa, no entanto, não está colando muito, porque o próprio hacker já fez questão de afirmar, em seus depoimentos, que entregou o material ao Intercept de maneira voluntária e gratuita.

Os jornalões profissionais não precisam se envolver diretamente com a produção de fake news. Basta a eles fazer algumas insinuações, ou simplesmente ignorar outras, dar menos ou mais destaque a alguma coisa, e pronto, o serviço está feito: as máquinas de mentira do submundo das redes se encarregam do resto

Isso não é propriamente novidade. Talvez tenha sido sempre assim, desde tempos imemoriais, mas estamos vivendo, sobretudo no Brasil, uma espécie de crise de informação particularmente aguda, em função da conjuntura política.

Enfim, não era inteligente gritar “Lula Livre” no evento da ABI, pelas razões expostas.

De qualquer forma, houve um mal entendido. Segundo Cid Benjamin, a pessoa indicada pelo PT para falar no evento da ABI não era Benedita da Silva, em sim o ex-deputado Wadih Damous, e por razões óbvias: Wadih tem lutado frente a frente contra os desmandos da Lava Jato desde seus primórdios, uma tarefa extremamente difícil e antipopular para um político, visto que a operação criou, para si mesmo, a imagem da própria luta contra a corrupção.

Em entrevista à Forum, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da presidência do PT, confirma que o partido havia indicado Wadih, e só Wadih, como o representante do partido na ABI, e se desculpa por ter se esquecido de Benedita: “erro meu”.

A manifestação de Quaquá reflete ainda uma outra questão, envolvendo a disputa doméstica no estado do Rio. Damous é candidato de oposição a Quaquá pela presidência do PT fluminense. O ex-presidente da OAB-Rio tem muitos apoios importantes na cúpula da legenda, provavelmente do próprio Lula, mas Quaquá, ex-prefeito de Maricá, controla a máquina partidária local.

Em manifestação no Twitter, Damous não escondeu sua irritação com as declarações de Quaquá, e aproveitou para lembrar que é exatamente por conta desse tipo de coisa que se candidatou à presidência do partido no estado:

Em entrevista à Forum, o ex-senador Lindbergh Farias, que anda anunciando aos amigos que disputará uma vaga na Câmara dos Vereadores, também se afastou de Quaquá e reafirmou que o PT tende, sim, a apoiar Marcelo Freixo em 2016.

“Eu não estava no Rio de Janeiro, não sei exatamente o que aconteceu, mas nada é tão importante quanto costurar uma frente de esquerda para as eleições municipais de 2020”, declarou à Fórum

O ex-líder estudantil ainda destacou que a aliança no Rio está sendo construída entre PT, PCdoB e PSOL em torno de Freixo, que é para Lindbergh o nome mais forte da esquerda carioca. Ele ainda disse que há um diálogo com PSB e PDT para essa chapa e deu exemplos de outras capitais que também devem estar em uma frente unificada: “Em Porto Alegre, se a Manuela D’Ávila quiser vir, vamos apoiar o PCdoB, já em São Paulo, por exemplo, eu acho que tem que ser um nome do PT”.

Daí chegamos onde queríamos, no objetivo principal desse post, que é discutir as estratégias da oposição ao governo Bolsonaro para as eleições municipais de 2020.

Aliás, a estratégia já começa pelo nome ou conceito da frente. Será uma frente de “esquerda” ou uma frente “de oposição”?

As declarações de Lindbergh, vice-presidente nacional do PT, e que refletem bem o que pensa tanto a cúpula do partido como a sua base, pecam pela falta de tato, o que é um erro que o próprio Marcelo Freixo não tem cometido.

Lindbergh fala em “frente de esquerda” como se o PT já tivesse decidido, que no Rio será assim, em BH, assado e em Porto Alegre, desta maneira, agravando a imagem de hegemonista da qual o partido precisaria se afastar, se quisesse mesmo construir uma unidade comprometida com alguns objetivos estratégicos e políticos (derrotar Bolsonaro, por exemplo).

As declarações de Lindbergh geraram uma reação um pouco irritada da direção municipal do PCdoB, apressando o anúncio de uma candidatura própria do partido (que dever ser o ex-deputado Carlos Brizola Neto, o Carlito).

Forçar a barra sobre “unidade”, de cima para baixo, é uma boa maneira de desmontar qualquer articulação real em torno de… unidade, a qual, aliás, não precisa necessariamente (talvez nem deva) girar em torno de candidaturas únicas em primeiro turno; seria mais consequente articular estratégias e iniciativas com potencial de ir para além das eleições.

