Eduardo Paes aparece em posição amplamente dominante na disputa pelo governo do Rio de Janeiro e, segundo o Paraná Pesquisas, teria hoje condições de vencer a eleição ainda no primeiro turno. O prefeito do Rio registra 48,3% das intenções de voto, abrindo mais de 35 pontos sobre o segundo colocado, Douglas Ruas (PL), que marca 12,6%.
O levantamento mostra um cenário devastador para o campo bolsonarista no estado. Mesmo com o PL tentando se organizar em torno de Douglas Ruas, a candidatura ainda não conseguiu ultrapassar a barreira de dois dígitos de forma competitiva. Atrás dele aparecem Anthony Garotinho (9,2%), André Marinho (4,2%), Wilson Witzel (3,1%), Bombeiro Rafa Luz (2,6%) e William Siri (0,6%).
A vantagem de Paes é politicamente expressiva porque combina três ativos raros: alta lembrança, forte presença territorial e baixa fragmentação no campo adversário. Como prefeito da capital, ele governa o maior colégio eleitoral do estado e consegue projetar sua marca administrativa para além da cidade do Rio, especialmente em temas como obras, serviços urbanos e capacidade de gestão.
No segundo turno, o domínio se amplia. Paes venceria Douglas Ruas por 60% a 24,5%, uma diferença de 35,5 pontos percentuais. A pesquisa ouviu 1.680 eleitores em 62 municípios, entre 1º e 3 de junho, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e registro no TSE sob o número RJ-05645/2026.
O dado mais duro para a direita é que o Rio, berço político do bolsonarismo, aparece hoje sem um nome competitivo para enfrentar Paes. A força do prefeito expõe a dificuldade do PL em transformar o capital ideológico de Jair Bolsonaro em uma candidatura estadual viável, especialmente após anos de desgaste de governos fluminenses marcados por crise fiscal, violência, escândalos e instabilidade institucional.
Paes também se beneficia de um eleitorado que parece buscar pragmatismo. No Rio, a disputa pelo governo costuma ser menos ideológica do que nacionalizada: segurança pública, transporte, saúde, presença do Estado e capacidade de entregar obras pesam muito. Nesse terreno, Paes tenta vender a imagem de gestor experiente contra adversários ainda sem densidade estadual comparável.
A pesquisa não encerra a disputa, mas estabelece um ponto de partida poderoso. Se mantiver esse patamar, Paes entra em 2026 não apenas como favorito, mas como candidato a liquidar a eleição no primeiro turno. Para o bolsonarismo, o recado é brutal: no estado onde nasceu politicamente, a direita pode ser atropelada por uma candidatura de centro com máquina, presença territorial e recall administrativo.


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