A Polícia Federal investiga se aliados do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, forjaram a escritura de um imóvel para justificar a origem de cerca de R$ 470 mil em dinheiro vivo apreendidos em endereço ligado ao parlamentar em Brasília.
Segundo relatório da PF, a versão apresentada por Sóstenes é que o dinheiro teria vindo da venda de uma casa em Ituiutaba (MG) por R$ 500 mil. O problema é que os investigadores apontam inconsistências na transação: a escritura pública teria sido formalizada apenas em 30 de dezembro de 2025, onze dias depois da operação que encontrou os valores em espécie.
A suspeita central é que a operação imobiliária tenha sido usada para dar aparência de legalidade ao dinheiro apreendido. A PF também afirma haver indícios de uma movimentação de R$ 15 milhões por uma rede de empresas que poderia ter origem em recursos públicos ligados ao parlamentar.
O comprador do imóvel seria o advogado Thiago Ferreira de Paula, alvo da nova fase da operação. De acordo com a CNN, a PF viu indícios de que ele não teria capacidade financeira compatível com a compra. Além disso, a comunicação ao cartório ocorreu somente depois da apreensão do dinheiro, o que reforçou a suspeita dos investigadores.
O caso é um desdobramento da investigação sobre suposto desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos de aluguel de veículos. A principal linha da PF é que empresas teriam sido usadas para simular despesas e movimentar dinheiro público com aparência regular.
Sóstenes nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política. O parlamentar já havia sustentado que os valores encontrados eram fruto de uma negociação imobiliária privada.
A investigação, porém, coloca o líder do PL em uma situação politicamente delicada. Dinheiro vivo, escritura feita depois da apreensão, comprador sob suspeita e empresas investigadas formam um conjunto de sinais que a PF agora tenta organizar para responder a uma pergunta central: a venda do imóvel foi real ou foi construída para explicar dinheiro cuja origem ainda não foi comprovada?
O caso atinge diretamente uma das figuras mais influentes da oposição na Câmara. Como líder do PL, Sóstenes atua na linha de frente do bolsonarismo no Congresso. Por isso, a nova fase da apuração não tem apenas impacto jurídico. Ela também amplia o desgaste político do partido em meio à pré-campanha de 2026.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!