O Hezbollah mantém sua postura de rejeição total ao desarmamento e só interromperá os combates quando houver a retirada completa das tropas israelenses do sul do Líbano. A avaliação é do analista político Laith Marouf, que concedeu entrevista ao canal Dialogue Works, conduzida pelo apresentador Nema. Marouf descreveu o recente memorando de entendimento assinado entre os governos libanês e israelense como um ato inconstitucional e natimorto, sem qualquer viabilidade política.
Segundo Marouf, o acordo, que prevê o desarmamento da resistência e o controle das ações do Hezbollah, viola a Constituição libanesa e o Acordo de Taif. “Desde o início, o primeiro-ministro Nawaf Salam não buscou autorização do gabinete para negociar e desrespeitou a proibição de contato direto com Israel”, explicou. O analista ressaltou que o embaixador libanês em Washington sentou-se à mesma mesa que representantes israelenses, o que configura uma violação direta do ordenamento jurídico do país.
Na entrevista ao canal Dialogue Works, Marouf afirmou que a correlação de forças na região mudou drasticamente desde janeiro de 2025, com a vitória do Irã e do Eixo da Resistência sobre Estados Unidos e Israel. “Hoje, não apenas o Hezbollah e o Partido Amal rejeitam o memorando, mas também o Partido Socialista, que representa a maioria drusa, o Partido Marada e setores sunitas”, disse. “A maioria da população e do parlamento é contra, e o Exército libanês, com cerca de 55% a 60% de seus oficiais e soldados xiitas, não aceitará confrontar sua própria gente.”
O entrevistado destacou que a pressão americana para que as Forças Armadas libanesas enfrentem o Hezbollah fracassou porque qualquer ordem nesse sentido provocaria um motim interno. “Os Estados Unidos chegaram a cogitar o envio de tropas terrestres para o Líbano, mas isso seria repetir o desastre de 1982, quando 220 soldados americanos morreram em um único atentado”, lembrou. Ele acrescenta que sanções contra líderes cristãos e drusos alinhados à resistência apenas mostram o desespero de Washington.
Marouf também abordou a situação no sul do Líbano, onde Israel ocupa uma área maior que a Faixa de Gaza, mas inferior ao que consta nos mapas divulgados. “Hezbollah mantém emboscadas e o controle de muitas aldeias mesmo abaixo da linha amarela, e a reconstrução, como ocorreu após 2006, será financiada pelo Eixo da Resistência, não pelo governo de Nawaf Salam”, afirmou. O analista relatou que autoridades libanesas chegaram a bloquear tentativas de moradores de reconstruir suas casas com recursos próprios, gerando confrontos com a polícia.
Questionado sobre o cenário sírio e iraquiano, o entrevistado alertou que os Estados Unidos tentam enfraquecer o Eixo da Resistência, mas esbarram em realidades militares e demográficas. “No Iraque, o primeiro-ministro quer desarmar as Unidades de Mobilização Popular até setembro, mas as forças de segurança não estão dispostas a esse confronto”. Sobre a Síria, Marouf vê fragilidade no governo de al-Julani e uma incipiente resistência local no sul, que pode receber apoio logístico e militar do Irã e do Hezbollah, transformando-se em um novo front para Israel.
Para Marouf, a pausa atual nas hostilidades é ilusória e deve ser seguida por uma escalada militar em toda a região. “Enquanto negociam, EUA e Israel tentam criar fatos no terreno: o golpe em curso no Iraque, os ataques ao Iêmen e a pressão sobre o Líbano”, concluiu. “O Irã não ficará parado enquanto seus aliados são esmagados, e a guerra deve recrudescer a qualquer momento.”


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