A pressa é inimiga da perfeição. É estranho decidir composições de chapa a mais de um ano das eleições, antes de qualquer debate ou articulação. Pela lógica, os partidos de “esquerda”, se querem mesmo construir uma frente eleitoral para 2020, numa estratégia que olhasse também para 2022, deveriam antes promover debates abertos, transparentes, públicos.

Outro ponto importante é analisar, objetivamente, as condições políticas em cada capital. Qual são as perspectivas reais?

Diante da dramática situação em que vivemos, e depois da derrota humilhante que sofremos em 2018 (sim, foi humilhante, porque perdemos por quase 70%, por exemplo, no Rio de Janeiro), está claro que não podemos repetir os erros cometidos nas eleições presidenciais.

E que erros são esses? Em primeiro lugar, a falta de pé-no-chão. É hora da esquerda entender que ela se tornou uma força minoritária, por conta de seus próprios erros. A narrativa de que perdemos por conta de nossos acertos fere qualquer lógica. Quem acerta, ganha. Quem erra, perde.

Em segundo, não adianta culpar o povo. Se o eleitorado culpa o PT, a esquerda, os governos Lula e Dilma, pelas dificuldades vividas pelo país, alguma razão ele tem. Cabia aos governos de esquerda a responsabilidade, por exemplo, pelo desenvolvimento de estratégias de inteligência e comunicação que impedissem a degeneração tão profunda da atmosfera política do país. Para isso foram eleitos, para isso tiveram tanto poder concentrado em suas mãos. Tinham o poder de nomear ministros do STF, e o que fizeram? Podiam nomear o PGR, e o que fizeram?

Outro erro, a meu ver, é enxergar as eleições municipais apenas como um instrumento de disputa interna dentro da “esquerda”, e não como uma estratégia maior para emancipar as forças econômicas do país do jugo imperialista que está nos asfixiando cada vez mais.

É evidente que o Brasil, diante da realidade sócio-econômica de sua população, precisa de programas de governo voltados para o combate às desigualdades. Esse é o grande trunfo da esquerda. Mas a linguagem precisa mudar.

Pretender elaborar qualquer programa político e eleitoral cujo objetivo seja “defender o legado de Lula” é um insulto ao bom senso, e será a mesma coisa que fazer campanha pelos candidatos apoiados por Bolsonaro. A defesa do legado de Lula, se isso for apenas “falar bem” de Lula, sequer cabe aos historiadores, e sim exclusivamente aos setores mais fisiológicos da burocracia petista. Lula foi um grande presidente e fez coisas extraordinariamente boas ao povo, mas cabe aos historiadores fazer uma análise imparcial e crítica, buscando também os grandes erros cometidos, até mesmo para explicar a terrível debacle vivida pelo país. A julgar pelo voto dos eleitores da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, que é o tema desse post, o “legado de Lula” é instabilidade política, corrupção, golpe, desemprego, Lava Jato, violência, e uma depressão econômica (e psicológica) profunda.

Creio que o Rio é um caso emblemático. Cada cidade, naturalmente, tem uma realidade muito diferente uma da outra. Mas também não formam civilizações à parte. Em todas as grandes cidades, encontramos problemas parecidos: divisões urbanas profundas, com bairros ricos separados de periferias depauperadas; problemas de violência; moradores de rua; serviços públicos deficientes. O quadro político, por sua vez, apresenta divisões marcadamente classistas em toda parte.

Nessa questão de classe, vale abordar outro erro da esquerda, agravado por exageros de alguns intelectuais, que é discriminar e generalizar com rótulos superficiais e pouco científicos, a classe média.

A esquerda brasileira precisa se reconciliar com as classes instruídas. Nenhuma esquerda, em nenhum momento da história, jamais obteve qualquer vitória, sem antes conquistar hegemonia política e moral na sociedade, o que necessariamente passa pela criação de um núcleo duro de apoio junto às classes instruídas, que também são, sobretudo neste Brasil semimedieval em que vivemos, as classes médias.

Quando a esquerda, após o escândalo do mensalão, perde o voto da classe média, e passa se sustentar exclusivamente com o voto do chamado “povão”, ela começa a adquirir, por um lado, alguns dos vícios mais lamentáveis do populismo latino-americano, e, de outro, a consumir cada vez mais teorias que desprezam as classes instruídas, chamadas de golpistas, moralistas e reacionárias.

A classe média é o grande cabo eleitoral dos partidos políticos, em qualquer país e em qualquer época. Sem apoio dela, nenhum partido consegue vencer as eleições, e se, por acaso, vencer, não consegue governar.

Ao fazer um julgamento moralista da classe média, a esquerda emula os vícios que ela mesma denuncia na… classe média.

A classe média pode ter se tornado, em grande parte, antipetista, mas isso não a torna, necessariamente, reacionária ou de direita; misturar essas coisas interessou ao PT, mas também foi o seu grande erro, porque impediu ao próprio PT de reavaliar suas estratégias político-eleitorais.

Entretanto, vamos nos concentrar nas eleições municipais do Rio de Janeiro em 2020.

O resultado do segundo turno das últimas eleições municipais no Rio, em 2016, foi esse: Crivella 59% dos votos X 41% Freixo.

Uma pesquisa Datafolha feita às vésperas da votação no segundo turno, e que chegou razoavelmente perto da realidade (coisa rara no Rio, um lugar onde as pesquisas costumam errar por margens assombrosas), nos fornece um perfil sócio-econômico do eleitores de Crivella e Freixo.

Clique nas tabelas para ampliar.

Os números que mais chamam a atenção é o eleitorado evangélico. Entre pentecostais e não pentecostais, um total de 67% a 78% votaram em Crivella.

Um estudo estratégico para as eleições municipais de 2020, portanto, deve começar por aí. Sem conquistar, ao menos em parte, esse eleitorado evangélico, será muito difícil vencer qualquer eleição no Rio de Janeiro.

Entre o eleitorado católico, que muitas vezes é tão conservador quanto o evangélico, Freixo tinha uma vantagem de 35% a 32% sobre Crivella.

Freixo também ganhou, com larga vantagem entre espíritas, umbandistas e adeptos de religiões afro-brasileiras. Entre eleitores que declararam não possuir “nenhuma religão”, e que formam o terceiro grupo mais importante, em termos de número, do eleitorado carioca (ver quadro abaixo), Freixo ganhou por 38% a 35%.

Os eleitores não-evangélicos totalizam, segundo o Datafolha de 2016, 67% do eleitorado carioca.

Freixo teve um desempenho equilibrado entre homens e mulheres, mas Crivella teve 10 pontos a mais entre homens, o que já refletia uma tendência conservadora do voto masculino que veríamos mais tarde, na eleição presidencial de 2018.

Entretanto, à diferença de Bolsonaro, que sempre obteve uma vantagem muito marcante entre o eleitorado de classe média, a força de Crivella se concentra entre os mais pobres, provavelmente por causa do corte religioso, visto que as religiões evangélicas são especialmente fortes nas regiões mais pobres da cidade.

Freixo registrou um desempenho melhor entre as classes mais altas e mais instruídas.

Isso explicaria também a péssima performance de Jandira Feghali, do PCdoB, que disputou a eleição com apoio explícito do PT. Lula e Dilma vieram ao Rio várias vezes para prestar apoio à candidata, que terminou o primeiro turno com 3% dos votos. O PT – e candidatos muito identificados pelo partido – deixou de receber o voto tanto da classe média carioca, que se tornou antipetista, quanto do pobre, que passou a ser orientado, em boa parte, por lideranças evangélicas, que também desenvolveram animosidade contra o PT.

O resultado das eleições mostrou que o “apoio de Lula” não significou grande coisa junto ao eleitorado carioca.

Em 2018, nas eleições para o governo de estado, o PT mais uma vez abusará do “apoio de Lula”, com resultados pífios: a candidata do partido, Marcia Tiburi, terminou o 1º turno com 4% na capital, ou 130 mil votos, num total de 3 milhões de votos válidos.

É diante dessa conjuntura que um analista se pergunta o que Marcelo Freixo tem a ganhar, exatamente, com o tão badalado “apoio do PT”?

Para adensar ainda mais nossa análise, compilei outros resultados das eleições legislativas de 2016 (vereadores) e de 2018 (deputados federais, estaduais e senadores), no município do Rio.

Vamos analisar primeiro as eleições legislativas mais recentes, a de 2018, fazendo a comparação com 2014.

O quadro acima, com o desempenho dos partidos para o legislativo federal fluminense (mas compilando apenas os votos na capital), mostra, em primeiro lugar, o crescimento espetacular do PSL, puxado pelo voto em Bolsonaro, mas também do DEM, ajudado pelo bom desempenho de Rodrigo Maia e Pedro Paulo, que ficaram entre os 10 deputados mais votados da capital.

O PSOL cresceu 13,5% e ficou em segundo lugar, empurrado sobretudo pelo desempenho incrível de Marcelo Freixo, que foi o deputado mais votado na cidade do Rio.

Sustentado quase solitariamente por Alessandro Molon, que saiu do PT em 2014, passou pela Rede, e ingressou no PSB em 2018, o partido cresceu 483% em votos.

O PDT teve desempenho modesto, com apenas 79 mil votos no município do Rio, nas eleições legislativas federais de 2018, mas foi o suficiente para emplacar dois deputados federais, Paulo Ramos e Chico D’Ângelo, e registrar um crescimento de 12% sobre 2014. O desempenho do partido, contudo, ainda está longe do registrado nos bons anos de 2010, quando teve 155 mil votos.

O PT registrou 121 mil votos para o legislativo federal do Rio em 2018, sempre contando apenas os votos na capital, uma queda de 45% sobre 2014; a comparação com 2010 é ainda mais cruel: queda de quase 70%.

O PCdoB, que conquistara 155 mil votos, apenas dentro da capital, para seus candidatos a deputado federal em 2010, viu seu eleitorado cair para 46 mil em 2014, e 38 mil em 2018; numa conjuntura tão adversa para seu partido, e quase sem recursos de campanha, Jandira Feghali conseguiu se eleger com 35 mil votos, não muito distante dos 40 mil votos da campanha milionária de Rodrigo Maia.

Vamos olhar agora para o desempenho dos partidos para o legislativo estadual, comparando as eleições de 2014 e 2018, e sempre considerando apenas os votos na capital.

No legislativo estadual, PSL cresceu 537%, puxado ainda pelo 17 de Bolsonaro.

O PSOL perdeu 14% dos votos, o que se explica porque seu principal puxador de votos, Marcelo Freixo, agora disputava para o legislativo federal.

O DEM cresceu de maneira sensacional, 548%. Diante dos problemas políticos e penais enfrentados pelos principais caciques do MDB (Cabral e Pezão presos) , o establishmente financeiro e político que sustentava o partido aparentemente tomou a decisão estratégica de usar sua máquina para transferir seu patrimônio eleitoral para o DEM.

O PDT cresceu 24% na votação da legislatura estadual, e foi o quarto partido mais votado no município, com 163 mil votos. Martha Rocha, pré-candidata do partido na disputa pela prefeitura do Rio em 2020, obteve 33,0 mil votos na capital, seis mil votos a menos o que obtivera em 2014. Nenhum candidato em 2018, porém, chegou perto do recorde obtido por Marcelo Freixo em 2014, de 250,3 mil votos.

O PT experimentou uma forte queda, de 34%, em seu eleitorado.

Fizemos também o comparativo com a votação para a Câmara de Vereadores do Rio, por partido, nas duas últimas eleições municipais (2012 e 2016).

A tabela mostra que o PSOL foi o segundo partido mais votado na Câmara dos Vereadores em 2016, recebendo 284 mil votos, 24% a mais em relação à eleição anterior. Foi o único partido de esquerda que conseguiu crescer, possivelmente por sua posição independente em relação ao governo federal, então envolvido em muitas acusações de corrupção.

PT, PDT e PCdoB enfrentaram quedas expressivas em suas votações para a legislatura municipal do Rio em 2016, de 54%, 25% e 65%, respectivamente. O PT fora o segundo partido mais votado em 2012, e caiu para a nona posição em 2018.

Quando analisamos por nome, podemos ver que a ascensão política do clã Bolsonaro começou já naquele ano de 2016, quando Carlos foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro, com quase 107 mil votos, contra apenas 24 mil votos em 2012.

2016 foi o ano em que Marielle Franco se elegeu com um extraordinário desempenho para uma primeira eleição, 46,5 mil votos, a quinta vereadora mais votada no Rio.

Por fim, analisemos os números da eleição presidencial no município do Rio de Janeiro em 2018 e 2014.

Interessante observar que, em 2014, o PSB, cuja candidata era a Marina, foi o partido mais votado do Rio no primeiro turno da eleição presidencial, com 1 milhão de votos, ou 31% de todos os votos válidos dos cariocas.

No primeiro turno das últimas eleições, o PT perdeu 58% de seus votos, na comparação com a eleição anterior, saindo de 958 mil votos em 2014 na capital, para 398 mil votos em 2018, 12% do total.

O PSOL também registrou um desempenho ruim na capital, saindo de 131 mil votos em 2014 para apenas 27,8 mil votos em 2018, uma queda de 79%.

O PDT que compunha a chapa do PT em 2014, teve seu próprio candidato em 2018, e ficou em segundo lugar no Rio de Janeiro, capital, com 646 mil votos, 20% dos votos válidos.

Jair Bolsonaro obteve 59% dos votos no primeiro turno e 66% no segundo.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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